The Greatest View

2 Capítulo 1: She may be the mirror of my dreams


Notas iniciais
HEEY! Fique muito feliz com os comentários xD Obrigada BiancaKane e Nanda que comentaram *--* Esse capítulo não tem muita coisa, a história só vai começar mesmo no próximo, mas gostei de escrever. Enjoy =)

Capítulo 1: She may be the mirror of my dreams

Acordo com a minha mãe me chamando e logo em seguida sinto lambidas no meu rosto. Emburro o husky siberiano de três meses para longe, mas ele volta.

Então me sento na cama espreguiçando.

— Que nojo, Ani — resmungo passando a mão pelo o meu rosto com baba de cachorro.

Levando e vou em direção ao banheiro. Ani tenta me seguir, mas o empurro levemente com o pé e ao fechar a porta ouço ele soltar um latido de frustação.

Quando me olho no espelho minha imagem é distorcida e ela aparece de novo com seus lindos cabelos loiros e olhos verdes cheios de vida.

Minha melhor amiga morta.

— Oi — falo indiferente, porque já me acostumei. Isso vem acontecendo há três meses. No começo era assustador ver Libby em todo o lugar, mas em algum momento aquilo se tornou parte de minha rotina.

Ela não me responde. Nunca responde.

Apenas a vejo piscar, mas talvez seja eu quem tenha piscado. Já nem sei mais.

Tomo um banho rápido e me arrumo para a escola, eu como meu café da manhã e sei que minha mãe me observa e quando a olho ela desvia o olhar e fingi estar distraída com a sua comida.

Abraço Ani antes de sair, mas não o deixo lamber o meu rosto de novo.

Ligo meu IPod enquanto caminho em direção a escola, coloco no aleatório e She do Elvis Costello começa a tocar. “Ela pode ser o rosto que não consigo esquecer” penso o quando essa música combina com a minha vida no momento.

“Talvez fantasmas também pudessem controlar IPods”. Só percebo o quando isso soa ridículo quando quase digo em voz alta no meio da rua.

Talvez papai estivesse certo. Eu estou ficando louca.

Ele nunca disse com essas palavras, mas dá para ver que ele pensa isso toda vez que vê sua filha agindo feito uma louca que fala com a melhor amiga morta.

Mamãe diz que é normal. Porém sei que aquilo não pode ser normal.

Não importa quantas vezes eu vá à psicóloga, ou quantos remédios eu tome. Ela não vai embora.

Na escola todos me olham, mas vou em direção ao meu armário tentando ignorar todos os olhares e os sussurros.

Libby Matthews era a garota mais incrível daquela pequena cidade, todos gostavam dela. Bom, aparentemente alguém não gostava.

Nós éramos amigas desde pequenas, nossos pais cresceram juntos naquela mesma cidade. Já tivemos várias pulseiras e colores da amizade que perdemos uma hora ou outra, provavelmente as minhas estavam em algum lugar na bagunça do meu quarto, tenho fotos de Libby espelhadas pelo meu quarto, no meu celular, no meu armário...

Ouço o sinal tocando e ele me desperta dos meus devaneios, pego meu material de história e vou para aula.

O professor Ward era um homem estranho. Ele já é velho e algumas de suas tatuagens ficavam visíveis mesmo com a camisa de manga comprida. Libby e eu gostávamos de imaginar como Ward havia sido na adolescência, possivelmente um adolescente rebelde viciado em tatuagens.

Todavia agora ele era apenas um velho chato e sua aula me dá sono.

Penso que talvez também vire uma velha chata no futuro, e se Libby estivesse viva também viraria. Nós tomaríamos chá e falaríamos mal e bem dos nossos filhos e netos.

Tento parar de pensar na minha melhor amiga morta e volto minha atenção para aula, mas cinco minutos depois me vejo fazendo rabiscos sem sentido e passo o resto do dia assim.

Já tive outros amigos, é uma cidade pequena e amigável. Porém sem Libby tudo pareceu perder a graça. Comprimento aqueles que falam comigo no meio do corredor.

Oi. Sim, estou bem. Não, obrigada, posso carregar meu material sozinha. Até mais.

Não falo mais que isso e ninguém tenta puxar assunto.

Em casa minha mãe fala comigo enquanto faço carinho em Ani:

— A casa dos Matthews foi vendida.

Paro de fazer carinho e pela segunda vez no dia o meu cachorro parece irritado comigo.

Mas não consigo prestar atenção nele. Penso na família que iria se mudar para a antiga casa de Libby. Será que eles sabem? Provavelmente.

Lembro-me de que minha mãe me observa atentamente, esperando que eu surte ou algo do tipo. Mas não surto, ou invés disso subo sem dizer nada em direção ao meu quarto.

***

Na manhã seguinte fico feliz que seja sábado. Coloco uma roupa de correr e encontro meus pais tomando café.

Meu pai é um homem sério e não costuma a falar muito, então fico surpresa quando ele desvia os olhos do jornal que estava lendo para falar comigo:

— Vai sair para caminhar?

— Sim — digo me sentando na mesa. Minha mãe coloca panquecas no meu prato e depois mel, como ela sabe que eu gosto.

— Vai levar aquela coisa? — meu pai não gosta de cachorros.

Minha mãe o encara irritada. Como se achasse que eu fosse ficar irritada com meu pai e sair surtando.

— Vou levar o Ani — digo.

— Não esqueça de tomar seu remédio — ela coloca o antidepressivo na minha frente e eu o tomo sem questionar.

Porque sou uma boa menina, e não quero causar mais problemas. Os vizinhos comentam.

Levo Ani para caminhar como sempre faço. Ele anda feito um louco observando tudo e latindo quando alguém passa de bicicleta. Nós sempre vamos pelo mesmo caminho, mas dessa vez vou em outra direção, e Ani percebe. Parece confuso por um momentos, mas depois parece feliz por conhecer um lugar novo.

Eu não estou feliz.

Se minha mãe não tivesse me dito acho que só saberia segunda, quando todos estivessem comentando.

Antes de virar na rua da casa de Libby, eu a vejo.

Ela aparece na minha frente, usando a mesma roupa que usava no dia que morreu, um calça jeans e uma blusa da Forever 21, eu estava lá quando ela comprou. Sua roupa está perfeita, e não suja de sangue.

Ani late, mas acho que foi para o carro que acabou de passar.

Libby parece tão real se não fosse pela luz em volta dela.

— O que você quer? — pergunto em voz baixa, porque não quero que ninguém ouça e ligue para os meus pais.

Ela não diz nada, mas olha para rua. Eu sigo seu olhar e vejo um carro preto passando seguido por um caminhão de mudanças.

Quando olho de novo Libby não está mais lá. E Ani volta a latir, mas dessa vez para o nada.

Notas finais
O que acharam? Não esqueçam de comentar ;) Será que é um fantasma ou a Marlene está doida? Personagem novo no próximo capítulo uhuu Penny Lane P.S. Quem sabe de onde eu tirei o nome Ani? ASHUASHU
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.