The Great Historia
3 A fundação de todas as raças
...
Depois do salto que mais pareceu um voo, 1 hora depois, finalmente chegamos em uma clareira. Nesse meio tempo, estava pensando. A minha mãe, minha REAL mãe, esteve internada no hospício por quase 10 anos. Eu acho que os meus novos poderes conseguem a curar. Eu não sei. Talvez tenha limitações humanas para certas coisas. Os efeitos colaterais sobre mim poderiam ser ruins. Mas me lembrei que sou diferente de humanos. Sou metade deus/metade stratano. Metade entidade, metade raça poderosa. Mas ainda não sei. Parecem muito parecidos com humanos.
—Ei, Inky? — Perguntou Nemo, logo após chegarmos na clareira. — Você tem alguma ideia do tamanho do seu poder?
—Eu não sei, Nemo — honestamente respondi. — O prognóstico diz que tenho o poder da criação. Mas acho que tenha mais expansão que isso pra falar a verdade. — Então tive uma ideia. — Pode me emprestar sua mente?
Ele olhou pra mim, obviamente confuso, junto com Lynn.
—Como assim, cara? Pra que?
—Tamanho do meu poder — respondi. — Coisa simples.
Depois de um suspiro, ele aceita, e fecha os olhos, enquanto coloquei minha mão direita na cabeça dele, e fechei os meus. E nunca pensei que estaria na mente de uma pessoa. Eu era vagante pela mente dele. Seus segredos. Suas memórias. Seus desejos. Não tinha nada ruim nele que conseguisse perceber. Sua mente, porém, tinha uma base peculiar: uma gigante floresta siberiana, onde, nos seus topos, tinham memórias de sua vida, e cada árvore é uma sucessão de eventos até a memória principal.
Há cavernas nessa base, indicando que ali se armazenam seus segredos. Como não queria ver algo que não gostaria de ver, deixei passar. Mas eu vi que, estranhamente, havia uma grande clareira entre as árvores. Não cresceu nada ali. Olhando mais de perto, haviam sementes. Sementes de memórias. Aquilo parecia indicar os desejos que queriam que se realizassem. Percebi, agora, que uma das árvores cresceu de forma estranha, doente. Eu me lembro de ter visto essa sequência no dia anterior. Nemo beijou (forçadamente) a Sofia, uma amiga da nossa turma. Eu nunca vi ele tão estranho e aterrorizado em meus tempos com ele. Em uma caverna gigante e variável (eu me prometi não ver as cavernas, mas aquela era surpreendentemente grande, se comparada com as anteriores), descobri o porque. Lá se escondia um desejo. Mas não qualquer desejo. Um desejo adormecido, sem energia. Eu entrei no desejo e vi, com meus olhos, Nemo se declarando para Lynn, com ela aceitando e o beijando logo em seguida. Vocês viram o que aconteceu no meu sonho de ontem. Eu estava super animado para contar quando voltasse, mas lembrei que isso é um segredo, e só poderei contar em melhor hora. O desejo adormeceu pois ele ganhou uma bitoca da Sofia. Mas acho que poderia o reacordar. Gritei:
RECORAJADUM!
Consegui. O desejo reacordou. A árvore que vi antes fraquejou e sua energia vital foi totalmente sugada por ele, derrubando-a no esquecimento. Ele me agradeceu.
—Obrigado, Inky. Conseguiu trazer esperança mais uma vez para mim.
—Por nada — respondi. — Mas deve fazer isso enquanto há tempo, pois a incorrespondência é bem rápida.
—Sim. Seguirei seu conselho.
—Mas, por favor, não tenha pressa, porque... Eu sou um exemplo do por quê.
—Certo. Também seguirei esse conselho.
—Eu devo voltar para o mundo real. Siga meus conselhos.
—Ok! Adeus, Inky!
—Por que adeus? Você e suas memórias me verão no mundo real.
—Verdade. Mesmo assim, até o mundo real!
—Até!
E abri meus olhos. Nemo também abre os dele. Sua cara se encheu de lágrimas, provavelmente de alegria. Ele me abraça, em sinal que sabia o que fiz. Daí, pergunto para a Lynn:
—Me engolfei na mente dele por quantas horas?
Ela responde:
—Cinco minutos.
—Foi menos tempo que esperava. — E pedi para a Lynn: — Pode agora me emprestar a sua?
