The Gray War
13 Capítulo 13 - O Plano de Siralos
Notas iniciais
Um mês atrás, Siralos encontrava-se em seu reino. Ele tinha marcado uma reunião com todos os anjos de lá, para falar sobre as novidades de seu plano.
Alguns minutos antes de chegar o horário certo, Siralos andava pelos campos de girassóis que ficavam ao redor da Cidade do Sol, onde se encontrava seu castelo. Alguns girassóis ficavam em vasos feitos de argila, mas a maioria estava plantada no próprio solo.
Aquele era o único tipo de flor que crescia no Reino de Siralos. E o deus gostava de ir cuidar delas todos os dias. Muitas vezes Igls, o anjo que criara, que dominava a luz do sol, também ia junto.
Eles ficavam observando as flores amarelas brilharem com as luzes dos sóis. Em volta, também existiam pássaros. Os pássaros cantavam uma música agradável que acalmava Siralos.
Depois de apreciar a beleza das flores que criara, Siralos começou a pensar no assunto da reunião. O seu plano já existia há muitos anos, e ele precisaria explicar tudo detalhadamente. Uma simples ação errada poderia acabar com tudo.
Ele ainda lembrava-se do dia em que banira Ivlis. Depois de empurrá-lo, o céu se escureceu completamente. Foi uma primeira e única vez. Siralos não via nada, tudo estava preto, até que uma pequena chama verde, com um pequeno brilho, apareceu. No começo, ele não estava entendendo o que era aquilo, mas não perdeu sua confiança.
A chama começou a aumentar seu tamanho, como uma bexiga que se enche de ar. E, aos poucos, apareceram imagens dentro do fogo. Imagens que Siralos não reconhecia. Mas imagens que ele poderia reconhecer algum dia.
Primeiro, ele viu Ivlis com vários demônios, invadindo o Reino do Sol. Eles usavam roupas e boinas vermelhas escuras. Em seus rostos tinham óculos escuros e a maioria dos demônios tinha cabelo vermelho.
Logo, a imagem mudou. O deus não sabia se aquele era ainda o Reino do Sol, pois ele não reconhecia o fundo. Ivlis usava uma jaqueta cinza com detalhes vermelhos por cima de uma camisa cinza escura. Ele também usava um cachecol vermelho e preto em formato de asas. O deus e o diabo estavam frente a frente.
“Você não devia ter feito isso comigo!” O diabo dizia na imagem. Alguns segundos depois, ele estendia a mão em direção ao deus, parecendo que ia empurrá-lo.
Depois, a imagem mudou novamente. Siralos encontrava-se envolto por uma capa branca que cobria de seus pés até sua cabeça. Um anjo de cabelos cinza conversava com ele.
“Olá, Wodahs. Eu sou um anjo que vive aqui há muito tempo” Siralos se apresentou.
“Mas qual é seu nome? Por que nunca fala com ninguém e nem mostra seu rosto?” Wodahs perguntou.
“É que... Eu não sou daqui. Sou um anjo de passagem. Vim de outro mundo e acabei ficando preso por aqui até encontrar a maneira de sair. Acho que ninguém me conhece.”
Depois disso, a imagem sumiu e só restou a chama verde. Aos poucos, tudo começou a ficar claro novamente e o lugar plano em que Siralos estava voltou ao normal.
“Outro mundo? Ivlis atacando? Quem é esse... Wodahs?” Siralos pensou. Ele estava muito confuso. “Será que esse é... o futuro?”
A chama verde começou a flutuar rapidamente para longe daquele lugar.
“Não! Espere aí! Eu preciso de mais respostas!” Siralos gritou, correndo atrás dela. Em um momento, a chama parou e Siralos conseguiu alcançá-la.
O deus observou o pequeno fogo verde flutuar. Em baixo dele, apareceu um tipo de portal, também verde. E então, o fogo entrou nele e desapareceu imediatamente.
Siralos estava em dúvida se tentava passar por ali ou não. Observou o portal verde, totalmente novo para ele, em meio àquela imensidão plana. Depois de alguns minutos apenas observando cada detalhe, ajoelhou-se e fez apenas seu braço atravessar o portal. E quando fez isso, não conseguia mais senti-lo. Era como se não tivesse mais o braço.
Imediatamente, afastou-se do lugar.
“É que... Eu não sou daqui. Sou um anjo de passagem. Vim de outro mundo e acabei ficando preso por aqui até encontrar a maneira de sair.” ele se lembrou da fala mostrada pela chama verde. Será que se atravessasse o portal ficaria preso? Será que o fogo era apenas uma armadilha?
