The Heart And Darkness
28 The Heart & Darkness – Special. – Paopu Fruit.
Notas iniciais
— Espero que não se importe de ficar neste quarto. – Disse timidamente. – Ele é para hospedes, porém um tanto pequeno. Separei para você algumas roupas minhas, o banheiro fica ao fim do corredor. O meu quarto é ao lado do seu. E... Qualquer problema, podemos acordar os meus pais.
— Calma, Kairi! Eu vou ficar bem... É apenas uma noite dormindo de favor aqui, não precisa se preocupar tanto assim comigo. – Seu tom de voz era bastante acanhado. Após as recomendações da ruiva, sentara-se na cama e a nova amiga fecharia a porta de seu quarto temporário. Sentada na cama, podia observar tudo ali: um abajur azul, um armário de madeira e aparentemente bem pesado, uma escrivaninha, e o mais engraçado é que parecia ser ali que Kairi guardava seus brinquedos de quando era criança, pois havia vários presos em estantes nas paredes e em baús antigos.
Era um lugar bonito e aconchegante, tomado pelas cores rosa e branco. E assim Nina desabou com as costas sobre a cama, que era incrivelmente macia. Mantinha-se estirada ali, os braços abertos e olhando para o teto, que por sinal era todo desenhado com estrelas. Trajava um vestido que Kairi tinha lhe emprestado. “Azul”, como Nina sempre gostou. Um suspiro. É, ao menos ela teria algum tempo de paz em sua estadia em Destiny Islands. Abraçou o travesseiro azul, com desenho de nuvens brancas docilmente. Fechava tranqüilamente os olhos, mesmo sem ter a menor vontade de dormir, enquanto era cada vez mais tarde.
Mas algo a surpreendeu. Um barulho vinha detrás das cortinas. Era um barulho persistente, mas de começo preferiu ignorar. O barulho era simples, como se alguém tacasse pedrinhas na janela para chamar a atenção. E então cessou. Questão de alguns segundos e o barulho agora era evidentemente mais forte, como quem batia mesmo na janela. Isso assustou a garota, que logo se pôs de pé e correu para ali, puxando os tecidos lilás que compunham a cortina.
Seu rosto enrubesceu. De pé, na frente da janela, estava um garoto forte e alto, de cabelos descoloridos que esvoaçavam com o vento da noite. Ele trajava roupas simples, como uma calça jeans presa por um cinto e uma jaqueta negra justa, o que deixava a garota sem graça, pois a parte de cima de suas roupas deixava a mostra barriga do mesmo. Encabulada, suas mãos trêmulas tateavam a janela sem tirar os olhos de seu surpreendente visitante, enquanto procurava veementemente o trinco. Ao achá-lo, abriu a janela e o frescor da noite que o garoto trazia invadiu o quarto, e então ele sorriu.
— Boa noite, Nina. – Ele disse em um baixo, mas claro o suficiente para que ela pudesse entender.
— O que faz aí? Você pode cair de telhado! – E ela achou um bom motivo para não olhar diretamente ao garoto. Não conseguia imaginar como poderia deixar seus sentimentos ficarem tão expostos, como a preocupação que sentia. Olhou então para pés do garoto, onde ele se encontrava em um telhado que protegia o quintal dos fundos, no primeiro andar. Rapidamente ele se sentou na janela e dobrou as pernas, bloqueando a visão dela do chão, e obrigando-a a olhar diretamente para ele.
— Boba. Até parece que eu vou me preocupar com um telhado desses. – Ele sorriu, de modo a provocá-la. E conseguiu, já que Nina fez um rosto emburrado de desaprovação e o encarou.
— Então, tá! Se você cair do telhado, eu não vou me preocupar, ok?
— Certo, certo. – E assim Riku desceu da janela, pisando nas telhas marrons novamente. De modo rápido, ele fez uma cara de preocupação, o que assustou Nina. O corpo dele inclinou para trás, como se fosse escorregar e instintivamente a garota o agarrou pela blusa, aflita que ele se machucasse. – Haha, me deixar cair, né? – Sem graça, ela olhou para o garoto de cabelos prateados e bufou, logo soltando a camisa. Ele riu, e ao mesmo tempo sentiu-se bem, por que ela se importava com ele.
