The Guardians
22 Capítulo 4- Jack
Notas iniciais
Abri os olhos com dificuldade. Meu corpo ainda doía dos vários golpes e choques que eu havia levado; minha cabeça ainda dava voltas, tentando pensar em uma solução para os vários problemas que eu havia causado. Não acredito que eu realmente tinha incentivado Will a fazer um acordo com o Gêmeo do Passado, um dos mais perigosos guardiões de nossa geração. Meu pai sempre me alertava sobre Dan, mas eu queria tanto ter poderes que ignorei todas suas lições. Para alguém que sempre foi considerado o “sábio” da equipe, eu havia feito uma idiotice até grande demais.
Mas não adiantava ficar se lamentando agora, Will ainda estava lá em cima alimentando a máquina com sua energia. Eu precisava compensa-lo e dar um jeito de tira-lo de lá em segurança. Mas primeiro precisava arranjar um jeito de sair dali. Aliás, onde eu estava? Meus sentidos se apagaram completamente depois daquela descarga de Elize. Eles provavelmente me carregaram para algum lugar ainda dentro da casa. Olhando ao redor, eu estava dentro de uma jaula. Literalmente. Que tipo de pessoas maníacas tem jaulas em tamanho humano em suas casas? E não era só uma, olhando para os dois lados, havia pelo menos cinco para a direita e para a esquerda. E o mesmo número a minha frente.
Certo. Então os caras do mal tem uma coleção de jaulas em sua casa. Por que não? Mesmo curioso por saber o motivo dessa estranha obsessão, eu tinha coisas mais importantes a fazer no momento. Corri até a porta da jaula e comecei a força-la em todas as direções. Obviamente estava trancada. Se eu estivesse com minha espada poderia tentar quebrar a fechadura, mas todas minhas armas tinham sido pegas quando eu desmaiei. Sem armas, e sem poderes. Agora sim me sentia como um completo inútil fracassado. Sentei no chão e me apoiei nas grades. Sem nenhuma esperança de me salvar ou de chegar até Will a tempo, comecei a encarar o teto. Notei que a jaula era segurada por uma corda de metal, que levava até uma estrutura no teto, que parecia ser capaz de levantar a jaula do chão. Comecei a olhar as outras jaulas, todas estavam conectadas a máquina no teto. Ou seja, havia algo que controlava todas as jaulas ao mesmo tempo. Encontrando isso, talvez eu conseguisse abri-la.
Mas no que eu estava pensando? O controlador era capaz de abrir todas as jaulas, ele obviamente estaria em um lugar distante, para que quem quer que estivesse preso ali não tivesse saída. Que ódio! Se ao menos eu tivesse alguma coisa fina para forçar a fechadura ou algo do gênero. Mas não tinha nada. Só estava adquirindo informações inúteis. Ou talvez não. Rapidamente uma ideia me ocorreu, iniciei a vasculhar os bolsos da calça em busca do meu celular. O encontrei no bolso traseiro esquerdo e o peguei rapidamente. “Por favor que esteja aqui” pensava comigo mesmo enquanto tirava a capinha para encontrar: um clips! Ao contrário da maioria das pessoas, eu guardo o clips que me deixa abrir o lado do celular para alcançar o chip na própria capinha. Mesmo com o perigo de perde-lo, sempre soube que seria útil para escapar de lugares como este. Pergunto-me por que eles não haviam confiscado meu celular. Mas aqui em baixo provavelmente não há sinal de telefone ou acesso à internet de qualquer forma.
Peguei o clips e o forcei contra a fechadura. “Quase”, eu dizia a mim mesmo enquanto tentava abrir a jaula. Por fim, escuto um “CLICK”.
— Isso! — eu gritei em comemoração.
Acho que me empolguei um pouquinho. Abri a porta da minha prisão e começava a caminhar em busca de alguma saída para o andar superior quando escutei algo se mover. Algo grande e pesado, sendo arrastado, como se fosse uma rocha. Eu tentava localizar a origem do barulho, quando ele parou. “Mas o que?” eu tentava descobrir a causa do ruído, quando uma rocha gigante quebrou a parede diante de mim, jogando várias das jaulas em minha direção. Esquivei-me de todas para não ser esmagado e me virei para o enorme buraco que havia se criado na parede. Dentro dele sairam duas figuras: uma amarela e outra verde.
— Deuce? Leo? — arrisquei esperançoso.
— Jack? Aê! Até que enfim te achamos — Leo exclamou e veio correndo em minha direção.
Acho que nunca fiquei tão feliz em vê-lo em toda minha vida.
— Falaí, loiro? Você está bem? — Ele perguntou.
— Estou sim! — Disse aliviado.
