The Grey

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Olá, pessoal! Leiam o aviso no final! Aproveitem a leitura!

Hermione

Sentada no sofá de Draco, eu tentava entender o que tinha acontecido. O rosto dele antes de sair ainda me assustava. Draco estava em choque, como se só naquela hora ele tivesse percebido o que estava fazendo. E a minha reação ao ato de violência dele não ajudou em nada. Eu não tinha medo de Draco, não de verdade; tinha medo por ele, pelo que ele sofreria por causa desse temperamento explosivo.
Levantei e fui até o quarto. Sentei na cadeira perto da escrivaninha, peguei a foto que tinha escolhido para colocar na minha mesa de trabalho e a olhei. Era linda e simples também. Draco estava sentado a beira de uma piscina, olhava para a câmera com aquele sorriso torto, os olhos cinzas pareciam entretidos. Draco tinha falado que Narcisa quem tirou aquela foto. Devia ser essa a causa daquele sorriso, Draco amava a mãe incondicionalmente. Ao observar aquela foto, o arrependimento ameaçou me afogar. Eu não deveria ter o provocado sobre a relação com o pai, eu sabia que aquele era um assunto complicado para ele. Mas sua reação a minha presença no jantar tinha me chateado. Ele foi quem me colocou na Malfoy’s, afinal. Deveria entender que eu não tinha escolha.
Peguei meu celular e procurei nossas fotos que tínhamos tirado antes da briga. Estávamos indo tão bem, brincando e nos divertindo com meu celular. Sorri ao olhá-las, em uma delas Draco beijava minha bochecha, meu rosto estava tão sorridente que quase não me reconheci. Em outra, nós nos beijávamos, e mesmo de olhos fechados, eu parecia feliz. Na outra, Draco brincava lambendo meu rosto, eu estava gargalhando. Na última nós olhávamos um para o outro, apenas olhando e sorrindo. Mesmo receosa com o equipamento de aparência complicada de Draco, consegui imprimir todas as fotos. Tirei a dele na piscina do porta-retrato e coloquei a que nos olhávamos, deixei-a na escrivaninha, virada para a cama. Meu Deus, como eu o amava, tanto que doía saber que ele não sentia o mesmo por mim.
Minha cabeça dava voltas, sem saber o que fazer. Desistindo de tentar manter meu orgulho intacto, liguei para Draco. Um toque… dois… três, nada. Meu coração estava apertado. Liguei outra vez, e Draco não atendeu de novo. Fiquei deitada na cama, o travesseiro dele perto do meu rosto, o cheiro de Draco fazendo o que sempre fazia, me acalmando até que caí no sono exausto.

Draco

Andei, tropeçando nos meus pés, até a porta do quarto. Estava em um dos hotéis da família, e mal me lembrava de como eu fora parar ali. Astoria estava dormindo sobre a cama, e eu não desejava acordá-la. Já era ruim o suficiente que ela tivesse me visto naquela situação. Meu rosto machucado e meu hálito de bebida não tinham nada de atraente, e Hermione não ia gostar daquilo.
Cambaleei até a recepção. Os funcionários me olhavam assustados, se pela minha aparência, ou por saberem quem eu era, eu não sabia.
Eu tinha gritado com Hermione. E como não fosse o bastante, ainda tinha feito com que ela tivesse medo de mim. Só de lembrar seu rosto assustado, o grito dela, eu só queria me bater. Não acreditava que tinha feito aquilo. Hermione era uma garota tímida e já tinha uma auto estima complicada, ela não precisava de um namorado idiota para piorar tudo. Eu estava tão arrependido que até me assustava. Nunca tinha me importado tanto com alguém, saber que eu tinha magoado uma pessoa qualquer não me surtia efeito nenhum. Mas lá estava eu, me matando por dentro por ser um completo imbecil.
Chamei um táxi e me enfiei lá dentro, sem nem olhar para o motorista. Resmunguei o endereço e fechei os olhos para aplacar a dor de cabeça. Ainda me sentia um pouco bêbado. Não tinha dormido quase nada, a noite toda pensando no quanto eu me detestava.
Para completar minha lista de babaquices, eu tinha passado a noite toda fora. Se eu tivesse sorte, coisa que eu não costumava ter, Hermione estaria me esperando em casa. Eu poderia me jogar nos pés dela e implorar para que me desculpasse. Explicaria para ela que tinha passado a noite bebendo e brigando, porque não queria voltar para casa só para magoá-la. Pelo menos, era esse meu plano.
