The Half-blood Prince - Severo Snape
6 Finalmente um nome
Maio de 1971 — Cidade de Nova York
Casa da família Graves
Beatrice Graves, encarava a carta em suas mãos. Não era surpresa alguma sua filha, Valerie, ter recebido a carta para estudar em Hogwarts.
Era mais do que esperado, o pai biológico dela sendo quem é, que a menina com certeza teria uma vaga reservada naquela instituição.
Mas Beatrice depois de tudo o que teve que suportar por parte daquela família não pretendia enviar sua única filha para tão perto deles.
Ainda se lembrava da humilhação de ter sido abandonada grávida pelo homem que ela tanto amou.
Caminhou até a escrivaninha de sua biblioteca e pegou a caixinha de veludo preto que guardava trancada em uma das gavetas. Abrindo encarou o pingente de ouro ricamente decorado, no meio gravado havia o brasão de uma famosa família bruxa, a família do pai da Valerie.
Naquele momento ela se lembrou do dia em que ganhou o presente. Ele havia lhe dito que a amava e que queria se casar com ela. Que não se importava de ela não ser uma bruxa.
Seu coração se apertou e seus olhos ficaram marejados, ela se odiava por ainda deixar que aquele homem mexesse tanto assim com ela mesmo depois de tantos anos.
Não, ela não permitiria que sua filha fosse humilhada por nenhum membro daquela família maldita. Se dependesse dela, Valerie jamais colocaria os pés em Hogwarts e nunca conheceria nenhum membro da família de seu pai.
Era por isso que ela tinha ido para tão longe. Nova York foi seu recomeço, foi onde construiu um lar para sua filha.
Sentando na cadeira ela pegou outra carta que havia recebido da MACUSA.
A carta informava para ela que sua filha era uma bruxa. Eles achavam que ela não sabia. É claro que ela nunca contou pra ninguém sobre seu passado e sobre o pai de Valerie.
Beatrice decidiu responder as duas cartas. Para MACUSA ela informou que estaria aguardando a visita de seu representante e agradeceu pela vaga em Ilvermorny e para Hogwarts ela recusou educadamente a oferta.
Valerie jamais conheceria seu pai.
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Março de 1976 — Brooklin, Nova York.
Cemitério Green-Wood
Valerie não conseguia respirar, estava difícil o ar lhe faltava. Talvez fosse a dor. Sim doía muito, era como Fero em brasa em seu peito.
Havia chuva, ela apenas registou esse fato quando sentiu as grossas gotas contra seu rosto.
O céu cinzento era apropriado para o momento. Era como ela se sentia. Sem cor, sem vida, sem o seu mundo.
Alí a sua frente se encontrava uma lápide que pertencia a pessoa mais importante da sua vida. Sua mãe, a mulher que a criou praticamente sozinha.
Valerie não queria acreditar que sua mãe não estaria mais lá, o que ela faria agora? E quando ela precisasse de um conselho? Quando ela se apaixonesse pela primeira vez não poderia compartilhar isso com ela.
A dor ferroou novamente seu peito. Era como se seu coração estivesse sendo esmagado, e ela conseguia ouvir sua alma se quebrar.
Valerie registrou um braço circular seus ombros e a voz de um homem.
"Querida. Precisamos conversar."
Era David Smith, o marido da irmã de seu padrasto.
Ela se deixou ser guiada para longe daquele lugar, não soube quanto tempo se passou mas quando deu por si já estava em sua casa.
"Valerie, querida. Precisamos lhe falar sobre o testamento de sua mãe."
Ela ouviu novamente a voz de David, ele estava falando algo importante mais ela não se importava.
"Aqui, veja."
O homem estendeu a mão lhe oferecendo uma pequena caixa de veludo preto é uma carta junto.
"O testamento de sua mãe diz que isso deve ser entregue somente a você."
A letra de sua mãe escrita no envelope da carta fez a dor se intensificar. Sua mãe escreveu aquilo para ela, eram suas últimas palavras para Valerie.
