The Great Historia

2 A história de um novíssimo herói


Notas iniciais
Aqui a história realmente começa.

Olá (para quem se importa) e olá (para quem não). Eu sou Inkaylor, vivente da sociedade atual, escravo (quase) da escola que convivo, e um pouco isolado em casa. Enfim... é basicamente isso. Se quiser que eu fale de mim, a única coisa que tenho em peculiar é uma pulseira branca, que, por algum motivo, nunca saiu do meu braço.

Eu nunca vi meu pai de verdade. Mamãe disse que ele viaja muito e, quando diz que volta, aparece outra coisa no meio e atrapalha seus planos. E minha mãe, de certa forma, é paranoica. Nós raramente saímos de casa. Voltando aos nossos tempos... Eu farei aniversário no dia seguinte. Sim, que choque, isso. Agora, nesse dia...

Cheguei de uma prova objetiva de 60 questões sobre História, Geografia e Português. Sinceramente, se não fosse por ser prodígio, eu teria reprovado no primeiro ano que cheguei. Que foi esse ano. Minhas aulas começam em agosto, e vão até junho. E adivinha: esse foi o penúltimo teste. E amanhã é meu aniversário, ou seja: passado o teste, o ano é passado. Melhor presente.

Eu tinha chegado em casa, e logo fui recebido em casa pela minha mãe.

—Oi, filho. Como foi o dia de prova? — perguntou logo ela.

—Bom — respondi. — Cansativo, mas bom.

—Ótimo! Você sabe que dia será amanhã?

—Meu aniversário?

—Sim! E acho que podemos sair amanhã.

Isso era surpresa.

—O QUÊ?! Está querendo dizer que finalmente abandonou sua paranoia e decidiu sair de casa?!

—Como assim, paranoia?

Fingi que não ouvi e dei um abraço nela.

—Muito obrigado, mamãe! Finalmente fazer uma decisão dessas é o melhor presente que já teve! — E dei um beijo no rosto dela.

—Nossa! Nunca vi ninguém tão animado assim há tempos. Só o seu...

Ela para de falar como se estivesse lembrando algo ruim.

—O que foi, mamãe? — perguntei.

—Nada, só um mero flashback — ela respondeu. — Nada de muito preocupante.

—...Ok, então. Tô indo me trocar.

—Tá bom, filho. Não fuja!

—Ok, mamãe, eu não vou.

Eu, sinceramente, nunca entendi esse jeito da mamãe de ser, essa paranoia sem limites, mas ela fez uma escolha boa. Eu não discuto esse detalhe, pois eu sou o filho dela, e eu sei o jeito que ela é, mas há um pouco de sofrimento em seu rosto, como uma situação traumática. Controlada, mas ainda perceptível a cada dia. Sim, eu observo as emoções, sejam elas falsas ou verdadeiras, e tento acalentar (ou repugnar) isso.

Passados os estudos e o jantar, fui para a cama, sem pensar que teria um longo dia, cheio de revelações e ataques a nível Tornado categoria 5 (para não dizer 6). E isso tudo começa no sonho que tive nesta noite...

...

—...Kai?

—O que foi, Deena?

—Você gosta daqui? Da minha casa, a Grande Árvore?

—Sim, é de fato lindo esse lugar. Sempre gostou daqui?

—Sim, mas desde o dia que o meu irmão abandonou ela, algo parece faltar aqui. Como um guardião ou coisa parecida.

—Você não é a guardiã daqui?

—Sim, mas é o fato de não ter ninguém para ser meu guardião que me incomoda. E o fato dele ter saído para encontrar o melhor amigo e nunca ter voltado me deixa preocupada todo dia que passa.

—Ele sempre esteve por você, todos os dias. Eu sei disso.

—Isso me faz parecer melhor. (Caraca, eu adoro esse tipo de situação.) Ei, Kai?

—Sim, Deena.

Envergonhada, ela começa a gaguejar.(Eta nóis! ALERTA DE CONFISSÃO, REPITO, ALERTA DE CONFISSÃO!)

—Você quer... (Lá vem...) Você... quer...ser...(Mentes explodindo em 3, 2, 1...) algo... especial... para mim...?

Ele se assusta e se engasga.

—D-Deena... eu... (ELE ESTÁ LAGRIMEJANDO! É CORRESPONDIDO!)

—Sim?

—Eu... eu... não posso. (Bosta. Porca--) Mas quero.

