Notas iniciais
Espero que gostem e fichas no final do cap ;)

Aurora tinha seis anos quando os pesadelos começaram.

Para uma criança, ela tinha uma memória muito boa. Não tinha muito coisa pra lembrar de qualquer modo, já que o cenário de sua vida era um hospital. Ela tinha uma doença sanguínea que a deixava fraca e isso enlouquecia seu pai e sua avó, mas Aurora nunca entrara em pânico diante de uma situação desesperadora. Já estava acostumada com os tratamentos, os médicos e o branco de seu quarto. Era como se tivesse passado apenas um dia no hospital, sendo que a rotina era extremamente repetitiva.

Sua lembrança mais vívida era quando ganhou uma colega de quarto. Seu nome era Maude e ela tinha oito anos na época. Seus cabelos ruivos eram um contraste surpreendente com o branco dos lençóis e seus olhos castanhos nunca se focavam em um único lugar. Apesar de ser agitada, falava mais consigo mesma do que com a colega de quarto. Aurora não se importava, mas a primeira conversa delas foi marcante.

— Eu vou morrer.— Maude disse, rasgando uma folha de papel em pedacinhos. Era quase madrugada, mas Aurora não estava com sono e sua colega de quarto tinha pesadelos violentos. Ninguém gostaria de dormir nessas condições.

— Foi só um pesadelo.— Aurora respondeu automaticamente. Era a primeira vez que ouvia essas palavras de Maude, mas ela podia se identificar muito, infelizmente. As vezes sonhava que morria no meio de um tratamento ou até dormindo, deixando seu pai e sua avó apenas com seu corpo frio e sem vida.

— Não, eu tenho certeza que vai acontecer. Não tenho muito tempo.— Para uma garota de oito anos, Maude falava isso com muita calma e certeza. Escolheu um dos pedacinhos de papel no seu colo e tirou uma cante de debaixo do travesseiro.— Me faz um favor?

Cuidadosamente, Aurora assentiu. Maude estava provavelmente assustada, mesmo que não demonstrasse. E o que ela poderia pedir? Não deveria ser muito ruim. A mais velha parecia satisfeita com a resposta que recebeu, escrevendo algo rápido no pedaço de papel escolhido e o entregando para a mais nova.

No papel estavam rabiscos estranhos, linhas e pontos sem nexo. Aurora se esforçou para não demonstrar surpresa e Maude apenas sorriu.

— Vai saber o que fazer na hora certa.— Maude disse antes de se virar e afundar a cabeça no travesseiro.

Com o coração estranhamente pesado, Aurora a imitou. Naquela noite, sonhou com tricô e costura. Três moças tricotavam luvas marrons e, quando finalmente ficaram satisfeitas, cortaram o fio que juntava a linha e o novelo de lã. Para algo tão simples, parecia final. Ela acordou zonza e saiu correndo para o banheiro vomitar. Sua avó, que devia ter chegado na madrugada, foi correndo com ela para ver o que tinha errado. Maude não estava lá.

— Ela teve que ir, querida.— Sua avó respondeu quando Aurora perguntou. O tom de voz dela era solene e a criança entendeu, apertando o papel que ganhara na noite anterior em sua mão.

Três meses depois, Aurora Bustier foi liberada do hospital por uma milagrosa recuperação.

...

Com quatorze anos, Aurora Bustier acordou de um pesadelo de sangue e fogo sentindo-se segura.

Isso era comum para ela, esses sonhos terríveis a assombravam desde que tinha seis anos. Já tinha ido para vários psicólogo e psiquiatras, mas nenhum a ajudou de verdade. Com dez anos, parou de comentar com seu pai sobre isso, afinal, ele já tinha coisas demais com as quais se preocupar. Mesmo estando acostumada, ainda acordava suando frio e tremendo. Esse sentimento de segurança geralmente não estava no pacote.

Ela atribuiu isso pela grande e gromada raposa que a protegia em seus sonhos, olhos verdes penetrando sua alma. Talvez tivesse algum simbolismo, mas dos Sete Heróis de Paris, a antiga Volpina nunca fora sua favorita. Sempre preferiu a dupla tradicional de Ladybug e Chat Noir. Quando Chat Noire e Ladybeetle tomaram o lugar deles, juntamente com Papillon, ficara ainda mais animada. Finalmente poderia acompanhar as aventuras de heróis com seus próprios olhos.

(Claro, Ladybeetle e Chat Noire não apareciam há uns dois meses e Papillon estava se tornando esporádico, mas ela tinha fé que iriam voltar.)

