The Heart Never Lies
31 Finalmente Tudo Certo.
Notas iniciais
No dia seguinte eu só queria uma coisa: Morrer. Eu não estava nem um pouco afim de ir naquele colégio, tudo bem que ontem eu estava “animada” para aparecer lá, mas hoje não. Eu vou ter que encarar aquelas pessoas, aquelas vadias, o diretor... Ah, o diretor! Oh saudade do meu velhinho.
Depois daquela pequena safadeza com o Ryan eu nao o vi mais, não sei se vai voltar com a gente para o colégio e não sei de nada. Provavelmente ele já deve estar na escola, só veio aqui para fazer um lanchinho. Credo! Que tipo de pensamento é esse? Eu sou o lanchinho! Oh... Como que vai ser agora? Nós transamos, ele me viu nua, ele tocou no meu corpo e eu no dele, claro né, e eu tenho certeza que quando eu me encontrar com ele vou ficar com muita vergonha, mas ah, dane-se, eu já sou bem grandinha, como minha mãe diz, não preciso disso não.
Opa!
De onde veio essa confiança?
Do fundo do poço, onde você está agora, minha querida!
Aí, essa sou eu de verdade.
— Mãe, temos mesmo que ir? – Minha mãe ligou o carro – Porque meu pai não vai junto?
— Ele tem coisas do trabalho para resolver – Tava concentrada – Vamos, você vai gostar de voltar, afinal, seu novo namorado está lá.
— Ele pode vim pra cá – Olhei pela janela. Tava um dia lindo, um sol maravilhoso.
— Não da mais para voltar atrás – Minha mãe me olhou rápido.
— Só não quero que me julguem lá ou que falem coisas – Fiz cara feia.
— Com ou sem você lá eles vão falar, já estão falando, é melhor você encarar logo – Minha mãe sorriu tentando me confortar – Aja como uma adulta e deixe eles pra lá – Deu beleza.
— Você tá tão estranha – Dei uma risadinha.
— O quê? Não gosta do meu estilo jovial? – Ela riu.
— Tá forçando muito, deixa acontecer naturalmente – Gargalhamos.
— Besta. Isso aí! Continue animada – Levantou os braços.
— Tá querendo nos matar é? – A olhei séria – Dirige direito mulher – Fiz cara de assustada.
— Okay velha – Revirou os olhos. Essa minha mãe é tão estranha, mas eu gosto assim.
Encostei minha cabeça no vidro e fechei os olhos. Melhor tirar um cochilo porque daqui a pouco começa o verdadeiro pesadelo.
—.-
Depois de algumas horas -que poderiam ter durado mais- chegamos no tão sonhado colégio, que já não é mais tão sonhado assim. Hoje eu tô muito dramática. Pela graça do Senhor, não tinha aluno nenhum fora da escola, o que é bom porque eu ainda posso correr e ninguém me ver, mas esse pensamento é um fracasso, já que minha mãe está do meu lado segurando minha mão para que ocorra tudo bem e que eu entre com segurança na escola. Argh!
Caminhamos pelo gramado até a porta, onde avistamos o diretor Joe com um sorriso no rosto. Como ele consegue sorrir? Claro, com a boca, né?! Deus, arranca esse ser que está me possuíndo, eu não aguento mais.
— Grande Eliza! – O diretor falou alto e abriu os braços para um abraço.
— Grande não, Eliza sim – Sorri amarelo e o abracei. Homem doido.
— Faltou só crescer um pouco – Ele riu e foi falar com minha mãe.
— Vamos para a sala, temos algumas coisas para resolver – Ele saiu andando e nós o seguimos. Eita, já era.
—.-
— Então Eliza, está animada? – Ele sentou em sua cadeira enorme.
— Nem um pouco – Resmunguei.
— Porque? Estamos todos animados em te ter de volta – Joe pegou alguns papeis e me encarou.
— Acho que não era uma boa eu voltar aqui depois de tudo – Revirei os olhos.