Depois disso, apenas afastou-se e voltou a andar em direção à cidade. Aquilo não sairia de sua cabeça tão fácil.
“Sim, foi assim que aconteceu” Siralos pensava, andando pelos campos de girassóis, agora voltando a prestar atenção em onde realmente estava.
Aquele era o final daqueles belos campos. A primeira casa da cidade já estava a sua frente. As casas de lá eram feitas de madeira e quartzo. No centro da cidade, havia uma bela fonte com águas totalmente transparentes. E logo em seguida um caminho de pedras levava até o castelo, onde aconteceria a reunião dentro de alguns minutos.
O deus andou pelo curto caminho e chegou ao castelo, que era muito grande. Havia seis torres nos cantos, com várias janelas. A construção era feita de quartzo, um material branco e brilhante. Siralos admirava aquilo que tinha feito.
A grande porta principal, que levava ao salão principal, onde aconteciam reuniões, era feita de madeira escura. Quando ele a atravessou, viu uma sala bem grande. O chão era inteiro coberto por um tapete feito de lã amarela.
A sala era quase toda coberta por cadeiras, onde inúmeros anjos esperavam a chegada de seu mestre. As cadeiras possuíam vários detalhes, feitos de madeira. O assento e o encosto eram mais macios, feitos de lã branca.
Depois de alguns metros, após terminarem as fileiras de cadeiras, havia um espaço vazio onde Siralos falaria. Logo atrás, duas escadas nas laterais, uma na direita e uma na esquerda, levariam aos andares superiores. Por todos os lados tinham janelas.
O deus do sol começou a andar pelo salão e logo chegou do outro lado. Passou as mãos em seus longos cabelos beges e virou-se, olhando as pessoas, preparado para começar a falar.
Por uma das janelas do salão, ele via o céu azul e ensolarado iluminando todo o lugar. Ele também observou os girassóis que ficavam em vasos nas janelas. Aquelas flores realmente estavam em quase todo o Mundo do Sol.
Finalmente, começou a falar:
“Boa tarde a todos. Como já sabem, estamos aqui hoje para falar sobre o plano que finalmente vai ser concretizado. O plano que nos livrará totalmente de Ivlis e seus demônios traidores.”
Todos os anjos continuaram quietos, prestando atenção.
“Como todos já sabem, Ivlis nos traiu há muitos anos. Ele queria roubar meus poderes para dominar o mundo, e consequentemente condenaria todas as nossas vidas.” Era essa a mentira que ele havia inventado por todos esses anos, desde a primeira vez que ele contou a notícia aos anjos.
“Como se o próprio Siralos não estivesse condenando as nossas vidas” alguém sussurrou para a pessoa sentada ao lado, sem deixar que o deus ouvisse.
“E depois de cinco anos de seu banimento, ele começou a nos atacar, colocando fogo em nossas florestas e roubando o que tínhamos de valor” Siralos completou, lembrando-se da visão que o fogo lhe mostrara. Aquilo realmente havia acontecido. “E mesmo fechando todas as passagens entre os nossos dois reinos, ele sempre encontra uma maneira de chegar aqui. E por mais que isso não pareça ser verdade, o exército do Reino do Fogo está ficando cada vez mais forte.”
Todos continuaram prestando atenção. O deus ainda não tinha começado a falar exatamente do plano.
“Foi aí que eu descobri um portal. Esse portal leva a um outro mundo, como eu já disse antes. Esse mundo possui um tipo de magia bastante diferente da magia daqui, mas eu tive paciência e fiquei lá por muito tempo, assim conseguindo dominá-la até mesmo mais que a deusa e o diabo de lá.”
Ao ouvir isso, alguém levantou a mão na plateia.
“Senhor Siralos, como isso aconteceu mesmo?” Um anjo loiro perguntou.
“Quando eu fui para lá, fiquei pelo menos cinquenta anos apenas treinando a magia branca e negra. Como eu já possuía bastante potencial da magia do sol, não foi difícil começar a aprender esse novo tipo de magia. Mas o mundo vivia em paz, e isso era um problema. Todos os dias a deusa e o diabo se dedicavam a novos feitiços, se aconselhando com o criador Yarg. Então, eu estudei um feitiço de manipulação. E no momento certo, usei Etihw, a deusa das pedras brancas, para iniciar uma guerra. Como não era isso que Yarg esperava para tudo o que criara, ele desapareceu sem deixar pistas. E agora, em meio ao caos e confusão, os moradores de lá não teriam tempo para magia.”