Levantando de sua cama, ela saltitou até o banheiro. Hoje entregaria um artigo-teste seu para a presidente do Clube de Jornalismo de sua escola. Ela era conhecida por ser calculista e exigente, mas Aurora se sentia segura e confiante desde que acordou, apesar de um pouco ansiosa. Prendendo seus cabelos castanho-avermelhados em uma trança e colocando suas roupas o mais rápido possível, ela praticamente voou escada abaixo.

Seu pai a encontrou tentando tomar leite e enfiar uma torrada garganta abaixo ao mesmo tempo.

— A casa ta pegando fogo ou algo assim?— Nathanael questionou a filha que estava engolindo a bolota que tinha na boca.

— Eu tenho que chegar cedo na escola hoje.— Na verdade, não tinha não, mas a ansiedade com a qual acordava estava florescendo em seu peito e não aguentava mais ficar em casa. Colocando sua louça na pia e pegando sua bolsa de onde estava pendurada na cadeira, foi dar um beijo na bochecha do pai.

— Se acalma, não quer uma carona? Tenho que ir para o estúdio mais cedo hoje.— O ruivo falou, espantado com a energia da ruiva. Geralmente ela era mais letárgica pela manhã.

Aurora hesitou. Geralmente não negaria uma oferta de carona, mas seu peito queimava com vontade de chegar mais rápido na escola. Balançando a cabeça, a garota saiu correndo para fora de casa, deixando seu confuso pai para trás.

....

Na escola, sua inquietação piorou.

Não ouviu uma só palavra do que os professores disseram. Felizmente, não tinha amigos na escola, então ninguém a confrontou sobre ter algo de errado com ela. Quando a aula finalmente terminou e chegou a hora de se apresentar sua inscrição para o Clube de Jornalismo, conseguia ouvir as batidas rápidas de seu coração e ficava pulando em seu lugar na fila.

Depois da sétima reclamação, foi obrigada a parar de pular. Então resolveu ocupar suas mãos: releu seu artigo mais uma vez (uma bela análise sobre as diferenças entre o novo herói Papillon e o vilão Hawkmoth), revirou sua bolsa e praticamente arrancou seus bolsos fora. Parou quando sentiu que realmente tinha algo em seu bolso e, ao retirar, percebeu que era um pedaço de papel. O papel de Maude. Não tinha colocado ele lá.

Passando seus olhos por ele mais uma vez, seu coração gelou.

— Aurora Bustier?— Um garoto com pele escura e óculos a sua frente questionou, segurando uma prancheta.

Ele era provavelmente o vice-presidente do grupo, pois a seu lado estava a famosa presidente. Com seus cabelos loiros, olhos verdes e corpo atlético, ela era realmente uma das pessoas mais lindas que Aurora já vira. Mas não conseguia se focar em nada além do papel em sua mão naquele momento.

Em frente a mais rígida presidente de clube da escola, Aurora apenas balbuciou sílabas desconexas, empurrou a pasta com seu artigo em suas mãos, deu meia volta e saiu correndo. Não porque estava assustada, mas porque tinha um lugar pra onde ir.

— Rude.— O vice-presidente reclamou indignado enquanto as outras pessoas da fila observavam espantados a garoto que provavelmente nunca seria aprovada para o clube.— Quer que eu coloque a pasta nos desaprovados, Lou?

— Não.— A presidente respondeu calmamente, observando a pasta em sua mão e o pedaço de papel que veio junto.— Ela pode ser útil, vamos ler o texto dela.

Em suas mãos, o pedaço de papel mostrava um endereço.

...

Seu coração ia explodir, seu rosto estava vermelho e sentia que seu corpo estava derretendo. Seu sangue queimava em suas veias enquanto corria pela cidade. Ela nunca estava nessas partes da cidade, mas ela sabia pra onde estava indo. Tinha certeza. Quando chegou na frente de uma pequena loja chinesa, não hesitou em entrar sem sequer bater.

Desceu as escadas as pressas e só parou na frente de portas de papel, abrindo-as cuidadosamente. Um homem se encontrava sentado lá, um pequeno bichinho verde sentado em seus ombros. Ele sorriu.

— Bem vinda, Guardiã.

E, como se toda a adrenalina saísse de seu corpo abruptamente, ela gelou e desmaiou.

Notas finais
Nome:
Idade(entre 14 à 25, por favor):
Aparência (descrição e, se tiver que usar imagem, desenho):
Sexualidade (é importante, nem todo mundo é hétero):
Personalidade:
História:
Família:
Miraculous* (abelha, pavão, joaninha, gato preto, tartaruga e borboleta):
Alguma preferência na roupado dia-a-dia ou de super herói?
Gostos (hobbies, comidas, roupas, esse tipo de coisa):
Desgostos:
Posso mudar algo na ficha?
*Não prometo que vai ficar com esse Miraculous, porque pode vir um mais qualificado, mas não vou descartar uma boa ficha.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.