Ao chegar em casa, não vi Hermione na sala. Passei as mãos no rosto, abrindo o corte no lábio inferior. Ela tinha ido embora. Talvez nunca mais ela quisesse olhar na minha cara. E eu merecia aquilo, aliás, ela merecia aquilo. Hermione precisava de uma pessoa que cuidasse dela, a amasse, a fizesse feliz. Era lógico que eu não me encaixava nisso. Era um completo fodido, instável, que não conseguia nem controlar a porra do próprio temperamento. Apesar de tudo, eu tinha tanto receio de perdê-la. E se ela soubesse da podridão escondida na minha família, ela me deixaria, eu sabia disso. Tinha que afastá-la dos meus assuntos familiares. Não era algo que Hermione precisava aguentar. Sem dúvida ela merecia coisa melhor, alguém melhor.
O problema era que eu a queria. E era muito egoísta para deixá-la para outro cara. Ela era minha. Minha garota. Minha namorada. Meu anjo. Eu nem tinha ideia de onde aquele apelido idiota tinha surgido, mas depois da primeira vez que eu tinha usado, eu não poderia concordar mais com ele. Aquela garota era como um anjo, tão inocente quanto um, tão linda quanto um. Eu tinha que pedir perdão a ela, tinha que procurá-la, mas não tinha certeza se meu orgulho me ajudaria.
Fui até o quarto, pensando no que poderia fazer para tê-la de volta. Quando abri a porta, quase ri de alívio. Ela estava lá. O corpo parcialmente enrolado nos lençóis, a mão sob a bochecha. Estava vestindo apenas calcinha e sutiã. O corpo cheio de curvas me fazia querer me enfiar entre as pernas cheias e quentes dela. Hermione era linda. Caminhei até a cama, sentei na ponta, perto dos seus pés. Eu queria beijá-la no corpo todo. E era aquilo que eu faria. Sorrindo, me inclinei para baixo, e comecei a deixar beijos nas pernas lindas de Hermione.

Hermione

No sábado, acordei sobressaltada com alguém beijando minhas pernas. Quando abri os olhos, pronta para gritar ou chutar o desconhecido qualquer, vi os cabelos loiros de Draco. Por um momento meu corpo inteiro se encheu de alegria, finalmente Draco tinha voltado, e parecia ter me perdoado pela briga, poderíamos voltar à tranquilidade, afinal. Foi quando notei o cheiro de bebida alcoólica que emanava dele. Quando levantou a cabeça, os olhos de Draco estavam injetados, o rosto mais pálido que o habitual, os lábios estavam cortados e o queixo manchado de sangue seco.
— Meu Deus, Draco, o que você fez? — Perguntei, assustada com sua aparência. Draco sorriu debilmente, beijando de um lado ao outro do meu quadril.
— Nada, anjo. E você, o que fez? — Sua fala estava tão arrastada que quase não entendi o que ele queria falar. Empurrei-o de cima de mim, sentando na cama. No relógio acima do criado-mudo marcava sete horas da manhã. Draco tinha passado a noite toda fora.
— Onde você estava?! E porque está manchado de sangue?! — Draco bufou, se jogando na cama ao meu lado.
— Lá vem você com perguntas outra vez. Eu estava por aí, Hermione, me divertindo pra caralho. — Ele riu, logo depois fazendo uma careta de dor e colocando a mão sobre a boca.
— Como é?! Você passa a noite inteira fora e chega nesse estado deplorável, e ainda está brincando com a minha cara?! O que você acha que está fazendo, Draco Malfoy?! — Seu rosto endureceu, e com o cenho franzido, Draco respondeu:
— Você sabe que eu detesto quando você me chama de Malfoy, não é? — Mas ao contrário do que o habitual, sua voz só aparentava cansaço. — Deve ser exatamente por isso que você me chama assim. Minha punição por ser um namorado de merda.
— Não vou cair nessa sua conversa de ‘eu sou mal, me perdoe’, Draco. — Falei, séria. — Você passou a noite toda fora, me deixou aqui sozinha e preocupada com você!
— Se preocupou à toa, então. — Disse ele, desinteressado. — Não te pedi para esperar por mim, afinal.
— Me preocupei por que me importo com você!
— Meu Deus, Hermione. — Disse ele, franzindo o cenho, incomodando. — Cala a boca, me deixa em paz.
Aquela foi a gota d’água para mim. Bufando, vesti a roupa e peguei minha bolsa. Draco nem levantou da cama, quando bati a porta do quarto, ele parecia estar cochilando.
