The Girl Is Mine

5 Bake Me Two Cakes


Notas iniciais
Claro que um capítulo chamado "Bake Me Two Cakes" tem que ter participação do Mycroft né? Em homenagem ao Gatiss lindão que tá aqui no Brazuca

— Essa peça não, Molly! — Sherlock achou que estivesse enlouquecendo quando ouviu a voz de seu irmão soar extremamente alta de dentro de seu apartamento.

— Você está usando pressão psicológica, Mycroft. Eu já disse que isso não ajuda. — Era a vez de Molly gritar descontrolada feito uma criança, deixando Sherlock ainda mais confuso.

Quando passou pela porta, encontrou a cena mais chocante de sua inteira e enorme existência. Já havia visto de tudo. Crimes horríveis, coisas inexplicáveis, corpos abertos... Mas encontrar Molly e seu irmão mais velho de pantufas e pijamas na sala de seu apartamento, jogados no chão, tomando chá e jogando damas era a cena mais desagradável que já havia presenciado. Ganhava de todas as outras coisas horríveis do mundo.

Mycroft deu outro gole em seu chá e limpou seu bigode cor de rosa. Molly. Havia. Servido. Seu. Chá. Para. Mycroft. Sherlock mal podia acreditar! Que palhaçada era aquela? O que significava aquilo? Alguém teria que se explicar!

— Se eu vou te ensinar alguma coisa, você tem que aguentar pressão psicológica. — Mycroft deu um sorriso despreocupado, parecia o irmão jovem que Sherlock se lembrava de quando tinha cinco ou seis anos de idade. — É assim que sempre derroto meu querido irmão.

— Sherlock. — Molly levantou os olhos, notando a presença do detetive. — Mycroft concordou em me ajudar com o meu problema com... Jogos. Você não se importa, certo?

— Claro que não. — Passou direto pela sala, engolindo o nó enorme em sua garganta.

Desde quando Molly e Mycroft eram próximos daquela forma? Mycroft não desfilava por aí de pijamas... Mycroft nunca usava pijamas! E pantufas.

— Há anos não te vejo tão bem vestido, Mycroft. — Sherlock comentou sem olhá-lo. — Alguma ocasião especial?

Mycroft e Molly riram, se entreolhando como cúmplices. Sherlock sentiu seu sangue ferver. Sua esposa e seu irmão, sentados no chão como crianças, de pijamas, trocando olhares de cúmplices de segredo... Aquilo devia ser algum tipo de pesadelo em um universo paralelo. Mycroft nunca dera a mínima importância ao irmão, nem mesmo na infância. Todos os pedidos para "aprender isso" ou "brincar daquilo" eram ignorados... Molly estava distante desde o sumiço da semana passada... E agora os dois estavam sentados na sala, brincando como dois amigos de infância.

— Se sente incomodado com minhas roupas, querido irmão? — Mycroft ainda esperava o movimento de Molly.

Se ela tinha receio de jogar qualquer coisa com Sherlock por puro medo de ser humilhada, com Mycroft era ainda pior. Todas as vezes que jogavam algo, ele ganhava e implorava por outra partida. Parecia desesperado para ensiná-la a ganhar algo. Queria desesperadamente perder para ela, pois isso significaria que ela estaria pronta para derrotar Sherlock em algo.

— A culpa é minha. — Molly levantou o braço depois de mover sua peça. — Sua vez.

— Molly me tirou da cama às quatro da manhã. — Mycroft disse como se isso fosse algo normal. — Fez uma ligação de emergência.

— Ligação de... — A voz de Sherlock se perdeu no espaço vazio do apartamento.

Seu cérebro se recusava à entender aquela história absurda. Agora Mycroft recebia ligações de Molly às quatro da manhã e corria para 221B de pijamas e pantufas?

— Sim, uma ligação de emergência. — Mycroft moveu sua peça. — Sua vez.

— Combinamos assim quando você sumiu. — Molly comentou, bebericando seu chá. — Eu ligo, Mycroft aparece.

— Ela podia estar em algum perigo de vida, você entende... — Mycroft virou-se para encarar o irmão. — Você não cuida de sua família muito bem, Sherlock. Alguém precisa estar por perto... Molly é família agora. Mamãe a adora. Morreria se algo acontecesse à ela.

— Então você deixa sua cama às quatro da manhã para... Cuidar da minha família? — Sherlock segurava uma xícara com um pouco de algum líquido que ele mal se importava em olhar ou beber. — É isso que entendi? Você sabe que isso não é necessário, Mycroft...