E dá o que era esperado. (YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE--)

—EEEEAAAAAHHHH!! FINAL--

Acordei gritando isso.

—Oh... era um sonho...

Daí, me veio a recordação do dia passado. Eu consegui ser beijado! Sério, aconteceu isso mesmo! Minha melhor amiga, Jezi, por quem eu já sentia algo desde o início do ano, talvez ainda no passado, me beijou! E sequer lembrei disso o dia todo. EU SEQUER LEMBREI ISSO O DIA TODO!! Porcaria! Não é a toa que estava tendo bons sonhos com isso! ...Será que o que sonhei aconteceu? Ou é realmente só uma reflexão da minha cabeça? Estive tendo essas perguntas recentemente, pois meus sonhos estão cada vez mais estranhos, mas ao mesmo tempo, realistas. Tipo: Fadas, monstros, alienígenas tentando reconstruir seu planeta, um herói chamado Kai... É muita pergunta para uma pessoa só.

Mas não tinha muito tempo, pois era hora do café da manhã. É hora de terminar esse ano com estilo, seja estilo bom, seja estilo ruim.

Consegui terminar o café com sucesso antes de ir para a escola, sem grandes surpresas. Cheguei no portão da escola, e dei de cara com a Jezi.

Ela corou quando cheguei perto dela, e eu também, afinal, não dá para apagar o ontem da mente. Eu a cumprimentei o mais calmo que pude estar:

—O-o-oi, Jezi.

E ela, tão calma quanto eu, me respondeu:

—O-oi, Ink-k-kaylor.

—Está tudo bem com vo-cê?

—Está. E-e com você?

—Está tudo bem comigo.

Depois de algum silêncio, falamos do assunto que todos vocês esperam.

—Você ainda lembra de ontem, n-não é?

—S-Sim, me lembro.

—Desde ontem, tive a sensação de te perdoar pelo que aconteceu. Pareceu ter sido horrível te confessar isso e não te dar tempo nenhum para responder isso. Mas--

—Não, eu que tenho que pedir desculpas. Eu queria dizer que gostava de você, enquanto estava atrás de outra pessoa. Cometi um erro imperdoável fazendo aquilo ontem.

—Se diz assim, eu também cometi esse mesmo erro, afinal. Eu também fiz uma pergunta muito indiscreta, sem saber o que aconteceria depois.

—É.

A campa do início da última prova interrompe nossa conversa.

—Bom, é isso.

—Sim. É isso.

—Vejo você no final disso.

—É. Tchau.

E nos abraçamos e subimos para a prova. Ela não foi difícil (fato inútil) mas foi desafiante para mim. Agora, logo após a prova, minha pulseira começou a vibrar. Ela já tinha vibrado antes, em cada aniversário que tive que eu consigo lembrar. Mas era diferente. Ela só vibrava alguns segundos e parava. Mas ela não parou, só ficando mais forte a cada passada para casa. Quando entrei, ela estava parecendo estar prestes a explodir, e começou a criar tentáculos, me puxando para o quarto de minha mãe como se quisesse procurar por algo muito importante para a sua sobrevivência e independência de mim. Minha mãe não estava em casa, mas me deu a chave para que eu entrasse caso não estivesse lá. A porta do quarto dela estava trancada (óbvio), mas a pulseira transformou um dos seus tentáculos emergentes em uma chave, que coube exatamente no buraco, abrindo-a instantaneamente. A pulseira estava me puxando por todas as alturas do guarda-roupa dela, até chegarmos no topo, onde estava um diário com cadeado (óbvio[de novo]), onde o mesmo tentáculo se transformou em uma chave menor, e abriu o cadeado. Eu, como uma pessoa honesta, não queria ler, mas a pulseira queria manter meus olhos abertos. Os tentáculos eram fortes demais. Não pude resistir e comecei a ler. Eram ainda 11 horas da manhã, e Mamãe trabalhava o dia todo. Tinha até 6 da tarde, contando as refeições. Eram 92 páginas. Tinha bastante tempo.

Segunda, 20 de Setembro de 1984

"Querido diário, hoje é seu primeiro dia comigo. Eu sou Milerina Estine, tenho 16, e estou quase concluindo o ensino médio. Faz alguns dias que comecei as aulas no 3º ano. Deve se surpreender por eu ter 16 anos e já estar no terceiro. É que eu entrei com 1 ano e meio. O maior prodígio da sala, e uma aluna memorável por todos os professores."

