The Half-blood Prince - Severo Snape
28 Neblina
Alfardo acabara de contar toda a história para Dumbledore, sobre os recentes acontecimentos quando um dos inúmeros aparelhos estranhos que ocupavam a sala do diretor começou a fazer um barulho irritante. O velho diretor se pois de pé com uma agilidade nada condizente com a sua idade o que intrigou Alfardo ainda mais.
‒ Algum problema Alvo?
‒ Um feitiço das trevas muito poderoso acabou de ser lançado.
Sem esperar convite Alfardo seguiu o diretor a passos largos, por alguns minutos a direção parecia incerta até que os dois seguiram em direção a floresta proibida.
Não foi difícil identificar o local a qual eles precisavam chegar, as variadas luzes que iluminavam o local deixava bem evidente que estava havendo um duelo no local.
Mas a cena a sua frente foi de fazer o coração de Alfardo parar uma batida.
Sua filha se encontrava deitada no chão com as vestes inundadas de sangue e do outro lado sua sobrinha não estava diferente. Ainda em pé haviam apenas seu sobrinho Sírius, Snape e Lestrange.
Dumbledore foi mais do que rápido em desarmar os três alunos com apenas uma aceno de varinha. O diretor correu em direção a jovem Black caída ao chão, os cortes não paravam de aparecer e a jovem começou a perder a voz tamanha a dor. Tentou inúmeros feitiços mas nada estava funcionando, então lhe ocorreu a jovem foi atingida por um feitiço desconhecido por ele.
‒ Qual dos dois lançou esse feitiço? Quero o contrafeitiço já.
Severo caminhou para junto do diretor e sem querer perder mais tempo longe de Valerie apenas murmurou repetidas vezes.
‒ Vulnera Sanentur.
O sangue foi sendo drenado e os cortes se fechando até que Bellatriz aparentasse estar apenas dormindo. Dumbledore ficou impressionado com o talento do jovem Snape e fez uma nota mental para que depois que essa confusão acabasse ele chamasse o jovem para debater sobre seu talento com feitiços.
Alfardo se ajoelhou ao lado de Valerie e começou a recitar feitiços de cura. Não demorou meio segundo e Severo se juntou a ele com o mesmo objetivo. Alfardo tocou o rosto de sua filha e sentiu sua pele fria.
‒ Valerie, você está me ouvindo? Por favor querida responda. ‒ falou Alfardo.
Severo já estava entrando em desespero Valerie estava desacordada a bastante tempo. Seu rosto estava preocupantemente pálido e sua respiração não passava de um fraco sopro de ar. Se recusava a perdê-la, não poderia nem pensar nesse hipótese.
‒ Precisamos levá-la para a Madame Pomfrey,ela saberá o que fazer. ‒ A voz de Dumbledore pegou tanto Alfardo como Severo de surpresa e sem pensar duas vezes Alfardo levantou sua filha do chão frio e a conduziu para a enfermaria.
Severo esperou impacientemente enquanto Madame Pomfrey trabalhava correndo de um lado para o outro tentando salvar a vida de Valerie. Pensou que iria enlouquecer quando ela obrigou ele e o Sr. Black a saírem da ala hospitalar, mas mesmo com a proibição ele não saiu do corredor, acampou lá por horas até que a enfermeira disse que ele poderia ver Valerie.
Ela parecia extremamente frágil deitada imóvel na cama hospitalar. Valerie ainda estava desacordada e Severo sabia que isso não era nada bom. Ouviu a longa explicação de Madame Pomfrey sobre o estado de Valerie, algo sobre um coma profundo que ela não conseguiria ajudar, explicou que eram raras as vezes que as pessoas voltavam de um como tão profundo como aquele. Enfatizou que não havia nada mais que pudesse ser feito além de esperar. Por mais que ele ouvisse as palavras Severo não as aceitava, sua Valeria era mais forte do que isso. Por isso ele fez questão de ficar ao lado dela durante toda a noite. Não foi fácil, ele teve que fingir estar doente, o que ele achou que seria facilmente descoberto pela enfermeira. Mas depois de uma exame detalhado e de um olhar profundo de Madame Pomfrey, foi decidido que ele poderia passar a noite na enfermaria. Severo desconfiava que ela fez aquilo apenas para tranquilizá-lo, a agradeceu profundamente a decisão dela de ignorar a mentira deslavada que ele contou.
Convenientemente a cama de Severo era ao lado da de Valerie, por isso ele pode ir por diversas vezes pro lado dela. A princípio ele apenas chamava seu nome baixinho, era como um mantra que o ajudava a não perder a cabeça, mas depois um tempo ele achou que poderia ajudar se ela sentisse o toque de sua mão na dela. Sua mão estava fria e então Severo tentou aquecê-la, levou a pequena mão até sua boa e a beijou, um beijo de adoração, pois era exatamente o que ela merecia, e assim passou o primeiro dia.
Na manhã seguinte Severo recebeu alta e com ela a noticia que já não poderia mais dormir na ala hospitalar, o que não foi bem recebido pelo sonserino. Mas, por mais que ele não quisesse sair de perto de Valerie, ele tinha suas aulas para frequentar. Exatamente por isso ele passava seus intervalos na ala hospitalar e a partir daquele dia passou a conversar com Valerie, na esperança de ver alguma reação dela sobre as histórias que contava, mas não teve sucesso. E assim se passou o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto dia.