Quando cheguei em casa, já tinha decidido não contar nada a Luna. Ela já não gostava muito de Draco, eu não queria piorar a situação. Quando abri a porta, Theo e Luna estavam no sofá, e dessa vez não estavam apenas conversando. Luna encontrava-se em blusa, e Theo já se preparava para tirar a dele. Com um tranco, esbarrei na mesinha ao lado da porta, fazendo Luna saltar das pernas de Theo, já pegando a blusa do chão e a vestindo.
— Desculpa! — Exclamei, horrorizada. — Eu não sabia que vocês… eu não queria atrapalhar.
— Jesus, que vergonha. — Luna sussurrava de novo e de novo. — Nós que nos desculpamos, nem deveríamos estar no meio da sala!
— Eu… vou lá no banheiro, me afogar na privada de tanta vergonha. — Theo murmurou, e de cabeça baixa, saiu para o banheiro. Sem saber qual a melhor reação, explodi em uma gargalhada histérica, e logo todos estávamos rindo da situação ridícula em que nos encontrávamos.
Depois do embaraço inicial, fui até meu quarto, não queria atrapalhar mais nada entre os dois. Luna tinha insistido que ficasse lá com eles, mas eu sabia que era melhor dar privacidade. Já no quarto, vi duas chamadas perdidas no celular, eram de Draco, mas ignorei-as deliberadamente. Não queria atendê-lo quando estava bêbado, apenas para brigarmos mais um pouco. Sentindo a falta do sono perdido enquanto me preocupava com Draco, deitei na cama, apagando quase instantaneamente.
Havia um ruído insistente no fundo no meu sonho, mas ele estava tão bom que eu não queria acordar. Draco estava beijando meu pescoço, meu corpo todo estava quente, onde as mãos dele tocavam, minha pele queimava. Mas o barulho não parava, e estava estragando o clima. Por fim acordei, indignada com quem quer que fosse no celular. Já estava me preparando para desligar se fosse Draco, quando vi um número diferente. Atendi, curiosa, e me arrependi logo em seguida.
— Hermione? — Ouvi uma voz feminina e doce me chamar.
— Sim, sou eu.
— Ah, me desculpe se atrapalhei você. Aqui é a Astoria, prima do Draco. — Na mesma hora desconfiei que não era uma ligação amigável, ou com boas notícias.
— Olá, Astoria. Algum problema com o Sr. Malfoy ou Narcisa? — Perguntei, esperançosa de que fosse apenas algo sobre o jantar.
— Não, eu não liguei para falar sobre seu… trabalho. — Disse ela, hesitando na última palavra. — Na verdade, liguei para acalmá-la em relação à Draco.
— Draco?
— Sim, sobre a saída dele na última noite. Só queria avisá-la que ele não fez nada demais, de verdade, só saímos um pouco para que ele se acalmasse. Draco fica instável quando falam sobre tio Lucius, e ele me disse que você tocou no assunto. — Senti um frio doentio no estômago. — Eu só não queria que você pensasse nada demais sobre isso, não pense em mim como a ex-namorada do Draco, somos amigos, afinal.
Meu estômago revirou. Era ela, a primeira namorada de Draco era Astoria. Agora eu entendia seu tom falsamente doce, ou toda a intimidade que os dois tinham um com o outro. Como não teriam? E, na noite anterior, Draco e Astoria tinham passado a noite inteira juntos. Minha vontade era de gritar e ao mesmo tempo chorar, mas me recusei a fazer qualquer um dos dois. Me apegando a qualquer fio de dignidade que ainda tivesse sobrevivido em mim, respondi:
— Não estou chateada, Astoria. Não precisa se preocupar, não me sinto ameaçada por você de nenhum modo. — Falei, do modo mais inocente que pude. Astoria hesitou.
— Que bom que pensa assim. Não quero ficar entre vocês dois. Só liguei porque Draco parecia bem preocupado enquanto falava comigo agora a pouco. — Contrariando minha vontade, uma risada seca escapou da minha boca.
— Sim, tenho certeza. Como já falei, não se preocupe. Só quis dar um tempo para que ele cure da ressaca que deve estar sentindo. Me admira que não esteja nem um pouco afetada com a noite em claro. — Eu não planejava falar aquilo, mas estava ficando cega pelo ciúmes. Astoria riu, e minha vontade de estapeá-la só fez aumentar.
— Mas nós dormimos. Draco insistiu que nós passássemos a noite em um hotel da família. — Meu pulso estava tão acelerado que eu conseguia ouvir minha pulsação nos ouvidos. Minha raiva era tanta, que eu mal conseguia pensar. Draco e Astoria dormiram juntos, e o que mais eles não deveriam ter feito?
— Eu realmente preciso ir agora, Astoria. Até amanhã.