— Da próxima vez eu não irei segurar!
— Será mesmo?
— Pode apostar!
Sim, já estava comprovado que ele adorava provocar a menor. Mas agora, o rosto dele portava-se um tanto mais sério, encarando-a. Uma leve brisa, que passava brandindo o cabelo de ambos, fez Nina cruzar os braços, sentindo leves arrepios.
— Quer vir em um lugar comigo? – Ele perguntou, de repente. Ela o olhou nos olhos, absurdamente verdes e intensos, escondidos por entre os finos fios do cabelo descolorido dele. Fitando-o por alguns segundos, ela sorriu. Ele, dando espaço para que ela passasse pela janela, a garota pôs os pés descalços nas telhas marrons. Riku, delicadamente, entrelaçou seus dedos aos de Nina, ficando de mãos dadas. Ele a guiou pelo telhado da casa de Kairi e pelos telhados das casas seguintes. Quando chegaram ao fim, teriam de pular. Mas o rapaz, segurando-a pela cintura, jogou-se, pousando levemente ao chão. Correram por uma Destiny Islands adormecida, onde sob um céu estrelado eles se direcionavam a beira da segunda ilha.
— Aonde estamos indo? – Nina perguntou, enquanto corria pouco atrás do rapaz, mas ainda segurando a mão dele.
— Você já vai ver! – E ele virou-se por breves segundos para trás, sorrindo. Não, eu que vos escrevo não preciso nem dizer o quanto ela ficou vermelha ao encarar aquele sorriso.
Já ambos, diante da praia, Riku apontou para a primeira ilha, onde ele costumava brincar com os amigos quando menor. Além também de ser o lugar onde Nina nadara, pouco antes do carro explodir, no dia anterior.
Caminhando em um píer, o mais velho desamarrou uma corda, que prendia a um pequeno bote. Ele jogou-se no mesmo, pegando um remo e indicou para que Nina embarcasse. Ela se aproximou e observou o pequeno bote, em seguida indagando.
— Não deveria ter mais um remo aqui?
— E por que deveria ter? O bote é só meu, então, não preciso de dois remos.
— Mas não vou te deixar fazer todo o esforço sozinho, me deixa remar também!
— Será que a donzela poderia sentar de uma vez no bote, enquanto eu, um educado cavalheiro, rema? – O rosto dela quase ferveu de tão vermelho. Mas ao mesmo tempo ficara emburrada, afinal, era do feitio dela não gostar que todos fizessem esforço e ela não. Mas sentando-se no bote de uma vez, suavemente ele deslizava o remo pela água, encaminhando-os para a primeira ilha. Sem esforço quase nenhum, o barquinho praticamente seguia a maré, sendo levado até o “destino surpresa” que o garoto preparava. Em meio a remadas, às vezes ele parava e sorria para a garota, deixando-a sem graça constantemente, o que por sinal ele achava engraçado. “Puxa, eu devia ter aproveitado mais quando Riku ainda não podia abrir os olhos. Agora ele pode me ver sempre vermelha...” – Ela constatou mentalmente.
— Chegamos. – Ele disse, quando o bote não ia mais seguir em frente, por estar raso demais. Pondo-se para fora, teve as próprias calças molhadas até a altura dos joelhos, enquanto puxava o barco. Prendendo-o mais uma vez, mas ao outro píer, estendera a mão para que a garota pudesse subir. E assim ela o fez.
— Não estou entendendo, estamos naquela primeira ilha. O que tem de demais aqui?
— Vem comigo! – E puxando-a, para variar, ele a levou em uma ponte. Enquanto caminhavam por ali, podiam ver um patamar mais alto, com várias palmeiras. Porém, uma delas era diferente de toda a maioria, visto que era torta, quase deitada. E nisso, Riku aproximou-se justamente dessa árvore e olhou dentre as folhas dela. Presas ali, havia algumas frutas de estranho formato, na cor amarela. Pareciam pequenas estrelas. Saltando e agarrando uma folha, ele puxou o suficiente para que pudesse arrancar uma das frutas. Sentou-se sobre a árvore inclinada e Nina fez o mesmo, ambos diante do mar.
