The Ghost of You

1 Capítulo 1: O Príncipe e as Estrelas


Loki, príncipe de Asgard, havia perdido nos últimos anos o motivo para ser o homem que outrora fora, era raro vê-lo sorrir, e quase sempre estava fechado, apenas comentava uma coisa ou outra com seus familiares, ou com os amigos de seu irmão Thor, os guerreiros.

Quem o conheceu antes de tudo acontecer, jamais poderia acreditar que se tratava da mesma pessoa. Como podia O Deus das Travessuras, ter se tornado um homem dominado pela melancolia, cautela e seriedade, cuja inteligência era o único refúgio?

Todos já haviam notado, e todos já haviam se acostumado com aquela situação, e até mesmo entendido e aceitado o novo Loki.

Certo dia, um forasteiro chegou a Asgard, seu nome era Eiríkr, vindo de Vanaheim, o homem que em outra vinda a morada dos deuses, havia sido alvo de uma das travessuras de Loki, surpreendeu-se ao ver o cauteloso homem que perambulava em silencio pelos cantos, apesar de tudo, ele tentou não prestar muita atenção, podia ser apenas um truque, e não queria ser alvo de nenhuma piada novamente, mais tarde, porém, durante a ceia, outro fato o deixou intrigado, o príncipe mal tocara na comida, muito diferente do que vira antes, quando o filho de Odin era o ultimo a deixar a mesa, então sem poder conter sua curiosidade, após a saída de Loki, Eiríkr perguntou aos poucos presentes:

– Mas o que deu nele?

Todos ficaram algum tempo calados em um silencio mais que constrangedor, ninguém queria ser o narrador daquela história, e depois de alguns minutos perdidos naquela vergonhosa situação, Frigga decidiu falar.

– O senhor não sabe da história da jovem Sigyn? – ela disse com sua voz calma e educada de anfitriã, alguns dos presentes olharam para esposa de Odin com reprovação, mas ela não se importou e continuou sua resumida narrativa.

“Foi a mais ou menos três anos, que para nós que vivemos milênios não é um espaço muito grande de tempo... Meu filho Loki, como todos sabem, adorava suas trapaças, a maioria que apenas possuíam graça para ele, ria-se de tudo, e de todos sem escolher os momentos apropriados ou inapropriado, bom como o senhor notou isso mudou.”

“O senhor é claro, deve se lembrar da esposa de Loki, Sigyn, a moça de cabelos ruivos” – o homem fez um gesto positivo com a cabeça, até então não havia dado a falta da deusa, mas por algum motivo ela não estava mais ali – “O que ocorreu...” – continuou Frigga – “Foi que em certa noite, enquanto em Valhalla todos dormiam, Sigyn decidiu passear pelas florestas a cavalo, não era a primeira vez que ela fazia isso, era algo que ela apreciava fazer, porém ela não voltou, pedimos a Heimdall que dissesse onde a alma dela estava e bom... então descobrimos... A encontramos morta na floresta, provavelmente tenha sido um Gigante... Loki não é mais o mesmo desde então... Tornou-se muito maduro... As vezes apenas a perda pode nos fazer crescer, senhor”.

Terminada a história de Frigga, o homem, ainda comovido, saiu da mesa e começou a caminhar pelos extensos jardins de Valhalla, olhando para as estrelas... Não via a hora de voltar para casa.

Loki já estava em seus aposentos, também olhava para as estrelas, mas diferente do forasteiro, procurava nelas por sua amada Sigyn.

“Eu nunca demonstrei o que sentia” – ele pensou enquanto seu olhar continuava a vagar de constelação em constelação... Ele jamais a encontraria.