—Eu não quero ter sequelas eternas, pois amo quem sou agora. Mas se é um teste, ok.
E fiz o mesmo processo. Mas agora é um base diferente. Era uma mão vermelha de um corpo de alguém importante para ela, provavelmente o pai (ou figura de). Suas memórias têm base nas incontáveis linhas na mão. Os segredos são as pertubações nessas linhas aqui ditas. Seus desejos estão nas pontas dos dedos. Na ponta do dedo médio, tinha algo parecido com uma cicatriz com uma enorme pertubação. Aquilo parecia corromper um desejo. Como o desejo adormecido do Nemo, que era parasitado por uma árvore-memória. Eu vi a memória-cicatriz, e o que eu vejo? A mesma memória-parasita do Nemo! Sim! Ela tem algo por ele também! Mas, pela profundidade da cicatriz, ela só queria o parabenizar por ter sido beijado, o que significa que puxava mais para a amizade do que algo real. Mas para ter uma cicatriz precisava de algo forte. Iria me perguntar o que era, mas logo vi a minha resposta: O outro melhor amigo dela, o Sílin, por quem tinha algo realmente (vi isso em outra memória) tinha sumido no dia anterior. Ela tinha um quadro dele, que fez de forma renascentista, com impressionante realidade e detalhes. Se ela fez em apenas uns meses, eu duvido muito. Mas enfim... teria que contar as más novas para o Nemo. Que não é correspondido. Que teria de desencorajar... não... MATAR aquele desejo com a verdade, mesmo que isso o chateie. Mas meus planos mudaram quando a ponta do dedo falou para mim:
—Herói... salva-me...
Escutando isso, eu fui para lá, e respondi o seu chamado. O desejo então disse:
—Herói... me cure... estou... fraca...
Eu olhei o desejo. Sílin era um herói, e o Nemo apenas um fracote. Ela, pura de coração que é, escolheu o mais forte. Seu atual jeito mimado ultrapassou sua antiga pureza. Ela virou o que um treinamento e educação desconhecidos de 3 anos impediu. Por que sei disso? Porque a maioria das memórias boas que ela teve foram treinando com o dono desconhecido da mão-base em um lugar também desconhecido. Eu perguntei para o desejo:
—Sílin é sua... — Eu gaguejei por 50 segundos tentando dizer a próxima palavra. — ...pessoa?
Ela respondeu, gaguejando como eu na frente da Jezi:
—N-n-não! Não, ele não é...
—Tá... e o Nemo?
—Licença. Por que quer saber? — Disse ela, num surpreendente (e repentino) tom de garota fofoqueira de escola, e achando que o que ela tinha era nada (odeio esse tipo de gente, que só espalha fofoca e não tem personalidade secundária decente).
—Para tentar ajudar você.
—Uma cicatriz minha é uma cicatriz minha, e ponto final. Não quero que se meta com algo meu.
Minha raiva estava acendendo. Rápido.
—Eu sou seu amigo. Por favor, coopere comigo.
—Ah, tenha dó! O que acontece se eu não fizer isso?
—O que deseja, ou seja, você, é esmagada até pó.
—E daí? Eu sou para ser nunca cumprida.
A próxima resposta veio pela raiva acumulada.
—ENTÃO MINHA AJUDA É SÓ RUINDADE, É?! X9 INDECENTE!
Acho que fui pesado demais pra ela. Mas ela manteve a postura.
—Ah, é? Eu nunca teria gostado daquele pedaço de ruindade que é o Nemo! E os amigos dele devem sair do meu caminho, ou seja, VOCÊ!
Ela chamou um dragão feito da sua própria influência com as X9s (fofoqueiras) e me atacou. Quem diria que faria um dragão da influência, não? Mas uma voz, mais alta que a que me chamou antes, agora clama por mim. Eu, como uma boa pessoa, decidi ir lá. E encontrei uma luz azul por debaixo da pele da mão dela. Daí, eu entendi. Era uma mão falsa, uma luva. Do tamanho perfeito para influenciar uma base de memórias perfeitamente.
O dragão ainda estava me seguindo, cuspindo fogo para onde eu fosse. A ideia de derrotar aquele desejo no meu soco era uma ideia sem nexo, mas que poderia acabar com ela e sua base má-influenciada. Me virei, passei pelo dragão, e fui até ela, que não tinha consciência de escala da minha força. Dei um soco no desejo, e rasguei a luva na costura daquela memória.