Isso demorou, então vou destacar as partes mais importantes.

Quarta, 25 de Março de 1986

"Querido diário, hoje conheci um homem peculiar. Magro, alto, cabelos brancos sem motivo aparente, enfim, não é daqui. Queria perguntar de onde era, mas viu que estava atrasado para seu trabalho. Eu também devia, pois estou escrevendo isso no meu turno de professora. Tenho que me despedir por ora. Até a próxima escrita!"

Quinta, 9 de junho de 1986

"Querido diário, encontrei mais uma vez o homem de cabelos brancos. Ele é um doce de pessoa! Ele consegue auxiliar em grandes situações até mesmo o mais caótico dos alunos. Sim, ele é um professor! De faculdade, mas ainda assim opera muito bem sua profissão! Será que ele quer umas dicas? Ou eu as deveria pedir? Eu não sei o que houve comigo para acontecer essa hesitação toda em apenas um minuto de conversa com ele! Estou á beira de uma declaração a ele, provavelmente!"

Sábado, 17 de dezembro de 1986

"Querido diário, CONSEGUI! Depois de 6 meses de admitir a você que tinha alguma hesitação em falar com ele, FINALMENTE ME DECLAREI! Mas, infelizmente, ele me rejeitou. Disse que não dava certo por nós termos cargos docentes muito diferentes um do outro. Não é uma boa coisa para escrever, mas sempre fui verídica aos fatos. Mas isso me intriga: por que ele me rejeitou?"

Domingo, 2 de janeiro de 1987

"Querido diário, ele reapareceu ainda nas minhas férias, logo após o início do ano. E ele queria me dar uma segunda chance, dizendo que não tinha considerado tudo, e me pediu uma segunda chance. O choque foi grande. Mas aceitei. E você sabe o que aconteceu depois."

Time-skip para o dia do casamento dela, dia:

Sexta, dia 13 de fevereiro de 1990

"Querido diário, quase na hora. Estou a poucas horas de virar uma mulher casada. Nós passamos por umas poucas e boas, mas de suas páginas restam 15. Eu o agradeço, desde já, por tudo que passamos. Quero dizer que a coisa que irei mais prezar é você. Você é o irmão que nunca tive, e será sempre. As últimas coisas que quero documentar são meus prováveis filhos."

Outro time-skip para os primeiros dias de... o que? O QUÊ?!?!

Terça, dia 7 de julho de 1992

Querido diário, meu filho hoje faz 7 meses. Depois de lutas e relutas de indecisão, achamos um nome: SCRAMP-KAI ANIO ODINSON! Ele servirá muito bem a Strat, nosso planeta natal. Talvez nunca disse, diário, porque era confidencial, mas aqui está.

Primeiro: Kai. Esse era o nome do herói do meu sonho.

Segundo: Odinson. Isso é "filho de Odin", o deus nórdico, o chamado "Pai de todos", juntando e traduzindo para o inglês. Fui verificar e vi que pulei uma página, onde ela conta que soube do segredo de onde o cara de cabelos brancos vinha: Noruega. Ele vinha da Terra, pelo que disse, mas isso é inconsistente, e ela também não sabia o que era "Noruega", de acordo com a mesma página, o que me leva ao-

Terceiro: O lugar documentado era um planeta diferente da Terra. Ele não poderia ter vindo da Terra, mas a crença é consistente com o local, já que os vikings vieram da Noruega e da Suécia, e são eles os crentes dessa mitologia. As datas também não batem. O ensino médio só foi implementado no final dos anos 2000. Mas em 1984 já existia ensino médio lá.

Quarto: Ainda não terminei de dizer a última das partes importantes, então não vou mais dar minha opinião antes que termine.

Segunda, dia 24 de junho de 1996

Querido diário, essa é sua penúltima página. A guerra começou há 2 meses. Meu filho agora tem 4 anos. Odin me deixou por minha conta e risco nesse planeta. Vamos ter que utilizar parte do meu poder, o "Criador", que tenho como Stratana, para fugir daqui, e ir para a Terra, que tem uma atmosfera parecida com a nossa. Preciso me esconder lá pelo tempo da guerra. Ir para a seja lá qual for o nome, eu esperarei por meu amado.

Quinto: O segundo ponto se confirma. Ele é, de fato, o filho de Odin.