O deus parou de falar e pensou um pouco antes de continuar.
“Eu sabia que Etihw se arrependeria depois de saber o que tinha feito. Então, criei uma maldição. Ela esconderia isso de Wodahs, seu aliado principal. E quando ele soubesse, ele iria se tornar o anjo mais perverso que já existiu. Bom, isso ainda não aconteceu. Na verdade, essa é a próxima parte do plano.”
“Então, o que devemos fazer a partir de agora?”
“Primeiro vamos esperar. Vou armar uma cilada para Wodahs. Quando ele descobrir seu passado, poderemos começar o plano. Iremos usar o portal para chegar àquele mundo e seremos pacientes. Primeiro, vamos atacar os cristais principais de Etihw e Kcalb. Os cristais os fortalecem. E eu descobri que a única maneira de restaurá-los é com os poderes dos dois unidos. Mas é praticamente impossível isso acontecer. Depois, arrastaremos todos para cá. Com um de meus maiores poderes, vou queimar todo esse mundo, com eles aqui dentro. Ninguém nunca mais vai entrar ou sair. O novo mundo será nosso novo lar, e eu vou construir um quase idêntico. Vocês nem vão notar as diferenças. E sem Ivlis para nos perturbar, poderemos viver felizes pela eternidade!” Siralos exclamou, sorrindo.
Quando ele terminou de falar, todos os anjos começaram a conversar entre si sobre o plano, até que uma voz alta vindo do fundo interrompeu todos.
“Nós vamos seguir o plano, com uma condição!” O anjo exclamou. Siralos olhou para ele e não o reconheceu. “Você deve prometer que não precisaremos mais ser escravos do sol. Poderemos ser livres para fazermos o que quisermos.”
Todos no salão voltaram a falar, agora sobre a proposta do anjo.
“Silêncio, por favor!” Siralos gritou, interrompendo as vozes. Quando todos se calaram, ele continuou: “Sim, vocês todos serão livres. O novo mundo será melhor para mim e para vocês.” Porém, Siralos estava com uma das mãos nas costas, cruzando os dedos. Ele não iria realmente cumprir o que prometera.
Vozes agora mais alegres soavam pelo salão. Depois que todas pararam, Siralos perguntou:
“Alguma dúvida?”
“Senhor Siralos, por que você precisou sequestrar a mãe da menina de cabelos verdes há alguns anos?” Um anjo perguntou.
“O quê? Onde você ouviu isso?”
“Alguns boatos sobre isso apareceram, e eu quis apenas perguntar.”
“Bom... Sim, ela faz parte do plano. Mas uma parte confidencial. Quando o plano for concretizado, tudo será esclarecido.”
Todos voltaram a falar, e enquanto isso Siralos lembrou-se do motivo pelo qual ele precisava da mãe de Yosafire. Ele não tinha contado aquilo para ninguém, a não ser Igls.
Siralos tinha escondido até o fato da chama verde que tinha mostrado o futuro. Ele tinha contado apenas mentiras sobre a traição de Ivlis, mas não o que acontecera depois.
A verdade era que quando Ivlis atacou o Reino do Sol pela primeira vez, o deus reconheceu a imagem que o fogo o tinha mostrado. Então, ele voltou ao mesmo lugar onde estava o portal que o fogo abrira e atravessou o braço, como da última vez. Mas agora, na segunda tentativa, ele conseguia sentir a parte do corpo. Então, resolveu atravessar o portal. Assim, ele descobriu o Gray Garden. Também descobriu que poderia voltar para o Reino do Sol quando quisesse.
Assim, fez um manto branco para esconder sua identidade e começou a estudar a magia e a história de lá sem ninguém desconfiar.
Mas alguns anos atrás, ele viu o fogo verde novamente, no Gray Garden. O deus correu atrás dele por vários quilômetros e acabou chegando à vila dos demônios, onde ficam crianças e idosos demônios. Estava de noite e o fogo entrou em um quarto de uma pousada, atravessando o vidro da janela. Siralos abriu a janela por fora e entrou também. Dentro, havia uma mulher grávida de cabelos verdes, dormindo.
A chama atravessou o corpo da mulher, que ficou com um brilho verde em volta de seu corpo. Depois, o brilho sumiu e ela voltou ao normal, e continuou dormindo.
