The Girl Is Mine
8 The Adler Game
Notas iniciais
Segurava o fôlego e a vontade de rir enquanto Irene segurava minha cintura e eu contava os segundos para um Sherlock louco aparecer na porta do 221B gritando. E foi o que aconteceu. Não ria, Molly. Não ria.
Irene Adler não foi tão boa em segurar o riso como eu. Quando ele apareceu na porta, com as mãos na cintura e cara de psicopata, ela caiu na gargalhada fácil. Se afastou de mim um ou dois passos e riu até a barriga doer. Sherlock apenas encarava.
Quando aquela confusão tinha começado? Ah... Sim, tinha começado no momento que Irene Adler apareceu em Baker St.
Flashback
Molly estava saindo do banho quando soube que havia algo diferente na casa. Sherlock ainda estava dormindo, então porque havia alguém respirando na sala? Mesmo estando de toalha, ela caminhou lentamente até a sala... Tinha medo de que houvesse alguém perigoso, mas tinha que ir até lá. A última coisa que esperava encontrar era aquela mulher.
Molly já tinha ouvido falar dela. E não gostava nada do que tinha ouvido. Ela olhou a legista com desdém. Molly se xingou internamente por estar naquele estado. Devia ter se vestido...
— Então é verdade! — Ela sorriu de forma cínica. — Há uma mulher na vida do virgem.
— E adivinhe? Ele não é virgem. — Ela ganhara o ódio de Molly com uma frase. Como era simpática. — O que faz aqui Adler? Até onde eu entendi você estava fugindo.
— Eu precisava saber... — Levantou-se do sofá e caminhou na direção de Molly.
Ela chegou bem perto e analisou o rosto da castanha. Parecia a cada minuto mais e mais desdenhosa e isso estava deixando Molly à cada minuto mais e mais irritada. Como Sherlock pôde se sentir tentado por essa mulher?
— Precisava saber se era verdade... — Olhou-a mais uma vez dos pés à cabeça. — Se ele realmente tinha arrumado uma garota... Eu achava que conhecia o gosto do Virgem, mas...
— Você não está... — Ela não estava desprezando Molly Hooper? Estava? — Oh, você está...
Tudo foi muito rápido. Molly não soube de onde viera toda aquela raiva e aquela vontade de estapear a morena, mas sua ação fora totalmente irracional. O olhar cínico sumiu do rosto da Adler assim que Molly deixou a toalha cair. Agora sim Molly estava no comando.
— Talvez... — Irene começou.
Não terminou a frase. Apenas continuou encarando Molly nua em sua frente. Não imaginava que fosse tão... Atraente.
— Você não conhecia o gosto de Sherlock. Agora conhece. — Molly colocou as mãos na cintura. — Mais alguma observação antes de dar o fora?
— Ele tem um bom gosto. — Ela riu.
Molly percebeu o que estava fazendo depois desse comentário. Por que perder o controle com Irene Adler? John havia dito, ela gostava de bagunçar as coisas e as pessoas... E Molly mordera a isca mais fácil do que queria ter mordido. Se agachou e se cobriu novamente com a toalha.
— Eu ainda preciso de ajuda. — Irene se sentou na poltrona de John.
A antiga poltrona de John que agora era a poltrona de Molly.
— Primeiro você vai tirar a sua bunda de cima da minha poltrona, Adler. — Molly apontou o dedo indicador para a morena. — E depois, se quiser qualquer ajuda, vai ter que contar comigo. Sherlock de preferência não vai saber que esteve aqui. Volte à noite.
— Vocês não estão muito bem, certo? — Irene se levantou da poltrona e caminhou até a castanha. — Essa fera raivosa... Com esse rosto de anjo... Isso é falta de sexo, Sra. Holmes?
— Se você não quiser levar alguns tapas nessa sua cara de dama de companhia, cale essa maldita boca suja! — As palavras saíram da boca de Molly sem que ela conseguisse se controlar. — Merda! Saia daqui, Adler!
— Ah meu Deus! — "A mulher" riu. Mas parecia de alguma forma mais simpática do que antes. — O que foi? Ele recuou no relacionamento depois de fazer tudo parecer um mar de rosas? Isso é algo que o Virgem faria...
— Não. O. Chame. De. Virgem. — Molly disse entre os dentes.
— Me desculpe. — Ela parecia agora uma criança curiosa. — Se eu parar de chamá-lo de Virgem e prometer te ajudar à se vingar dele, você me dá um jantar e uma noite de amigas?
— Você vai sumir, depois? — Molly ergueu as sobrancelhas.
Não acreditava que estava caindo naquela conversa. Mas parecia divertido. O que poderia irritar mais Sherlock do que Irene e ela saindo juntas? Talvez ela e John saindo juntos. Ou ela, Irene e John saindo juntos... Ela e Lestrade, talvez? Molly riu internamente. O sexo realmente estava fazendo falta.
