The Golden Angel

2 O Pesadelo


Notas iniciais
Respostado em 15/09/12.

The Golden Angel
O Anjo Dourado
Segundo Capítulo

A vinda de Elegecky e sua mãe para o Brasil foi mais rápida do que se havia previsto. A viagem no avião, mesmo sendo cansativa, fora ótima para Kale, pois o mesmo nunca tinha entrado em um. O garoto se levantava do lugar, praticamente, a cada cinco minutos. O que causou tumulto, mas terminou tudo bem.

Antes de ir se informar melhor sobre o lugar, Pollyanna encontrou a vendedora da casa, que a aguardava para entregar as chaves. As duas apertaram as mãos e cada uma seguiu caminhos diferentes, uma para a esquerda e a outra para a direita. Antes de partirem, a mesma já tinha deixado tudo pronto.

(O Pesadelo)
Os dois já haviam desembarcado no aeroporto e tiveram que pegar um táxi para levá-los à nova casa. A estrada era direta e reta, sem qualquer buraco, curva, ou transito. Ali também não havia calçadas para os pedestres, o que facilitou mais ainda, visto que ninguém andaria no meio da estrada.

Lá estavam eles no carro, conversando sobre o novo trabalho que a mãe iria arranjar. Na janela do automóvel era possível ver as montanhas que rodeavam a estrada. Algumas rochosas, logo outras mais barrentas. Outras altas, algumas baixas. Todas possuíam uma pequena quantidade de mato e plantas preso à superfície. O motorista observava pelo retrovisor a conversação deles e resolveu instruir, por conta própria, algumas informações sobre o local.

— Vocês vão gostar muito daqui... Colégios de qualidade e ótimas oportunidades de trabalho até mesmo para quem possui pouca instrução. — Disse o sério rapaz que prestava atenção na estrada. O som ambiente era de vários carros passando pela pista.

— Mora na mesma vizinhança que nós, senhor Knowels? — Perguntou Pollyanna com um tom doce.

— Sim, senhora. Bem perto. — Respondeu educadamente.


Durante o diálogo, Elegecky permanecia estático.

— Hum... Há muitas escolas por aqui, né? Tenho que ver qual é a melhor para matricular meu filho. — Sorriu para o menino.

— Bom, se a senhorita desejar, irei fazer uma pesquisa e te trarei o resultado quando possível.

— Obrigada!

— Que isso, senhora... É minha maneira de dar boas vindas!

— Chegamos! — Disse Pollyanna.

— Hum... — O garoto observava tudo à sua volta sem muita curiosidade. Era um bairro bonito, Pollyanna tinha esta impressão: uma rua imensa e uma fileira de casas em cada lado, esquerda e direita. Olhou para o céu límpido e Elegecky complementou: — Parece ser legal. — O motivo de se ter alegrado um pouco, foi de que aquele lugar ter uma vista parecida com a do seu antigo bairro.

— Bom, vamos pegar as malas e entrar. — Pegou a chave prateada que estava dentro de sua bolsa marrom. Pollyanna saiu do interior do veículo bem apressada, dando “corridinhas” com seu salto alto, que não facilitava em nada. — Droga de salto alto... Ehr... Kale, me lembre de comprar novos calçados! — Resmungou a mulher enquanto destrancava a porta.

— Oh, permita-me ajudar à senhora. Deixe as malas aí. Eu as coloco dentro da casa. — Disse o Taxista, oferecendo ajuda com um sorriso estampado em seu rosto.

— Ah, muito obrigada! O senhor é muito cavalheiro e gentil. — Enquanto o jovem e simpático motorista a ajudava com as bolsas, Pollyanna agradecia.

O taxista notou o menino pegando uma das malas com muito esforço. Era uma das mais pesadas. O jovem adulto sorriu e o ajudou. Passou as mãos em seu cabelo e disse:

— Você parece ser um bom menino, quis ajudar sua mãe mesmo sabendo que eu o faria. — Os dois riram juntos.

— Obrigado... Senhor.

— Só tenho vinte e um anos. Me chame de “você”. Ah, e creio que não me apresentei direito. Meu nome é Spencer Knowels.

— Muito prazer, senhor Knowels... Quero dizer... Spencer! —Spencer piscou o olho. — Meu nome é Elegecky Kale Deipu. — Apresentou-se Elegecky, por sua vez. — Mas pode me chamar apenas de Kale. Acredite, aprendi a falar meu primeiro nome aos cinco anos, de tão complicado que é! — Questionou murmurando no ouvido de Spencer, que soltou uma risada alta.