— Ótimo! — Ele falou levantado o chão, fazendo um pedaço de cimento atingir minha cara. — Isso é por ter agido como um idiota esse tempo todo!
— Tudo bem, acho que essa eu mereci — eu disse enquanto passava a mão no rosto, na esperança de que não fosse começar a sangrar.
Deuce veio em nossa direção logo a seguir, e ao ver a ferida em meu rosto disse:
— Foi bem merecido.
— Eu sei! Agora, será que podemos parar de me culpar? Já estou arrependido o bastante. Temos que encontrar Will — gritei
— Will? Ele não está com você? — o britânico perguntou.
— Não! Dan e Elize o prenderam a máquina.
— Uou! A máquina está aqui? — Leo me perguntou.
Apenas fiz que sim com a cabeça.
— E o carinha das mentes também? — ele tornou a perguntar.
Apenas o encarei. Ele sabia bem que a resposta não era a que ele queria ouvir.
— Ótimo! Então temos que chegar até Will antes que suguem sua energia. Sabe onde ele está? — Deuce perguntou.
— No andar de cima. Mas não sei como chegar lá! — respondi. — Eu ia tentar a direita.
— Por que não? — Leo concordou comigo.
Nós três avançamos a passos rápidos por entre as jaulas, o que arrancou alguns comentários de Leo: “Que tipo de maníaco coleciona tantas jaulas?” ou “Tinha um zoológico aqui ou coisa do gênero?”. Mas eu e Deuce apenas o ignoramos. Não encontramos nada pela direita, apenas paredes. Magnifico!
— Vamos tentar o outro lado — Deuce opinou.
Eu e Leo concordamos e justo quando nos viramos para pegar o caminho oposto, ouvimos uma voz vir de trás de nós:
— Vão embora tão cedo?
Uma voz tímida e assassina, só podia ser Thea. Eu já não estava gostando da ideia de ter que enfrentar Dan e Elize, e agora Thea havia chegado para se juntar ao trio? Esplendido! Eu e os outros nos viramos lentamente:
— Thea! Está com uma cara ótima hoje! — Leo disse com um sorriso.
Deuce apenas dá um tapa em sua própria cara. E eu, como sempre, comecei a analisar nossa situação. Para a direita não havia nenhuma saída. Nossa única chance seria correr para a esquerda e buscar por alguma escada que nos levasse para o andar de cima. Mas assim que saíssemos correndo, Thea poderia puxar nossas sombras ou viajar por essas e chegar na nossa frente. Não. Não daria certo. Precisávamos achar um jeito de prende-la, deixando-a para trás enquanto saiamos correndo. Várias ideias rondavam minha cabeça. Mas eu precisava comunicar meu plano aos outros para que desce certo:
— Deuce! Barreira. Leo, jaula! — disse para os dois.
Eles me encaram com uma expressão de dúvida por uns instantes, mas depois pareceram entender o que eu queria dizer. Deuce me devolveu um olhar serio de “entendido”, e Leo apenas deu um sorriso. Acho, e espero, que isso signifique que ele entendeu.
— Perguntinha rápida menina-sombra? Você faz coleção de jaulas por acaso? — Leo perguntou.
— Idiota! Essas jaulas são pra vocês. Onde irão esperar até chegar a hora de absorvermos sua energia.
— Ok. Você tem manias esquisitas, não te culpo — ele disse dando um passo para trás. — Mas infelizmente, temos uma missão a cumprir!
Ele manipulou o material da parede, fazendo-a derrubar a jaula em cima de Thea. Deuce levantou um muro de raízes, que quebraram o chão e cresceram até o teto:
— Corram! — ele gritou assim que acabou de fazer a barreira.
Nos pusemos a correr rapidamente por entre as jaulas, Leo manipulando a terra para fazer com que todas caíssem no meio do caminho. Chegamos a extrema esquerda e demos de cara com outra parede e algumas alavancas, que eu supus ser o que controlava as jaulas.
— Não tem saída — disse desesperado — Thea deve ser a única que tem acesso a esse andar através de sua viagem pelas sombras.
— Ou seja, uma prisão perfeita — Deuce concluiu.
— Mas não infalível! Sempre há formas de escapar — Leo disse com um sorriso encarando o teto — Deuce, invoque um tronco grande o bastante para aguentar nós três. Eu vou quebrar o teto.
Deuce apenas assentiu e me disse:
— Se segura.
“Segurar onde?”, eu tive vontade de dizer. Mas antes que as palavras pudessem sair, uma grande raiz brotou do chão, pegando a mim, Deuce e Leo. O britânico manipulava a raiz para que avançasse na direção do teto. Leo fez um movimento como se estivesse golpeando o teto para cima. Passamos pelo buraco que se abriu e chegamos no andar superior. Nós três pulamos da raiz e eu vi alguém ser arremessado longe pelo pedaço de chão que Leo levantara. Virando-me para o lado, vejo Sky sair de uma espécie de transe e cair para frente. Deuce se movimentou mais rápido do que meus olhos conseguiram acompanhar e pegou a ruiva antes que ela caísse.