— Vai ser como se eu nunca tivesse existido. — Trocaram um olhar de cúmplices. — Mas você precisa resolver meu problema. Tem alguma familiaridade com fórmulas químicas?
— Oh... Você está falando com a pessoa certa. — Molly piscou. — Vou me vestir e colocar Sherlock para dormir. Nós temos muita coisa para conversar...
/Flashback
E agora estavam os três na porta do flat de Sherlock. Ele estava com as bochechas vermelhas e encarava Irene com mais raiva do que Molly conseguia calcular. As duas haviam deixado 221B e ido à um show do Arctic Monkeys em um pub perto dali. Molly os adorava. E Irene tinha montado todo um esquema com o vocalista — Alex, o favorito de Molly — para que as duas subissem no palco ao final da noite. Irene sempre tinha seus esquemas...
Então as duas se sentaram e Irene fingiu que embebedava Molly. Sim, ela fingiu. As bebidas de Molly sempre eram misturadas e tinham um terço do teor de álcool que deveriam ter. Ela explicou todo o esquema para a castanha. "Você tem que parecer bêbada, Molly." No começo ela não entendeu direito, mas quando viu o chapéu de Sherlock Holmes do outro lado do vidro, na calçada do pub, soube o que Irene queria.
Sherlock estava lá. Ela tinha que fingir para ele. O último castigo antes de perdoá-lo. E foi isso que a legista fez... Não precisou se esforçar muito. Já havia visto todas as suas amigas de porre na faculdade. Não era difícil nem por um minuto. Ela e Irene se tocavam o tempo todo — enquanto a morena sussurrava coisas sobre Sherlock. Ela falava que ele estaria do lado de fora naquele momento, querendo quebrar pescoços. Irene estava certa.
Quando Irene pediu que ela abrisse a boca, Molly sentiu-se tentada à rir. Sherlock ia morrer! Ele merecia. Pensou nas vezes que a maltratou. Pensou no quanto tudo estava perfeito antes do idiota sumir... Então aceitou a oferta da Adler: abriu a boca. A outra colocou a comida na boca dela enquanto as duas riam.
"Limpe seus lábios, Molly." Irene sussurrou. "Da forma mais sexy que puder fazer isso." Ela riu. "Provoque-o, Sra. Holmes." Ela obedeceu. Passou a ponta dos dedos finos nos lábios e os limpou com cuidado. Viu enquanto Irene encarava-a com... Desejo? Bom... Devia ser coisa da cabeça dela. Elas terminaram a refeição e Irene pediu mais uma dose de bebidas — novamente com a bebida de Molly danificada.
Então ela surpreendeu a legista ainda mais. Agarrou sua mão, lançando-a um olhar ainda mais cúmplice. Ela queria tanto irritá-lo! Ela deve adorá-lo, céus! "Resolveu meu probleminha?" Irene precisava de uma simples fórmula química que desmaiasse alguém sem deixar rastros no organismo. Molly não precisou de mais do que cinco minutos para preparar. Pegou o frasco da bolsa e passou para a morena. "Obrigada." Ela sussurrou e beijou a bochecha de Molly.
Enquanto ainda espremia seus lábios na bochecha de Molly, sussurrou novamente. "Alex está esperando por nós." O coração de Molly queria sair pela boca. Sherlock era o amor de sua vida, mas Alex era seu ídolo. E ela estava prestes à se juntar à ele em cima do palco... Fora uma das melhores noites de sua vida.
— Não Adler! — Sherlock finalmente abriu a boca. Parecia alterado. — Não a minha Molly.
— Eu não fiz... — Ela começou e tão logo foi interrompida.
— Não quero que volte aqui de novo. — Ele respirou fundo. — Não procure minha ajuda e muito menos a ajuda de Molly... Ela é minha esposa. E você vai ficar longe daqui.
— Você está com... Ciúmes? — Molly sussurrou de forma inocente.
— Suba, Sra. Holmes. — Sherlock encarou-a.
Molly viu um iceberg em seus olhos. Começou à se perguntar se devia mesmo ter feito aquilo. Sherlock parecia... Magoado. Molly respirou fundo, piscou para Irene e subiu as escadas do 221B. Conseguia escutar gritos da discussão de Irene e Sherlock.
Deitou-se no sofá... A noite seria longa. O próximo sermão seria dela. Então Molly teve um ataque de risos. Sherlock estava mesmo com ciúmes dela e de Irene... Tentaria segurar o riso quando estivesse tomando um sermão, mas por enquanto ria até a barriga doer. Nunca imaginaria que se meter com Irene Adler poderia ser tão divertido.
Fale com o autor