A noite havia sido um pandemônio para Athena. No momento seguinte a sua descoberta sobre os Cullens a menina quase desgastou o chão de seu quarto de tanto girar por ele, criando inúmeras teorias em sua embaralhada mente. Logo depois, correu para a porta de sua irmã — onde bateu freneticamente com o propósito de acordar Bella.

No segundo em que ela permitiu o acesso de Athena, esta despejou milhares de palavras por segundo em cima da mais velha, não dando chance para Bella responder nenhuma das perguntas feitas. O assunto pode ter feito ela desconfortável, mas deu para notar que a mesma engoliu as opiniões e tratou de dizer o máximo que sabia para sua irmã (lógico que tratou de esconder o motivo que fez os vampiros saírem da cidade e assuntos que não eram da conta da mesma).

O cérebro de Athena havia começado a juntar pontos e tudo fazia muito mais sentido do que antes. Agora ela entendia porquê os Cullens sempre carregavam as bandejas cheias de comida intocadas no almoço, ou porque eram tão reservados e apenas se comunicavam entre os seus. Ela ficou muito chocada ao saber que Carlisle era muito mais velho do que aparentava e até mesmo sua esposa, Esme. Porém, como tudo o que começa bem acaba, os medos vieram como uma avalanche.

A mais nova ficou preocupada com a vida de sua irmã; que ela possa ter sido machucada por seu ex-namorado, e mesmo com as negações, ela revistou o pescoço de Bella atrás de marcas de mordidas. Infelizmente para a morena ela havia achado a cicatriz que James deixara em seu pulso — a prova de que fora atacada e sobrevivera.

Explicar que aquilo tinha sido culpa de outro vampiro — um que bebe sangue humano — e não dos Cullens foi uma tarefa um tanto complicada com Athena e sua boca incessável. Diversos xingamentos e ameaças proferidas pela menina deixaram Bella de queixo caído pelo palavreado diversificado que possuía, mesmo afirmando que o causador das feridas de sua irmã estava muito morto. A conversa só acabou quando as duas estavam praticamente desmaiando de sono.

O resto daquela noite foi recheada de sonhos estranhos sobre um Edward tão brilhante quanto um diamante no sol, um fato que deixou Athena decepcionada, e a visão de centenas de coelhos fofos sendo feitos de banquete pela família de olhos dourados. Às vezes os sonhos de Athena não são os mais normais.

O pior eram as dúvidas que vieram no momento em que a porta para o sobrenatural abriu em sua vida. Tudo levava ao confronto, se pudesse chamar disso, com Jacob na Reserva e a insinuação ao problema dos vampiros deixavam Athena na grande pergunta de sua vida: será que Jake sabia esse tempo todo? Será que Jacob fazia parte desse mundo? Já que se vampiros existiam, qualquer coisa poderia também.

***

Ao abrir os olhos na manhã seguinte, Athena estranhou quando não ouviu o som de Bella na cozinha, muito menos os paços das botas de Charlie pelo corredor. Ela desceu até o andar de baixo, torcendo para que sua irmã tenha deixado algo para comer, já que suas habilidades na cozinha eram piores do que as de seu pai.

O grito que escapou de sua garganta foi o que acordou Bella de algum transe estranho que estava tendo na cozinha. Sua irmã permanecia sentada perto da geladeira e encarava o nada com olhos desfocados.

— O que diabos você esta fazendo ai sentada, Bella? — Uma pequena risada apareceu no final da pergunta, mesmo preocupada ainda achava graça da forma como a morena estava no chão.

— Jacob.

— Hum? — Athena puxou uma cadeira para a mais velha.

— Papai vai caçar o Jake. — Bella levantou lentamente, sentando o corpo na cadeira. Ela virou os olhos arregalados de medo e angustia para a loira, agora encostada na bancada da pia.

— E com caçar o Jacob você queria dizer no sentido literal da palavra caçar — Athena começou a mexer com as mãos nervosamente — ou no significado de 'pai super protetor interrogar o futuro namorado da filha'?

— Sentido literal — a voz da irmã tremeu.

— Bem, — Thena tentou pensar em outra expressão para usar que não fosse muito vulgar — isso é uma merda. — O que ela não encontrou.

— Espero você no carro. — Bella levantou da mesa, correndo para recuperar as chaves do carro.

— Vou de pijama mesmo — Athena deu de ombros, não ligando se seu cabelo estivesse parecendo um ninho de pássaros. Ela estavam com pressa para mais descobertas e se trocar só iria atrasar.

— Você alguma vez já ouviu sobre um mito da tribo sobre seres protetores? — Bella questionou no momento em que virava a caminhonete na entrada da reserva.

— Acho que já sei onde você quer levar isso — Athena suspirou. — Ele disse que são reais, né? — Ela virou seus olhos arregalados de expectativas para as árvores e casas que passavam.

— Ontem à noite. Algum tempo atrás, quando eu estava caminhando pela floresta para procurar uma clareira que visitava antes de Edward ir. Quando finalmente encontrei, um vampiro amigo de James, o que tentou me matar, estava lá. — Bella se encolheu no assento, parecia desconfortável ao lembrar. — Ele teria conseguido terminar o trabalho de James, estava muito perto Athena, mas esses lobos enormes saíram de dentro da floresta e...

— Jacob é um lobisomem?! — A mais nova exclamou do banco, literalmente dando um salto ao virar o corpo na direção de sua irmã.

— É o que vamos comprovar aqui.

A casa do garoto em questão estava escura quando estacionaram a caminhonete na entrada. Como a hora que Bella escolheu para ir era cedo demais, Athena temeu que os habitantes da residência estivessem dormindo ainda. A menina lembrou de vários momentos onde ela tentava acordar Jake batendo na janela trancada de sua casa, à um ano atrás, para passearem pela praia; seus esforços nunca deram certos já que o garoto parecia ter o sono pior que de um urso em hibernação.

— Você sabe que no momento em que entrarmos lá e confirmamos a verdade, — a mais nova começou, no momento em que Bella desligou o motor — nada mais será o mesmo.

— Nada é o mesmo faz muito tempo, Athena.

O punho de Bella se conectou com a porta de madeira, criando um ruído alto que contrastou incrivelmente perturbador com a casa silenciosa. As duas ouviram a voz de Billy avisando que a porta estava aberta.

— Bem, olá garotas — cumprimentou-as com um tom leve na voz, parecia surpreso que elas voltariam. — O que vocês precisam a essa hora?

— Precisamos falar com Jacob — respondeu Bella.

— Ele não está — Billy afirmou sem pestanejar.

— Bom, você quer saber o que Charlie está fazendo, Billy? — Bella vociferou cada palavra. — Ele e mais alguns homens estão andando armados pela floresta, caçando lobos. — Ela exalou e olhou para o homem.

— No quarto — admitiu o Black. — Mas ele está dormindo, então recomendo voltar depois.

— Não tem problema. — Sua irmã partiu em direção ao corredor pequeno da casa.

Athena encarou o chão por alguns segundos antes de olhar para Billy.

— É verdade, né? — E para especificar o que estava falando, ela colocou dois dedos sobre a cabeça e soltou o que deveria ser um uivo. Billy soltou um riso quase inaudível e assentiu, não tendo motivos para negar. — Uau, meu amigo é um animal — comentou baixinho.

— Se ele acordar, diga para ir a praia. — Bella retornou. — Vamos esperar lá, ok?

— Eu aviso — confirmou.

E as duas irmãs partiram para a caminhonete, com Athena lamentando sobre não ter trazido nada para passar o tempo na praia.