Uma luz cor-de-neve começa a irradiar do buraco da luva. A base fechou a mão, e a luva explodiu. Eu estava alguns metros de altura quando a mão fechou. Então a voz que clamou por mim me chamou mais uma vez. Eu fui até lá e encontrei a versão mental da Lynn, que me agradeceu por tê-la libertado da má-influência das amigas dela, pois a sua inocência acreditou que o Nemo era o idiota que todas elas comentavam as costas dele, e o Sílin, o cara que deveria ter algo com. Por isso perdeu a mesma tão facilmente. Então mostrou o desejo real dela. Eu vi, e qual não foi meu alívio de peso nas costas quando vi aquela imagem. Agora que salvei a mente dos dois, poderia voltar para o mundo real. Abri meus olhos. Quando a Lynn abriu os dela, sua bondade voltou, agora mais forte.
—Eu fiz algum dano permanente?
Então ela disse:
—gueh, eh, eh, bleuh-- Só brincando.
Aquilo assustou demais nós dois, tanto que começamos a rir, gargalhar, até eu ficar sem controle das minhas gargalhadas, e só parar 5 minutos depois de voltar ao mundo real.
—Tá, agora onde fica essa tal fundação? — Perguntei para o Nemo, pela segunda ou terceira vez.
—Abaixo de nós.
E um elevador, literalmente em nossos pés, nos leva até o subterrâneo, passando por várias salas, até pararmos em um corredor revestido de tecido marrom. Sua necessidade não é muita, pois só precisava colocar a sala logo, sem delongas.
—Eles querem encontrar você — disse Nemo. — Aqui é a porta do território neutro entre todas as raças, ou seja, será apresentado aos reis das raças de nossa Terra e de um outro planeta.
—O que? — disse eu, em óbvia confusão. — Raças? Outro planeta? Está de pura brincadeira com a minha cara? Eu já me meti em coisa demais por um dia. Prognósticos, revelações, eu só estou indo na onda, mesmo que ela seja de 10 metros, porque, para mim, isso não é natural.
—Por acaso acha que somos normais? — Perguntou Nemo. — Sua vida mudou com sua descoberta, assim quando a nossa aconteceu. Lynn sempre treinou, mas quase teve que usar os poderes contra a figura de pai dela, enquanto eu estava logo atrás! Ela teve que ver a tortura para passar do desafio. Se você realmente está jogando a toalha, com o que vai se enxugar no final?
Isso não é a cara do Nemo. Fazer um discurso para me dar um sermão. Isso está muito errado em meus rumos. Mas entendi o que ele quis dizer, não posso jogar a toalha agora. Estou prognosticado e com o destino selado. Só preciso me virar para sobreviver. Então eu disse, decidido:
—Com a razão. Razão que você tem de não jogar a toalha agora no início. Estou entrando lá. Me desejem sorte, vocês dois.
—Vamos sim — disse Lynn -, da plateia.
Me virei, surpreso.
—Plateia?
—Sim, Inky — disse Nemo, dando um peteleco na Lynn -, uma plateia. Não era para nervosismo, por isso não te contamos.
Então passamos pelo corredor 'totalmente necessário' e uma grande porta para mim. Uma grande escada me levava até o solo do auditório, enquanto uma porta na esquerda do terceiro degrau leva até os lugares das arquibancadas. Dava para ouvir todos conversando sobre quem iria entrar para a Fundação. Então, quando desci todos os degraus, um homem começa a anunciar:
—Senhoras e senhores, reis e entidades, estão prontos?
Um sim generalizado percorreu a sala do auditório. Então as portas se abrem, e o homem me anuncia:
—Nosso novo integrante é esse, que se chama Inkaylor! — E entrei na sala. Caramba, o negócio é gigante. Era um "Roda Viva", cheio de todo tipo de gente. Todos bateram palmas em minha presença. No centro de tudo, havia uma cadeira para eu sentar. Uma cadeira giratória. E o mesmo homem anuncia a chegada de mais gente, mas não novatos. São os entrevistadores.
—Seus entrevistadores serão:
"Glau Fyon, segundo filho de Hades!" — Toda e qualquer garota começa a gritar.
"Marluna, filha de Poseidon!" — As mesmas garotas urram.
"Keopart, filho de Zeus!"
"Agina, filha de Gaina, a entidade Moani!"
"Eeeee... Princesa das fadas, Deena!"