“O que está acontecendo aqui?” Siralos disse, com uma expressão de dúvida.
Quando ele fez a pergunta, a chama saiu do corpo da mulher. Uma imagem mostrou dois demônios andando em uma das ruas da vila dos demônios, um carregando uma tocha. Depois, a tocha se apagava com o vento. A imagem sumiu e a chama voltou ao corpo da mulher.
Siralos se perguntou o que era aquilo. Mas logo em seguida, ouviu um barulho vindo da rua. Ele olhou pela janela e viu dois demônios andando, um segurando uma tocha. Então, aconteceu exatamente igual à visão. A tocha se apagou com o vento.
“Parece que finalmente terei as respostas que preciso!” Siralos pensou, sorrindo. Mas então se lembrou de que a mulher estava grávida. “Bom... Eu acho que vou ter que esperar um pouco para ter essas respostas.”
Duas semanas depois, ele tinha voltado para aquela vila e não encontrou nada. Ele só conseguiu o que queria depois de vários anos, quando descobriu que a mulher, Hanahata, morava com sua filha em uma casa no meio de uma floresta de pinheiros.
***
Atualmente, Siralos observava o campo de batalha. Os anjos e os demônios lutavam entre si. Do outro lado, viu duas anjos aparecendo do meio da floresta e se direcionando ao castelo. Uma tinha o cabelo loiro, bem claro, e os olhos azuis. A outra tinha cabelos castanhos e olhos vermelhos.
O plano estava prestes a começar. O deus virou-se e andou em direção à floresta. Depois de alguns metros, chegou a uma clareira. Lá tinha cerca de cem anjos o esperando. No centro da clareira havia um portal que levaria ao Reino do Sol.
“Chegou a hora!” Ele exclamou. “Infiltrem-se no castelo de Etihw e descubram uma maneira de chegarem à torre principal.”
“Siralos, por que você não pode se teletransportar para lá?”
“Minha magia nesse mundo é grande, mas também limitada. Principalmente perto das fontes de força da deusa e do diabo. Além disso, se vocês forem em grupo é mais fácil de se infiltrarem. Eles estarão mais distraídos do que nunca com a guerra e assim finalmente poderemos destruí-los.”
Os anjos começaram a se preparar e dividir os grupos. Um invadiria o castelo de Etihw, e o outro, o castelo de Kcalb. Então, pegariam um diamante de Etihw e um de Kcalb para poderem destruir os diamantes principais de cada um.
E foi assim que fizeram. Enquanto todos do Gray Garden estavam distraídos, nas lutas, eles pararam para pensar e entraram pelas janelas com menor proteção. Para entrar no castelo Blanc foi mais fácil, pois eles eram anjos, mesmo as roupas sendo amarelas, com detalhes e desenhos de sóis, não totalmente brancas como as roupas dos anjos do Gray Garden.
Das pedras de Etihw, eles escolheram uma que estava na entrada da torre principal. Precisariam de uma pedra resistente. E para escolher as de Kcalb, foram a uma sala com várias pinturas com molduras douradas na parede. No centro, estava um pilar com uma pedra negra.
Depois de fazerem isso e escaparem, todos se encontraram novamente na clareira.
Agora, era a nova parte do plano: Eles iriam distrair os anjos e os demônios que estavam defendendo as torres principais, e enquanto isso outros anjos destruiriam as pedras.
Tudo ocorreu de acordo com o plano. Siralos, que esteve muito tempo naquele mundo, tinha lhes contado passagens escondidas nos castelos, assim eles puderam sair de um lugar e entrar em outro mais rapidamente.
Igls, a Anjo da Luz, criado por Siralos, estava na torre principal de Kcalb, com uma pedra branca de Etihw em uma das mãos. Não havia nenhum demônio em volta, protegendo. Ele apenas levantou o braço e disse:
“Adeus, Kcalb.”
Depois, avançou o braço contra a fonte de energia do diabo e a destruiu.
“Está feito.”
No mesmo momento, na torre do outro castelo, um anjo fazia o mesmo com o diamante de Etihw. Nesse momento, todos os anjos de Siralos buscaram uma saída rápida, e quando fizeram isso, voaram de volta à clareira onde Siralos os aguardava. Mas um anjo, quando ia sair do castelo Black, foi capturado por um demônio.
“Tudo ocorreu de acordo com o plano!” Um anjo contou a Siralos, sorrindo, na clareira.
