The Heart And Darkness
20 A amizade que sempre prevalece.
Notas iniciais
— NÃO! – Gritou Peter ao ver Nina cair da prancha.
— FINALMENTE ME LIVREI DELA, AGORA SÓ FALTA O SORA! – festejou Pete repentinamente ficando sóbrio. Os meninos perdidos ficaram em choque e o menor de todos eles, vestido de gambá, correu para a prancha, mostrando em seu rosto tristeza por ver uma garota inocente simplesmente morrer. Mas ao menininho se aproximar da rampa, ele se assustou: Nina não havia caído na água, mas estava por um triz. A garota havia pegado a sua chave e aumentado o tamanho da mesma. Quando ela tinha caído, bateu com a ponta da Keyblade com força contra um vidro de uma pequena e redonda janela, ficando presa ali. Como o formato da chave de Nina parece ser duas asas de borboleta, as mesmas ficaram presas no vidro quebrado, porém rapidamente a janelinha ia rachando, e com isso o maldito crocodilo estava com a sua bocarra aberta, esperando a garota cair.
— Definitivamente, a estrela do azar gosta de brilhar para mim. – Disse ela enfim, com um tom bem sarcástico na voz. Ao notar então o garotinho olhando para ela, ficou paralisada, parecendo estar com medo. Respirou fundo e com a mão esquerda se segurou firmemente na Keyblade, enquanto com a mão direita levou o dedo indicador aos lábios, sinalizando silêncio. Mas fora em vão: o menininho berrou tão alto que chegou a parar por alguns instantes a algazarra no navio. Nina voltou a se segurar com as duas mãos firmemente, mas o vidro rachava mais ainda. Ela se via sem escapatória naquela situação e por culpa do suor suas mãos escorriam da guarda da Keyblade. – Droga... – E ela fechou os olhos. – Por que... Eu tenho que ser tão frágil assim...? Meus amigos me defendem, a Rainha me defendeu, Sora me animou e... Riku... – E sentindo dedo por dedo se soltar da guarda, ela finalmente caiu, sendo acompanhada pela Keyblade que fora junto com o vidro que terminara de rachar.
— Mas não cai mesmo! – E a voz de Eros soou do nada, agarrando com uma das mãos o pulso de Nina firmemente. O movimento foi tão rápido que por instinto ela esticou a perna e prendeu o pé na guarda da espada-chave. – Não faça... Movimentos bruscos... – E ao ver com atenção, Eros estava com o corpo pendendo no ar, sendo segurado pelos pés por Lee, que se encontrava deitado na prancha.
— Eu... To sempre dando trabalho pra vocês dois, não é...? – Disse a garota erguendo a cabeça e revelando um sorriso tímido para Eros e segurando as lágrimas em seus olhos bem azuis. – Vocês sempre dão um jeito de voltar e me ajudar, estão sempre cuidando de mim e... Eu... Nunca faço nada de demais por vocês... Eros... Lee... – E ela começava a chorar intensamente, desfazendo o sorriso e revelando um rosto vermelho e triste.
— Amigos... São pra isso. Eles ajudam sem... Esperar nada em troca. Para mim... Você e o Lee... São as coisas mais importantes que já aconteceram na minha vida... – Disse o ruivo sorrindo animadamente. – Não... Se sinta culpada... Você está passando por muitos... Problemas. É normal você... Se sentir assim... – Mas ele então parou de falar. Segurava os pulsos de Nina com mais força, quase a machucando, mas era necessário: o suor dela e o peso estavam a fazendo escorregar mais uma vez.
— Eros... Assim você... Vai cair também... – Disse a garota tentando ficar o mais imóvel possível.
— E até parece que eu vou... Te soltar, sua idiota! – Silêncio mais uma vez. Era possível ouvir apenas a respiração ofegante dos dois naquela situação perigosa, mas... – DROGA! – E ele apertava o pulso com ainda mais força. – Eu já disse... Não vou te soltar!
— Mas assim... Eu, você... E talvez o Lee... Iremos... Cair... – Dizia ela ainda chorando. – Me solta... Anda...
— NUNCA! – Mas foi tarde. O suor era tanto que ela acabou se soltando mesmo sem querer e caiu. A noite estava escura e a água muito fria. Para o choque de Eros, assim que a garota caiu com impacto e o famoso “splash” ao adentrar na água, ela sumiu de imediato. Não tinha iluminação nenhuma, mas com um pequeno lampião próximo a Lee, o ruivo gritou. – ME SOLTA AGORA, LEE!
— Cara, mas tem um crocodilo ENORME dentro d’água.
— E deixar a Nina morrer? ‘Cê ta brincando, não é? – E pondo a mão no bolso, Eros retirou o saquinho que Nina havia lhe dado e de lá outra pequena chavezinha. Lee segurava o ruivo pelas botas até que concordou. O soltou e o garoto voou pra dentro d’água de cabeça, também sumindo de vista. Após alguns instantes observando tudo da prancha, Lee sentiu uma aproximação por trás: era Pete correndo rapidamente e com as mãos esticadas, como se quisesse agarrá-lo. – Ah... – Ele suspirou antes de por a mão no bolso e se jogar da prancha também, mergulhando na água fria.
— Ele... Se jogou? O Eros também? Suicídio em conjunto? AAAAHAHAHAHAHAHA! Noite de sorte, NOITE DE MUITA SORTE! – Disse Pete pulando e batendo com os calcanhares animadamente. Peter ficou assustado e gritou:
— Meninos Perdidos, RETIREM-SE JÁ! – E o garoto flutuou, deixando Gancho para trás e os garotos correndo para fora do navio.