Então vi que tinha outro time-skip. Na última página. Agora, foi para... ONTEM?!

Terça, 23 de junho de 2018

"Querido diário de minha irmã, amanhã é o aniversário de 12 anos do segundo filho dela. A profecia diz que o segundo filho de Odin com uma Stratana será aquele que irá ou não traçar o caminho do irmão, incluindo sua ruína. E também, ele não deve saber disso, pois deve ter sonhado que Kai estava no sopé da Árvore. Se for isso, a profecia está sendo cumprida neste momento, pois ele está lendo você, diário. Eu não posso parar a profecia, mas posso tentar. Quando entrar em casa, ele estará no meu quarto, lendo, com tentáculos apoiando-o, que saem da pulseira dele. Se está lendo isso, Inkaylor, olhe para trás."

Sexto: Que profecia?

Sétimo: Eu olhei. E qual não foi o espanto de ver minha tia, que antes chamava de mãe, atrás de mim. Eu soltei um grito de tão certa que ela estava nas anotações.

—Eu sabia que isso aconteceria — lamentou minha tia. — A profecia não iria errar, mas não sabia que acertaria de tamanha forma.

—P-profecia? — perguntei, ainda me recompondo. — Que profecia?

—Deveria ter dito isso antes, mas não sou sua mãe. Eu nunca disse para visitá-la, pois ela enlouqueceu. Odin a traumatizou de tal forma que é impossível te contar. Você só tinha 2 anos quando ele...

Eu não tinha escutado nada, por isso disse:

—Responda a minha pergunta, mãe!

—Certo. — E respirando fundo, começou:

"No final da guerra, se profetizou uma lenda de um herói que retomaria a GUERRA DO VAZIO aonde ela parou. E esse herói era o segundo filho de Odin. Estou falando do PROGNÓSTICO HYPERNOVA.

"Dizem que aqueles que ousavam derrubar o herói, seriam derrubados todos por ele. O poder que continha será tão grande que será capaz de derrubar universos com ele, e ainda criar novos. Ele é o poder da criação de Odin.

"Dizem ainda que esse mesmo poder se opõe o poder do caos dos Voidern, principais causadores da GUERRA DO VAZIO. Seu rei, Grandvoid, permanece vivo, mesmo com o golpe do primeiro filho, enquanto repousa para sua nova aurora.

"Um terceiro poder, o poder da destruição, será apresentado a nós como um guerreiro antigo. Seu reconhecimento não vai ser agradável, mas sua chegada será a última engrenagem do destino.

"Esses três decidirão suas escolhas, e banirão o agente insurgente do Ciclo. Quando esse dia chegar, todos os elementos se convergirão para um único ser. Aquele que a vontade é existência.

"Elementos foram espalhados pelos planetas, aguardando a chegada quase sagrada, enquanto o mal cresce exponencialmente. A batalha aproxima do herói, enquanto tudo se desencadeia ás cegas, até o dia da escolha chegar..."

Era a melhor história de profecia que já tinha escutado na vida. Eu queria provas, mas seu tom clássico de seriedade não mudou em nada durante nenhuma parte da mesma. Ela estava sendo verídica, e não parecia estar blefando. Era, de qualquer forma, incrédulo.

—Você entende agora essa minha paranoia, Inkaylor? Era só para esperar este momento. Agora que ele chegou, devo impedi-lo de sair, para que nada nisso seja concluído.

—Para, para, para! Eu sou REALMENTE filho de um deus?

—Sim, você é. Inkaylor Anio Odinson.

—Por que está fazendo isso, mãe? Por que me chamou pelo nome completo?

—Porque não sou sua mãe. Eu sou sua madrasta. — E mudando sua expressão para debochante, diz: -Quer saber meu nome? Aqui está.

E ela começou a brilhar, um brilho verde, variando em tons da natureza, até ver o corpo de minha ex-mãe em um vestido verde. Eu não sabia o nome, mas estava com o maior medo que já tive na vida de perguntar. Então ela disse:

—Você é apenas a farsa de um herói. Só meu filho real é herói.

—Quem é você?

—Sou a mãe de um deus que deve conhecer por um nome bem conhecido: Thor!

—Thor?! — O reconhecimento veio. — Você é Frigga?!

—Sim. E antes que pergunte, sim, eu sou real.

—Por que? Por que está comigo, e não minha mãe?

—Isso era parte do meu plano.

—PLANO?!