— Ah, que isso, Kale; não é tão complicado assim. Quantos anos você tem?

— Doze...!

Pollyanna estava dentro da casa observando os cômodos de sua nova casa. Eram dois andares medianos. Nada mal para duas pessoas. No andar de cima ela observava através da janela a conversação do filho com seu novo colega.

— Ah! Ele já se enturmou. Que bom.

Depois de uma conversa divertida, Spencer apontou com o dedo onde ficava sua casa.

— Ali, na terceira casa à direita. Moramos quase de frente para o outro. — Sorriu.

— Onde, Spencer? — Ele ainda não conseguira identificar qual era.

— Ali, veja. — Pôs suas mãos no ombro de Kale e se agachou na altura dele para tentar mostrar melhor.

— Ah, agora eu vi.

— Muito obrigada, senhor Knowels, pela ajudinha. Eu queria lhe convidar para entrar e lanchar, mas não tenho nada pronto ainda. Tenho que desfazer as malas. — Disse Pollyanna, meio que chateada.

— Não precisa se preocupar! Eu tenho que trabalhar ainda hoje. — Spencer olhou para seu relógio preto, que marcava dezoito horas. — Pobre é assim mesmo, relaxa!

— Ah, entendo! — Sorriu desapontada. — Mas venha amanhã!

— Será uma honra. — Agachou-se perto de Kale e disse: — Nos vemos amanhã, campeão! Mas lembre-se de aprender a jogar Futebol e vencer, se quiser que o chame assim novamente. — E passou a mão nos cabelos do menino.

— Até mais! — Acenou com as mãos. — Eu acho... — Abaixou as mãos.

— É um bom rapaz.

— Sim.

E Spencer foi dirigindo em seu carro azul. O jovem é bem charmoso, pelo ponto de vista de Pollyanna. Possui um alto grau de simpatia e educação, o que agradou Kale também. Vamos conhecer um pouco dele: Knowels tem a pele bem bronzeada. Seus olhos são negros. Seu cabelo preto é curto. Tem um corpo esportivo e um pouco definido, nada exagerado.

Horas Depois...
O dia havia se acabado. Estava uma noite fria.

Em sua casa, Elegecky estava se preparando para dormir, à meia-noite. Ele nunca gostou de dormir cedo, jamais sentiu sono antes daquele horário. “É como se jogássemos mais algumas horas do dia fora.” Sempre manteve este pensamento. Sua mãe já o tentara fazer dormir mais cedo, mas nunca obteve sucesso.

— Boa noite, mãe! — Ele a cumprimentou já deitado sobre a cama.

— Boa noite, querido. — Ela se agachou e lhe deu um beijo na testa. Notou que sua temperatura estava estranha. — Você está muito quente, está fervendo em febre. Está tudo bem?

— Como? Eu não estou com calor. Me sinto perfeitamente bem. — Afirmou colocando suas mãos sobre o rosto.

— É esquisito... De qualquer forma, se piorar, me avise; certo? Assim o levarei ao médico. — Explicou.

— Tudo bem, aviso!

Na manhã seguinte...
A rodoviária principal da cidade estava super lotada. Estudantes, trabalhadores, estrangeiros... Todos indo para suas obrigações do dia-a-dia. Não se podia enxergar a frente de ninguém e muito menos o solo. Passos conseguiam emitir um som mais alto do que o barulho dos carros. Elegecky estava lá, às dezoito horas e meia, aguardando a sua linha chegar. Não demorou muito para que o transporte viesse.

Antes de o garoto entrar no interior do veículo, um homem em que ele nunca viu na vida pedira algumas informações, mas este ignorou, pois segundo as ordens da sua mãe, nunca falaria com estranhos. Foi o que ele fez. As pessoas começaram a entrar no veículo, apressadas, e cada uma já fora se acomodando em sua poltrona. Os vinte e oito assentos no automóvel tinham uma cor azulada como a do oceano; um tom bem suave. Também eram macias e confortáveis. O homem que fora ignorado pelo menino sentara aos fundos do transporte coletivo.