— Uh... – E Eros mantinha a respiração presa enquanto se continha dentro d’água. Devido a noite ele não podia enxergar, mas pelo menos ele podia se orientar graças a uma leve luz que vinha do convés. Não sabia se agüentaria muito tempo com a respiração presa e na água fria, mas tentou mergulhar ainda mais a fundo. Próximo as suas costas ele sentiu uma movimentação e inconscientemente a chave em sua mão aumentou de tamanho, causando um brilho repentino. E foi graças ao brilho que ele pode ver o que era a agitação da água: o imenso crocodilo estava mergulhando cada vez mais fundo, indo na direção de Nina, que a essa altura já estava desmaiada afundando cada vez mais depressa. “DROGA!” E ele nadava cada vez mais rápido, mas graças a água gelada, seus músculos gritavam de dor, mas ele não deixava de se movimentar. Abrir a boca e assim o crocodilo estava pronto pra abocanhar sua presa. Nina perdia cada vez mais ar e bolhas sumiam aceleradamente. Eros em desespero sentiu seu corpo esquentar, a sensação era muito estranha, mas algo subia por sua garganta e por instinto ele segurou a Keyblade e mirou no réptil.
— FIRE! – E uma imensa bola de fogo saiu dali, mas... Infelizmente, por estar dentro d’água, a magia sequer conseguiu alcançar o animal. Precisando buscar ar, ele não conseguia mais ficar ali debaixo, até que alguém passou por ele, nadando ainda mais depressa.
— BLIZZARD! – E assim surgia Lee, também com sua Keyblade em mãos. A magia que este havia lançado era gelo e graças a isso ele congelou tudo na sua frente, até chegar ao crocodilo e paralisar a boca do mesmo. Ainda agüentando nadar, ele se aprofundou rápido, tentando alcançar Nina. Segurando o pulso da garota, ele a puxou, mas foi surpreendido pelo fato que de que ela pesava igual a um saco de batatas, o que dificultou para os dois chegarem a superfície. Se bem que de todos, ela era quem mais precisava de ar, então ele forçou ainda mais, até olhar para cima. Eros nadava em sua direção, ajudando-o a carregar a garota. Como ele havia pegado mais ar, estava mais disposto e assim chegaram ao ar frio da noite. Nadaram arrastando Nina com eles até ouvir alguém gritar “Eles estão vivos! Estão escapando a bombordo!” E assim eles aceleraram. Chegaram a terra firme até notarem que Nina ainda segurava, apesar de tudo, firmemente sua Keyblade. Puseram-na deitada sobre a areia fofa e Lee disse apressado:
— Vou pressionar os pulmões! Ela ficou muito tempo sem respirar!
— Certo! – E Eros ficou olhando Lee agir, pressionando as costelas da garota na altura dos seios, sem malícia obviamente, pois os pulmões desta estavam carregados de água.
— Você não vai fazer nada?! – Perguntou o garoto tremendo de frio.
— C-como assim? – Perguntou o ruivo.
— Respiração boca à boca, CARA! Vai logo! – E assim Lee fazia repetidas vezes as pressões contra o corpo da garota, enquanto Eros tomava uma cor vermelha que dominava todo o seu rosto e ele se aproximou lentamente e sem graça. Fechou os olhos de vergonha e seus lábios se aproximavam dos dela. O corpo dele tremia, não por culpa do ar frio, mas pelo fato de mesmo que seja uma respiração boca à boca, ele nunca havia beijado uma garota antes. Aproximação. Estavam próximos por menos de um centímetro até que a garota tossiu água, jorrando o líquido na cara do ruivo. Afastou-se de imediato. Ela ainda tossia, pondo cada vez mais água pra fora. Até que Lee sorriu e Eros, inegavelmente também sorriu, afinal, ela havia sobrevivido. Levantaram-na e saíram correndo, praticamente arrastando-a por estar zonza e sentindo uma queimação nas vias respiratórias. Não enxergavam quase nada em meio a floresta escura e nem tinham certeza do caminho, pelo menos até uma bolinha brilhante passar entre eles. Voou correndo entre os garotos e seguiu para a floresta. Não sabiam direito que sensação era aquela, mas talvez fosse melhor segui-la. Percorreram um tempo em meio à escuridão, tomando a bolinha brilhante como referencia até chegarem a uma clareira. No meio desta havia uma fogueira, já apagada por sinal e... O carro! Era o local aonde haviam dormido. Correram mais ainda e abriram a porta traseira, deixando uma Nina semi-desmaiada atrás e em seguida abriram as portas dianteiras, adentrando o carro.
— Mas essa lata-velha não precisava ser consertada?
— OUTRA HORA LEE, OUTRA HORA! – E antes que Eros pudesse ligar o carro, um garoto de roupas verdes, cabelos ruivos e que voava, pousou no capô do carro. Ele fez sinal para a mesma bolinha brilhante e ela passou voando em volta do carro, jogando algo que parecia purpurina e então o automóvel começou a voar. Eros, não confiando muito naquilo tudo, ligou o carro de qualquer jeito. A altura só ia aumentando cada vez mais e um portal mais uma vez se abriu diante dos olhos deles. O rapaz que voava, no caso Peter Pan, saiu de cima do capô e deu lugar a eles, que em fração de segundos atingiram uma super velocidade e transpassaram a brecha brilhante, se vendo mais uma vez naquele imenso espaço negro, com planetas, estrelas, luas e mundos ao redor. Eros estava concentrado dirigindo, pelo menos até Lee falar.
— Se quiser pegar outra rota “supostamente segura”, você vai se ver comigo...
E eles partiram por horas a fio, naquela imensidão deslumbrante.
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