The Heart And Darkness

8 Lua e Estrelas.


Notas iniciais
Peço milhares de desculpas pela demora (de-novo ) mas enfim aqui está. xD
- Eu vou acabar morrendo desse jeito. E isso é fato. – E então encontramos Nina mais uma vez em plena madrugada, acordada e observando o teto. – Esses pesadelos... Eles vão acabar comigo... – E ela suspirou. – Mas além de pesadelos... Naquela hora de tarde... O que foi aquilo?

— Vamos rápido Lee, eu estou morrendo de fome!

— Eu também! Ali a esquina, o refeitório esta logo à frente!

— Certo! – E assim ambos corriam para o refeitório a toda. Lee corria em pé de igualdade com Nina, porém ela se assustou com algo.

— SORA! – Um grito ecoou pelo lugar e isso fez a garota parar de correr de imediato. Ela olhou para os lados e ao olhar o pôr-do-sol rapidamente, um efeito de luz fez a garota ficar tonta. – SORA! – E mais uma vez esse nome ecoou em sua cabeça e rapidamente ela viu alguém. Os cabelos castanhos claros, os olhos azuis, a pele muito branca. Nina ajoelhou ao chão e um mal-estar repentino a fez respirar fundo e então vomitou.

— Nina? – Era Lee que também parou de correr e a observou! – NINA! – O garoto começou a correr e se ajoelhou ao lado da mesma. – Você está bem? – E assim os olhos de Nina se encheram de lágrimas e uma a uma começaram a escorrer pelo rosto da menina contra a vontade desta. – O que houve? Nina, me responde!

— Quem será Sora? – Perguntou a garota a si mesma. Seguido de um movimento brusco, Nina chutou o cobertor e respirou fundo. Permanecia quieta no quarto e via que os amigos dormiam profundamente. Levantou-se calmamente e seguiu para o banheiro, onde tomou um banho para se limpar do suor e escovar os dentes. Secando o corpo, ela pegou um pijama e um casaco e se sentou na cama. Através da única janela do quarto, ela podia ver a bela noite que era. A lua cheia redonda e clara no alto do céu, porém era notável já não estar mais tão redonda, dentro de alguns dias seria lua nova. Nina sorriu e foi se esgueirando até a porta de modo sorrateiro. E assim ela seguia por mais uma madrugada adentro indo ver Riku.

Estava mais uma vez na enfermaria, diante da cortina branca que cobria a porta e a maçaneta de cristal. A delicadeza ao entrar naquele local e sem fazer barulho era absurda. Fechou-se naquele antrol e a voz calma perguntou como já estava ficando de costume.

— Riku? – Silêncio total. – Riku, você está aí? – Nina perguntou um tanto assustada. Ela se aproximou da maca onde sempre o via sentado, porém ele não estava lá. – Mas... Onde ele- — E Nina fora surpreendida por uma mão que tapou sua boca. Instintivamente a garota começou a se debater, porém um braço firme a segurou. Aquela situação a surpreendeu, mas o que a deixou em choque foi a voz que calmamente sussurrou em seu ouvido.

— Calma garota, eu não sabia que você se assustava tão fácil assim. – Disse a voz que Nina reconheceu imediatamente.

— HUH? – E então soltou a boca dela. – Riku? O que está fazendo fora da cama? – Perguntou ela exasperada.

— Eu não agüentava mais permanecer ali. Meu estado de saúde não é terminal e eu sequer estou perto de morrer. – Disse ele em tom de deboche.

— Certo, mas... Já que você conseguiu me assustar, que tal me soltar agora? – Disse Nina sem graça.

— Desculpe-me. – Disse ele soltando a cintura e os braços de Nina. – Pode deixar que não farei mais isso. – E então Riku se aproximou da cama e sentou na beirada da mesma.

— Você... Esta enxergando...? – Disse a garota notando que Riku locomovia-se sem problemas.

— Enxergar... Não. E quem disse que estou de olhos abertos?

— Então, como...? – Nina não entendia.

— Simples, eu passei o dia andando pela sala e examinando tudo com as mãos e pelos pés, cada cantinho dessa sala. E então pra cada coisa eu contei um determinado número de passos. Por exemplo, para o meu tamanho, eu dou quatro passos da porta até a maca e da maca até a porta. Até a estante são cindo passos e até o banheiro são sete. Este local não sendo muito amplo me ajuda a saber com precisão a minha posição. – Disse Riku se mantendo como sempre com as mãos cruzadas e de cabeça um tanto baixa.

