Notas iniciais
Olá, desculpem a demora para atualizar. Boa leitura.

Severo não sabia o que tinha acontecido com Valerie, ela não era de ficar doente, e antes de desmaiar ela parecia tão bem.

Foi muita sorte ele ter sido rápido o suficiente ao ponto de conseguir segura-la antes que ela chegasse ao chão.

Agora se encontrava na enfermaria esperando notícias sobre seu estado de saúde. Ele tentou entrar é claro, mas madame Pomfrey não permitiu que ele ficasse ao lado de Valerie enquanto ela era examinada.

O novo professor estava ao seu lado e parecia bastante preocupado, o que Severo achou muito incomum. Era claro que como adulto responsável pela classe, ele deveria prestar socorro a Valerie, mas ele parecia preocupado demais na opinião de severo.

Mas antes de poder se aprofundar nesse pensamento madame Pomfrey voltou, e suas atenções se voltaram para a enfermeira. Professor Black tomou a frente.

− Madame Pomfrey, como a jovem está?

− A sta. Graves está bem professor Black. A jovem só teve uma pequena síncope nada grave, ela não deve ter se alimentado direito. Mas temo que ela não poderá retornar a aula pelo restante da tarde, por isso não há necessidade de acamparem aqui na enfermaria.

Severo ficou contente em ouvir que Valerie estava bem, mas não poderia ir sem ver com seus próprios olhos como estava a sua namorada, não sabia quando se tornou tão protetor mas não conseguiria se concentrar em nenhuma aula sem ter certeza que ela estava bem, e antes que pudesse se impedir a pergunta saiu de sua boca.

− Já posso vê-la Madame Pomfrey?

A curandeira lançou um olhar enfadado para o rapaz antes de responder.

− Sr. Snape o senhor não tem aula?

− Sim, mas antes preciso muito falar com Valerie, prometo ser rápido e não a cansar.

A enfermeira murmurou algo como “amor juvenil” enquanto balançava a cabeça negativamente e soltava um suspiro ruidoso.

− Para sua sorte Sr. Snape eu estou de bom humor por isso vou deixar você ver a sua namorada, mas só porque ela também me fez o mesmo pedido.

Severo não esperou nem meio minuto para contornar a curandeira a sua frente e entrar na sala onde Valerie estava repousando. Ao entrar viu a castanha sentada em uma cama enquanto olhava para o vazio, ela parecia tão frágil que Severo teve uma vontade esmagadora de poder tirar toda a tristeza do mundo só para ver sua Valerie sorrir.

− Oi. ­– falou Severo cauteloso.

Valerie estava tão perdida em seus próprios pensamentos que não viu a aproximação de Severo, ele tinha um singelo sorriso nos lábios, mas em seus olhos Valerie notou a preocupação.

− Oi.

− Madame Pomfrey disse que você teve uma síncope, mas que não foi nada grave. Como você se sente?

Valerie ouviu a voz de Severo e naquele momento ela desejou ter sua mãe ao seu lado para poder desabafar, pensou em falar tudo o que estava a machucando naquele momento para Severo, mas achou melhor não o sobrecarregar com problemas que nada tinham a ver com ele. Queria poder chorar e dizer o quanto estava abalada, o quanto foi esmagador finalmente conhecer seu verdadeiro pai, mas optou por fingir que nada estava acontecendo.

− Estou bem melhor, realmente não foi nada demais.

Severo ouvia as palavras que saiam da boca de Valerie, mas sentia que pela primeira vez sua namorada não estava sendo sincera sobre o que sentia. Achou muito preocupante pois ela nunca tinha deixado de expressar exatamente o que sentia para ele. Saber que ela não estava confiando nele para desabafar o deixou desapontado. Mas se obrigou a não expressar tais pensamentos pois seja lá o que for que a estivesse perturbando ele iria resolver, pois não poderia aceitar um mundo onde sua Valerie não lhe direcionava um sorriso radiante, tão radiante que iluminava todo o seu dia.

Severo sentou-se ao lado de Valerie na cama e passou seu braço protetoramente ao redor dela. Puxando-a para mais perto de si depositou um leve beijo em sua têmpora e passou a ponta do nariz em sua bochecha enquanto depositava leves beijos em toda a sua face.

Valerie se aconchegou ainda mais contra Severo recebendo todo o carinho que ele estava lhe dando, era tão bom ter ele ali lhe abraçando que pareceu para Valerie que era ele, Severo, quem a estava impedindo de desabar naquele momento. E com esse pensamento em mente ela não conseguiu evitar que uma única lagrima solitária escorresse por sua face e caísse silenciosamente sobre a camisa de Severo.

Alfardo tentava se manter calmo e não entrar na sala onde sua filha estava repousando. Sua primeira interação com ela tinha sido muito agradável, foi tão fácil conversarem que parecia que se conheciam a vida toda. Ela era maravilhosa, tão parecida com a mãe que o coração de Alfardo apertou dentro do peito. Mas ele via um pouco dele nela também e isso o tinha deixado contente.

