The Hearts Light

16 XVI – Li Ping


O trio apenas obedeceu a Yao. Lilian estava para protestar, quando Riku a censurou com o olhar, fazendo-a calar. Chien-Po a ajudou a subir na carroça. Zack foi logo atrás, e Riku por último.

A estrutura de madeira não era grande e parecia o mais rústica possível. Feno estava um pouco espalhado e cobria parte da carroça. A jovem estava para olhar melhor, quando o cavalo relinchou e começou a correr.

A viagem não fora longa, e o vilarejo, que eles viram de cima através da High Wing, aparecia adiante. As ruas estavam desertas. As casas eram de típica arquitetura chinesa. O cavalo relinchou ao entrar em uma das ruas rapidamente, e mais à frente, em uma das casas, as portas se abriram, dando passagem para um grande terreno, que outrora fora verde, e agora a grama começava a tomar a cor amarelada.

- Onde nós estamos? – perguntou Lil, quando o cavalo parou.

Ninguém a respondeu, mas isso não a incomodou, pois estava estudando o local ao redor. E não pôde deixar de notar o quão bonito era.

- Ping! – chamou Yao, ao avistar um rapaz que não era nem mais velho que o Riku nem mais novo que o Zack.

Ele também não era alto como os dois amigos da jovem, mas era mais alta que ela. Seus cabelos eram negros como a escuridão, e comprido, porém, eles estavam amarrados. Seus olhos, de cor escura, corriam de Yao para os visitantes.

- Yao... Quem são eles? – perguntou Ping. – E onde está a minha mãe?

Yao não respondera. Apenas olhou para Ling, que remexia o feno na carroça. De lá, o homem magro tirou um capacete de guerra e entregou para Ping. Ele apenas pegou o objeto sem entender. Seu olhar parecia procurar algo ali. Algo que ele não conseguia encontrar.

- Viemos ao chamado de Fa Mulan! – disse Riku, chamando a atenção de todos.

- Nós os encontramos no bosque a caminho daqui. – começou Chien-Po. – Talvez eles nos ajudem.

Ping apenas ficou em silêncio. Respirou fundo e acenou para que Yao e os outros dois levassem os visitantes para dentro da casa, enquanto ele seguia ao que parecia ser um pequeno templo. Lilian apenas teve tempo de vê-lo erguer o capacete de Mulan.

O trio entrou na pequena sala e Chien-Po acenou para que eles se acomodassem em volta de uma pequena mesa baixa. Lilian estranhou o fato de não haver cadeiras, e todos sentaram no chão de joelhos em volta da mesinha. A jovem não questionou e fez o mesmo.

Não demorou e Ping entrou no recinto. Ele esfregava um dos olhos com a mão, como se tentasse não parecer que estava chorando anteriormente. Ele suspirou e olhou para os visitantes por alguns instantes antes de sentar à mesa.

- Como vocês conhecem a minha mãe? – apressou-se Ping em perguntar, antes que Riku pudesse falar algo. – E como vou saber que não estão mentindo?

- Eles não estão mentindo. – comentou Ling, atraindo os olhares de todos à mesa, exceto Riku.

- O que quer dizer? – tentou questionar Ping, mas fora interrompido mais uma vez.

- Ele – apontou para Riku. – ajudou a sua mãe antes, em várias ocasiões, antes mesmo de você nascer. E ela provavelmente os chamou antes que pudesse ser capturada.

- Como assim? – perguntou Riku com um pouco de dúvida na face. – Mulan foi capturada? O que aconteceu?

Ping virou o olhar para um lado, encarando ninguém e apenas pensando. Ele parecia em um conflito interno para decidir o que falava.

- Vocês já devem saber que o Imperador caiu e as trevas assumiram o seu lugar, certo? – perguntou Ping, e Riku apenas assentiu. – E sabe também sobre a resistência?

- Sora ajudou Mulan e Shang com a resistência. Quando o Sora desapareceu, ela não hesitou em continuar a lutar, mas tudo foi dificultado sem sua ajuda. – comentou Riku.

- Muitos anos, meus pais, Mulan e Shang, passaram anos estudando as movimentações em torno da cidade proibida. Há alguns meses, meu pai decidiu que estava na hora de agir. Minha mãe tentou impedi-lo, mas ele estava confiante e ela o deixou ir.