—Sim. Um plano. Para arruinar a profetização do Oráculo de Delfos, e salvar a todos nós da Yggdrasil.

Isso ainda era incrédulo. Para mim. Para salvar a chamada árvore do Mundo? Misturando mitologia grega na nórdica? A própria Frigga na minha frente? A irrealidade era extrema.

—Que história é essa? Yggdrasil? Oráculo de Delfos? Um prognóstico? Você só está querendo me enganar.

—Ah. Pelo total contrário. O prognóstico foi feito pelo Oráculo em pessoa, no final da guerra.

—Então o que Yggdrasil tem a ver com isso-- — Me lembrei do meu nome. — Ah. — Mas ainda estava indignado. — Que plano é esse? Arruinar minha vida, é?

—Sim. Do pior jeito possível.

"Odin casa com sua mãe. Eu vi isso como uma traição, mas superei em alguns dias, pois sou protetora do casamento, seja de quem for. Eles têm um filho profetizado a terminar com uma guerra que iniciaria nas proximidades do seu quinto ano de vida. Passados dois meses do décimo aniversário da guerra, aquele mesmo filho se sacrificou pela Terra, destruindo Strat como preço pelo machado gigante para destruir os Voidern da profecia, e no mesmo segundo que ele desceu o machado, você nasceu por Odin. Literais dez minutos depois de você nascer, o Oráculo te profetizou, que seria um dos três citados naquele prognóstico. Se 'aquele que é a vontade é existência' for real, todos os planetas e universos cairiam por suas mãos. Então seu pai veio até Asgard, depois de duas semanas. A execução do meu plano começou em um tempo estratégico. Quando você tinha dois anos, seu pai levou sua mãe para conhecer um dos planetas da Yggdrasil, enquanto eu mesma cuidava de você."

Não tinha nada de muito errado nesse plano, se tivesse acabado aí. Mas ela continuou.

"Mas a viagem deu errado. Eles iam para Asgard. Bifrost estava na frente deles. Mas não poderiam. A ponte queimaria ela. Então foram pelo elevador da Yggdrasil. Mas eu estava pronta para aquela situação. Eu sabotei o elevador."

Quando escutei isso, os tentáculos retraíram pela cólera que agora sentia.

—Quem disse que acabou? — Ainda debochante, ela continua.

"Eles sobreviveram. Odin tem uma proteção para os amados. Parte da sabedoria que ganhou pelo olho. Mas eles despencaram em um planeta lindo, que deve conhecer como Muspellheim, a terra dos gigantes de fogo."

Eu não sabia o que me continha ali. Meu cavalheirismo, ou o choque, ou a cólera que aumentava passo a passo do plano que ela contava. E ela ainda nem tinha acabado.

"Era o menos adequado dos planetas. Ele a queria proteger, mesmo que adiantasse o Ragnarök, mas a minha luz, com o poder teleportador da Bifrost, o tirou de lá.

"Ele já estava em puro pânico quando viu a situação. Ele me implorou que também tirasse ela do planeta. Eu apenas disse: 'É ruim, não? O sofrimento de perder a pessoa, e ver a tortura que ela passou. Os melhores momentos, as coisas que fizeram. Sua guerra está declarada, traidor aesir.' Ele ainda tentou fugir de mim pelo galho da Árvore debaixo do palácio dele. Mas era tarde. Eu a deixei por um dia da sua terra, e sua mente quebrou totalmente. Todos os viventes de lá sugaram sua sanidade com um canudo. Comparado a nós, tão pouca resistência. No final desse dia, ele a levou, aos prantos, para um hospício da sua terra. Onde ficará os dois pelo resto da vida. Ele sofrendo, ela sem memória, enlouquecida. E você, morto por mim, quando chegasse a sua idade. Belo plano, não?"

Eu virei a manifestação da ira em pessoa. Em suma, para eles, fui gerado para cumprir um plano de morte, e a pessoa na minha frente enlouqueceu a minha mãe. Ainda assim, antes de perder meu controle totalmente, perguntei a ela, entre dentes:

—E qual foi a necessidade?

Ela respondeu com um tom desprezível de deboche.

—A salvação. De todos os mundos.

—E por que não me matou apenas?!

—Meu plano de vingança contra ele. Ele que me traiu. E ela merecia também, por roubá-lo de mim. E você vai ser a causa do Ragnarök.