— Ah, que bom que não desistiu do jantar por causa de uma briga boba.
— É o meu trabalho. Tento ser profissional no que faço. — Desliguei, não pude tolerar nem mais um segundo falando com aquela mulher. Astoria tinha ligado apenas para jogar na minha cara a noite com Draco, e eu não podia fazer nada a respeito. Respirei fundo, buscando a calma e o equilíbrio que eu costumava ter. Draco estava acabando com meu auto-controle, e eu não permitiria aquilo.
Levantei da cama, decidida a não me deixar abater. Tinha guardado algum dinheiro no banco, com meus trabalhos. Minha intenção era investir nos meus estudos, mas agora eu tinha um bom trabalho, e precisava de um meio de transporte adequado. Tinha apenas o suficiente para um carro usado, e era exatamente o que eu queria. Vesti um shorts jeans e a camisa mais leve e informal que encontrei, calcei meu all star e saí do quarto. Luna estava sentada no sofá, sozinha. Theo tinha saído, ao que parecia.
— Preciso de uma carona. — Luna levantou a cabeça, interessada.
— Pode pegar meu carro, se quiser.
— Não dá, minha intenção é voltar dirigindo o meu. Que eu pretendo achar hoje, claro. — O sorriso estampado no rosto de Luna foi reconfortante, ver alguém que não me decepcionaria ou me abandonaria fez bem pro meu ego.
— É tão bom vê-la se dando bem no trabalho. Estou orgulhosa de você.
— Vai me dar uma carona ou vai me fazer chorar? — Perguntei, rindo. Luna pulou do sofá, me abraçando quando passou por mim.

Finalmente, depois de uma tarde de procura incessante e discussões com revendedores sobre preços e também discussões com Luna sobre cores e modelos, eu estava com meu novo carro. Estava satisfeita com meu relativamente novo Honda Civic preto, era melhor do que eu esperava para um carro usado. Meu orgulho de mim mesma estava em alta, enfim eu tinha conseguido comprar algo com meu próprio dinheiro.
Atrás de mim, Luna me seguia, as vezes emparelhando para acenar alegremente. O carro era maravilhoso de dirigir, e parecia tão novo que me surpreendeu. Liguei o rádio, me deliciando com cada pedaço do meu novo brinquedo. Estava amando a sensação, me sentia uma criança em um parquinho. Meu celular tocou outra vez, já tinha perdido as contas das ligações de Draco. Eu continuava a ignorá-las, não precisava de uma briga para me colocar para baixo outra vez. Mas meu esforço foi em vão, quando estacionei em casa, Draco me esperava dentro da sua caminhonete. Quando me viu, franziu o cenho, e em seguida saltou do carro e veio até mim. Não saí, pronta para fugir dirigindo no primeiro sinal de uma nova briga.
— De quem é esse carro? — Perguntou ele. Suspirei, era mesmo essa a primeira pergunta que ele me faria depois de sua saidinha com a ex-namorada-prima?
— O que você quer, Draco? — Perguntei, fechando os olhos e encostando a cabeça no banco. Quando voltei a abrir, Draco parecia incerto, passando o peso do corpo de uma perna para outra, desconfortável.
— Eu quero conversar sobre a outra noite. — Murmurou, de cabeça baixa.
— Vai me explicar o que você estava fazendo em um hotel com sua ex namorada, que também é sua prima? — Ele arregalou os olhos, surpreso. Vi Luna piscar duas vezes os faróis, um sinal para saber se eu precisava de ajuda, como uma amiga para me apoiar, ou até uma pessoa para atropelar Draco. Saí do carro, acenando para ela que estava tudo bem. Então Luna entrou, me deixando sozinha com ele.
— E então, vai me explicar? — Perguntei outra vez, arqueando a sobrancelha.
— Como você sabe disso?
— Essa é a sua resposta? Porque não começou bem. — Draco suspirou, parecia exasperado.
— Eu não sei como você sabe disso, mas não é o que você está pensando.
— Sua explicação está piorando a cada segundo. O que eu estou pensando é que você faltou com o respeito comigo no momento em que levou uma mulher para um quarto de hotel. O fato de ser sua ex-namorada só piora a situação.
— Mas Astoria é minha prima também! — Exclamou ele, tentando segurar meu rosto entre as mãos. Tirei-as do meu rosto, empurrando Draco para trás.
— Ela é sua ex-namorada, Draco! Se eu tivesse num hotel com um homem, como você reagiria?! — Seu semblante endureceu.
— Não fala isso. — Pediu ele. — Eu enlouqueceria.