— Assim como você gostava de ir naquela alta torre do Castelo Disney, observar as estrelas, os mundos naquele céu escuro, venho aqui muitas vezes para ver essa imensa lua cheia. Assim como aquele lugar era especial para você, aqui é para mim. E queria dividir isso com você, como fizera comigo uma vez. – E assim, diante deles refletia uma enorme esfera branca, mas tão grande que o reflexo na água dava a impressão de que a lua flutuava ali, perto deles.
— Riku... – A garota encontrava-se de cabeça baixa, os cabelos castanhos escondendo os olhos da mesma.
— Ahn? Sim? – Ele estava surpreso com aquela reação, mas ainda mantendo uma face séria.
— Por que você me deixou lá, no Castelo Disney? – Ela disse em um tom bem fraco, quase como se a própria voz fosse sumir.
— Nina, eu cometi um erro, e eu não gosto de me lembrar. E eu tento até hoje, mesmo que aos poucos, me redimir por isso.
— Por que não... Me levou junto com você? Eu podia te ajudar!
— Eu sei! Mas... Arriscar... Arriscar te perder, te obrigar a caminhar no mundo de trevas que eu caminho, trilhar uma rota sem volta. Eu não queria isso! Eu queria consertar tudo e iria voltar para te buscar! Esses dias agora eu iria me recompor e... Eu juro, eu ia voltar pra te encontrar!
— Não fale como se eu estivesse te culpando, por favor! – Ela o encarou, um tanto triste. – Não fala assim, desculpa... Eu não quis te pressionar...
Eles ficaram em silêncio por algum tempo.
— Mas sabe... Eu fiquei feliz, contente por te ver naquele castelo, viva. Após a invasão de Heartless no Castelo Disney. Mas eu nem pude conversar com você...
— Pare de se culpar, Riku!
-... Você estava lá, firme e forte! E no momento em que eu estava mais cansado, pensei que deveria ser como você. E mesmo depois dos problemas que você passou e contou a mim e ao Sora mais cedo, eu sei que não posso parar. Tenho que ajudá-lo, seja por mim, pelo bem de todos... Ou por você.
Ela estava pasma. Ela desviou seus olhos para o garoto, que agora brilhavam diante da lua. Ele, mais uma vez surpreso, disse calmamente.
— Seus olhos têm cores diferentes. – Ele disse, aproximando o rosto do dela para observar melhor.
— M-mesmo? – Ela havia ficado sem graça com a aproximação repentina do garoto, o rosto dele a poucos centímetros do dela.
— Sim, do meu ponto de vista, o esquerdo é azul. Mas o direito, se olhar bem pra ele... É verde! – E ele colocou um dedo sobre o nariz dela, rindo e lentamente ele se afastou.
— Eu nunca havia... Reparado que meus olhos tinham cores diferentes. – Ela disse em um tom bem distraído.
— Mesmo? Se eu pudesse enxergar da época da enfermaria, teria notado há muito tempo!
— Pra mim, meus olhos sempre foram azuis... Que estranho. – Ela cruzou os braços, observando o reflexo da lua na água, o rosto muito pensativo.
— Estranho não, diferente! E eu sinceramente acho isso bonito em você, é diferente de todos. Tudo, tudo mesmo em você é diferente.
— Eu me acho tão... Comum. – Ela suspirou. – Sabe, tem tanta coisa que falta em mim. – “É, principalmente as minhas memórias.” – Ela pensou.
Riku havia ficado ainda mais sério que antes, e, por um breve instante, Nina achou que ele pudesse estar possivelmente bravo. “Preciso ficar com a boca fechada mais vezes.” – Anotou mentalmente. E então Riku desceu da árvore, mas sem se afastar, mantendo as costas apoiadas na mesma.
— Nina, eu tenho que abrir o jogo com você. – Ela ficou paralisada, enquanto segurava o vestido, que balançava levemente com a brisa noturna. – Quando é que... Você vai notar que é especial pra mim?
O coração dela parou por um segundo. “Espera aí, o que foi que ele disse?”
— Dizem que há uma lenda sobre as frutas Paopu. – Ele falou, olhando singelamente para a estrela em sua mão. – Dizem que, quando duas pessoas dividem uma dessas, elas têm o seu destino entrelaçado para sempre.
