As marcas vermelhas misturadas com um tom arroxeado residiam em torno de meu pescoço, era possível ver alguns arranhões que o moreno havia feito ao tentar quebrar o meu pescoço mais cedo, não doía, mas ardia como uma queimadura leve. Depois do pequeno incidente havia conseguido trocar os seus curativos com dois pares de olhos verdes me encarando o tempo todo os quais ignorei, quando terminei desci para preparar algo para comermos, o que se resumia em um miojo, a única coisa que conseguia fazer sem queimar a casa.Me julgue. Quando voltei para o quarto o homem-lobo não estava mais deitado e sim sentado com as costas apoiada na cama, o cobertor que havia posto o mesmo usava para se cobrir já que estava sem nenhum tipo de roupa, teria que arranjar uma roupa pra ele o mais rápido.

— Aqui. – estendi o prato com o miojo pra ele que olhou desconfiado para o prato, revirei os olhos. Oh, pessoa desconfiada de tudo. – Relaxa, não coloquei veneno na comida. Pega logo ou vai morre de fome! – semicerrou os olhos tirando o prato de minha mão. – De nada.

Deixei os outros dois pratos sobre a escrivaninha indo ate o banheiro onde havia trancado Duque para o mesmo se acalmar já que ele estava quase partindo pra cima do homem-lobo, não queria uma guerra de cachorro no meu quarto. Graças a Zeus os dois não leem mentes. Abri a porta permitindo que o pastor alemão saísse e se sentasse de frente para o moreno o encarando mortalmente, suspirei pegando um dos pratos colocando de frente a Duque que imediatamente tirou sua atenção do homem para o prato enquanto me sentava de costa para a porta do quarto. Esses dois ainda se matam.

— Então... – chamei sua atenção enquanto colocava um pouco de macarrão instantâneo na boca. Seus olhos verdes se encontraram com os meus, cinza e verde, esperando que continuasse o que iria dizer. – Você é um lobisomem, não é? – sempre direta.

Será que tudo em que acreditava desapareceu ao ver você?

Estou perdida...

Por um breve momento ele não expressou nenhuma reação a minha pergunta, acho que ele sabia que uma hora ou outra iria fazer essa pergunta, havia percebido em seu olhar o mesmo olhar quando nos encontramos na floresta, desconfiado e com medo do que iria acontecer. Passado alguns minutos em silencio ele abaixou a cabeça suspirando.

— Acho que não adianta te enrolar, não é? – riu nervoso. – É, eu sou um lobisomem. E mesmo assim isso não pareceu te impedir de levar um desconhecido ferido para sua casa.

— Sou uma pessoa boa, às vezes. – sorriu de lado o vendo rir baixo. Levantei-me. – Bem, vou buscar uma roupa pra você, porque não quero ninguém pelado no meu quarto.

Abri a porta. Como vovó fazia roupas deveria ter algumas roupas que servisse para o homem-lobo, mas antes que saísse do quarto uma voz me fez parar.

— Obrigado...

— Lexi. – sorri.

— Tyler.