— E eu não tenho o direito de enlouquecer? — Gritei, me aproximando até ficar cara a cara com ele. Draco passou as mãos pelo rosto.
— Me desculpa, tudo bem? Eu estava bêbado, não tinha noção do que eu fazia, me perdoa.
— É isso? Você pede desculpas e eu vou esquecer o que você fez?
— Anjo, eu estava bêbado, instável. Astoria chegou no bar onde eu estava e me levou para o hotel para que eu dormisse, foi só isso!
— Mentira, Draco! — Exclamei, enfurecida com as mentiras. — Ela mesma me ligou para falar! Você a chamou para uma merda de hotel, quem sabe lá o que vocês fizeram?!
— Astoria ligou para você? — Perguntou Draco, franzindo o cenho. — Porque ela mentiria assim? Eu juro a você, Hermione, não fizemos nada!
— Então explica, Draco. Explique cada segundo da noite de ontem. — Provoquei, cruzando os braços sobre o peito. Draco suspirou, passou a mão nos cabelos, e em seguida falou:
— Eu saí de casa furioso e também assustado. Você ficou com medo de mim, eu vi nos seus olhos que você temeu. Você sabe que eu nunca a machucaria, não sabe? — Ele sussurrou. Tentou acariciar meu rosto, mas empurrei a mão dele. Draco suspirou. — Eu não queria te assustar mais, então saí, só queria me acalmar um pouco, antes de voltar para casa. Fui para um bar, bebi muito, fiquei tão bêbado que mal conseguia me levantar. Arrumei encrenca com uns caras que estavam lá, eram dois eu acho, não me lembro bem, então Astoria chegou, eu juro que eu não a chamei. Ela disse que o barman me conhecia, e também conhecia a ela, sabia que nós éramos da mesma família. Ele que a chamou, eu juro. Astoria queria me levar para casa, a casa dos meus pais, mas eu não quis. Não durmo lá, nunca. Ela sugeriu que nós fôssemos a um hotel da família, e nós fomos. Eu não consegui dormir, só conseguia pensar em como você se encolheu de medo de mim. Estava tão arrependido que não podia nem fechar os olhos. Quando amanheceu eu deixei Astoria dormindo lá e peguei um táxi para casa. Foi só isso, eu juro a você. E eu também fui um babaca quando cheguei, me desculpe. Eu não estou acostumado a pedir perdão, ou me sentir arrependido por ter assustado alguém. Isso não é uma desculpa, mas me perdoe. — Eu não sabia bem o que pensar depois daquela explicação. Não podia negar que fazia sentido, mas a ideia de Draco na mesma cama de outra mulher ainda me atormentava.
— Eu não sei, Draco. — Falei.
— Eu sou louco por você, anjo. Eu nunca ficaria com qualquer outra. Você é importante para mim, eu não te trocaria por nada. — Disse ele, segurando meu rosto entre as mãos. Não tive mais a firmeza para afastá-lo. Já sentia tanta falta dele. E aquelas palavras, que eu tanto desejava ouvir, estavam abrandando a minha raiva. Draco me olhou, seus olhos cinzas intensos nos meus. — Eu estou totalmente apaixonado por você.
Não resisti quando ele me puxou para seus braços. Draco me beijou, firme, insistente, persuasivo, moldando meus lábios com os dele. Me rendi com um lamento, passando os braços ao redor do pescoço dele, me levantando nas pontas dos pés para envolvê-lo. Ele estava apaixonado por mim. Isso era mais do que eu sonhei em ter com Draco. Com os braços apertando minha cintura, Draco me pressionou contra o carro, me beijando com mais força, mais intensidade. Suas mãos começaram a passear pelo meu corpo, deslizando pela minha cintura, quadris, pernas, segurando minhas coxas e, num ímpeto, me levantou do chão, enlaçando seu corpo com minhas pernas.
— Eu quero você. — Sussurrou na minha boca. — Nunca quis tanto alguém na minha vida.
— Não quero que você me magoe. — Murmurei, incerta do que fazia. Draco beijou meu queixo, meu arfar foi aflito.
— Não, nunca mais. Eu prometo, eu não quero perder você.
— Promete que não vai me deixar. — Pedi, desesperada por uma afirmação de que ele não me abandonaria.
— Eu prometo, anjo. Eu juro. — Respondeu ele. Draco segurou meus cabelos, de modo leve, mas firme, e me beijou outra vez. Eu podia sentir algo enrijecendo em Draco, pressionando entre minhas pernas, aquilo só contribuiu para que meu corpo incendiasse. Mas estávamos em um estacionamento, era ridiculamente impróprio aquele tipo de situação. Me esforcei para me apoiar no chão novamente. — Senti sua falta em cada segundo do dia. — Disse ele, resvalando o nariz no meu pescoço e inspirando.
