The Girl Is Mine
2 My Immortal
Notas iniciais
Molly só acordou muitas horas depois, sozinha na cama. Olhou em volta e mesmo com a ausência de Sherlock ela sorriu. Fazia tempo que não se sentia tão feliz... Vestiu uma das camisas de botão de Sherlock — com aquele cheiro maravilhoso que só ele tinha — e saiu cantarolando do quarto.
Quando chegou na sala, porém, deu de cara com Sherlock perfeitamente vestido e conversando com alguém. John Watson. Esse por sua vez apenas se assustou ao ver Molly naquele estado. "Boa tarde, Molly." Ele riu totalmente sem jeito. "Me desculpe por não avisar..."
— Não se desculpe, John. — Riu igualmente envergonhada. — Vou me vestir. Me desculpe.
Voltou pro quarto e deixou os dois conversando. Por que não voltou ao quarto e avisou à ela para que não saísse daquela forma? Tinha tanto tempo que nem Sra. Hudson subia ali que Molly normalmente se sentia à vontade para caminhar pelo apartamento livre e solta.
— Por que não veio antes, então? — Sherlock perguntou, as duas mãos na frente do rosto. — Se estava todo preocupado...
— Sra. Hudson ligou. — O médico sorriu. — Ela disse que vocês andaram quebrando coisas e fazendo barulhos depois de... Você sabe. Então ficou preocupada e pediu que eu viesse...
— Mas você se recusou.
— Mary veio. Achou que pudesse conversar com Molly. — John começou. — Ela viu o berço quebrado perto da porta da frente... Ela soube que não deveria entrar... Ela disse que precisavamos dá-los tempo. E foi o que fizemos.
— Foi muito bom. — Sherlock riu e levantou-se da poltrona. — Agradeça à Mary por mim...
— Ah, claro... — John também se levantou. — Mas você ainda não me explicou sobre o piano e sobre... Estão dizendo que vocês se casaram... As pessoas me mandam mensagens o dia inteiro no blog e eu nunca sei o que responder.
— Molly? — O detetive gritou, ajeitando sua camisa. — Pode vir aqui por um momento?
— Claro. — Ela saiu do banheiro já vestida, ainda tentando arrumar o cabelo. — Precisam de mim?
Seu cabelo parecia um ninho de ratos. Depois de tanto tempo sem sair, deitada naquela cama, sem deixar 221B para quase nada, já nem se lembrava de como era arrumar o cabelo. Chegou na sala ainda com problemas para domar o cabelo, Sherlock escondeu uma risadinha — aquela que ele tentava esconder sempre que via Molly com seus "problemas de mulheres".
— John quer saber o motivo de termos um piano. — Ele disse, indicando o enorme piano de madeira escura no meio do apartamento. — Só você pode explicar isso... E ele também quer saber se estamos casados.
— Nós... É... — Molly hesitou. Olhou para Sherlock, procurando em sua expressão alguma pista do que deveria dizer. Se ele não havia contado... Ela deveria contar? Ele sorria. Sim, ela podia contar. — Sim, estamos casados.
— Vocês "sim, estão casados"? — John fez uma careta de confusão. — Quando isso aconteceu nesses últimos meses? Foi depois do...
— Uma semana depois do incidente da cobra. — Sherlock respondeu rápido, interrompendo John.
— Uma semana depois de começarem a ficar juntos vocês... — John gaguejou. — Se casaram? Sherlock...
— Sem sermão. — Sherlock levantou a mão, silenciando o amigo. — Sua pergunta sobre o casamento foi respondida. Agora Molly, o piano.
Molly largou a escova de cabelo em cima do sofá e caminhou calmamente até o piano. Não sem antes dar um olhar de questionamento para o marido.
— Tem certeza, Sherl? — Ergueu as sobrancelhas.
— Sherl? — John gargalhou, fazendo careta. — Isso é sério?
— Tenho certeza, Molls. — Sherlock juntou suas mãos atrás das costas, balançando a cabeça afirmativamente para Molly.
"Faça isso, Molly Hooper" ele disse à ela com um olhar. Então Molly se sentou de frente para o piano. Suas feições se tranquilizaram e suas mãos se direcionaram às teclas do piano enquanto a melodia deliciosamente doce encheu o apartamento silencioso. Em alguns segundos Sra. Hudson estava encostada no batente da porta... Adorava quando Molly tocava, apesar de nunca conseguir vê-la tocar até o fim.
I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone
John estava perplexo. Molly Hooper tocava piano? Por que nunca soubera disso? Ah, claro. Não sabia muitas coisas sobre a esposa de Sherlock Holmes... Apesar de ser seu melhor amigo. Balançou a cabeça e prestou atenção em Molly, parecia um anjo tocando aquela música maravilhosa. Ele se sentiu totalmente assustado com aquele pensamento, como um insensível como Sherlock poderia ter acabado com Molly Hooper?