Por mais que quisesse Valerie não conseguia falar, as palavras simplesmente não saíam. Ela pegou a caixa e o envelope e os pressionou contro o próprio peito na esperança de que a dor fosse embora.
Ela já não via necessidade de estar ali e decidiu sair, seus passos eram lentos e ela estava andando em modo automático. Suas pernas a conduziram para dentro do quarto de sua mãe. Então ela entrou no closet e pegou um vestido simples que sua mãe adorava usar, sentou-se no chão e abraçou a roupa sentindo o perfume de sua mãe que ainda estava na peça.
Aquele perfume tão familiar lhe deu um pouco de conforto. Era como se Valerie estivesse alí se escondendo, somente esperando sua mãe ir lhe encontrar, exatamente como elas faziam quando Valerie era pequena.
Ela pegou a caixa e olhou por um momento. Ela nunca tinha visto aquela caixa antes, o que seria tão importante pra sua mãe colocar ordens específicas no testamento?
Abrindo a caixa ela encontrou dentro um pingente, ele parecia caro, como se fosse uma relíquia de família. No meio do pingente havia um brasão e as palavras, Toujours pur estavam gravadas.
Mas o que aquilo significava?
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Novembro de 1977 — Em algum lugar na Escócia.
Castelo de Hogwarts
Valerie não conseguia se segurar, ela continuava a procurar o garoto que lhe fez companhia no dia anterior por todo o lugar em que passava.
Até aquele momento não teve sucesso algum. Ou ela teve uma alucinação ou o rapaz estava se escondendo dela de propósito, só para ela ficar cada vez mais curiosa a seu respeito.
Enquanto caminhavam para a próxima aula Severo notou que sua amiga estava desatenta naquela manhã, a garota parecia estar procurando por alguma coisa e isso deixou o moreno intrigado, pensou em questionar Valerie do porque da sua desatenção mas desistiu.
"Que aula nós temos agora Sevie?"
"Estamos com um período vago essa manhã. E logo após temos Herbologia."
"E onde está a Lílian?"
"Deve estar no jardim, porque?"
"Porque ela deveria estar aqui. Porque não a chamou pra ficar com a gente no intervalo?"
"Pra você sumir e me fazer ter que inventar desculpas esfarrapadas por você?"
Valerie parou de frente para o moreno fazendo ele tomar um susto com o movimento inesperado.
"Por Merlin Sevie, você não está se esforçando. Tem que chamar a garota pra sair. Como você acha que ela vai notar seu interesse se você não toma uma atitude?"
"Primeiro, fala mais baixo, quer que todo mundo escute? Segundo, quem disse que tenho interesse na Lílian desse jeito?"
"Você. Quando fica babando ao vê-la passar."
Severo olhou para Valerie com um olhar que intimidaria até o mais valente dos homens, só que na garota parecia não fazer efeito algum.
"E não me olhe assim, sabe que comigo não funciona."
"Que eu saiba nunca te disse que era apaixonado por ela, você é quem deduziu isso sozinha."
Severo viu quando Valerie eliminou o espaço entre eles e encaixou seu braço com os dela, os apertando contra si mesma. A proximidade fez o sonserino ficar desconcertado, porque ela tinha que ser tão espontânea?
"Já que temos um tempo vago que tal irmos ao jardim?"
A castanha estava próxima demais pensava o sonserino o cheiro dela o envolveu, e era um cheiro delicioso, era o cheiro que ele sentiu quando sonhou com ela. Quando ela ficava assim tão perto era até difícil raciocinar direito.
"Tudo bem."
Só depois que as palavras saíram de sua boca Severo percebeu com o que tinha concordado e então bufou irritado.
Por Merlin quando essa garota botava uma coisa na cabeça era difícil tirar.
Ele estava pronto para cortar a alegria dela quando sentiu ela colar seus lábios em sua bochecha. O toque macio de seus lábios acelerou o coração de Severo.
Por um breve momento ele pensou em circular a cintura dela com o braço livre e a puxar contra si. Mas rapidamente expulsou esse pensamento da cabeça.
