The Heart Never Lies
27 Beijo intenso.
Notas iniciais
Ryan estava parado ali, na minha porta, há mais de 20 minutos e a única coisa que fizemos foi trocar olhares. Ele carregava a mochila em uma das mãos e na outra um envelope que eu imagino ser uma carta xingando até a minha terceira geração.
– Ryan... O que...? — Não consigo nem formular uma frase. Isso é demais pra mim.
– Elizabeth... — Aquela voz grossa dele me deu um arrepio nas costas. Tanto tempo sem ouvi-la, aumentou ainda mais a saudade – Eu posso entrar? Tá frio e chovendo aqui fora – Deu de ombros. Ai meu Deus, que sem educação eu sou.
– Entra... — Sussurrei e dei espaço para ele entrar. Ryan ficou parado na sala e todos o encarava. Porque será?! Acho que porque ele é muito gato.
– Mãe... — Comecei mas ela me interrompeu.
– Pode ir, já sabemos – Me deu um leve sorriso. Esse “pode ir” dela é o quê?
– Tá – Olhei desconfiada pra ela e desviei o olhar para Ryan. Segui para meu quarto com Ryan atrás de mim. Minha vontade era parar no meio do caminho e pular no pescoço dele, mas isso é coisa de bicho do mato e eu sou uma moça de família. Aham, sempre fui.
Entramos no quarto e eu fiquei escorada na porta observando Ryan sentar a bunda dele na minha cama. Vou dormir com a cabeça onde ele colocou a bunda dele. Que tipo de pensamento nojento é esse, meu Deus. Eu preciso dormir.
– Então... — Ryan resolve quebrar o silêncio – Eu vim trazer essa carta do meu pai – Aquela frase dele ficou se repetindo várias e várias vezes na minha mente. Veio trazer uma carta do pai dele, ele não veio aqui porque queria conversar comigo ou porque sentiu saudades. Veio aqui porque Joe pediu. Joe cagão. Eu sou muito trouxa de ficar pensando que ele viria aqui por mim.
– Ah... carta – Fiz careta – Legal... — Dei de ombros. Andei até Ryan e peguei a carta de suas mãos.
– Não vai ler? — Ryan me encarou com aquele olhar de felicidade que eu não via há tempos. Uau!
– Não – Falei grosso – Era só isso? — Elizabeth! O que você está fazendo?! Sua idiota.
– É, o clima tá difícil – Ryan se levantou e seguiu até a porta. É sua hora Eliza, hora de reagir e impedir seu grande amor de partir de novo. Mas ele não foi atrás de mim quando eu estava indo embora, porque tenho que ir agora? Argh! Deixa de besteira e vá logo. Minha consciência não me deixa em paz.
– Ryan, espera! — Finalmente! — É... Foi mal – Encolhi os ombros. Ryan se virou pra mim. — Eu não quis ser grossa, foi mal – Olhei pro chão – Não vá... — Sussurrei.
– O que está acontecendo? — Ryan se aproximou. Senti um arrepio. — Eliza... — Ryan passou seus dedos em meu rosto. Senti um aperto no coração, uma vontade de chorar.
– Eu só... — Levantei o rosto. Ryan me encarava sério, parecia preocupado.
– Precisamos conversar – Ryan tornou a se sentar e dessa vez eu o segui. Por alguns segundos aquele silêncio incômodo reinou, eu não faço ideia de como quebra-lo, o que falar?
– Olha, eu nem sei por onde começar, nem se é bom começar, eu sei que vou estragar tudo de novo. — Nós dois encarávamos o chão.
– Não precisa falar nada – Ah, claro. Você vai ficar aqui conversando com as paredes então.
– As paredes querem te ouvir – Fiz biquinho. Ryan riu. Que saudade dessa risada.
– Eu já sei de tudo – Me olhou torto.
– Mas você não ouviu de mim, ainda me sinto culpada – Entortei a boca.
– Não se sinta – Deu um sorriso triste.
– Olha, eu não fiz aquilo porque quis, jamais queria te magoar. Desde quando você começou a ser legal comigo e a gente criou uma amizade forte eu queria ter contado, mas não podia... Desculpa, eu não queria que tudo chegasse a isso – Abaixei o rosto. Por incrível que pareça eu estou conseguindo controlar as lágrimas.
– Eu queria que você fosse sincera comigo desde o início, é meio gay isso, mas me machucou – Bichona! Ai, que vontade de abraça-lo.
– A mim também – Encolhi os ombros – Seu pai não me deixou contar, não tive outra escolha.
– Joe me surpreende – Me encarou – Eliza, coisas estranhas começaram a acontecer comigo, do nada eu não conseguia ficar longe de você, mas ao mesmo tempo eu precisava ficar longe. Eu comecei a me sentir bem, de uma forma que eu não me sentia há anos, mas aí eu via que você não era uma garota e então tentava me afastar porque tudo era muito estranho. Eu desconfiava de algumas coisas, até porque aquela história de colecionar calcinhas não colou muito e o dia que você me fez ficar fora do quarto pra se vestir... Mas aí eu pensava que era coisa da minha cabeça, que você fosse tímido. Então quando a Cameron contou tudo uma parte de mim ficou feliz em saber – Ele sorriu – Mas outra ficou... decepcionada por não ter me contado – Encarou o chão. Uau, não imaginava que Ryan sentia isso tudo. Quer dizer, ele gosta de mim?!
Ai meu Deus. Como eu quero te beijar agora, Ryan.
– Ryan, você não era o único a se sentir assim. Eu... — Ryan me interrompe.
– Não diga nada, Liz... — Colocou o polegar em meus lábios. O toque dele era quente e suave. Fechei os olhos ao senti-lo. — Eu só quero... — Sussurrou se aproximando – Te beijar – Colou seus lábios no canto dos meus. Seus lábios eram intensos, senti-lo tão próximo assim me arrepiou por inteiro, era algo que eu nunca senti antes.
Levei uma de minhas mãos até seu pescoço e o aproximei mais de mim, colei nossos lábios em um selinho simples. Ryan colocou uma de suas mãos em minha cintura e então começamos um beijo calmo. Os lábios de Ryan eram frios e macios. Meu coração dispara na intensidade do beijo, meu corpo amolece eu seus braços. Ryan me tem por inteiro. Não quero que isso acabe, nunca.
– Senti sua falta – Sussurra entre o beijo. Coro ao ver o que estamos fazendo. Colo nossas testas.
– Também senti sua falta – Torno a colar nossos lábios. Entrelaço minhas mãos em seu pescoço e me deixo levar pelo toque de seus lábios nos meus. Ter Ryan tão próximo assim me deixou feliz como uma criança quando recebe um doce. Ele finalmente é meu, por pouco tempo, mas é.
Ryan apertou minha cintura e colou nossos corpos, o que me fez arfar de prazer. Opa, prazer?
Ah, que se dane.
Eu o quero.
– Confia em mim? — Ryan me olhou nos olhos. Mordi os lábios e concordei com a cabeça. É agora...
Ryan sorriu e voltou a me beijar. Me deitou de leve na cama sem cortar o beijo, aproximou seu corpo do meu aumentando a velocidade do beijo. Passou as mãos por minhas coxas e apertou com força. Arqueei as costas. Seu toque era quente. Puxa minhas pernas e se encaixa no meio delas, entrelaço-as em sua cintura.
Agora eu só quero ser do Ryan.
Quero senti-lo.
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