Todos os passageiros já entraram e se acomodaram dentro do ônibus, inclusive Elegecky, que foi um dos primeiros a entrar. O menino estranhou um indivíduo que se assentara a sua frente com um capuz negro, todo coberto, não deixando enxergar seu rosto. “Estranho”, pensou ele. Kale tinha que prestar atenção no vidro ao seu lado, estava quebrado. Poderia cortar a mão apenas entrando em contato com os cacos. A viajem do menino prosseguiu normalmente, estava indo para a casa. Não havia tantas pessoas ali. Seriam vinte minutos de viagem. O ar em movimento fez os cabelos de Kale se esvoaçarem com lentidão. Preferiu fechar o vidro por alguns instantes, esquecendo-se que estava quebrado, como consequência fazendo um corte profundo em seu braço esquerdo, fazendo-o sangrar.

— Droga!

Para impedir o sangramento, tirou sua camisa e a envolveu em seu braço, contornando-o, formando um “curativo improvisado”. Assim que ele chamara o método.

— Ainda bem que vi isso na TV, se não eu estaria com sérios problemas.

O anormal foi que tudo mundo do ônibus viu o corte do menino, no entanto, ninguém prestou ajuda. A figura negra na frente de Kale não se movia por um segundo.

Quinze Minutos Depois...
O garoto já estava perto de casa. O ônibus só faltava passar pelo ponto final, fazendo a volta por outra estrada. A rodovia que o menino escolheu não ia diretamente para seu bairro, então precisava passar por uma rua oposta, o que retardou o percurso para dez minutos a mais. Kale não se importava em viagens prolongadas, já que, como adorava viajar de ônibus, também não tinha pressa para chegar em casa. Aliás, nunca teve.

Estava tudo em ordem, pelo menos o que se parecia. Eis que finalmente o transporte havia chegado ao ponto final, e já estava fazendo o contorno para o bairro de Elegecky. Já havia escurecido. Porém, o motorista sempre dava uma pausa rápida de cinco minutos para fazer uma troca dos funcionários naquele ponto. Tanto o cobrador quanto ele foram substituídos.

Alguns funcionários eram simpáticos e outros ignorantes. Exemplo dos dois daquele momento: eram os mais legais de toda a empresa de ônibus. Constantemente atenciosos. Se fossem outros, nem agradeceriam pela atenção e compreensão. Geralmente havia pessoas que sempre desembarcavam no meio da troca por pura impaciência, ou então que já estariam atrasados para algo. Kale olhou para seu relógio, marcava dezoito horas e cinquenta e quatro minutos.

Quando o novo motorista deu a partida, após a acomodação dos novos passageiros que embarcaram naquele ponto após a troca, o homem misterioso que estava numa poltrona à frente de Kale levantou-se ligeiramente, enfim mostrando seu rosto e revelando sua identidade.

Deipu deu um pulo assustado e exclamou:

— O quê? É você? Isso é impossível!

O jovem assustou-se com a visão e caiu para trás. Ele já o conhecia. Fora uma pessoa muito importante na sua vida. O menino estava prestes a gritar o nome daquela pessoa. O misterioso passageiro de capa negra sacou uma granada do seu bolso direito e a lançou no fundo do ônibus e, antes que alguém pudesse soltar um grito de pavor, fora causada uma grande explosão no veículo, que ficou todo destruído. Voaram todas as barras existentes ali, inclusive toda a estrutura do ônibus, matando a todos pelo impacto da explosão, alguns queimados, inclusive Elegecky, que foi atingido profundamente na barriga por uma das barras.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!

O jovem gritara no meio da noite, ao som da meia-noite. Estava com uma expressão de pavor em sua face. Sua cama estava ensopada de suor. Depois de alguns minutos ele se deu conta que não se passou de um pesadelo. Apesar disto, ficou tremendo demasiado desde aquele momento. Reparou que ele tinha um corte em um dos braços, como foi mostrado no sonho.

— Como posso estar com esta marca? Se for tudo um sonho, por que estou sangrando?

Continua…

Prévia do próximo capítulo:
01. “Não pense que estou com medo de ficar sozinho!”
02. “Então, Kale; sua mãe disse que cortou o braço... Dormindo?”

03. “Um pesadelo que se tornou realidade, Spencer! Me cortei durante o sonho e acordei com o ferimento!”
04. “Eu acredito em você...”

05. “Acho que alguém que não está entre a gente quer me alertar sobre algo. Aquele rosto no final do sonho... eu o conhecia!”

Próximo Capítulo: “A Dúvida de Spencer”