— Até que enfim! – ouvi Kevin exclamar da outra ponta do porão, onde ele estava parado próximo a máquina.
Will? Um sentimento de culpa voltou a arder em mim ao vê-lo preso a máquina daquela forma. “Prometo que vou te tirar daqui”, pensei comigo mesmo. Nesse meio tempo, escutei um grito de Leo:
— Cléo! — ele gritou preocupado ao vê-la ser jogada contra a parede pela energia de Elize.
Mas qualquer tentativa de luta direta não adiantaria. Elize e Dan eram apenas dois. Perderiam qualquer chance de luta justa. O problema é que vilões não jogam justamente. E para provar minha teoria, Thea saiu das sombras que haviam se criado atrás do Guardião das Mentes.
— Como ela chegou aqui? — Leo perguntou espantado para Deuce.
Este apenas respondeu com um olhar preocupado. Ela era mais rápida do que pensávamos. O fato de conseguir se mover pelas sombras é uma grande vantagem, ela havia saído de baixo das jaulas que jogamos nela e nos alcançado no andar de cima muito antes do que eu havia previsto.
— Vamos fazer desta uma luta justa. — Thea disse com alegria, lançando-nos um olhar de ódio.
Ela levantou os braços no ar e começou a lançar ondas de escuridão em todas as direções. O porão ficou completamente coberto por sombras, tornando difícil enxergar qualquer coisa a nossa frente. Parece que eles não precisavam da vantagem numérica, afinal de contas, eles tinham Thea. Ouvi Deuce gritar ao ser atingido por algo, provavelmente uma mão de sombra ou um raio de Elize.
— Deuce? — chamei por ele, mas fui atingido por algo também.
Droga. Precisávamos encontrar Kevin imediatamente. Sem ele para dissipar as sombras, não tínhamos esperança de sair dali. Peguei meu celular, que eu guardara no bolso traseiro novamente, e liguei a lanterna. Precisava encontrar um dos guardiões (preferencialmente o da Luz) para que pudéssemos bolar algum plano. Comecei a andar pelas sombras, enxergando com dificuldade, mesmo com a ajuda da lanterna. A distância, escutei um grito de Leo sendo atingido também. Virei-me rapidamente:
— Leo? — gritei por este, mas mais uma vez não recebi nenhuma resposta.
De repente, senti algo tocar meu ombro. Dei um pulo para trás e coloquei a lanterna em sua cara:
— Calma ai. Sou eu! — Sky disse sendo quase cegada pela luz.
— Desculpa — falei abaixando um pouco a lanterna, que mirou em seu pescoço — O que aconteceu? — perguntei assustado ao ver o corte em seu pescoço, e a imensa quantidade de sangue jorrando deste.
— Dan. Mas isso é irrelevante agora. Eu acho que consigo dissipar as sombras. Assim que eu o fizer, você corre para a máquina e pega Will, ok? — ela me disse.
Eu assenti com a cabeça, me preparando para ver como ela iria iluminar o porão de novo.
— Abaixe a cabeça, sim? — ela me deu um último aviso antes de começar a lançar “anéis de fogo” para cima.
Vocês devem estar se perguntando o que são anéis de fogo. É o nome que Leo deu para um dos golpes de Sky, onde ela joga uma bola de fogo para cima, causando uma explosão. Essa explosão se espalha de forma circular, passando pelo céu (ou qualquer lugar onde ela mirar) e formando uma figura similar a um anel, então, “Anéis de Fogo” virou o nome do golpe.
Sky começou a lançar suas explosões para cima. A luz das chamas “limparam” o ambiente, fazendo com que as sombras começassem a sumir. Após lançar seu golpe repetidas vezes, a escuridão se dissipou por completo, e eu podia enxergar novamente. Mas a cena com que nos deparamos não era das mais brilhantes. Leo se levantava após um golpe que acabara de receber. Dan segurava Cléo contra a parede e pressionava uma espada contra seu peito. E Deuce e Elize apontavam suas mãos na cara do outro, preparando-se para lançar algum ataque. Quanto a Kevin e Thea, haviam sumido completamente.
— Ninguém se mexe! — Dan disse para todos no cômodo.
Baixei o olhar e vi Sky cerrar os punhos e uma fumaça começou a sair destes.
— Não acho que isso seja uma boa ideia- sussurrei a ela.
— Você tem alguma melhor? — ela devolveu.
