The Greatest
1 I am my own woman
Quando eu tinha apenas vinte oito anos, fazia parte de um grupo famoso de ballet, era o Bolshoi em Moscou. Era talentosa, um prodígio e sempre chamada para as partes principais durante uma apresentação, do lago dos cisnes ao quebra-nozes. Pelas minhas memórias, meu cabelo vermelho estava sempre amarrado em um coque bem preso e meu rosto não demostrava nada além da concentração. Deveria manter o foco no que fazia porque era a melhor, sem mais ou menos.
Treinava arduamente e segurava com firmeza a barra do salão quando estava sozinha, cercada pelo silêncio e pelo meu próprio suor.
Nesses dias minha cabeça sempre doía, meus pés estavam machucados pelo esforço e minhas mãos estavam marcadas, o porquê eu não sabia ao certo, mas ignorava, pois precisava manter sempre o foco.
A cultura russa era gloriosa naquela época, estava envolvida, mas tão afastada de meus pais que sentia um peso por não alcança-los o suficiente, sentia o vazio. Por que sentia um vazio em meu peito e mente?
Perdida? Sim, estava sentido um rumo estranho para minhas memórias. Me deixavam tonta e sem rumo. Mas porque lembrar agora? Qual a lógica?
Novamente a dor de cabeça, voltando a mim e sentindo gotas da chuva cercando cada pedaço de mim. Em um beco escuro de Hell's Kitchen, o barulho do trânsito e de passos, das pessoas andando apressadamente e fugindo do temporal.
Então lembrei, estava fugindo. Tinha acabado de conseguir nocautear e matar integrantes de uma organização pequena e vendido a localização das mercadorias.
Tremendo debaixo das escadas de emergência do prédio, não conseguindo me esconder o suficiente e me abraçando, sentindo minha cabeça doer novamente e as memórias escondidas voltarem por cima das falsas.
— Porra, isso doí muito... — Reclamei, segurando minha cabeça com ambas as mãos — Por que fizeram isso comigo?
Quando eu tinha apenas vinte e oito anos, fazia parte de um grupo da união soviética, participando de um projeto chamado Viuvá-Negra. Era talentosa, um prodígio e sempre chamada para as principais missões de assassinato e eliminação de inimigos em potencial. Pelas minhas memórias, meus cabelos ruivos sempre estavam sujos e meu rosto no campo sempre estava em concentração.
Deveria manter o foco no que fazia porque era a melhor, sem mais ou menos.
Treinava e segurava a faca com firmeza no salão vermelho, cercada de outras agentes e mais novas.
Sabia o porque minha cabeça sempre estar doendo, meus pés machucados e minhas mãos marcadas pela dor. Eu treinava arduamente, mantinha o foco para não ser repreendida, mas sentia sempre a lavagem cerebral para me infiltrar sem chamar a atenção.
Tinha também a supremacia da união soviética e sua glória imprimida nas ruas. Meus pais? A ausência deles era apenas cercada pelo esquecimentos, aos poucos fui perdendo ambos naquela manipulação toda.
Eu não posso dizer mais o que é verdade. Sou apenas uma Viuvá-Negra, uma das poucas que restou e ainda deixam seu rastro de abate onde quer que passam.
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