— Senti sua falta também. Principalmente à noite. — Me afastei, tentando olhá-lo nos olhos. — Promete que não vai fugir na próxima briga. Vamos conversar, como dois adultos racionais. — Draco franziu o cenho, mas concordou.
— Sim, claro. — Ele beijou minha testa, me abraçando forte. — Olha só nós dois, passando por nossa primeira briga.
— Já está planejando as próximas? — Brinquei.
— Não por um bom tempo, pensei que você me largaria de uma vez por todas. — Ele riu, em seguida suspirou. — Vou resolver esse assunto com Astoria. Tenho certeza de que ela se expressou mal, não quis se meter entre nós. Minha prima não é de fazer isso. — Eu tinha minhas dúvidas sobre isso. Tinha certeza que Astoria sabia bem o que fez, e que ela não era a menina doce que todos imaginavam.
— Não fale nada. — Pedi. Aquilo não iria resolver nada, afinal. E poderia complicar meu trabalho, Astoria era uma Malfoy. — Vamos esquecer isso tudo.
— Sim, vamos. — Tentando deixar o clima mais leve, Draco murmurou: — De quem é esse carro?
— Meu. — Falei, sorrindo. — Acabei de comprá-lo por um preço fantástico. — Draco passou a mão pelo carro, apreciando.
— Uma boa escolha. — Ele avaliou. — Eu teria escolhido uma cor mais a sua cara, mas, de modo geral, combina com você.
— Uma cor mais a minha cara? — Perguntei, arqueando a sobrancelha.
— Sim, mas não importa. Tenho certeza de que você fica muito sexy nele. — Eu ri. Draco me abraçou outra vez, e enterrei o rosto no peito dele, sentindo o cheiro que me acalmava.
— Não me magoe. — Repeti, sussurrando. — Por favor. Não sei se suportaria mais uma decepção.
— Eu não vou. — Disse ele, em seguida hesitou. Eu sabia a próxima pergunta antes mesmo que ele abrisse a boca. — Foram os seus pais que te decepcionaram?
— Foram muitas pessoas, ao longo da minha vida toda. — Murmurei, o rosto ainda escondido na camisa de Draco.
— Eu quero te pedir uma coisa, mas minha intenção não é forçar você a nada. — Minha primeira reação foi desconfiar. Meu corpo ficou tenso, meus olhos atentos. Depois de alguns segundos, Draco continuou. — Eu quero que você me leve até a sua casa.
— Você está na minha casa. — Tentei soar brincalhona, mas minha voz vacilou.
— A casa da sua mãe, Hermione. Quero que me leve até lá. — As palavras escaparam da minha cabeça. Draco na casa da minha mãe era um pensamento assustador. Eu conhecia Helena Granger muito bem, sabia qual seria a primeira reação dela ao conhecer Draco. Mas também não podia negar isso a ele, era uma via de mão dupla, afinal. Eu não podia exigir que ele me falasse coisas, se eu mesma não o fizesse também.
— E-eu… Nós não temos tempo para uma viajem de três horas e meia. Amanhã eu tenho que estar presente no jantar na casa dos seus pais, é o meu trabalho.
— Vamos hoje, então. — Disse Draco. — Vamos agora mesmo. Amanhã pela manhã voltaremos. Terá tempo suficiente. — Mas eu ainda estava assustada com aquilo. Minha intuição dizia que tudo pioraria depois daquela viajem.
— Não temos que ter pressa.
— Também não temos porque adiar. Você não quer me apresentar a sua mãe? — Perguntou, o cenho franzido de preocupação.
— Não, não é isso. — Suspirei, resignada. Não havia uma explicação justa para minha recusa. — Vamos sim. Iremos agora, se você quiser.
— Então pegue algumas roupas, vamos fazer uma viajem. — Draco estava visivelmente animado, eu só esperava que isso durasse até a volta.

Trinta minutos depois, Draco e eu estávamos de volta no estacionamento. Meu coração estava pesado com o que eu faria, e a impressão de que tudo acabaria mal ainda não tinha ido embora. Mas não tinha como voltar atrás, era tudo ou nada.
— Porque está indo pro seu carro? — Draco perguntou, confuso. Ele segurava a minha mão, não tinha me largado desde que fizemos as pazes.
— Planeja viajar andando?
— Vamos no meu, é claro.
— Não vamos não. — Reclamei, contrafeita. — Acabei de comprá-lo, eu quero ir dirigindo!