Lilian se encontrava parada a porta da enfermaria, doía seu coração ver Severo tão abatido, todo o seu tempo livre ele passava ao lado de Valerie, que por mais que seu amigo tentasse de tudo, ela não reagia. Ele passava horas conversando com a namorada na esperança de tê-la de volta. Estava temendo pela sanidade de Severo, se ele não estava com a Valerie estava pesquisando para achar algo que pudesse ajudá-la a sair do coma. Lilian estava tão distraída que não sentiu a presença ao seu lado até James lhe falar.
‒ Seria melhor lhes dar privacidade.
Depois do duelo ilegal, que deixou todos os envolvidos com grandes problemas com o diretor, James finalmente pediu Lilian em namoro que para seu eterno alívio disse sim. Lilian sabia que já não podia negar que estava apaixonada pelo maroto. Tem coisas que não se pode ser evitadas, e a atração entre os dois era uma delas.
‒ Eu sei. Mas gostaria de poder ajudar de algum jeito. Se ela não voltar... tenho até medo de pensar no que Severo poderia se tornar.
‒ Ele a ama muito não é? Devo admitir que não imaginava que o ranhoso fosse capaz de amar tão profundamente.
Lilian olhou com reprovação para James deixando claro que não gostou de ouvir o apelido depreciativo, o que fez o maroto se envergonhar do que disse.
‒ Desculpe, velhos hábitos. Prometo nunca mais implicar com o seu amigo. Até porque se fosse você ali no lugar dela eu estaria fazendo a mesma coisa.
Ao ouvir essas palavras Lilian se aconchegou nos braços de James que a conduziu para fora da ala hospitalar.
No décimo segundo dia em que Valerie permanecia em coma, Severo pulou o almoço e partiu direto para junto de sua amada. Foi realmente desagradável notar que havia uma pessoa ao lado do leito de Valerie. Foi inevitável sentir ciúmes, aquele lugar era dele, mas Sírius Black parecia bastante a vontade nele. Ao avistar Severo, o grifano se levantou para cumprimenta-lo mas foi recebido com um olhar de animosidade.
‒ Snape. Não precisa me olhar assim. Já estava de saída.
‒ Não gosto de você perto dela, suas interações passadas não foram bem vistas Black. Então não me obrigue ate expulsar daqui.
‒ Olha aqui Snape, ela é minha prima, e tenho todo o direito de visitá-la quanto você.
Sírius pensou em continuar com a discussão mas não era pra isso que ele tinha ido até lá. Por mais que tivesse suas diferenças com Severo, ele tinha que admitir que o outro estava sofrendo muito e ele não era assim tão babaca ao ponto de chutar cachorro morto.
‒ Não vim aqui para brigar. Sei que esta sendo difícil tanto pro meu tio quanto pra você. Ela era uma garota legal e só quis vir visitá-la. Não é nada demais.
‒ Ela é uma garota legal. Ela não está morta para você usar o verbo no passado.
Sírius viu o quanto esse simples erro mexeu com o sonserino, como se a mera menção de que Valerie poderia estar morta o tivesse abalado. Por isso mais do que imediatamente se retratou.
‒ Desculpe, não foi minha intenção. Ela não vai morrer eu tenho certeza disso, afinal de contas ela é uma Black e somos incrivelmente duros na queda.
Sírius percebeu quando o alivio adentrou a mente de Snape e naquele momento ficou feliz por ter conseguido tal feito. Nunca na vida pensou que um dia ficaria feliz ao consolar o ranhoso, mas ali estava ele fazendo exatamente isso.
‒ Sabe Snape, já que você está determinado a entrar na família poderíamos deixar as rixas de lado e quem sabe sermos amigos.
Severo olhou com desconfiança para a mão estendida de Sírius por um bom tempo antes do maroto cair na risada.
‒ É só um aperto de mão Snape, você não está fazendo um voto perpétuo.
Severo apertou a mão estendida, mas só porque ele queria que Sírius Black fosse logo embora para poder conversar a vontade com Valerie. E assim que o grifano partiu da enfermaria foi exatamente o que Severo fez.
Valerie se sentia tão leve que seria capaz de voar, era exatamente isso que passou em sua mente antes de ouvir uma voz chamar seu nome de maneira tão desesperada. Lhe ocorreu que a pessoa deveria lhe amar muito, pois parecia estar sofrendo, mas porque ela não conseguia lembrar de quem era a voz? Mesmo com o chamado tão veemente ela não conseguia parar de flutuar na neblina que a estava puxando. A voz que chamava por seu nome parecia cada vez mais preocupada, e ela lutava para tentar reconhecer pois sabia que já tinha ouvido aquela voz inúmeras vezes, mas quem seria? Queria poder lembrar mas a neblina a deixava confusa, se sentiu muito cansada e não queria mais continuar lutando contra a neblina, queria seguir seu curso.
A voz era persistente, sempre falando sobre coisas que ela não compreendia e depois de algum tempo ela começou a ansiar por ouvi-la. A voz grave lhe contava histórias e pedia para ela voltar, mas o problema era que ela não sabia para onde deveria voltar. Mas um dia a voz ultrapassou a neblina da sua inconsciência trazendo imagens brotarem em sua mente. Primeiro ela viu um rapaz de cabelos negros parado em frente a uma vitrine, o rosto dele fez um sentimento forte envolvê-la, mesmo em meio a neblina. O mesmo rapaz sentado em um vagão de trem ao seu lado. Ouviu seu sorriso em outra lembrança e um beijo. Sim, ela lembrava de um beijo. Lembrava ter desejado desesperadamente aquele beijo.
Ela sabia quem ele era, ela o amava. Sim, amava o dono da voz, mas mesmo assim não conseguia reunir forças para lutar contra a neblina.
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