— Você... Não se sente mal com isso? Não poder mais olhar as coisas... Saber como é tudo ao seu redor? Você pode abrir os olhos e então-

— Eu não posso. Ficar assim é desconfortável, mas é um preço mínimo a se pagar e... Eu já passei uma vez por coisa pior, sinceramente.

— Mas... Por que não abre os olhos...? Não a nada de tão terrível assim que você possa ver, sabe? A não ser que esteja tentando não olhar pra mim, aí eu até compreendo. – Disse Nina rindo enquanto sentava-se do lado de Riku na maca.

— Por que insiste tanto em dizer que é feia? Eu vou começar a não acreditar em tudo o que você diz. – Riku falou em um leve tom de ameaça.

— Dês... Desculpe... – Disse a garota desconcertada.

— Calma, eu falei brincando. – E o garoto colocou a mão direita sobre os cabelos de Nina. – Hm, molhado. Tomou banho a pouco?

— Sim, eu acordei muito suada e-

— Acordou?

— Sim, acordei, por que? – A dúvida era presente no tom de voz dela.

— Você tem perdido horas de sono... Só pra vir me ver? – Perguntou ele seriamente.

— O que tem de demais? Eu acordo toda madrugada mesmo e eu – Porém Nina não teve nem tempo de reagir. Levou uma cabeçada na testa que a fez ficar zonza por leves instantes e então ela se recuperou – Por que fez isso?!

— Não quero saber de você acordando só pra vir me ver. – Disse Riku insatisfeito. – Você tem dias cheios estudando e treinando e ainda quer perder horas de sono pra ver alguém como eu?

— É isso aí. Perco horas de sono pra ver alguém como “você”, e aí? – Nina falou em um tom obviamente bravo, o que fez até mesmo o garoto ficar impressionado. – Se não gosta que eu venha te ver, não invente desculpas, é só falar que eu paro e – E antes que a garota pudesse terminar seu sermão, Riku a abraçou, fazendo a mesma se calar imediatamente. O rosto dela adquiriu um tom escarlate e por um instante ela parou de respirar. Nunca o teve tão próximo de si e aquilo até a assustou um pouco, deixando-a confusa. Por que ela se sentia tão estranha perto dele? O corpo dele, nem frio e nem quente a deixavam instável, e então permaneceram um tempo assim, calados. A respiração de Nina se tornava lenta a cada segundo e então a distância. Riku havia soltado a garota e recostou o corpo no encosto da cama.

— Me desculpe... Tudo o que sinto é apenas medo, entende? – Um suspiro. – Sabe, eu fiz muitas coisas ruins, e tenho medo de repetir. Não gosto de lembrar, e o medo de errar só me deixa ainda mais ansioso. Tenho um comportamento teimoso, mas não faço por mal... É justamente o medo de errar, compreende? – E assim o garoto passou a mão pelo rosto, retirando os cabelos prateados sobre os olhos, que ainda estavam fechados.

— Hm... – Foi a única coisa que Nina conseguiu dizer.

— Pelo seu “grande” testemunho, deve ter achado algo idiota, né? – Riku falou em um tom sarcástico, para variar. – Ah, esque-

— Vem comigo! – E assim Nina saltou da maca e puxou Riku pelo braço, obrigando-o a acompanhá-la. Assim que este se firmou no chão, Nina abriu a porta em um tom silencioso eles foram andando de modo cuidadoso até alcançar a próxima porta, que dava a um dos milhares de corredores de pedra do castelo. Ele não conseguia sequer imaginar onde Nina queria arrastá-lo, mas ficou quieto e assim eles prosseguiram.

— Chão gelado. – Foram as palavras do garoto.

— Descalço pelo visto. – Disse Nina que continuava a correr e a puxá-lo.

— Sim, ninguém me deu um par de havaianas quando cheguei. – O uso de sarcasmo já era algo natural vindo dele, e ela já começava a finalmente se acostumar com isso. Eles então chegaram ao fim de um corredor e ela disse.

— Há escadas aqui, cuidado. – E assim eles continuaram a correr, até que chegaram a uma plataforma e dali viraram uma esquina. Tudo continuava calmo e eles não encontraram ninguém enquanto percorriam um caminho que Nina era a única a saber onde daria. Por fim ela parou e Riku finalmente perguntou algo sobre aquilo tudo.

