The Girl's Book: The Doll And The Magician
1 Capítulo 1 - A Garota na Chuva
Notas iniciais
O que aconteceu com o mundo? Será que ninguém mais se interessa no que eu faço? Será que ninguém mais se interessa por... Mágica?
Ah, antigamente era uma boa época. Eu era Richard, um mágico nacionalmente famoso, conhecido por todos deste país... E hoje estou aqui, sentado na cozinha da minha humilde residência. Pílulas para dormir e uma garrafa d’água. Quantas serão necessárias? Veremos. Engulo uma e bebo água, glub glub. Engulo outra e bebo água, glub glub. Engulo outra e bebo água, ding dong. Estranho... Quem será nesta hora? Não é todo dia que aparecem na sua porta na quinta-feira de uma noite chuvosa, não é? Pensando bem... E se for um ladrão ou um assassino, igual em filmes de terror? E se ele me matar? Bem, eu ficaria agradecido, mas vamos ao que interessa. Aproximo-me da porta e a abro, e para minha surpresa o filme da vez não é de terror, mas sim de drama: uma garotinha loira com um vestido branco – e encharcado, óbvio -, segurando um coelhinho de pelúcia com a mão esquerda e, nas costas, uma mochila de cor preta e estampada com uma estrela rosa na sua frente.
- O que você faz aqui, menininha? Fugiu de casa? – perguntei dando uma risada sínica.
- Posso morar aqui?
- Ora ora ora, essa não é uma pergunta que se faça. Se você fosse uma garota de rua, não teria um vestido em boas condições, uma bela mochila e um coelhinho fofo e azul como esse, não é? – o silêncio ofuscou até mesmo o barulho da chuva.
- Desculpa... Eu... Eu... – apesar das gotas de chuva escorrerem pelo rosto dela, pude notar que lágrimas também estavam fazendo o mesmo percurso. – Eu vou embora então... Desculpe, senhor! – no momento em que ela se virou em direção a calçada, eu a puxei pelo braço.
- Ei ei, eu só estava brincando! Claro que eu não deixarei você aqui nessa chuva! Vamos, entre. Acho que tenho ingredientes para preparar uma sopa ou algo assim. Tem alguma outra roupa nessa sua mochila? – ela acenou que sim com a cabeça. – Ótimo. Siga esse corredor a sua esquerda. A porta no final dele é a porta do banheiro. Entre lá, tome um bom banho e troque de roupa, certo? Quando terminar, se não for um banho rápido, sua janta já estará pronta.
- O-o-obrigada...
- Não precisa me agradecer! Só fiz o que deveria fazer! Mas suas roupas não estão molhadas pela chuva?
- Não sei...
Pedi permissão para pegar a mochila dela, e ela me concedeu. A abri e vi algumas embalagens plásticas com roupas dentro, impedindo que molhassem. As retirei, entreguei uma das roupas à garota e ela foi para o banheiro. Mas o que me chamou a atenção não foram as roupas, até porque, como raios roupas chamariam minha atenção? Enfim, nos mantenhamos no assunto: o que chamou minha atenção não foram as roupas – preciso repetir o que falei antes? -, e sim um livro. Ele não estava numa embalagem, mas também não estava molhado. Oh, meu Deus, eu deveria ter desconfiado disso... Mas não, eu tive pegar o livro, eu tive que folhear o livro. Eu percebi que o conteúdo das páginas era meio estranho, como se ensinasse rituais ou coisas do tipo.
Eu não havia lido o título ainda, então voltei à capa e o fiz. O título? Magia, o guia para o misticismo. Subtítulo? Em caso de sucesso, fama. Em caso de falha, morte. Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? [...] Por quê? Por que raios eu tive que pegar este livro?! Enfim, o que foi feito, foi feito. Não posso mudar o passado. Não li muito além da capa dele e algumas outras palavras e ilustrações enquanto folheava. O fechei, coloquei na estante da minha TV e fui preparar a janta.
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