Meu coração pula ao ouvir o nome dela. Relembrei meu sonho. Sua aparência era a mesma: vestido rosa, cabelos ruivos, olhos castanhos. Mas não tinha asas de borboleta, como no sonho. Pensei tanto nisso que esqueci o ambiente.
Uma mesa circundando a minha cadeira aparece. 4 dos 5 citados parecem ter uns 20, 25. Só a Deena é aparente a alguém com 13 anos, como no meu sonho.
—Quem é você — Marluna pergunta, iniciando a entrevista -, e por que está aqui?
—Eu sou Inkaylor — respondi. — E estou aqui porque sou o prognosticado. Eu sou o segundo filho de Odin com outro ser. Acho que todos aqui sabem quem foi o primeiro.
Um murmúrio de dúvida percorreu a grande sala. Acho que não sabiam. Glau Fyon ergue a mão, e todos se calam. Então ele pergunta:
—Já sabe quais são seus poderes?
—Sim, mas não todos. Devo ter mais detalhes depois de um tempo. Descobri eles há somente duas horas!
Mais murmúrios de dúvida passaram pela sala. Agora era a vez de Keopart perguntar a mim.
—E você tem conhecimento dos poderes que não descobriu?
—Nenhum — eu respondi. — Como disse, acabei de despertar esses poderes. Somente descobri que a pulseira segue minhas ordens, meu poder físico extraordinário, e a entrada em mentes humanas para procurar seus defeitos e problemas, e consertá-los ou remediá-los. Mas quanto ao restante, não tenho nada embasado.
MAIS murmúrios de dúvida. É sério, eles têm limite de crença verbal ou não têm porque não tem crença nenhuma? Agora é a vez de Agina.
—Como teve o despertar?
— Despertei os poderes em geral com minha fúria contra Frigga, que se escondeu como minha tia. Ela tinha uma conspiração junto com Odin para acabar com o filho prognosticado e a mãe do mesmo, ou seja, eu e minha mãe. Depois de contar tudo o que ela planejou, meus olhos se encheram de chamas brancas. Estava enraiveicido. Mas me lembro de toda a batalha.
E contei tudo. Palavra sequer foi dita enquanto contava.
—... e foi assim que cheguei até aqui.
—Sua história é tocante — disse Agina -, e seus poderes são, aparentemente, bons para combate. Nós agora vamos ver o Poderedito quando demonstrar suas habilidades reais de luta. Levante-se da sua cadeira, e ative seus poderes de novo.
—Mas, como eu disse...
—Sim, sim — disse Marluna, em tom impaciente -, sabemos que acabou de descobrir seus poderes. Mas tente, pelos deuses, se retransformar.
Era um trabalho surpreendentemente fácil. Mas o poder da fúria inicial era maior.
—Quem será meu desafiante? — Preferia ter falado isso em um tom que não parecesse tal de um gladiador imbatível.
—Ele será meu irmão — disse Glau Fyon -, Wrawyon, e ele tem poderes negros. Tome cuidado, pois é bem rápido, e sua força é uma das maiores nessa instalação inteira.
Wrawyon aparece. Tinha cabelos negros, combinando com a roupa também negra. A aura do Fyon irradiava o total contrário do irmão: enquanto ele era extrovertido, legal e com chamas (literais chamas) no cabelo, Wrawyon era apagado, introvertido, e aparentemente sem misericórdia de quem entra no ringue, pelo jeito que todos reagiram a sua entrada.
—Esmaga! Esmaga! Esmaga! — Todos começaram a entoar com sonoridade, para minha infelicidade, e escondida desesperança. Mas Wrawyon continuou calado. Até que perguntou para mim:
—Eu espero que tenhamos uma boa luta. — E estendeu sua mão para me cumprimentar.
Queria estender a mão, mas por experiência...
—Sério?
—Sério o quê? — Ele pergunta, aparentemente confuso.
—Pegadinha do meteoro. Nunca ouviu?
—Não.
—Só está estendendo a mão?
—É.
—Por precaução... — Criei uma mão com meu poder. Ele a apertou, sem pegadinha.
—Viu?
—É surpreendente — disse eu. — Sua formalidade em tamanha situação. Eles querem que eu seja esmagado, mas veio com essa boa educação.
—Que bom que me elogiou. Me faz até querer conversar um pouco. Mas temos uma luta para resolver aqui. Então acho melhor sair daqui, porque está na linha do trem.