— Claro que é necessário, já que não sabemos qual será a próxima recaída do grande detetive Sherlock Holmes. — Mycroft riu. — Alguém tem que amparar Molly enquanto você afunda, pequeno irmão.

Molly e Mycroft trocaram mais um olhar de cúmplices — estavam completamente irritando e tirando Sherlock do sério. Ele estava completamente aterrorizado com aquela situação. Molly sorriu e então se voltou para Mycroft.

— Sua vez, Mycroft. — Ela bebeu mais um pouco de chá. — Vou preparar mais chá. Já vi que vamos passar a tarde inteira nisso...

— Molly, você me encurralou! — Mycroft soltou um grito horrível, parecia engasgado. — Molly Hooper me encurralou e nem ao menos percebeu isso! Mais chá, Molly, mais chá!

Molly passou por Sherlock no caminho até a cozinha com um sorriso maravilhoso. Ele adorava aquele sorriso. Queria receber um daqueles, mas tinha muito tempo que não os recebia. Tudo que encontrava de manhã era uma cama vazia — Molly já havia saído para trabalhar. E tudo o que encontrava depois do trabalho ou dos casos, era Molly ocupada ou cansada demais para lidar com ele... E com sexo! Já estava há três semanas sem sexo! Não aguentava mais. Desde antes de dar crise e sumir... Nada!

— Você devia... Ahm... Ir dormir. — Molly olhava-o com carinho, mas tudo o que ele via era veneno escorrendo dos cantos de sua boca. O veneno maravilhoso da vingança. — Está com olheiras terríveis... Esse caso deve ter esgotado todas as suas energias.

— Eu queria conversar com você. — Disse, quase se engasgando. Não podia acreditar que estava sentindo ciúmes de seu próprio irmão. — Tem tempo que não... Conversamos.

— Você pode ir dormir agora. Conversamos depois. — Molly sorriu. — Myke me faz companhia.

Ela tinha acabado de chamá-lo de... Myke? O cérebro de Sherlock estava tão confuso que ele estava começando à ver coisas borradas. Devia estar enlouquecendo. Não dormia há mais de setenta e duas horas... Seu cérebro estava muito provavelmente pregando peças.

— Ok Molly! — Mycroft se levantou e encarou o casal. — Você vai vencer essa batalha, mas não vai vencer a guerra! Depois da dama vamos jogar xadrez... Vamos subir o nível.

O Holmes mais velho estava parado no meio da sala com um sorriso bastante infantil em seu rosto. Parecia uma criança jamais crescida. Ainda encarava o casal, esperando alguma reação de Molly.

— Você não tem nenhuma missão importante e super secreta do governo? — Sherlock fez uma careta enquanto perguntava.

— Sherlock! — Molly repreendeu-o com um olhar bastante sério. — Não seja grosso com seu irmão. Eu pedi que viesse.

— Cancelei alguns compromissos. Nada muito importante... — Mycroft balançou os ombros e esfregou as mãos na barriga. — Acho que também posso cancelar a dieta por hoje... Tem algum bolinho, Molly?

— Eu posso preparar. — Ela sorriu de forma doce.

O mundo devia estar acabando. Onde estavam as bombas? As granadas? Pessoas morrendo? Armas pesadas? Explosões? Meteoros? Inundações? Dilúvios? Algo tinha que estar errado com a humanidade naquele exato momento. O movimento do sistema solar, talvez? Sherlock não sabia dizer e não sabia organizar seus próprios pensamentos.

Soube reconhecer sua derrota e marchou para o quarto. Molly estava dispensando-o para jogar jogos com Mycroft. Molly nunca quis jogar um jogo sequer com ele! Por qual motivo jogaria com Mycroft? Seu cérebro parecia ter sido colocado em uma panela com água fervendo... Parecia estar cozinhando lentamente. Não era Mary, John ou Hudson na sala jogando jogos de tabuleiros com Molly. Com sua Molly... Era Mycroft! Seu Mycroft!

Ele se jogou na cama e colocou um travesseiro na cabeça enquanto ouvia as risadas altas de Molly e Mycroft pelo apartamento. "Acho melhor fazer dois bolos de uma vez." Mycroft exclamou escandalosamente alto e Sherlock viu claramente em seu palácio mental o irmão bem pequeno, abraçado às pernas da Sra. Holmes pedindo "mamãe, me faça dois bolos?" Agora Mycroft não era mais pequeno e no lugar de Sra. Holmes mãe, era a Sra. Holmes esposa... Com aquela imagem horrível na cabeça, Sherlock adormeceu.

Notas finais
Como eu amei isso infinitamente e loucamente! Molly se vingando... Doce, doce, doce vingança.