- Shang nos mandava mensagens toda semana, e sempre relatava sua posição e a situação do inimigo. Mas há algumas semanas as mensagens cessaram. – continuou Chien-Po.

- Mulan ficou preocupada e acabou partindo com um exército, do qual eu, Yao e Chien-Po fazíamos parte. Mas fomos emboscados. Antes que Mulan fosse descoberta como mulher mais uma vez, ela disse que pediu ajuda e mandou que voltássemos. – explicou Ling.

O silêncio dominou o recinto outra vez. Riku ainda pensava sobre tudo o que foi dito, enquanto Zack apenas tentava estudar a situação. Mas Lilian ficou intrigada com algo dito, o que era perceptível em sua face.

- Descobri-la como mulher mais uma vez? – indagou Lilian em voz alta, perguntando-se mais para si do que para os outros em volta.

- Na luta contra os hunos para defender a China há muito tempo, Fa Mulan tomou o lugar do pai no exército e escondeu sua identidade para lutar contra os hunos. – explicou Yao, mas logo continuou. – Ela foi descoberta, porém, sua vida poupada. Teríamos perdido para os hunos se ela desistisse de lutar. Ela é uma grande mulher.

Lilian voltou a olhar para a mesa, enquanto estava absorta em pensamentos. Involuntariamente, ela esboçou um pequeno sorriso. Mulan, por alguma razão, trazia a lembrança de Olette na cabeça de jovem, e também via como ela morreu lutando para salvar os dois únicos sobreviventes do massacre em Twilight Town.

- Já que são amigos de minha mãe, – começou Ping. – eu convido vocês para que descansem por aqui.

Riku agradeceu com um aceno e Chien-Po, junto com Ling e Yao, foram levar cada um dos visitantes ao lugar onde poderiam descansar. O tempo havia passado rápido durante a conversa, e já anoitecia.

Após que Chien-Po a deixou nos aposentos destinado a ela, Lilian ficou apenas sentada em um canto do quarto enquanto pensava. Aquele lugar e a situação na qual se encontravam era realmente algo no qual a deixava bastante pensativa.

Aos poucos, ela foi se deitando no chão frio e as pálpebras pesaram. Sentiu uma brisa vinda da janela, o que a deixou mais sonolenta. E finalmente adormecera.

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- Você ainda não explicou porque viemos para este mundo. – perguntou uma voz masculina um pouco temerosa, enquanto olhava para os lados apressadamente.

- Ah, você pergunta demais. – bufou uma segunda voz, também masculina.

Lilian parecia confusa por tantas vozes e sons diferentes. Abriu os olhos e não se encontrou há o que parecia ser minutos atrás. Levantou-se e olhou bem um lugar.

Parecia ser à saída de um beco estreito entre dois prédios. Ela andou um pouco e ouviu as duas vozes de antes vinda de suas costas. Ela olhou para a rua movimentada mais adiante e depois para três vultos.

A moça tentou falar, mas as palavras não saíam, e eles aparentemente não a viam ali. Lilian tentou ver suas faces, mas eles estavam encapuzados.

- Ainda não o encontramos. – disse uma terceira voz mais calma. – Não o achamos em Radiant Garden antes da destruição, e ele tampouco foi para Traverse Town. Mas o que ele faria nesse mundo distante e isolado?

- Ora, esta é uma das razões para estarmos aqui, certo? – questionou a segunda voz. – A propósito, ele não iria para lugares onde o acharíamos facilmente.

Lilian não entendia nada daquela situação, mas pouco ligava. Eles sabiam do que houve em Radiant Garden e mencionaram Traverse Town, e isso foi o que a deixou intrigada.

- Mas se ele não estiver aqui...? – a primeira voz voltou a falar.

- Você quer calar essa boca? – disse a segunda voz, começando a ficar irritado.

- Ah, como vocês dois são infantis... – comentou o terceiro vulto, parecendo alheio a iminente briga dos dois primeiros.

Lilian, que estava quieta, olha para trás mais uma vez, e ninguém parecia notar que havia pessoas naquele beco. A moça sentiu uma leve brisa no rosto, o que pareceu fazê-la relaxar.