Não soube o que aconteceu, a enfermeira disse que não foi nada demais. Mas o instinto de pai, que ele nem sabia que tinha, dizia que era mais do que isso. Estava tão distraído que não notou quando Dumbledore se colocou ao seu lado.

− Como está a Sta. Graves? ­

O diretor falou com sua costumeira voz mansa, mas levou alguns minutos para que Alfardo respondesse.

− Ela sofreu um desmaio. Mas Madame Pomfrey garantiu que não foi nada grave.

− E porque está aqui fora vigiando a porta?

− Gostaria de entrar e ver por mim mesmo...

Alvo apenas esperou para ver o que o homem a sua frente diria a seguir, e o que saiu da boca dele surpreendeu o velho diretor.

− Mas tenho medo de passar por aquela porta e saber o real motivo do desmaio de minha filha.

Dumbledore compreendeu o receio do amigo, não deveria ser fácil para nenhum dos dois essa situação.

− Nada é tão ruim na realidade quando é em nossos pensamentos meu amigo. Apenas entre e verá.

Dumbledore observava enquanto Alfardo ponderava sobre suas alternativas. Apesar da óbvia preocupação pelo bem-estar de sua filha ele conseguia ver a incerteza no olhar do homem. Ele tinha medo de ser rejeitado pela jovem, não era uma situação fácil e tão pouco era algo que alguém poderia resolver por eles. O suspiro derrotado rompeu o silencio entre eles.

− Acho melhor deixa-la descansar.

− Se é o que deseja.

− Por enquanto é tudo o que posso fazer.

E dando as costas para a enfermaria Alfardo se foi se sentindo o mais covarde dos homens.

(...)

O restante da tarde passou em uma lentidão extremamente dolorosa para Valerie. Madame Pomfrey não a dispensou até que tivesse certeza de que a jovem estivesse bem alimentada e que não sofria de mais nenhuma tontura. O que quis dizer que a curandeira não a deixou levantar da cama nem por um segundo o que deixou Valerie inquieta, pois ela não tinha o habito de ficar tanto tempo sem fazer nada. Não enquanto estivesse acordada pelo menos.

Já era quase hora do jantar quando Valerie foi liberada e mais do que rapidamente partiu da enfermaria em direção as masmorras. Precisava de um bom banho e por isso pegou suas coisas em seu quarto e foi direto para o banheiro feminino. Antes mesmo de entrar no local deu pra ouvir as vozes exaltadas das moças da Sonserina que se encontravam no local, quando entrou viu um amontoado de jovens em frente ao principal espelho do local, havia algo errado isso não restava dúvida, mas o que poderia ser.

− Eu vou agora mesmo chamar o professor Slughorn para ver essa injúria. – Berrou uma moça que Valerie não reconheceu quem era.

− O que isso significa afinal? – Falou uma voz que Valerie reconheceu por ser de Rina Greengrass

− Não é obvio? Alguém está dizendo que há uma aberração entre nós. E com certeza é uma garota, já que foi deixado o recado em nosso banheiro. – A voz cortante de Belatriz Black pronunciou cada palavra destilando veneno.

− Impossível, uma pessoa assim não seria selecionada para nossa casa. – Comentou Evanora Lestrange com repudio na voz.

Valerie abriu caminho entre as garotas para poder ver o que tinham deixado escrito no grande espelho. Ao ler a palavra escrita em letras garrafais em um tom de vermelho vivo Valerie sentiu seu peito doer com uma ferroada a qual ela identificou como medo.

Escrito de uma ponta da parede até a outra, havia a palavra BASTARDA, a tinta vermelha escorria no final de cada letra fazendo a palavra parecer ainda mais tenebrosa do que realmente era. Valerie não era tola, ela sabia que nenhuma família de sangue puro aceitava de bom grado um bastardo em sua árvore genealógica. E mais do que qualquer outra casa, a Sonserina presava muito pela pureza, e nada era mais vergonhoso do que um bastardo. E agora ela sabia que alguém da Sonserina tinha conhecimento do seu segredo.

Tentou não esboçar nenhuma reação, era covardia ela sabia, mas não estava preparada para assumir quem realmente era para todos. Deu meia volta em direção a saída, mas antes de cruzar a porta viu o sorriso maldoso e o olhar implacável que Belatriz Black lhe direcionava. Ela sabia, pensou Valerie, Belatriz sabia que ela era uma bastarda e estava pretendendo lhe torturar por causa disso. Se não fosse esse o caso já teria mencionado seu nome para toda a escola ouvir. A ameaça de sua tia lhe veio à mente, e mais uma vez seu ódio pela família Black se renovou. Ela os odiava, a família de seu pai, ela odiava todos eles. Puros sangues inúteis que se achavam melhores do que os outros, que se achavam no direito de pegar o que quiserem e humilhar a quem desejassem.

Partiu em direção a seu quarto e em todo o trajeto ela pensou em apenas uma coisa, em como sua vida se tornaria um inferno de agora em diante e em como ela faria para fazer da vida de cada um dos Blacks naquele castelo igualmente insuportável.

Notas finais
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