—Linha do... — Fui atingido por um trem das trevas antes de completar a frase, me levando até a parede, onde a acertei em cheio. Mas ainda consegui me levantar, e com as chamas brancas. Daí eu disse: — Ah, AGORA SABE!
Wrawyon, rindo, me disse:
—Só um gatilho. Lhe peço desculpas. Agora, podemos?
—SE MEXE NO GATO, ELE MOSTRA AS GARRAS, NÃO É? CLARO QUE SIM!
E fomos com tudo. Wrawyon usa sua "cinese das trevas" e cria pedras gigantes para me esmagar. Com minha criação, fiz um escudo, mas não consistente para parar as pedras. Ele continua a jogar pedras em mim, mas eu as desvio com a mão que saiu da minha área de costelas, estendendo-as. Ele foi no corpo a corpo, me dando um soco na cara. Mas, milagrosamente, nada em mim quebrou, nem mesmo um dente.
—Sua cara sobrevive ao meu maior soco — disse Wrawyon -, e não quebra nada?
—Acho que quebrou algo sim. — Concluí dizendo: — Minha expectativa.
Ele avança com mais força. Sua cinese agora cria tentáculos-lanças para me caçar, sendo que também me desvio deles, por mais rápido que fossem. Eu fui para o ataque agora, mas ele não se moveu quando cheguei perto dele, como se não soubesse que estava ali. Mas meti o soco nele mesmo assim. E ele foi tão longe quanto Frigga foi alto. Ele disse, depois de tal soco:
—Caraca. Você é muito bom. Mas não sobrevive aos meus poderes de arauto negro de Hades!
VAZIO PROCLAMADO!
E uma bola negra aparece na mão direita dele, mas não foi só isso: um par de asas esqueléticas negras aparecem, dando a ele voo, e um maior raio de destruição. Mas, por algum motivo, ele para de carregar o ataque, como se fosse bruscamente interrompido. E foi. Fyon deveria saber o que daria se lançasse aquele ataque, e fez o clássico "golpe do desmaio", fazendo com que Wrawyon caísse sem dar o golpe dele. Então diz:
—Essa demonstração deve ser suspensa, pois já descobrimos do que nosso amigo é capaz. Também devemos evitar rastros de destruição por nossa instalação. — Seu tom era indiferente. Tinha certeza que reprovei. — Nós decidimos, por decisão unânime, que...
Uma mesa extra emerge da terra. Meus cabelos se arrepiam. Mas todos pareciam tão assustados quanto eu. Ele parecia um invasor que veio a festa. E, com certeza, ninguém ficou feliz, nem mesmo os jurados.
—Eu sou Lito Geo, irmão de Pedrini e Fisto, dos 3 da Terra, e--
—Sim, nós já sabemos quem é! — Fyon se apressa em dizer. — O que faz em terras sem abalo nenhum?
—Não sou o mensageiro de vocês?
—É, sim. Só vai logo!
—A mãe do moleque ali — Ele aponta para mim, o coração dando outro salto — me mandou uma carta.
—Entregue-a e suma! Não pode somente aparecer no meio de um julgamento!
E ele me entrega a carta. Mas desviei um pouco o olhar para ele. Estava surrado, mal cuidado, um mendigo, em suma.
—Ahem — Fyon continuou, após a mesa surpresa sair. — Por decisão unânime, nós decidimos que Inkaylor é...
Outra interrupção, mas não de um elemental. Algo estranho acontece. As luzes saem dos holofotes, e se convergem em uma pequena bola de luz. Uma escuridão cresce nessa bola, a última acompanhando. E ela cresce, cresce, até que uma mesa de telejornal aparece na bola, com dois caras estranhamente normais. Mas todos, assim como na entrada de Lito Geo, pareciam assustados, os jurados com raiva. Então ele fala:
—Boa noite. Quem vos fala é Grandark, junto com meu amigo, Vee. — Por mais que seja um vilão, aparentemente, o tom de telejornal norte-americano é hilário.
—Obrigado pela apresentação, Grandark — Vee diz. Aparentemente tem uns 15 anos. — Nossos exércitos estão preparados para atacar em 2 meses. Preparem-se para a invasão. Agora, o tempo. Graças as predições avançadíssimas que obtivemos de nossos remanescentes, será um dia ensolarado na invasão. É com você, Grandark.
—Obrigado, Vee. Está terminado o informe de hoje.