Siralos riu maliciosamente.
“Agora, onde estão os cristais usados para destruir as pedras?” Ele perguntou, com um grande sorriso no rosto.
“Estão aqu...” Igls dizia, quando caiu no chão, junto com todos os anjos, por algo vindo do centro da floresta.
Siralos agora estava assustado.
“O que é isso?” Ele perguntou, gritando.
De repente, a floresta começou a pegar fogo. Uma chama acendeu em cada árvore e começou a queimá-las. O céu agora estava vermelho.
Um pouco longe da clareira, voando, estava um demônio com cabelos pretos e algumas mechas vermelhas.
Suas roupas eram cinza e vermelhas e ele usava um cachecol em formato de asas. Seus chifres também eram vermelhos.
“Ivlis.” Siralos disse para si mesmo, com raiva.
As chamas foram se espalhando até o campo de batalha. O castelo de Etihw começou a pegar fogo também, mas o de Kcalb não.
“Ivlis!” Kcalb exclamou, sorrindo, quando viu que a ajuda estava chegando. E nesse mesmo momento ele se sentiu fraco. O efeito do diamante quebrado finalmente tinha chegado até ele.
Etihw e seus anjos também olhavam na mesma direção, assustados.
“Droga!” Etihw pensou, percebendo que Ivlis realmente estava ali.
Wodahs, ao lado de Kcalb, também sorria.
Nesse momento, viram outra figura voando até o céu. Era Siralos, agora sem sua capa.
“Espere, aquele é...” Etihw e Kcalb falaram ao mesmo tempo.
“Siralos! O que faz aqui?” Ivlis perguntou, gritando e com raiva.
Kcalb e Etihw conheciam Siralos. Yarg, enquanto ainda eram pequenos, tinha contado histórias sobre outros mundos, inclusive o Mundo do Sol.
Igls voou ao lado de Siralos, segurando as duas pedras em formato de losangos que os anjos tinham usado para destruir os diamantes de Etihw e Kcalb.
“Eu é que pergunto!” Siralos exclamou, enquanto pegava as duas pedras.
“Saia daqui ou...” Ivlis dizia, quando foi interrompido.
Siralos chegou uma pedra perto da outra. Ambas começaram a brilhar e depois ficaram em formato de um sol. E quando isso aconteceu, uma explosão lançou os demônios de Ivlis e os anjos e demônios do Gray Garden para longe.
“Vocês nunca vão me derrotar a partir de agora!” Ele gritou, sorrindo. “Apreciem enquanto podem o novo Reino do Sol!”
Um sol enorme começou a nascer no horizonte.
“Mas ele não prometeu que viveríamos livres?” Um anjo de Siralos perguntou aos outros.
Depois disso, o portal que levava ao Mundo do Sol começou a ficar maior.
“Agora chegou a melhor parte do plano! Expulsem todos, inclusive os demônios de Ivlis! Mande-os para fora daqui!”
“Não vamos fazer o que você quer enquanto não formos livres da maldição do sol!” Um anjo exclamou.
“Você disse o quê?” Siralos fez com que o anjo começasse a sentir uma dor horrível. Depois parou. “Espero que não continuem questionando minhas ordens! Agora, rápido! Comecem com a deusa e o diabo!”
Obrigados, os anjos começaram a voar em direção ao campo de batalha. Quando iam chegar perto de kcalb e Etihw, uma anjo e uma demônio tentaram impedir.
“Para leva-los terá que passar por cima de nós!” A demônio gritava. Os anjos, sem escolha, se juntaram nelas e as puxaram, voando, até o portal. Com os novos poderes de Siralos, eles estavam muito mais fortes.
Quando chegaram em cima do portal, deixaram elas caírem.
“Dialo!” Kcalb gritava assustado.
“Chelan, não!” Etihw também gritava.
Logo depois, os anjos voltaram para capturar os dois. Eles tentaram correr. Não poderiam lutar, pois a magia seria inútil contra aqueles anjos. Mas nada adiantou. Eles também foram capturados e levados até o portal.
***
Quando saíram do portal, estavam em um lugar diferente. O chão era marrom acinzentado e em volta havia vários montes de pedras da mesma cor. Era um lugar bem grande. Do lado direito, havia uma saída. Em poucos metros, havia um pequeno portal verde. Ele provavelmente levaria de volta ao Gray Garden.
Kcalb observou Etihw correndo para lá. Ela pulou no portal, mas não conseguiu entrar nele.