— Mas isso deve ser só uma lenda! – Nina não sabia como reagir. Ela não sabia o que falar, então tentava ser o mais natural possível.
— Lenda ou não... Eu quero dividir a minha fruta Paopu com você, Nina. – E virando-se para ela, que ainda estava sobre a árvore, sentada e completamente encabulada. Ele estendeu a mão para a garota, e a mesma a segurou, saltando dali. Apoiou as costas contra a árvore e Riku curvou-se, deixando que apenas a fruta ficasse entre o rosto dos dois. Pouco a pouco, ele fora abrindo a própria boca, encostando com os próprios lábios na estrela. Observando-o, Nina fechara os olhos por instinto, fazendo o mesmo que ele, e então mordera a fruta. Ambos ao mesmo tempo.
Eles mastigaram por questão de rápidos segundos, até que então ficaram se encarando, ambos com seus rostos corados. Ela sorriu para Riku, e pela primeira vez, abertamente. Sem pudor, constrangimento ou até mesmo sarcasmo. Um sorriso puro, um sorriso feliz. Tocando-lhe a face, ele acariciou o rosto da garota, de forma suave. O toque que ambos sentiam, sempre que se tocavam era diferente do que tocar qualquer outra pessoa. Era um toque especial.
— Eu acho que não posso mais me segurar. – Ele disse, em um tom que era quase um sussurro.
— Não antes de mim. Não da mesma forma ousada que eu faria. – E Riku ficara um tanto corado, o que é anormal para ele. Ele a observou se aproximar de seu rosto, ele a observou fechar os olhos. “É agora.” – Pensou. E surpreendentemente... Ela beijara a bochecha do mesmo.
— Ahn?
— Há! – Ela riu, com um sorriso brincalhão no rosto. – Muita ousadia de minha parte, não?
— Quer ver como posso ser mais ousado...? – O coração dela palpitou fortemente. Por um breve instante, ela sentira um arrepio percorrer-lhe a coluna, como quem treme de frio. Os olhos de Nina observavam uma abordagem do rapaz que não havia escapatória. Ele e seus intensos olhos verdes a encaravam, de modo a não desviar o olhar. Ele estava a menos de um centímetro do rosto dela. Aproximando-se seriamente. Ambos podiam sentir a respiração um do outro, enquanto Riku envolvia a cintura da mesma com seu braço esquerdo, delicadamente. Ele afagou os cabelos da garota, enquanto esta, involuntariamente tremia. O rosto sério, porém bem delineado do mesmo, encostou-se ao dela, unindo aos poucos os lábios de ambos.
Era um silêncio profundo naquele momento. Eles podiam jurar que era possível ouvir as batidas de coração de cada um. Era irrefutável que naquele momento, não existiam pessoas mais unidas que eles. E que, no decorrer daquele gesto de carinho, eles tinham mais do que nunca a certeza do que sentiam um pelo outro.
Nina, timidamente, percorria suas mãos pela cintura do garoto, até que então pararam nas costas do mesmo, abraçando-o, envolvendo-o no seu carinho. Após esse gesto da garota, ele acariciou o rosto da menina, ainda entrelaçado pelos lábios dela. Por ele, jamais se soltariam ali. Afinal, quando se ama, o que você mais deseja é que o tempo pare, que nada mais exista, a não ser você e a pessoa amada. E era o que eles mais desejavam, mas sabiam que isso não era possível. Afastando-se lentamente, desfazendo aquele simples beijo, porém tão caloroso, ele roçou levemente sua própria bochecha contra a dela, porém pousando o próprio queixo no ombro de Nina. Riku também a abraçou, querendo esquentá-la daquela noite fresca, esquentá-la com o próprio afeto.
— Vamos voltar, não quero que você fique com frio. – Ele disse, calmamente.
— Com você aqui? Meio difícil... – Ela falou um tanto envergonhada.
— Boba! Você tem que dormir agora. Ou então daqui a pouco alguém vai dar por sua falta na casa de Kairi...
— Ficar com você é muito mais importante pra mim.
— Eu não vou fugir, Nina. Nós temos muitos dias pela frente ainda.
Ela bufou inconformada, mas ele riu.
