The Heart Never Lies
22 Notícias.
Notas iniciais
Na manhã seguinte eu não tive coragem de aparecer no paraíso. Depois de tudo que Cameron me fez passar, vai ser uma humilhação pra mim. Então, eu segui direto para a sala do diretor, sem ao menos avisar Dylan.
Ao entrar na sala dou de cara com Joe encarando a porta, como se ele já soubesse que eu iria aparecer ali. Esse cara me assusta.
– Acho que você já está sabendo de tudo, certo? — Me encolhi perto da porta.
– Sim, estou. Não tomou os devidos cuidados que te pedi – Joe falou grosso. Por um momento senti medo dele.
– Como eu tomaria? Já te expliquei isso – Dei de ombros e segui até a cadeira a sua frente. — O que vai fazer comigo? — O encarei.
– Vou ter que tomar medidas drásticas quanto a isso. — É, eu já esperava por isso.
– E quais são essas medidas? Não me diga que eu vou embora? — Me desesperei. Essa é última coisa que quero.
– Olha Eliza, você sabe que estamos sem quartos disponíveis aqui, não posso deixar você ficar no mesmo quarto de Ryan depois de toda a verdade, os alunos iriam querer trocar tudo aqui e viraria uma bagunça. — Começou a mexer em uns papéis.
– É sério isso?
– Quero que ligue para seus pais e converse com eles, explique tudo que aconteceu nos últimos dias. Eu não os informei de nada. — Joe me passou o telefone. Diretor bundão, não tem coragem nem de contar a verdade para meus pais.
– Porque eu que tenho que contar? — Fiz careta.
– Os problemas não são meus – Aham, claro. Que vontade de te tacar essa cadeira.
– Te envolve querido – Ergui a sobrancelha.
– Liga logo – Apontou pro telefone. Ainda é abusado. Bufei e disquei o número de casa. Não demorou muito para atenderem.
– Alô? — John abestado que atendeu.
– Ei estrume – Sorri. Que saudade dele.
– Meu Deus! Lembrou que tem família? — John praticamente gritou do outro lado da linha. Mas que desespero.
– Calma a periquita Jonathan – Ele riu. — Tenho notícias sérias, bombásticas.
– Tá calma – Tentou imitar a minha voz. Só tentou mesmo, saiu uma bosta. — Diga-me, o que andou aprontando aí? — Engoli em seco.
– Já sabem de tudo, a escola inteira. — Fui direta.
– Que tu é Jonathan? Descobriram como? — John tava ficando desesperado. Nem é ele que vai embora, mereço.
– Cameron, uma vadia da escola fez uma macumba aqui ontem e mostrou pra todo mundo. Avisa pai e mãe, eu não quero falar disso com eles, vão querer minhas tripas – Fiz careta.
– Okay. E o Joe falou disso tudo?
– Pois é, acho que eu vou embora – Choraminguei.
– Acho que ele não vai fazer isso com você, é uma aluna boa – John ficou sério. Ai como eu amo esse gay.
– Grandes coisas ser uma aluna boa, não tem como eu ficar aqui – Encarei a mesa.
– Vamos dar um jeito.
– Vou conversar com ele aqui. Avisa mãe e pai para vir aqui depois. Amo vocês. — Desliguei. Nunca espero ele se despedir. Sou má.
– E então? — Joe me encarou.
– Já avisei. — Dei de ombros. — Quero saber minha situação agora.
– É aquilo que você já imagina... — Não creio.
– Que eu vou... embora? — Paralisei.
– É, eu sinto muito... Vou conversar com seus pais sobre isso – Joe me olhou com pena. Odeio quando fazem isso.
– Joe, por favor, não faz isso comigo – Me desesperei. Porque essas coisas só acontecem comigo?
– Já te expliquei tudo Eliza – Joe levantou – Eu queria poder fazer alguma coisa, mas não tem jeito, provavelmente amanhã mesmo você terá que ir – Joe colocou a mão no meu ombro. Que desgraça de vida.
– Mas que droga... — Sussurrei. Sem perceber, lágrimas escapavam de meus olhos. Odeio ser fraca. — E Ryan? Como vou saber se ele me perdoou ou não?
– Ryan vai te perdoar, eu conheço aquele cabeça dura. Vai atrás dele – Aham, claro. Me dê um escudo, aí quem sabe.
– Melhor não, não estou afim de levar pedradas hoje. Obrigada – Sorri sem humor.
– Vai se despedir dos amigos. — Não fala isso cara.
– Amigos? Despedir? Não fala isso – Chorei mais.
– Tu tá emocional demais – Fez careta.
– Eu sei. Me deixe com meu momento, ok? — Segui até a porta.
– Boa sorte Eliza – Acenou. Acenei de volta.
Saí da sala e segui direto para minha querida árvore, preciso voltar a ter bons momentos com ela, voltar a pensar na vida.
Ainda é difícil acreditar que eu vou te que deixar tudo isso aqui, abandonar as pessoas que conheci, a escola e até o diretor banana. Vou entrar em depressão. Ok, menos. Ah, e o paraíso? Não posso abandonar ele, ele não é nada sem mim. O que vai ser da minha vida sem essa escola? Socorro. E tem o Ryan... Eu tô gostando daquele estrume, como que ele se atreve a ficar com raiva de mim assim? Eu entendo ele, mas isso não é desculpa pra me tratar como uma qualquer, não sou a Cameron. Bom, pelo menos eu vou embora e não vou nunca mais ver ele. É mais fácil pra esquecer.
Espera aí...
Eu vou embora! Adeus mundo.
Fale com o autor