—Espera! — Gritei para a esfera sem saber se era um comunicador ou não. Era.
—Algum problema? — Grandark disse.
—Sim. Você é Grandvoid?
—Vamos dizer que sim, mas também que não. — Foi direto, tão direto que me assustei, mas continuei.
—Por que atacou o planeta de minha mãe?
—Sua mãe era uma stratana?
—Ela É uma stratana. Não destruiu a todos lá, sabia?
—Quem destruiu o planeta foi Nova-Kai!
—Não foi, não.
—Como tem certeza? Eu vi acontecer! Eu vi ele transfigurando o planeta inteiro em um machado, para me atacar! Ele destruiu!
—Não. Ele só usou o planeta já destruído para destruir o batalhão dos seus semelhantes. Você destruiu o planeta.
Ele pareceu aterrorizado ao ouvir isso.
—Como sabe disso? Quem é você?!
—Eu sou Inkaylor, filho de Odin. Irmão caçula de Nova-Kai.
Todos na sala se horrorizaram com aquilo. Pelo jeito, não sabiam da linhagem de Nova-Kai. Seu poder viria de uma stratana. Isso todos sabiam. Mas não sabiam que era um filho de um deus também. Continuei:
—Se você vai invadir nosso planeta, estaremos treinando. Recomece a guerra se quiser, mas temos guerreiros tão bons quanto os de antigamente. Seremos a linha de frente. Seremos nós que estaremos lá. E confirmo isso com meu punho!
E tentando destruir aquele globo, pulei até ele, e gritei:
MILLENIUM PUNCH!
E o globo foi estilhaçado. Todos me olharam com um olhar mais letal que o do Mario verde. Mas, ao invés de me vaiarem, depois dessa claríssima declaração de guerra, me aplaudiram efusivamente. Fiquei tão feliz que esqueci dos jurados. Meu desespero foi imediato. Minha reprovação tava mais que no papo. Eles, porém, me olhavam como "é, ele é bom".
—Acho que finalmente direi o Poderedito, então. — Fyon falou, agora animado (ao invés de entre dentes, com raiva, por fazer uma aberta declaração de guerra), antes da sentença:
ULTRA-PODEROSO!
Respirei aliviadíssimo. Todos ainda aplaudiam. Mas se calaram quando Agina deu suas considerações finais, antes de encerrar a minha iniciação:
—Amigos, estivemos aqui para testemunhar a entrada de mais um amigo. Mas esse mesmo amigo mostrou que sim, a ameaça não acabou, sim, ele é do sangue do herói, e sim, a profecia é verdadeira.
"Mas agora que entramos em guerra novamente, nossas raízes vão mudar radicalmente. O que antes era um centro de recuperação da antiga guerra, agora é um centro de treinamento da Nova guerra.
"Todos os sobreviventes devem saber da notícia. Os Dimensionais, as Fadas, O Olimpo, todos eles. Pois nosso novo pilar-mestre foi apresentado como o irmão do antecessor. Nosso novo líder, Inkaylor!"
E todos batiam palmas para mim. Só ameaçando, ganhei o respeito de todos, sem entender exatamente. Pensei que iria ser impopular. Nem sabia que conseguiria. Mas nem mesmo esse triunfo me libertou da fúria contra meu pai. Precisava visitar minha mãe quando fosse oportuno. Só queria saber o que havia na carta. Nem sabia que ainda estava firme, fechada, na minha mão. Iria ver quando estivesse no meu novo quarto. Se tivessem um. O homem que apareceu no início reaparece, agora dizendo:
—Meus amigos, terminamos aqui a iniciação de mais um herói. Agora é hora de se preparar para amanhã. Os treinamentos vão ser duros, por isso devemos descansar! Boa noite a todos!
E todos foram embora. Mas uma pessoa me chamou pelo nome, com uma voz suave como pluma. Deena era a única dos fundadores que estava ali. Eu me lembro de cenas parecidas em livros que li e filmes que vi. Só nós. Sem ninguém mais. Nem mesmo Lynn e Nemo estavam ali. Lá vamos nós. Ela pergunta:
—Você sabe o que acontece amanhã?
—Como assim? — Estava confuso. Pensei que ia perguntar algo como "Como está seu irmão?" ou "Conhece sua reputação passada?", mas não. Ela me pergunta isso.