— Qual foi a graça? – Ela perguntou um tanto emburrada.
— Eu acho engraçado quando você fica assim!
— Bobão...
— Vem, prometo que amanhã eu te levo pra dar uma volta nas três ilhas e te mostrar tudo! – Ele tentou convencê-la, para que finalmente voltassem.
— Só se você me chamar bem cedo!
— Quando o sol estiver nascendo, estarei batendo a sua porta. – Ele prometeu.
Eles seguiram todo o caminho de volta, correndo mais uma vez pelo centro inativo da segunda ilha, em pleno começo de madrugada. Adentraram por uma rua de tijolinhos, e no meio desta já era possível ver a casa de Kairi. Riku, olhando para uma Nina que começava a ficar sonolenta enquanto andavam por ali, fizera o mesmo que antes: levantou-a pela cintura e correu, usando da força de um único braço para agarrar-se no telhado que protegia o quintal dos fundos. Nina, soltando-o e subindo no telhado, estendeu a mão para ele, ajudando-o a subir. Sem soltar a mão da menor, ele a guiou até a janela do quarto em que ela anteriormente estava. Olhou dentro do mesmo, estava tudo escuro, tudo como antes dela mesma sair. E pisando nas bordas da janela, jogou-se mais uma vez para dentro do quarto.
Novamente nas posições anteriores, eles suspiraram ao mesmo tempo.
— Até amanhã, então! – Ele disse.
— Sim, até amanhã... – Nina sorriu.
— Espero que durma bem, de verdade. Te quero bem disposta amanhã!
— Pode deixar! – Brincou, batendo continência.
— Boba! – E puxando-a pela mão, já que ainda estavam próximos, ele a beijou na testa, em seguida a soltando.
— É melhor você ir. Eu ainda não confio nesses telhados.
— Sim, senhora. – E da forma que ele a havia chamado, Nina fez uma careta de desaprovação.
Aos poucos, ele se afastou. Acenava lentamente, tomando uma pequena distancia da mesma, enquanto Nina, pensando com suas engrenagens, precisava ainda dizer uma última coisa.
— Riku! Espera!
Ele parou e a observou.
— Eu... Tem uma coisa que... Eu ainda não te falei.
— E o que seria...?
Ela estava completamente vermelha, muito mais do que costumava ficar.
— Eu... – Ela parou. Respirou fundo e tentou prosseguir, acalmando-se.
— Você...?
— Riku, eu... Eu te amo!
Por um instante ele havia ficado estático. Sua pele pálida, quase tanto quanto seu cabelo descolorido, ganhou um tom rubro, enquanto seu olhar expressava uma raríssima timidez. O rosto dele era no momento uma mistura de choque com seriedade, e então ele fez questão de se reaproximar.
Ele colocou uma mão no bolso, retirando algo prateado, refletindo na luz da lua. Era algo que mais parecia um broche, um pequeno broche em forma de coroa. Riku, passando a mão pelos cabelos de Nina, prendera-os do lado esquerdo da mesma, onde a presilha de coroa reluzia. Com metade da franja presa, assim como os cabelos curtos e mal aparados desta, ele sorriu.
— Agora posso ver melhor... O rosto da pessoa que amo. – O rosto de Nina ruborizou-se por completo, mas ainda assim sorriu abertamente para ele.
— E agora eu tenho... Um pedacinho de você para carregar sempre comigo. – E a garota tocara o broche de coroa, preso na lateral de sua própria cabeça, a prender metade de suas madeixas castanhas.
O mais alto, aproximando-se, fechara os olhos uma última vez, onde seus lábios tocaram os da garota uma última vez. Nina fizera o mesmo, contorcendo os finos lábios, retribuindo o beijo. Mas desta vez fora mais rápido, deixando-a a desejar, visto que este rapidamente se afastara.
— Boa noite... – Ele disse com a voz tão baixa que mal chegava a ser um sussurro.
— Boa noite... – E acenando, a garota pode ver Riku se afastar na noite, enquanto a própria caminhava de costas, jogando-se na cama e deixando a janela aberta.
“Eu irei sonhar com você.”
E do bolso do pijama, ela retirou uma folha pequena e verde. Aparentemente da Fruta Paopu que comera com o Keyblade Wielder.
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