These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase
Então começou à prestar atenção em Sherlock enquanto assistia Molly tocar. Ele esfregava as mãos e coçava a cabeça o tempo inteiro, sem desgrudar os olhos da castanha que cantava parecendo tranquila e bem longe dali. Quando Molly chegava no refrão, Sherlock começou a andar para lá e para cá. Parecia... Nervoso? Sra. Hudson ria — como se algo muito divertido estivesse acontecendo. John não estava entendendo nada. Por que ele estava nervoso se a música era tão tranquila e bonita? Por que Sra. Hudson estava tendo um ataque de risos?
When you cried, I'd wipe away all of your tears
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me
Sherlock se retirou depois do refrão. Sra. Hudson ria tanto que parecia prestes à passar mal. John ainda não entendia nada daquilo. Molly continuava tocando, sem se importar com a ausência de Sherlock... Ele havia fugido para a cozinha. Voltou antes de Molly retomar a música.
Enquanto ela cantava e tocava feito um anjo, Sherlock parecia cada vez mais e mais nervoso. Esfregava as mãos, sentava-se, levantava-se, coçava a cabeça, bagunçava os cabelos e não parava quieto por um minuto se quer. Sra. Hudson já tinha interrompido o ataque de risos, mas agora olhava para Sherlock curiosamente, como se estivesse esperando uma explosão.
A música já devia estar se aproximando do final, pois agora tomava um ritmo diferente e entrava na parte mais tensa. John se lembrava de tê-la ouvido em algum lugar... Molly parecia bastante emocionada. Em um ponto levantou o olhar — sem parar de tocar — e encarou o detetive. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela sorria.
I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along
Havia cantado aquele verso olhando nos olhos dele. Cantado para ele. Recitado para ele. John sentiu-se perdido naquele momento. Sra. Hudson tinha suas pequenas mãos secando seus olhos. Sherlock encarava Molly com os olhos inundados de lágrimas e Molly realmente chorava. O detetive se aproximou de Molly e se sentou ao lado dela. Ela continuou à cantar, mas antes que qualquer um deles conseguisse prever, Sherlock puxou os braços de Molly do alcance do piano e agarrou-a, beijando-a com vontade.
— Até que enfim! — Sra. Hudson riu, enquanto ainda secava os vestígios de lágrimas. — Achei que ele fosse deixá-la terminar dessa vez!
Sherlock e Molly se agarravam com vontade no banco do piano. John fez uma dúzia de caretas antes de se virar para Sra. Hudson e perguntar: "Como assim deixá-la terminar dessa vez?"
— Em todos esses meses... — Sra Hudson caminhou até John e segurou o médico pelo braço, arrastando-o para fora. — Molly tenta tocar e cantar algo no piano para Sherlock.
John percebeu o que estava acontecendo. Sra. Hudson estava arrastando-o para fora, pois queria dar privacidade ao casal que agora se agarrava praticamente em cima do piano. Sherlock prensava o corpo da castanha em cima do piano de madeira escura enquanto ela tirava a blusa dele. Eles realmente estavam fazendo aquilo com John e Sra. Hudson dentro da sala? John balançou a cabeça antes de seguir Sra. Hudson para fora do flat.
— Ele nunca consegue deixá-la terminar. — Riu, se deliciando com o clima de felicidade do momento. — Não sei se fica emocionado... Não sei se é só... Excitação, entende? Mas ele não consegue... Simplesmente não consegue.
— Ela nunca conseguiu terminar uma música? — John parecia ainda mais assustado. — Nenhuma música?
— Nunca. — Sra. Hudson balançou a cabeça. — O que é uma pena... Pois Molly toca tão bem e canta... Bom, ela sempre canta músicas para ele. Acho que se emocionam sempre e então...
A senhora ficou em silêncio para que John pudesse ouvir os barulhos do andar de cima. Assim que ouviu, quis voltar para casa... Era aquele fim de semana de férias de novo! Ouvir Sherlock e Molly transando não estava em seus planos... Não outra vez!
Se despediu de uma Sra. Hudson bastante sorridente — obviamente, muito feliz por Sherlock acabar com seu tédio com sexo e não com tiros na parede. Lembrou-se de Mary... Ela sim gostaria de presenciar uma cena romântica e sexual daqueles dois. Ia lembrar de avisá-la. Mandaria ela visitar o casal da próxima vez que estivesse preocupada e precisasse de novidades. Ele não voltaria mais... Não sem avisar.
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