— Mas a caminhonete já está com o tanque cheio. Seria até mais prático.
— Não é esse o problema. Você não confia em mim atrás do volante. Típico. — Draco parecia estar prendendo o riso.
— Não é isso, anjo. Eu realmente acho que a caminhonete é mais preparada para esse tipo de viagem. — Ao ver meu rosto contrariado, Draco vacilou. Finalmente ele suspirou, derrotado. — Tudo bem, vamos fazer um acordo. Você dirige… — Quando comecei a comemorar, ele completou: — Mas no meu carro.
— Draco!
— Eu fico mais tranquilo indo no meu. — Disse ele. — Por favor. — Pediu, os olhos brilhantes na minha direção. Era totalmente injusto, e minha intuição dizia que ele sabia.
— Isso é ridículo. — Resmunguei, pegando as chaves da mão dele e entrando na caminhonete reluzente. Draco entrou com um sorriso discreto, mas incontestável no rosto.
— Temos que passar em casa. Preciso pegar algumas coisas.
— Tudo bem.

Alguns minutos mais tarde, partíamos na nossa primeira viagem juntos. Eu deveria estar feliz, mas o pavor da ideia de Draco e Helena na mesma casa me afogava.
Draco, ao contrário de mim, parecia relaxado. Se inclinou e ligou o som, uma música soou. A letra me assustou. Falava de crianças e armas, eu nunca havia escutado coisa parecida.
— É isso que você escuta? Dá para entender o seu fascínio pelo Ciclo agora. — Resmunguei, Draco riu. O som do seu riso era tão lindo e livre que abri um sorriso discreto.
— Posso imaginar seu tipo de música preferido. — Provocou ele. Ergui uma sobrancelha, questionando. — Deve adorar músicas românticas. Taylor Swift?
— Errou feio. — Ri, voltando minha atenção para a estrada. — Prefiro música antiga. Bandas da década de 70 ou 80. — Draco parecia surpreso.
Conversamos por um bom tempo. Draco estava no seu melhor humor, o que me contagiava. Os assuntos variavam rapidamente, o som de músicas no fundo já não me perturbava mais. Aproveitei a chance para conversar algo que eu já pretendia à algum tempo. Se tinha uma chance de Draco aceitar uma sugestão, era essa.
— Você já considerou largar o Ciclo? — Perguntei, tentando parecer um questionamento sem importância. Draco, é claro, não caiu.
— Não de verdade. — Respondeu, o rosto pensativo. — Eu gosto de lutar. Me relaxa. E além disso, é mais seguro lutar no Ciclo do que sair por aí arrumando brigas.
— Ou então você poderia apenas tentar fazer algum tipo de arte marcial. — Sugeri.
— Já tentei, Hermione. Não funciona. — Respondeu Draco, com um sorriso cansado. — Não é pelo esforço físico, vai por mim.
Demorei um tempo para absorver aquilo. Eu tinha ideia do que ele queria dizer. Não era pelo exercício em si, Draco gostava da sensação de controle e a adrenalina real que as lutas proporcionavam. O que indicava que Draco poderia ser uma pessoa perigosa, instável. Podia ter um rompante violento à qualquer minuto. Isso me preocupava, não só por mim, mas por ele também. Eu o amava, mas não sabia se poderia ajudá-lo com aquilo.
— Você ficou séria. — Ele apontou. — Não fica assim. Eu sei que você gosta de me ver lutar. — Eu ri, chocada com sua suposição.
— O quê? De jeito nenhum! — Exclamei. — Eu odeio te ver no Ciclo, Draco.
— Eu sei que é mentira. — Ele insistiu. — Também sei o que você viu em mim. Eu sou o oposto do que você procurava, ou do que você esperava. Uma… mudança de paisagem, por assim dizer.
— Isso só pode ser piada. — Eu ri, incrédula. Draco sorria daquele jeito torto para mim.
— Qual é, Hermione. Você acha o fato de eu lutar, sexy. — Não consegui evitar a gargalhada que escapou dos meus lábios. Draco só sorriu, calmo. Ele olhou para os lados da estrada. Estávamos em um trecho rural, havia apenas árvores dos dois lados da estrada deserta. — Encosta o carro. — Ordenou ele.
— Aqui? — Perguntei, confusa. Draco acenou positivamente, e o obedeci. Parei o carro no acostamento, coloquei-o em ponto morto e esperei. Para minha surpresa, Draco tirou seu cinto de segurança e virou-se para mim, tirando o meu também. Deslizou seu banco mais para trás, e o inclinou.