—Pode não acontecer, mas sua decisão foi odiada por todos. Vão ameaçar te espancar graças a declaração, graças ao veredito, e o próprio fato de ser filho de Odin.
—O que há com eu ser filho de Odin? Nova-Kai era filho dele, e é o herói-- Deena?!
Ela deu um surto. Estava se contorcendo no chão. Decidi usar o poder da mente. Entrei. E vi uma grande árvore com todas as flores, rosas, e frutos do mundo. Acima dessa árvore, uma nuvem cor-de-vinho pairava. Ela estava lançando um raio na árvore, que por ser a base, deve ser o que estava fazendo ela ter um surto. Eu saltei, mas o raio quis me impedir. Fui empurrado para trás, mas não eletrificado. Uma memória que não é minha, porém, passou pela minha cabeça. Nova-Kai estava em um lugar com grama verde, com um lindo céu estrelado acima dele. Ele estava falando com uma figura masculina. Tinha cabelos brancos, mas não era velhice. Pelo contrário. Sua figura tinha a idade de chegando aos 20. A voz combinava com suas características citadas.
—Veja, Kai, não tem como. Terá que fazer esse sacrifício. Acabar com a memória dela é o único jeito. Vai ter que ir embora para sempre!
—Sim, eu sei! — Kai tinha uma voz parecida com a minha. Mas parecia desesperado. — Mas é esse o problema! Não consigo apagar uma memória-chave na vida dela! Um quinto das memórias dela são felizes, e os outros 4 são dela sozinha, sem um irmão para cuidar dela!
—Não se refira assim comigo, Kai! Eu não consigo ir para lá desde os meus 500 anos. Sabe o que é passar um século sem ver quem ama nesse tempo?
—Eu sei fazer uma coisa melhor que vocês, fadas: aproveitar um bom momento com um amigo. Você passou quase um século vivendo aqui, sozinho, como se tivesse nada a perder, procurando seu amigo falso!
O vulto abriu as asas características de borboleta, e mostrou sua arma: um bastão de chifre de besouro. Resumindo: ele tá pistola.
—NÃO FALE MENTIRAS.
—Desculpe, mas estou falando a verdade, desonrado rei Dondor. — Foi a última palavra que ouvi, antes da memória acabar, e começar outra. A memória que vi era o sonho que tive na noite passada. E a última, estávamos no espaço. O último batalhão dos Voidern. O machado gigante de Strat. O último dos golpes. E voltei para a árvore-base. Aquela nuvem está forçando a verdade na cabeça dela. Que ele se foi. Que não tinha mais ninguém para ter companhia. Não conseguiria consertar aquilo. Deus-Ex-Machina acontece, mas ele já estava morto. Mas selaria comigo aquelas memórias, e restauraria esse quinto faltando. Pode esconder, pode negar, mas a verdade é como a vida: Dura para aceitar, doce para lembrar.
SELO NINBUS.
E a nuvem chega e se contém na esfera que fiz. Pedi para a pulseira extrair a memória boa. Ela extraiu. Com dificuldade, mas extraiu. Quis ver primeiro a memória que a nuvem atacou. Era outra. Era ela vendo a explosão da nave dos Voidern. Alguém contou para ela o que acontecia. Uma outra fada, talvez. A nuvem estava bagunçando esse momento ruim. Mas estava bagunçando a mente toda com isso. Não era a verdade, mas a mentira. Toda vez que falam no nome dele, ela perde o controle de suas emoções, e a nuvem tentava amenizar, mas deixava pior. Nas duas situações a nuvem saía como vilã da história. Os momentos felizes foram desativados, deixando apenas tristeza pelo que perdeu. Nunca senti tanta pena de uma pessoa. E não poderia fazer nada além de amenizar essa dor. Mas algo milagroso acontece.
Aquela mesma seção desativada pela tristeza se fertilizou novamente. A memória base que peguei virou uma fruta. A fruta da alegria. Ela rumou para essa seção, e as folhas negras se tornaram da cor da fruta. Parecia que poderia ir embora. Consegui curar um sentimento incurável. Ela já estava para pedir arrego, se matar. Mas parei. Então fui voltar para o mundo real.
Já era manhã. Estávamos em macas, minha mão ainda colada na cabeça dela. Ela parou de se contorcer. Respirei aliviado que não era um sonho. Era arriscado, mas disse:
—Nova-Kai.
Nada aconteceu. Consegui. Definitivamente não era um sonho.