- Há alguém aqui. – disse a terceira voz calmamente, um pouco desinteressado, e chamando a atenção dos outros dois.

Lilian arregalou os olhos. Ela não acreditava que eles a viram, pois já teria sido pega. Mas aquilo a assustou e sentiu a respiração acelerar, enquanto pensava numa forma de sair daquele lugar.

- Alguém? – argumentou a primeira voz, não muito temerosa, e olhava para os lados, como se esperasse que alguém saísse das paredes.

O terceiro vulto parecia olhar fixamente para um ponto, onde Lilian se encontrava. Os outros dois não a enxergavam, e ela duvidava que o terceiro também visse, mas ela se sentia observada, o que a arrepiou.

- Te peguei. – disse a terceira voz, ainda calma e apontando para a jovem. – Bang!

E ela sentiu tudo se distanciar. A visão ficava turva, e a jovem se pôs de joelho. O terceiro vulto parecia não ter feito nada, mas ela não deixou de sentir cansaço. Tentou se levantar, mas caiu e suas pálpebras ficaram pesadas. Não ouvia mais nada, muito menos tentava pensar. Deixou-se levar pela sensação estranha.

Então tudo ficou escuro.

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Assustada, Lilian acordou num pulo. Ficou sentada olhando em volta e estudando rapidamente cada detalhe de um pequeno quarto. Respirou fundo, enquanto pensava no sonho que tivera.

- Mas parecia tão real. – comentou consigo.

Depois de passar alguns minutos sentada, ela conseguiu se acalmar, mas temia em voltar a dormir. Olhou pela janela e o céu estava começando a clarear. Pôs-se de pé e saiu do quarto.

Não havia ninguém no jardim, o que a deixou aliviada. Naquele momento, após o sonho, ela apenas queria pensar por alguns minutos. Lembrou-se da cena de ontem quando Ping estava no pequeno templo. Decidiu então ir até o lugar.

Ele não era grande de fato. Lugar feito quase em um círculo perfeito. Havia algumas colunas de mármore com inscrições na qual ela não conseguia ler. E no chão, em frente a uma coluna maior, estava o capacete de Fa Mulan.

Ela se ajoelhou e visualizou o capacete. Olhou para trás e certificou de que ninguém a espionava, nem a surpreenderia ali. Pegou o objeto e o estudou detalhadamente. Estava um pouco empoeirado. Ela iria tirar a camada fina, quando ouviu um barulho estranho.

A moça olhou para trás e não viu ninguém. E mais uma vez o ruído. Olhou para o capacete, e sentiu algo sob suas mãos. Ela levantou o objeto para olhá-lo de baixo, quando soltou um grito abafado, e deixando cair no chão o capacete.

- O que? O que? – gritou alguém exaltado.

Lilian se afastou um pouco, mas sem desviar o olhar de onde vinha a voz.

Quando tudo pareceu mais calmo, ela pôde perceber um lagarto vermelho limpando a poeira do corpo. A jovem arqueou uma sobrancelha e se perguntou o que seria aquilo. Pensou em perguntar, mas viu que ele também a olhava.

- Você não é a Mulan. – disse ele, apenas afirmando.

Mesmo assim, Lilian assentiu um pouco assutada.

- Se você não é Mulan, então quem é você? E o que eu estou fazendo aqui? – perguntou.

- Meu nome é Lilian. – falou a jovem com a voz um pouco trêmula. – E eu acho que você estava escondido dentro do capacete. Mas quem é você?

- Quem eu sou? Quem EU sou? – ironizou o lagarto. – Sou o todo-poderoso! Sou o indestrutível Mushu! – apresentou-se ele de forma um pouco espalhafatosa e teatral.

- Indestrutível? – ela indagou. – Todo-poderoso? O que um lagartinho como você pode fazer? – continuou ela ironizando Mushu, que parecia ficar furioso.

- Ok, eu não sou lagarto! – exclamou ele, tentando não parecer ofendido. – Dragão! Lagarto não. Eu não fico por ai soltando a lingueta.

- Eu achei que dragões fossem maiores. – Lilian disse tentando não rir da situação de Mushu.

