The Heart Never Lies

3 Capítulo 2 parte 2


Sentei e fiquei observando toda aquela bagunça, eles jogavam água uns nos outros, se molhavam com sabão, escorregavam nas esponjas era realmente uma festa, eu estava louca para poder entrar naquela bagunça, mas seria meio esquisito. Enquanto eu os observava, eu também olhava para a porta na esperança de ver o Danny entrar por ela, o que estava acontecendo comigo? Minha vontade de participar da brincadeira durou pouco, pois ela logo virou uma realidade, o Dougie tentou acertar o Harry com uma esponja e acabou me acertando, de primeira eu não me movi, fiquei estática olhando-o, Dougie parecia perdido, Tom veio pra cima de mim rápido:

-Lizzy você ta bem?

Eu não disse nada, apenas olhava na direção do Dougie:

-Viu o que você fez Dougie?

-Me desculpe queria acertar o Harry!

Eu comecei a rir, os três me olharam curiosos:

-Você não está com raiva?

-Não Tom, por que estaria?

- Sei lá, o Dougie acabou de te molhar toda!

- E?

- Não sei oras, a maioria das garotas estaria dando pití!

-Não tenho medo de água Tom, relaxa!

-Você não existe sabia? –Dougie me olhou sorrindo.

-Mas não ache que vai ficar impune, Dougie. – eu falei ficando de pé e pegando um balde. – Vem aqui, você não me escapa!

Peguei um balde cheio de água com sabão e saí correndo atrás dele, quando eu enfim o encurralei de frente à porta e quando joguei a água nele algo que eu não esperava aconteceu, ao invés de acertar o Dougie, eu acertei o Danny que entrava já sem nenhuma mancha de graxa.

-É eu também achei que eu não tinha tomado banho direito. – ele falou cuspindo espuma.

-Danny me desculpa. – eu falei me aproximando dele e tentando limpar a bagunça que eu tinha feito.

Só eu mesma pra fazer aquilo, desastre era meu sobrenome. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ele sorriu, pegou uma mangueira do chão e começou a molhar todo mundo, incluindo eu. A bagunça foi enorme, depois de muita molhadeira e muitas quedas por causa do chão cheio de sabão, Dougie, Tom e Harry foram tomar banho para voltar a cuidar do posto e Danny ficou me fazendo companhia, quando ele sentou ao meu lado em uma pilha de pneus eu notei algo, os cabelos dele não estavam mais lisos como na hora que eu o conheci, estavam cacheados:

-Por que você não os deixa assim? – eu falei de repente.

-Como?

- Seus cabelos, são cacheados, não são?

-Ah, são sim, nem me lembrei deles. – ele falou tirando um gorro cinza do bolso e colocando na cabeça.

-São bonitos.

-São nada, são mais claros do que isso e me fazem parecer o David Bourne!

Eu sorri, ele parecia mesmo:

-Bem, mas você não é daqui, é? – ele começou brincando com um punhado de espuma que tinha nas mãos. — Nunca te vi por aqui.

-É sou nova na cidade, moro do outro lado...

- Ah, na área das patricinhas e dos mauricinhos.

-Exatamente, naquele inferno!

- Inferno? Não gosta de lá?

-Não odeio aquela gente, um bando de oportunistas que só pensam em dinheiro, status social, carros e mais um monte de besteiras.

Ele me olhava admirado, como se nunca tivesse visto algo parecido.

-O que foi? – eu perguntei ao ver que ele me olhava fascinado.

-Nada é que é raro ver uma garota assim como você se meter nessa bagunça toda.

- Como assim como eu?

Danny me olhou por um minuto, depois voltou a brincar com a espuma nas mãos:

-Como você ora, bonita, rica...

-Ah, então segundo você eu deveria ser chata e arrogante?

-É o que eu vejo por aí.

- Pois pode apostar que eu sou diferente.

-É, estou vendo isso.

Danny me olhou fundo nos olhos, eu tremi dos pés a cabeça, e desviei o olhar para as mãos dele que ainda estavam cheias de espuma, antes que eu pudesse quebrar aquele clima, um pingo de água com sabão, caiu do cabelo dele, direto dentro do olho:

-Ow, meu olho! – ele falou levando a mão ao olho. – Caramba!

- Espera me deixa ver isso. – eu falei me aproximando e tirando a mão dele do olho.

Danny me olhou com apenas um dos olhos abertos.

- Tem que lavar.

- Não eu to bem assim!

-Claro que não, Danny! – eu falei puxando ele pelo braço e levando até uma das torneiras. – Vai, abre esse olho.

- Eu disse que não precisa.

- Não seja medroso, não vai doer, eu prometo.

Ele me olhou meio assustado, eu e minha mania de falar sem pensar, tentei rapidamente concertar as coisas:

-Quer dizer... Ah, esquece!

Eu peguei um pouco de água e joguei no olho dele:

-Melhorou?

-É, está melhor, obrigado. – ele falou e ficou me olhando.

- O que foi? – eu perguntei desconcertada.

- Você é incomum, sabia?

- Incomum como doida? – eu perguntei e ele sorriu.

- Não, diferente.

- E isso é ruim?

Ele sorriu novamente, o sorriso dele era incrivelmente perfeito.

- Claro que não, isso te faz especial.

- Ah, tah! Mas você me acha diferente, o que diria sobre si mesmo?

- Não entendi.

- Você conversou comigo debaixo de um carro e eu ainda nem mencionei que aquela foi a conversa mais estranha que já tive.

- Eu sou assim, é porque você ainda não me conhece, eu sou estúpido, faço tudo errado, falo muita besteira, sou a pessoa mais desastrada do mundo...

- Eu gosto de gente assim, odeio pessoas certinhas demais, são chatas!

Ele me olhou admirado, eu fiquei esperando a resposta dele, resposta essa que aparentemente ele não tinha.

- Como a conversa está indo? – Tom se aproximou já de banho tomado.

- Estava indo! – Danny falou olhando-o, nesse instante ele escorregou em uma esponja.

- Espero que ele não tenha te assustado, Lizzy.

Danny que seguia em direção a porta, parou e nos olhou:

- Não, não assustei Tom, quer dizer, pelo menos eu acho... Não te assustei, né?

- Não Danny, não assustou.

- Porque ele não teve tempo.

-HAHA!- Danny falou em tom de ironia. – Eu não disse nada que a fizesse sair correndo!

- Tem certeza? Nenhum dos seus sonhos sem noção, nada?

- Nada!

-Tom ele não me assustou, pelo contrário ele é uma pessoa adorável, todos vocês, eu ficaria aqui o dia todo conversando, mas tenho que ir embora, moro muito longe e já devem ter enviado um patrulha de busca atrás de mim.

Eu os olhei e fui até o meu carro, peguei minha mochila, minha carteira e os olhei:

-Qual o preço da lavagem, mesmo?

-Você tá brincando, né?- Tom me olhou.

-Não, por que estaria?

- Claro que não queremos que você pague! – Tom falou firme.

- Mas por que não?

-Nem vou responder isso, Lizzy!

- Mas Tom...

- Mas nada, ele tá certo, amigos não pagam aqui! – Danny falou firme.

- Isso não é justo, vocês lavaram meu carro.

- Você também!

- Está bem, então vejo vocês depois, tchau. Ah, mandem lembranças ao Harry e ao Dougie, ok?

Tom sorriu quando entrei no carro, Danny permaneceu me olhando firme, encostado no arco da porta, o olhar dele era perturbador, era como se ele conseguisse ver através da minha alma, era assustador e fascinante ao mesmo tempo.