— Sobe em cima de mim. — Ele pediu. Eu não conseguia acreditar no que ele estava fazendo, mas ao mesmo tempo me sentia quente só com a ideia de obedecê-lo. — Vai, sobe aqui. — Pediu outra vez, sorrindo malicioso. Mesmo com medo e hesitante, passei a perna sobre Draco, sentando nele. Draco sorriu ainda mais, e puxou a camisa preta que estava usando pela barra, até tirá-la e a jogar no banco de trás. — Me dá as mãos. — Disse Draco. Eu estendi, colocando-as sobre o peito dele.
— O que você vai fazer? — Perguntei, apreensiva.
— Vou mostrar que você gosta quando eu luto. — Disse ele, beijando meu pescoço lentamente, enquanto suas mãos acompanhavam a gola da minha blusa.
— O quê, você vai procurar alguém para bater? — Perguntei num sussurro.
— Não, vou descrever a você o que eu sinto, e vamos ver como vai reagir. — Mesmo estando confusa, concordei. Estava curiosa para testar sua teoria.
Draco pôs as duas mãos sob minha blusa, subindo pela minha cintura devagar.
— Eu gosto da sensação de poder. — Ele murmurou, delineando meu queixo com os lábios. — Eu sei que você também gosta de me ver enfrentar alguém. — Suas mãos subiram até o meu sutiã, que Draco o abriu. Logo seus polegares estavam em cima da parte mais sensível dos meus seios, arquejei. — Imagina a adrenalina correndo solta nas suas veias. Seu corpo inteiro ligado no modo máximo. — Ele pegou meu lábio inferior entre os dele, mordendo de leve. — Você pode fazer o que quiser. Pode ser o que desejar. É o seu momento. Você é imponente, magnífica, maravilhosa. Ninguém chega aos seus pés. — Disse ele, levantando minha blusa apenas o bastante para que sua boca capturasse meus seios. Choraminguei, com a tortura malditamente doce. Eu estava subindo, levitando. Draco me beijou forte, rude, instigando minha boca a se movimentar com a dele. Seus dedos desabotoaram meu jeans muito rápido, e antes que eu me desse conta, sua mão já estava dentro da minha calcinha. Seus dedos estavam lá, onde o calor queimava mais, onde estava úmido e sensível. Gemi na boca dele, as minhas unhas fazendo marcas no seu peito pálido. — Você gosta disso, não é? — Perguntou, sua voz aveludada e persuasiva. Eu não conseguia responder ou ao menos pensar. Estava perdida em sensações. Deus, se era isso que ele sentia enquanto lutava, eu o entendia totalmente. — Olha para mim. — Ordenou Draco. Quando abri meus olhos, os dele estavam a centímetros de mim, hipnóticos, tão cinzas que pareciam uma nuvem de tempestade.
— Deus… — Murmurei. Meu corpo se movimentava com os dedos de Draco, mesmo que eu não tivesse ideia do que fazer, meu corpo sabia exatamente. E então veio aquela comoção, aquele fogo que partia do meu ventre e se espalhava por todos os meus membros, o tremor que me deixava fraca. Foram segundos de pura euforia. E acabou.
— Eu gosto de olhar seu rosto quando você goza. — Murmurou Draco. Se eu ainda tivesse energia para corar, eu coraria. Como estava exausta, só pude rir. — Parece até um anjo, e eu estou te levando para mau caminho. — Ele riu. Ficamos algum tempo descansando, às vezes passava algum carro, mas os vidros escuros da caminhonete nos protegiam de olhares curiosos. — Então, consegui te convencer? — Perguntou ele, acariciando minhas costas.
— Não. — Respondi, o rosto escondido no peito dele. Draco riu. — Não sei. — Murmurei. Draco segurou meu rosto entre as mãos, me olhando. Sua sobrancelha estava arqueada. — Talvez. — Admiti. — Não vai passar de talvez, não me olhe assim.
— Vou aceitar o talvez. Por enquanto. — Respondeu ele. Era bom quando estávamos assim, juntos, abraçados, desfrutando dos braços um do outro. Era meu sétimo céu. Minha calma no meio de um turbilhão. Amor no meio da loucura.

Notas finais
Então, postei esse capítulo pra conversar com vocês. Eu estou postando essa mesma fic no Spirit, e por lá estou tendo bastante retorno, enquanto por aqui não. Por isso dei uma desanimada e acabei passando um tempo sem postar. Também tem o fato do meu pc ter queimado, mas enfim... Eu estou dando a chance a vocês para me falarem se preferem que eu continue por aqui ou eu posso deletar e apenas postar por lá. A escolha é de vocês. Era só isso. Até mais! Bj.