Por Merlin ela era sua amiga, e ele amava Lílian era Lílian que ele deveria querer puxar contra si.
Perdido nesses pensamentos confusos Severo seguiu a garota que tinha um sorriso vitorioso no rosto, e pensou que mais uma vez ela tinha conseguido o que queria dele.
Chegaram ao jardim e não encontraram Lílian o que fez com que os dois sentassem em baixo de uma árvore. O local possibilitava ver a chegada de qualquer pessoa ao jardim.
E foi então que Valerie finalmente viu o rapaz do dia anterior. Ele tinha acabado de entrar no local seguido por um grupo de garotos, e todos incluindo ele estavam vestidos com as cores da Lufa-lufa.
Ele ainda não a tinha visto sentada alí então Valerie decidiu o observar melhor. Ele parecia ser bem popular entre os alunos da Lufa-lufa e as garotas praticamente babavam quando ele passava.
"Sevie."
Severo estava distraído lendo algumas anotações em um pedaço de pergaminho, quando ouviu a voz de Valerie lhe chamar. Ele apenas respondeu sem tirar os olhos do pergaminho.
"Sim."
"Você sabe o nome daquele garoto da Lufa-lufa."
Só demorou um segundo para Severo registrar a pergunta de sua amiga e levantar o rosto em direção ao tal garoto que ela estava interessada. Como assim interessada? Severo olhou para o bando de Lufanos a sua frente e identificou os membros do time de Quadribol da Lufa-lufa.
"De qual dos trogloditas você está falando?"
A pergunta saiu mais ríspida do que ele pretendia, mas foi difícil esconder o desagrado de saber que Valerie se interessava pelo esteriótipo de garoto popular e jogador de Quadribol.
Valerie riu do comentário do amigo, ela sabia que ele não gostava muito de esportes.
"O alto de cabelos marrons, o que está escorado na coluna."
Severo teve que se segurar para não bufar, tinha que ser logo o queridinho da Lufa-lufa?
"Aquele é Amos Diggory."
"Amos Diggory."
Valerie testou o nome, e um sorriso involuntário surgiu em seu rosto. Finalmente um nome.
Severo não estava gostando nada do sorriso que estampava o rosto de sua amiga. Ela não via que aquele idiota jogava seu charme para todas as meninas da escola.
"Porque a pergunta?"
O sonserino perguntou desconfiado.
"Ontem nos esbarramos pelos corredores e ele se recusou a dizer seu nome para mim. Segundo ele, isso faria com que eu não o esquecesse."
"Totalmente mau educado e idiota, devo dizer."
"Pois eu achei engenhoso da parte dele."
Severo não gostou nem um pouco da resposta de Valerie. Aquele texugo maldito não era o cara certo para sua melhor amiga. E ele como melhor amigo dela tinha a obrigação de protegê-la desse tipinho.
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A aula de Herbologia já estava se iniciando, Severo estava ao lado de Lílian e não parava de olhar para a porta da estufa. Valerie estava atrasada de novo. Como alguém consegue se atrasar até com uma ida ao banheiro ele não sabia dizer.
Lílian notou que seu amigo estava muito impaciente naquele manhã.
"Qual o problema Severo? Você não para de olhar para a porta."
Severo estava pronto pra responder quando a porta a estufa se abriu e revelou Valerie que entrava, e junto a ela um Amos Diggory sorridente até demais para o gosto de Severo.
Valerie olhou na direção de Severo e como sempre fazia estava pronta para sentar junto a ele. Mas a presença de Lílian ao lado do rapaz fez Valerie repensar a decisão. Severo gostava da ruiva e Valerie sabia disso.
Mesmo sonhando com ele quase todas as noites, ela sabia que o melhor era deixar o amigo conquistar a garota que ele é apaixonado deis de sempre.
Diggory era um cara legal e parecia estar interessado nela. Então a garota pensou que já estava na hora de deixar essa ilusão de que Severo um dia iria lhe olhar como mais do que apenas uma amiga, e decidiu aceitar o convite do Amos para ficar ao lado dele na aula.
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