—MAS O QUE BOSTA VOCÊ FEZ?!
Assustado, vi o mesmo cara que me entregou a carta. Lito Geo ruge essas palavras com um tom parecido com o de Nova-Kai.
—Pera, como assim? De qual você tá falando?
—AS DUAS! TANTO VOCÊ SE METENDO NA GUERRA QUE NÃO FOI CHAMADO, QUANTO DEIXANDO A SENHORITA DEENA NESTE ESTADO!
—Não foi culpa minha! Não sabia que ela teria um ataque desta escala, muito menos um ataque!
—MAS VEJA SÓ! ELA TEVE! E DESGRUDA A MÃO DELA!
No momento que tirei, a bolha que era a nuvem de mentiras saiu. Ele quis estourar, achando que era algo bom que estava tirando dela, mas não deixei. Expliquei para ele, tinha testemunho para explicar o que aconteceu, mas ele era cabeça-dura. Então tive a coragem de engolir e aniquilar aquela memória para sempre. Algo estranho agora acontecia comigo. Comecei a agonizar, a memória atravessando meu corpo como um fantasma de real ectoplasma, até chegar na minha pulseira. Quando acordei, estava em outro local. Tudo era distorcido. Nada fazia sentido. Queria saber onde estava pela pulseira, mas era esse o problema. Ela não estava no meu braço. Um sonho, talvez. Mas sentia dor, graças ao belisco no braço.
—Aqui é Landrew, dimensão dos sonhos. — Uma voz desconhecida me indica este local.
—Quem é você? E o que faz em um sonho meu?
—Eu sou sua consciência — Um eu de luz surge -, e tenho o nome desta dimensão.
—Certo. E o que faço aqui, neste lugar distorcido?
—Você deve tirar algo daqui. Algo importante, para levar para fora.
—O que, exatamente?
—Meu ensinamento.
—Sério?
—Não, é uma garota.
—Uma garota? O que ela faria em uma dimensão só nossa?
—Não é só nossa, lembra? É a dimensão dos sonhos. Sonhos de todos. A distorção que vê são os sonhos de passagem por esse globo. E eu sou o guardião dessa dimensão. Isso só parece ser infinito, mas é bem pequeno. Mas também precisa levar meu ensinamento.
—Certo. Pera, não tá brincando sobre a garota, né?
—Não. Tem uma garota aqui, sim. Eu não sei o nome dela, mas ela é legal. Conversa comigo desde que chegou aqui.
—Por que não me leva até lá? Se consegue ir em todos os lugares deste lugar que diz chamar pequeno, pode me ajudar com isso.
—Não.
—Por quê?
—Porquê aqui sou independente. Não sou seu brinquedo útil como no mundo externo.
—Como assim?
—Não entendeu ainda? Você não está com a sua pulseira, acho que nem usa seu novo ataque, o "MILLENIUM PUNCH" que inventou.
—É, talve-- Espera. Como sabe o nome do meu novo ataque, se nunca esteve lá?
—Eu sou sua consciência, idiota.
—Ah.
—Para provar, tenta — Ele fabrica um pilar. — Acerte isso com sua força.
—Certo! — E grito:
MILLENIUM PUNCH!
—Percebe? Ele está intacto. Já sua mão...
—AAAAAAHH!
—É. Ela quebrou.
Estava quebrada mesmo.
—O que é você?
—Sério, ainda não entendeu? Eu sou sua pulseira!
—Ah.
—Você deve voltar ao mundo real com o ensinamento meu, como eu disse quando chegou.
—E a garota?
—Você se encontrará comigo nos seus sonhos, e irá buscá-la quando o tempo for certo. Agora, voltando ao meu ensinamento.
"Você deve encontrar um propósito. Um que alimente a alma, que mantenha a mente, que fortaleça o corpo. Você sabe que deve conduzir esse propósito para o predestinado. Espero que tenha entendido tudo. Agora vá, e acorde no seu mundo. Não se preocupe, não vai esquecer o que disse. Agora vá. Ache esse propósito e comece a treinar."
—Eu vou. Meu eu.
—Confio em mim para fazer isso.
—Eu também.
Começamos a rir da própria piada.
—Certo. Vá!
—O.K!
Eu deveria acordar, mas não aconteceu nada.
—Estale os dedos. Será seu passaporte mesmo acordado.
—Certo. Tchau!
—Tchau!
Estalei os dedos e voltei para o mundo real.
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