- Duh! Eu estou em meu tamanho de bolso. – replicou ele. – Mas se eu estivesse em meu tamanho normal, eu faria a criança aqui correr de medo. – apontou ele para a jovem.

Lilian arqueou uma sobrancelha em dúvida, mas preferiu não questionar o que Mushu dizia. Continuou a olhá-lo antes de continuar a falar.

- Mas o que aconteceu com Mulan? – perguntou Lilian, um pouco mais séria.

- Pode, por favor, não mencionar o que aconteceu. – disse ele, mudando para um tom um pouco áspero, fazendo a moça entender que Mushu não queria tocar no assunto.

Não muito longe, alguns ruídos foram ouvidos ao longe. Lilian percebeu que já estava um pouco mais claro e todos estavam acordando para o café da manhã.

- Temos que ir. – falou Lilian. – Logo eles vão dar a minha falta e eu não quero ter que falar o motivo da minha ausência. – e estendeu a mão para Mushu.

Ele subiu na mão dela e seguiu até o ombro. Ela ajeitou o capacete de Mulan e se virou.

A jovem espiou pelos cantos para certificar de que ninguém estaria vendo. Sorrateiramente, ela seguiu para a casa principal. Entrou silenciosamente onde eles haviam conversado ontem.

- Ora, parece que a garota perdeu a hora. – falou Ping, observando Lilian se sentar ao lado de Zack.

Ela apenas bufou e ignorou o comentário.

- Yao, onde estão as filhas do imperador? – perguntou Riku de repente.

Yao olhou para o rapaz, e depois buscou o olhar de Ling e Chien-Po, que não esperavam por aquela pergunta.

- Nós a mandamos para um refúgio. – respondeu Ping, atraindo os olhares. – Já que o imperador caiu, nós tivemos que proteger as herdeiras do trono chinês antes que elas fossem pegas pelas trevas.

- Então temos que salvar Mulan e acabar com quer que seja que está causando tudo isso. – disse Zack.

- Concordo. – acenou Lilian positivamente.

- Que bom! – falou Ping sarcástico e seu olhar caiu em Lilian. – Mas o que você vai fazer? Gritar por ai enquanto espera a cavalaria?

- O que você quer dizer com isso? – perguntou a jovem tentando não alterar a voz.

- Não quero ofender. Mas protegemos as princesas das trevas porque eles estão atrás de todas as mulheres deste lugar. Minha mãe foi pega pela mesma razão.

- Isso não quer dizer nada. – replicou ela.

- Mas não precisamos de empecilhos em nosso encalço.

- Quem você está chamando de empecilho? – disse Lilian, alterando a voz e batendo na mesa.

- Ora, não precisa ir. Isso é sério...

- Não me venha com essas desculpas esfarrapadas. – continuou ela, invocando a Oathkeeper, e ele desembainhou a espada.

- E o que você vai fazer tampinha? – ironizou ele, pondo-se de pé.

- Agora eu vou matar você. – ela não se conteve e tentou avançar sobre ele, mas Zack e Riku a seguraram antes que ela pudesse matar alguém, enquanto Chien-Po o segurou e o levantou no ar.

- Ping, você está muito estressado. – disse ele, e o segurou mais forte e balançando-o calmamente enquanto parecia cantarolar algo. – Mais calmo?

- Mais calmo! – disse ele após respirar fundo.

- Mas independente dessa situação, nós temos que fazer algo. – começou Riku sério, soltando a jovem, enquanto Zack a segurava. – Mulan nos chamou, e nós viemos aqui para lutar.
Notas finais
E mais um capítulo postado como o prometido ^^
Agora só na segunda-feira, com o capítulo 17 xDD
Claro, a Lil não poderia ir a Land of Dragons sem encontrar o Mushu, certo? Ambos irão aprontar muito xDD
Sem falar que ainda virá muita ação... Ou pelo menos eu tentei fazer com que ficasse bem legal >< Não imaginam a tortura que foi ><
Bem, eu espero que tenham gostado do capítulo e que estejam aqui para lerem os próximos =)
Mereço coments, ao menos? Comentem and be happy =DD
Bye Bye Beautiful!