— Ah, que nada, esqueça isso, ninguém mais se lembra disso – Joe sorriu – E além do mais você não tem mais nada pra esconder – Piscou para mim.
— Eu sei, mesmo assim é chato e estranho – Encostei na cadeira.
— Deixe de drama – Riu – Você vai gostar, todos os seus amigos estão aí – Apontou pra porta.
— Na porta? – Ué, não entendi.
— Não – Joe gargalhou – Quero dizer que estão aí na escola te esperando – Deu uma pausa dramática – E sei que tem um que está louco pra te ver, veio aqui na sala umas cinco vezes hoje já – Piscou pra mim. Para moço!
— Quem? – Fiquei curiosa. Jura que tu não sabe quem é Eliza?
— Ryan – Joe gentilmente sorriu – Ele quer muito te ver – Corei. Para de brincar com minha cara diretor.
— É... Então, como eu fico agora? Em qual quarto? – Pulei rápido de assunto, não quero ficar igual boba apaixonada aqui não, isso não é pra mim.
— Bom... – Joe começou sério – Você vai ficar no quarto 209, o mesmo quarto da Cameron – O quê? Não acredito! Deus, me leva que eu já tô morta.
— Porque? Eu não quero ficar no mesmo quarto daquela vadia – Me levantei. Tô exaltada.
— Calma minha filha – Minha mãe finalmente se pronunciou.
— Eliza, a Cameron não vai mais estudar aqui, hoje é o último dia dela aqui – Como assim eu não vou esfregar a cara dela no asfalto? – O pai dela decidiu mandar ela para outra escola e ela vai.
— Mas... que delícia – Não vou ter meu gostinho de vingança, uma parte triste do dia.
— Nós fizemos mudanças no colégio, nas aulas, nos dormitórios e em tudo. Vá e conheça sua nova colega de quarto – Me deu meu quadro de horário – E não se meta em encrenca – Sorriu.
— Okay... – Mordi os lábios – Tchau mãe, lá vou eu de novo – Choraminguei.
— Boa sorte filha, amo você – Nos abraçamos e eu segui para a porta.
Logo que sai da sala, o corredor estava lotado de pessoas que me encararam por poucos segundos, nem dei bola e segui andando, precisava comer alguma coisa. Fui para o paraíso que continua o mesmo, com os mesmos passa fome de sempre e agora com mais uma, né. Procurei algum conhecido e não encontrei, me sinto uma solitária, sem amigos, sem ninguém. Cadê minha mãe?
— ELIZA! – Ouço alguém gritando, conheço essa voz maravilhosa. Procuro pelo dono da voz igual um peru doido, olhando pra todo lugar. – ELIZA! – Gritou denovo. Cadê?
— PARA DE GRITAR MEU NOME, ONDE TÁ VOCÊ? – Gritei de volta. Pessoal do refeitório neste momento já estão tudo olhando para os dois idiotas que estão gritando.
— Bem aqui – Falou um ser da voz grossa atrás de mim. Quase tive um mini infarto quando ele falou, que voz é essa homem! Me virei e dei um sorrisão ao ver Ryan todo lindo sorrindo para mim.
— Oi – Falei tímida.
Ryan nem se quer respondeu, me puxou pela cintura e me beijou rapidamente, aquele beijo que diz “você é minha e eu quero que todos aqui vejam isso”. Logo que paramos o beijo ouço um barulho no fundo do refeitório, algo como “aê, finalmente”, “come ela logo”, nós dois rimos. Olhei por cima do ombro de Ryan e avistei uma Cameron furiosa, a ponto de soltar fogos pelas narinas bufante dela. Que narizão ein! Saiu batendo o pé e eu quase joguei uma cadeira dali nela, pena que a cadeira estava longe e eu tinha que andar até lá.
Nós saímos de mãos dadas e seguimos rumo ao nosso carro que estava no estacionamento com nossos dois filhos lindos.
Opa!
Tô só sonhando mesmo.
Nós só saímos e fomos dar uns amassos por aí.
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