The Girl Who Lived
3 Plataforma 9 ¾
Notas iniciais
–Rony, Mione, precisamos conversar– Digo meio ofegante da corrida para atravessar a plataforma 9¾.
–Sobre o que Harry? – Diz Mione distraída.
–No expresso eu falo, venha, antes que não restem lugares. – Dito e feito. Não tinha nenhum vagão sobrando, ou melhor, nem lugar sobrando tinha, só um vagão que tinha duas pessoas. Quando eu abro a porta para pedir para ficar, eu a vejo.
A menina de cabelos ruivos claros, como o de mamãe, ou melhor, ela era parecidíssima com minha mãe, Lilían Potter, ou seja, era linda. Mas tinha olhos marrons claros, que nesse momento estavam verdes e brilhantes. Como fazia o de papai.
Eu tinha encontrado a garota na sorveteria Florean Fortescue, no beco diagonal. Ela pareceu ver algo e derrubou o sorvete dela no chão, foi a primeira vez que eu a vi. Ron caiu na risada, olhei para ele que estava vermelho de vergonha na frente dela.
Mas a garota não parecia se importar. O sorriso dela era lindo, e parecia até feliz em nos ver na frente dela, ao invés de estar com vergonha. Ao lado dela havia um homem adormecido com um cobertor. Mione se apressou em falar.
–Olá... Sei que talvez você não queira que nos sentemos aqui– Disse olhando para Ron, que parecia ficar da cor de seus cabelos– mas não há outro lugar para sentar. Todos os vagões estão lotados.
O sorriso dela aumentou.
–Pode ficar á vontade... Não tem problema, não costumo guardar ressentimentos– disse chegando para o lado. Sentei ao lado dela, e Mione sentou do outro lado, com Ron.
–Meu nome é Clarisse... E vocês são...? – Disse olhando para Mione e Ron.
–Você não o conhece? O famoso Harry Potter? Que enfrentou você-sabe-quem duas vezes? – Disse Ron franzindo a testa.
Lancei-o um olhar de reprovação, assim com Mione, mas a garota se apressou em falar.
–A conheço sim, o famoso cara que enfrentou Lorde Voldemort — Mione e Ron tremeram quando ela falou isso, mas eu apreciei sua coragem. –, abriu a câmara secreta e salvou a pedra filosofal... Vocês devem ser então Ronald Weasley e Hermione... Granger? – Disse sorrindo.
Rony ficou muito feliz por ser reconhecido, e começou a falar.
–Sim, sim, fui eu que subi no cavalo naquele xadrez de bruxo, Eu arrisquei minha vida! Se não fosse madame Pomfrey, talvez estivesse morto! – Ron exclamava entusiasmado.
Ela era uma boa ouvinte, pude observar ela e Mione conversando e vi um começo de uma amizade. Rony parece ter gostado dela também. Já eu... Não consigo parar de pensar em como ela parecia com mamãe, talvez mais jovem e mais bonita, com olhos cativantes.
Ela se apresentou como Clarisse Grace, disse que estudava em casa com o padrinho, que era o homem que dormia. Falou que seus pais morreram quando era jovem– coisa que eu me identifiquei na hora, inclusive de como foi duro contar isso– e também que teve muita sorte de ter sobrevivido. Ela contou que seu padrinho ia ser professor de Defesa Contra Artes das Trevas esse ano em Hogwarts, por isso ela ia, e se tudo desse certo, ela ia continuar. Confesso que estava torcendo por isso.
Rony e eu narramos nossas aventuras na escola, se e que arriscar sua vida para lutar contra um lorde das trevas era uma aventura.
Contei de como sem querer transformei minha tia gorda em um balão, mas como no final não poderia ir a Hogsmeade. Demos varias gargalhadas, o clima parecia ficar mais tranquilo com Clarisse, ou Clary, como disse que gostava de ser chamada.
Foi ai que me lembrei de que tinha que falar sobre Sirius Black, o cara que vinha atrás de mim. Não queria falar para Clarisse, mas algo me dizia que eu poderia contar a ela.
Então eu contei. Sobre o que o pai de Rony falou que o cara traiu meus pais, que matou Pedro Pettigrew, deixando só um dedo dele, há anos atrás, que ninguém desconfiou. Falei que ele era um comensal da morte fiel a Voldemort, e pretendia o fazer voltar à vida. E que ele estava solto.
Mione e Rony ficaram imensamente preocupados, me perguntavam coisas e eu respondia. Clarisse apenas olhava pela janela, com cabeça baixa.
–Clary... O que aconteceu?– Perguntei calmamente.
–Nada– disse com voz tremula. –Só... Só vou me trocar– Fala agarrando uma bolsa e se lançando para fora do vagão.
POV. Clarisse
Era isso, isso que pensavam que Sirius tinha feito. Traído meus pais. Sido um assassino. Comensal da morte. Traidor. Era isso.
Dei um murro na cabine e escorreguei chorando, deixando escapar um soluço preso em minha garganta. E outro, e outro...
Mas ele estava solto, fugiu de Azkaban. Agora todos os dementadores provavelmente estavam atrás dele. Querendo pegar toda sua felicidade, tirando sua razão de viver, para depois sugar sua alma.
Não sei quanto tempo se passou, só com as lágrimas rolando, meus olhos deviam estar mais vermelhos que meus cabelos. Minha suspeita foi confirmada quando me olhei no espelho.
Troquei de roupa e quando fui lavar o rosto o trem parou bruscamente me jogando para trás. Sai da cabine e me lancei dentro do meu vagão. Todos olhavam a janela, o que tirou a atenção de mim. Agradeci.
Rony, o garoto de cabelos de fogo sussurrava uma descrição.
“Uma capa negra esvoaçante. Mãos feitas de ossos. Capuz cobrindo o rosto...”.
Quando senti a brisa gelada, e vi a janela congelando já sabia do que se tratava. Dementador. Um dos guardas de Azkaban. Estava atrás de Sirius Black.
Minha felicidade se esvaziou. Sentimentos de dor, um grito feminino, que sei que era o de minha mãe invadiu minha mente, Sirius sofrendo em Azkaban...
Só tive tempo de chutar a canela de Lupin, pois o dementador começou a sugar a felicidade de Harry.
Eu e Lupin nós levantamos num pulo, sincronizados, giramos duas vezes nossas varinhas gritando “EXPECTO PATRONUM”.
Um cervo e um cachorro — na verdade um lobo– saíram de nossas varinhas graciosamente. O poder foi tão forte que o dementador pareceu desaparecer, de tão rápido que fugiu.
E Harry caiu em meus pés.
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