“Droga! O portal apenas nos traz para cá, mas não podemos sair!” Ela exclamou, com raiva.
“Isso é tudo culpa sua” Kcalb disse, bravo. Etihw olhou para trás e viu ele sentado.
Depois de alguns momentos, ele pegou algo do bolso de sua jaqueta e o levantou. Era o colar de Etihw, que se transformava em qualquer arma.
“A culpa é toda sua!” Kcalb gritou.
“Kcalb, acalme-se! Não podemos lutar agora!” Etihw tentou explicar.
“Não, não! Essa, na verdade, é a minha chance!” Kcalb gritou, levantando-se. Ele fez com que o colar se transformasse em um dardo.
“Não, espere!” Uma voz veio do lado direito.
“Dialo? O que você está fazendo?” Kcalb perguntou, olhando para ela. Em seu lado, estava uma anjo loira.
“É isso que Siralos quer! Nos desunir!” Dialo explicou em voz alta.
“Kcalb, por favor, acredite em mim! Eu não quis causar essa guerra! Tudo isso foi plano de Siralos. Ele está no nosso mundo há mais tempo do que pensamos” Etihw disse, tentando acalmar o diabo.
Ele não quis escutar nada do que os outros diziam. Apenas se preparou para lançar o dardo. Dialo gritava para ele não fazer isso, mas Kcalb nem ligou.
Estava tudo pronto. Ele ia soltar o dardo em três segundos. Dois. Um.
“Pare!” Uma nova voz gritou. Era uma voz doce e bonita. Agora sim, Kcalb virou o rosto para ver. Era Chelan.
“Mas, Chelan... você não era muda?” Dialo perguntou, assustada.
“E-eu não sei... Mas o que eu quero falar é que mesmo sabendo de tudo de horrível que os anjos e demônios fizeram, eu e Dialo ainda escolhemos o caminho da paz. E agora um deus do sol está roubando nosso mundo. Será que nem para isso vocês podem tentar se unir?” Ela disse, com uma voz convincente.
Quando ouviu isso, Kcalb abaixou o braço. Pensou em cada palavra. Pensou em cada momento. Pensou em todas as vezes que tinha feito coisas horríveis.
“Etihw” Kcalb chamou. “Por que você começou a guerra?”
Etihw ouviu a pergunta. Ela precisava falar a verdade. Pensou bem nas palavras. Depois de um minuto, respondeu:
“Por favor, acredite em mim. Foi Siralos. Na época eu não reconheci, mas agora eu sei. Ele me enganou. Usou um feitiço de manipulação. E depois disso, eu me arrependi extremamente, mesmo não sendo minha culpa, e escondi a verdade de todos.”
Kcalb ouviu aquilo. Percebeu que cada palavra era verdadeira. Andou até a deusa. Abaixou o rosto e levantou o braço, para entregar-lhe o colar de pedras brancas.
Etihw nunca imaginou que aquilo iria acontecer. Era algo novo. Sentiu a mesma coisa que sentira quando estava perto de Kcalb, na forma de Lucy. Sentiu que ele não era alguém mau, mas sim uma pessoa que erra e precisa fazer escolhas. Uma pessoa como ela, que já tinha vivido várias dores. E uma pessoa que ainda luta por algo que talvez seja desnecessário.
Quando olhou para Kcalb naquele momento, ela viu a si mesma. Uma pessoa arrependida de seus erros.
“Eu não posso aceitar” Ela disse.
“Por quê?” Kcalb perguntou, levantando a cabeça.
“Siralos talvez, de alguma forma, ainda possa me controlar com aquele feitiço. Enquanto eu estava em seu castelo, eu tive pesadelos. E esses pesadelos me diziam para não confiar em você. Imagino que isso também tenha sido obra dele. Se ele me controlar outra vez, você deve me destruir, de uma vez por todas. Nós sabemos que minha própria pedra é mais letal contra mim, e a sua é mais letal contra você.”
Então Kcalb pensou:
“E se ele também me enfeitiçar?”
Então, o diabo pegou outra coisa em seu bolso. Sua própria pedra negra, que se transformaria em qualquer arma. Ele a entregou para Etihw. Dessa vez, ela aceitou.
Seus olhos diziam que ela estava surpresa. Ela começou a pensar naquilo e no seu rosto apareceu um pequeno sorriso. Seus olhos brilhavam.
“Obrigada” Ela disse, tendo a melhor sensação que já tinha sentido em sua vida.
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