— Hm, por que paramos mesmo?

— Estamos no corredor que vai dar a suíte real. Vamos tomar cuidado ao passar por aqui, da última vez que vim, quase que acordei a Rainha Minnie. – Disse ela, que andava quase nas pontas dos pés trazendo Riku que andava no mesmo ritmo. O fim do corredor estava diante deles, e no mesmo havia uma janela que continha um cadeado. Nina finalmente o soltou e seguiu até o final, puxando o trinco (que parecia estar quebrado) e assim abriu a janela. – Vem cá.

— Eu não posso ver, esqueceu? – Disse o garoto apontando em direção aos próprios olhos.

— Siga em frente até que eu diga que pare. – E assim Riku fez, até que Nina o parou com a ponta do indicador na altura do peito. Ela se sentou na janela e suspirou.

— Agora a situação complica um pouco. Acha que consegue sentar aqui do meu lado na janela? – E assim Riku o fez sem dificuldades, sentando-se ao lado dela. Nina se segurou pelos cantos e ficou em pé. Tateando a mão do lado de fora do castelo ela achou algo como um ferro. Pela visão de alguém de fora, era nítido que aquilo era uma escada, uma escada fina e não muito confiável. Ela se segurou firme e com cuidado transferiu o segundo braço e as pernas. – Riku, com cuidado, tente ficar... – E para a surpresa dela, ele já se encontrava em pé. Ela procurou a mão do garoto e a segurou, indicando onde estava, fazendo-o se segurar naquela escada velha e meio enferrujada. Quando ele se estabilizou, ambos começaram a subir e assim Nina e Riku chegaram ao telhado da mais alta torre do Castelo Disney. Uma leve brisa bateu, sacudindo os cabelos deles e ainda assim ela o puxou delicadamente pelo braço mais uma vez e sorriu.

— Realmente, é uma pena que não possa abrir os olhos agora.

— Sim... – Disse Riku abrindo os braços. – Mas sinto claramente... O ar livre.

— É... E está fazendo uma bela noite, o céu cheio de estrelas e uma lua perfeita e iluminando tudo. – Disse a garota enquanto tentava não escorregar e sentava nas telhas azuis do alto do castelo.

— Sabe Nina... – Riku se sentou também. – Obrigado.

— Por...?

— Por me aturar e... Por me fazer sentir livre outra vez. – Disse ele enquanto erguia o rosto e seus cabelos eram bagunçados mais uma vez pelo vento. – Eu não me sentia assim desde que sai do meu mundo, sabe?

— Como... Era lá? – Nina cruzava as mãos e balança as pernas enquanto aguardava uma resposta.

— Ah, é um lugar incrível. Mas acima de tudo, o que mais te consome é o imenso mar que tem a sua frente. Entende? Tão imenso, tão amplo... Parece que é infinito. Te da uma vontade de explorar cada canto e ir embora quando se descobre que existem outros mundos.

— E foi assim que você saiu de lá. – Ela completou a frase.

— Não necessariamente nesse método, mas fui. E fiz muitas coisas erradas, coisas... Das quais eu nem quero me lembrar. – Disse o garoto inclinando o corpo para trás e se apoiando nos braços que estavam servindo como suporte.

— Você... Se arrepende? – Nina observava as estrelas enquanto prendia o cabelo atrás da orelha.

— Sinceramente...? Não, eu não me arrependo. Pois se eu não tivesse feito tudo isso, não teria ajudado meu melhor amigo no final, não teria conhecido uma pessoa muito boa, que é o Rei Mickey...

— Você conheceu o Rei Mickey?! – Nina estava surpresa e seus olhos estavam arregalados, observando o garoto com voracidade.

— Sim, mas... Por fim, eu não teria conhecido o Castelo Disney.

— Ah... – Disse ela, em um tom quase óbvio de decepção.

— E não teria conhecido você. – Riku encerrou assim, deixando a garota com as madeixas avermelhadas e sem graça. Nina cruzou mais uma vez as mãos e sorriu.

— Riku... Eu é que te agradeço. – Disse ela, que deitou ao lado dele e fechou os olhos, permanecendo assim, enquanto a madrugada chegava ao fim.

Notas finais
É, finalmente acho que posso dizer que a situação ta esquentando e o clima de romance ta finalmente se tornando explicito, não? Reviews, quero saber o que vocês estão achando.