Capitulo VI

Taylor

O que raio se passava comigo? O que aconteceu ha pouco la fora no patio?

Estava deitada na cama a dar voltas a cabeça. Talvez Gabbe tivesse razao e eu estava simplesmente abalada e cansada com o facto de ter sido marcada. Mas eu sei o que vi, aquela rapariga estava mesmo ali, ela esteve mesmo a falar comigo, mas quando tentei tocar-lhe... trepassei-a simplesmente, como se fosse mesmo um fantasma e tivesse mesmo morrido. Ah, estava a ficar com dores de cabeça, ja deviam ser 4 da tarde, e ainda nao conseguira pregar olho.

Eu so queria ambientar-me, queria finalmente encontrar o meu lugar neste mundo, mas a unica coisa que recebo sao mais preocupaçoes e uma marca diferente da dos outros.

Depois de muitas voltas a dar na cama consegui finalmente adormecer e entrar no mundo dos sonhos.

*** * *

Estava numa cela? Bem, os meus sonhos iam de mal a pior... As paredes eram feitas de pedra e ja pareciam ter uns bons anos. Conseguia cheirar o cheiro a esgoto que me fez lagrimas nos olhos.

-Bah que nojo. — sacudi a mao a frente do nariz na tentativa de afastar aquele cheiro a podre. Vi as grades que serviam de porta para a cela e aproximei-me delas. Porque raio estava eu numa cela?

Olhei para fora da cela nauseabunda, existiam varias celas, parecia uma masmorra de um castelo com um corredor enorme. Um gato preto com uma rosa vermelha na boca aproximou-se das grades.

-O ALP! VEM AI O ALP! — ouvi uma voz feminina seguida por varios suspiros. O que raio era um Alp? O gato que estava a porta da minha cela transformou-se num homem, um homem realmente belo. Aquela beleza fez-me crescer agua na boca. Abriu a porta da cela passando como se eu nao estivesse ali, dirigiu-se ate ao fundo da sala onde estava uma rapariga. (Como e que eu nao a vi?) Ofereceu-lhe a rosa e beijou-a.

-Vem comigo minha querida, o mestre Kalona esta ansioso por ter ver. — sem hesitar a rapariga pegou na rosa e deu-lhe a mao. Quando se dirigiram a porta consegui finalmente ver a cara da rapariga. Fiquei completamente paralisada quando vi que era a Daisy.

-Daisy! Nao podes ir! Vais morrer! — berrei tentando alcança-la, mas como acontecera anteriormente a minha mao trespassou-a. Mas desta vez era diferente, nem ela nem o homem olharam para mim quando berrei. Parecia que eles nao me viam, como se eu nao estivesse ali. Fiz um movimento tao brusco em direcçao as grades, que so tive tempo de me inclinar para o lado, mas ao inves de embater nas grades passei dentro delas como um fantasma. Virei-me para dentro da cela, ficando a olhar estupefacta para as minhas maos. Como podia isto ser possivel? Tudo bem que eu estava a sonhar, mas ha menos de duas horas quando ainda estava acordada aconteceu-me o mesmo com a Daisy, e Gabbe nao vira rigorosamente nada. Virei-me novamente para o corredor para avisar Daisy do perigo que ela corria.

Corri atras dela, desta vez nao tentei sequer abrir a porta pela qual eles entraram, limitei-me a passar atraves dela. Fiquei estupefacta ao ver a magnifica criatura que ali estava, era um anjo! Um anjo com majestosas asas pretas, cai de joelhos perante ele. Fora um acto involuntario, os meus joelhos simplesmente cederam. Ele tinha Daisy nos braços, envolvendo-a com as suas grandes asas negras.

-Entregas-te a mim? — a voz do anjo era tao doce...

-Sim! — Daisy nao hesitou em responder-lhe.

-Entregas-me teu corpo e alma meu amor?

-Sim, corpo e alma... — Depois so consegui ouvir Daisy gemer e estremecer ligeiramente.

Poucos segundos depois o anjo segurou-a nos braços, ela estava branca como a cal da parede e a marca que jazia na sua testa perdera toda a cor ficando negra. Ela estava morta, morrera mesmo. A angustia que senti foi tanta que finalmente acordei.

*** * *

Acordei em panico, estava completamente suada. Afastei os cobertores e sentei-me na cama levando as maos a cabeça. Eu nao estava bem, nao estava nada, nada bem. Mas que raio se estava a passar comigo? Quando dei por mim estava a chorar.

-Tem calma, tem calma nada disto foi real, foi so um pesadelo. — tentei convencer-me a mim propria de que estava tudo bem. Senti uma pesada respiraçao vir da cadeira que estava ao lado da minha cama. Virei-me ligeiramente para o lado. Era a Daisy que estava sentada na cadeira, segurava a rosa enquanto olhava para mim.

-Nao foi nenhum sonho pesadelo. Nao querias saber como tinha morrido? Pronto, agora ja sabes. — nao conseguia olhar para ela, levei as maos a cara para reprimir o choro. Eu estava a ficar com medo. Nunca acreditei que fosse possivel ver os mortos, mas tambem nunca pensei tornar-me uma iniciada vampyra. Daisy sentou-se na minha cama e ficou a olhar para mim.

-Por favor, vai-te embora! Deixa-me, tu nao estas aqui, es so fruto da minha imaginaçao! Desaparece! — estava a ficar desesperada, ja nao sabia como ligar com esta situaçao.

-Tu e que pediste para eu te contar o que se tinha passado comingo, eu so te mostrei. E nem penses que me vou embora, ja nao falo com ninguem vivo desde que morri! E aposto que os outros tambem vao querer falar contigo, es a unica maneira que temos para falar com os vivos... — interrompi-a.

-OUTROS!? Mas que outros? Estas a dizer-me que ha mais iguais a ti?

-Claro que sim. Ou achavas que eu era a unica? Alo? Lembra-te que estas na Casa da Noite, aqui morrem iniciados todos os dias.

-Mas so te vi a ti! — comecei a entrar em panico.

-Pois, mas se eu tivesse passado por ti num corredor? Terias-te apercebido de que os outros nao me veem? Ha muitos iniciados que nao conseguem ir ter com Nyx quando morrem. E ficam aqui na Casa da Noite por algum motivo.

-Mas porque ficas-te tu aqui?

-So aqui estou porque perdi metade da minha alma. Deixei-me encantar por Kalona, e ele ficou-me com metade da alma. So vai ter com Nyx quem morreu por nao passar pela mudança. Oh Taylor, estou tao feliz por Nyx te ter finalmente enviado, o teu dom vai salvar-nos!

-O meu dom? — limpei as lagrimas e franzi-lhe o sobrolho.

-Claro tonta! Ou pensas que todos andam para ai a falar com os mortos?

-Nao, mas porque eu? Logo agora que eu estava a começar a gostar da minha nova vida, so ca estou a um dia e ja esta completamente virada de pernas para o ar.