Olhei fixamente para o lado oposto da longa sala, sem respirar, fitando os olhos claros do homem à minha frente.

Eu sabia que, se nunca tivesse ido ao encontro de Bobby, não estaria naquele momento a enfrentar um dos maiores problemas da minha vida, mas de certa forma não conseguia sentir-me arrependida de tal decisão. Ele sorria de um modo amável e misterioso à medida que avançava vagarosamente em minha direcção.

Sentia-me num daqueles pesadelos, nos quais temos de correr, até os pulmões rebentarem, mas não conseguimos mover um músculo do corpo.

Todas as minhas tentativas de distracção estavam sendo em vão. Com o coração gelado, olhei-o de canto de olho a ponto de ver os quentes olhos claros, enlouquecidos pelo desejo cego da verdade que eu não queria de modo algum proferir.

Rondava-me de uma maneira intensa tentando arrancar as palavras da minha boca.

Chegava a ser irónico o facto dos seus movimentos se compararem tanto aos de um demónio a tentar um ser humano, sussurrava algo aqui, algo ali, induzia a pessoa a pensar e agir a seu favor.

Eu tentava a todo custo manter a minha posição dura, e o meu melhor olhar vazio numa tentativa fracassada de enganar aos dois. Tinha na ponta da língua, uma das minhas respostas afiadas e frias, mas tinha a garganta seca demais, os lábios secos demais.

Eu sabia que nenhum de nós iria resistir, afinal de certa forma eu tinha os Deuses contra mim.

Eu sabia desde o inicio que encarei aqueles olhos verdes que seria ele.

E eu sabia desde o inicio que ele seria a minha maldição e também, a minha salvação!