Bom, dada a nossa situação, não. Eu não tinha uma ideia melhor. Se nos movêssemos Dan matava Cléo, e Deuce e Elize brigariam para matar o outro primeiro. Mesmo na melhor das hipóteses, um dos nossos não sobreviveria. Precisávamos de um plano melhor do que Sky incendiar a briga. Pelo canto do olho, vejo Leo colocando a mão na parede, parecendo que tinha algo planejado.
— Ah. Então esse é seu plano? — perguntei a ruiva. Esta deu um sorriso e fez um movimento com a sobrancelha, dando um sinal para Leo.
Simultaneamente, Sky lançou uma bola de fogo na direção de Elize e Leo levantou um pedaço de terra debaixo da espada de Dan, quebrando esta ao meio. Deuce aproveitou o golpe de Sky e puxou Cléo com um galho que ele fizera aparecer do nada. Leo deu um pulo e avançou na direção de Dan. Elize reuniu mais energia e a lançou contra Sky, que fez chamas saírem de suas mãos. Os dois poderes se encontraram no meio do porão. Ambas tentando lança-lo de forma mais forte para alcançar a outra. Por entre as chamas, Sky se virou para mim e gritou:
— Will!
Eu assenti rapidamente e me dirigi a máquina. Desconectei todos os fios do corpo do garoto e usei meu clips novamente para abrir as algemas. Ele caiu assim que a última foi aberta, e eu o segurei para que ele não desse de cara no chão. O apoiei delicadamente no solo e comecei a chacoalha-lo:
— Will! Fala comigo. Acorda — eu o sacudia de um lado para o outro, tentando fazer com que ele acordasse.
Meu esforço parecia ser inútil, mas eu continuava a fazê-lo mesmo assim. Ele tinha que acordar. No restante do porão, a briga entre os outros seguia firme. Elize mantinha suas forças concentradas em não ceder para as chamas de Sky. Deuce aproveitou isso e invocou uma de suas plantas para joga-la longe. Ele criou uma barreira de cipós ao redor desta, prendendo-a em um dos cantos.
— Bom trabalho — Sky disse com uma voz cansada ao inglês, enquanto eles faziam um Hi-5.
Quanto a Dan, prendera Leo em uma espécie de congelamento. Mas Cléo chegou por trás e sugou o ar a seu redor, fazendo com que ele começasse a se sufocar. Suas forças se concentraram em procurar ar ao invés de manter Leo sob seu feitiço. Assim que este foi liberado, ele fez três muros de rocha crescerem, cercando Dan por quatro paredes e deixando-o sem saída. Os quatro correm em minha direção. Leo pegou Will em seus braços e gritou com urgência:
— Ativem o portal para nos tirar daqui.
— Não podemos ir sem Kevin — Cléo apontou.
— Perai, mesmo que encontremos Kevin, vocês trouxeram o frasco que abre o portal, certo? — eu perguntei
— Nós não — Leo disse — Estávamos ocupados com outras coisas.
— Perai. Vocês não trouxeram? — Deuce devolveu.
— Vocês também não? — Leo perguntou preocupado.
— Não. Pensamos que vocês tinham pensado nos detalhes! — o britânico respondeu.
Essa não. O frasco continha magia de Jason, ele lançava o feitiço do portal e o colocava em um frasco para que pudéssemos quebra-lo e liberar o teletransporte para nos tirar de qualquer encrenca. Mas se nenhum dos dois grupos havia trazido, estávamos presos ali.
— Mas que belo plano de resgate. O que fazemos agora? — perguntei na esperança de que eles tivessem um plano B.
— E- eu não sei… — Leo disse olhando desesperadamente de um lado para o outro, procurando por respostas.
E no meio de nossa preocupação, um enorme buraco se abriu no chão (outro), quebrando um dos muros que cercava Dan. Dele saiu Kevin, que rolou três vezes no chão antes de parar do nosso lado.
— KEVIN! — Sky gritou antes de ir a seu socorro.
Do mesmo lugar que ele tinha acabado de sair, Thea surgiu. Ela lançou uma de suas mãos de sombra e começou a socar os cipós de Deuce, até liberar Elize. Dan saiu de trás da parede de rochas e se posicionou ao lado das duas. Do nosso lado, Kevin acabara de se levantar.
— É agora pessoal. — Leo afirmou para nós enquanto colocava Will em meus braços e ocupava o lugar entre Deuce e Cléo.
Os cinco guardiões se posicionaram um do lado do outro, prontos para lutar. Eu estava atrás deles, segurando Will e ainda com esperança de que ele fosse acordar. Do outro lado do porão, os outros três guardiões também se enfileiraram um do lado do outro. Dan assumiu a posição do meio, e com um enorme sorriso no rosto disse:
— Vamos lutar!
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