Era isso. Meus olhos pegaram fogo branco, literalmente, de tanta fúria que sentia, e meus poderes afloraram de uma forma tão eficaz que eu me surpreendi. Até ela se surpreendeu quando dei um soco de atravessar paredes em seu rosto.

—SALVAÇÃO É ARRUINAR O QUE JUROU PROTEGER?!

Ela se levantou. Sua resistência divina era espetacularmente fraca. Um soco daqueles não deveria movê-la um centímetro. Ela gritou:

—Sua força é esplêndida. Mas saiba que toda Yggdrasil estará contra você se me matar!

Ainda possuído pela raiva, eu disse:

—VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE SER DEUSA! VOCÊ É APENAS LOKI TENTANDO ME MATAR!

—Quem disse que sou o Loki, aquela escória dos gigantes de gelo? Sou eu mesmo, Frigga, esposa de Odin.

—VOCÊ NÃO É FRIGGA, VOCÊ É A HERA DOS NÓRDICOS! VINGANDO A TRAIÇÃO DE ODIN CORROMPENDO, QUASE MATANDO A QUEM ELE SE AFILIOU!

—Quem é você para me comparar com aquela outra escória do Olimpo?!

—SOU AQUELE QUE VOCÊ TENTOU MATAR! EU NÃO SOU DEUS, MAS MINHA VONTADE É ABSOLUTA!

—Você é outra escória. Filho daquele que me traiu. Sua mãe...

—NÃO FALE DE MINHA MÃE! — Dei um gancho de chegar aos céus. Quebrei o teto com Frigga. E continuei minha fala quando ela terminou de cair: — VOCÊ ME ENOJA!

—Eu estava--

—CALA A BOCA! — Peguei a pela cabeça e disse: — QUALQUER COISA QUE SAIA DA SUA BOCA É UMA MENTIRA!

Ela iria responder algo, mas não conseguiu.

—Tem razão. Tudo que sai de mim é uma mentira. Afinal, pouco me importo com vocês. Mas o que direi agora é verdade. — E ela se libertou de minhas mãos. — Eu não estou usando nada de mim.

E ela correu para a luta. Ainda cego pela raiva, fui para o ataque. Mas ela me socou na minha aproximação rápida. Era forte, mas não para me derrubar. Nem tinha percebido que os tentáculos sumiram depois do meu primeiro soco. Poderia fazer um ataque com a pulseira. Pedi para que apareçam tentáculos nas minhas costas, e que agissem como socos. A pulseira transferiu tudo isso como pedi: tentáculos nas costas como socos. Meu poder realmente era da criação. E dei uma tempestade deles para uma Frigga enraivecida. Ela até tentou um ataque chamado:

EXPLOSÃO AESIR!

Mas foi facilmente bloqueado pelos meus tentáculos. E por sua falta de guarda logo após o ataque, eu a derrotei. Ela não sabia lutar, mas segundos antes de lutar com ela, eu também não sabia. O despertar de meu poder me deu habilidades escondidas. Já mais calmo, eu disse:

—Agora que foi derrotada de verdade, vá embora, e pouparei sua vida.

Ela, porém, disse:

—Você me venceu. Mas veja o estado da sua casa. Não há para onde ir.

Ela estava certa. Minha casa estava um lixo. Mas algo chega entre nós. Dois vultos chegam e me carregam para o céu. Um parecia um garoto, o outro uma garota. Eu não sabia quem eram de primeira vista, mas os reconheci pelas vozes. Era Nemo, meu melhor amigo na escola, e sua melhor amiga, Lynn.

—E aí, Inky? — Nemo cumprimentou.

—Nemo? O-o que é isso? — Disse eu, extremamente confuso.

—Só tentando te salvar da Frigga — disse Lynn. — Coisa simples.

—Simples, vocês dizem — respondi. E fiz a pergunta principal: — Para onde estamos indo?

Nemo respondeu:

—Você não tem mais casa, pelo visto. E será exposto a muitos perigos mesmo se tivesse. Nós ouvimos a história de Frigga, e precisávamos agir o quanto antes. Estamos indo para a Fundação Nova.

—Fundação Nova? Aonde é isso?

—É segredo, obviamente. Mas nós sabemos do prognóstico. Ele começou seus eventos ontem, quando Grandark contactou meia-noite de ontem para hoje. Sua presença é mais que necessária.

As forças citadas no prognóstico estão prestes a entrar em rota de colisão. Esse é o início da minha saga.