The Ghost Of You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Oi, eu me chamo Lucy. Sou uma estudante do 3º ano em uma escola de uma pequena cidade no estado da Califórnia. As coisas que eu estou narrando aqui aconteceram há dois anos, quando eu estava no primeiro ano.
Estava quente e ensolarado naquele dia, sem uma única nuvem no céu. Acho que em toda minha vida nunca tinha visto um céu tão claro como aquele, parecia que o Sol estava mais próximo da terra de alguma forma. Apesar de eu odiar clima quente, aquilo era um bom sinal. Era um sinal de que as férias de verão estavam chegando, e eu precisava desesperadamente de férias. Estava cansada do semestre que se passara, e precisava de algum tempo longe da escola, porque nesse tempo haviam acontecido algumas coisas que me deixaram muito confusa.
Eu lembrava bem como essas confusões haviam começado. Não lembrava exatamente quando, mas em algum dia no primeiro mês de aula, dois novos alunos haviam se transferido pra minha classe de biologia. Um garoto e uma garota, Jimmy e Terry. Eles eram irmãos, se você estiver pensando nisso.
Eu achei que seria legal eu ir falar com eles, já que era o primeiro dia de aula deles, e ninguém gosta de ficar sozinho no primeiro dia de aula. Eu sei, porque na minha vida já tive que passar por isso várias vezes, mas isso não vem ao caso agora.
Eu tinha decidido falar com Terry, porque, bem, eu sou um fracasso pra falar com garotos. As palavras fogem a minha boca, eu ficava vermelha e gaguejava muito. Isso acontecia sempre, até quando o menino não era muito bonito ou quando eu não tinha o menor interesse nele. Talvez os homens tenham algum feromônio que me faz ficar assim. Eu não sei, e também não importa.
Naquele dia eu me aproximei de Terry pela primeira vez, e percebi como ela era bonita. Ela tinha cabelos castanhos e lisos, que iam até os ombros e emolduravam seu lindo rosto perfeitamente, e tinha olhos negros como o céu da noite. Ah, aqueles olhos. Os olhos de Terry pareciam ter uma profundidade anormal. Eles me fascinavam como os olhos de mais ninguém. Sempre que eu estava perto dela, não conseguia desviar a vista dos olhos dela. Você pode achar que é exagero, mas eu lhe garanto, se você pudesse ver os olhos de Terry, com certeza entenderia. Onde eu estava? Ah, sim.
Eu não me lembro muito bem sobre o que eu e Terry conversamos naquele dia. A verdade é que eu tenho a memória péssima pra esse tipo de coisa. Mas eu tenho certeza que eu tinha adorado conversar com ela, porque depois desse dia, eu conversava com ela quase sempre. Mas uma coisa me incomodava. Eu parecia estar me aproximando demais de Terry, Eu cheguei ao ponto de pensar que o que havia entre nós era bem mais que amizade, e esses pensamentos me atormentavam dia e noite. Eu tentava não me afastar de Terry por isso, gostava de conversar com ela, mas foi inevitável. Com o tempo, essa confusão na minha mente e esses pensamentos me atormentando acabaram por fazer com que eu me distanciasse dela.
Não sei por que parei pra pensar nisso, logo naquele dia. Mas eu percebi que já fazia alguns meses que não falava com Terry. De repente eu me senti culpada. Terry não tinha culpa do que acontecia comigo e eu simplesmente deixei de falar com ela do nada. Eu acho que ela gostava de falar comigo, talvez tanto como eu gostava de falar com ela, então não era justo aquilo que eu tinha feito. Eu tinha que consertar aquilo. Por sorte, eu tinha aula de biologia nesse dia. Só tinha que esperar pelo fim da aula de Física, ia ser rápido. Ou pelo menos eu pensava assim. Aquela aula deve ter sido a aula mais torturante da minha vida. Eu não conseguia me concentrar, eu tentava pensar em um modo de me desculpar com a Terry, e os minutos pareciam não passar de maneira nenhuma.
Quando a aula acabou, corri pra sala de biologia. Quanto mais cedo chegasse lá, mas eu poderia conversar com Terry. Parecia um plano perfeito, mas quando cheguei, Terry não estava lá. “Calma, ela deve chegar logo”, pensei. Mas bem, eu estava errada.
O professor chegou à sala e nem Terry nem Jimmy estavam lá. De repente fiquei preocupada. “E se algo tiver acontecido a ela?”, pensei. Eu saí correndo da sala. Não aguentaria esperar o final da aula pra descobrir. Seria a tortura da aula de Física tudo de novo. Fui correndo para a coordenação. Quando cheguei lá, tentei me controlar e perguntei:
— Sra. Green, você sabe por que a Terry Walker, do 1º ano, não veio? – Perguntei
— A Terry? Lucy, querida, eu sinto muito. Ela sofreu um acidente no fim de semana e infelizmente ela não re...
— NÃO. – Falei, desesperada.
— Eu sinto muito – disse a Sra. Green, cabisbaixa.
— NÃO. Não pode ter acontecido. A Terry, eu...
E saí correndo do colégio, desesperada, sem pedir autorização pra ninguém. Eu não me importava que me dessem uma ocorrência, uma advertência, me expulsassem, o que fosse. Eu não me importava com mais nada naquele momento. Eu estava destruída por dentro. Eu não chorava, não conseguia, mas nunca havia me sentido tão triste naquele momento. A Terry havia ido embora. Ido pra sempre, e eu nunca mais poderia falar com ela. Aquilo não poderia estar realmente acontecendo. Eu não podia aceitar isso. Se eu tivesse aproveitado mais o tempo que eu tive com ela. Maldito dia em que eu a conheci, eu poderia ter deixado de sofrer tanto. Não. A Terry foi uma pessoa muito importante pra mim, maldito dia em que eu fui egoísta, e me afastei dela. Como eu pude ser tão idiota?
Corri para o cemitério, o único na cidade. Concluí que se ela tinha se acidentado no fim de semana, o enterro deveria acontecer hoje. E eu estava certa, o enterro estava acontecendo.
Pude ver o seu corpo pela ultima vez. Lembrei do tempo que nós passamos conversando e rindo juntas. Lembrei de como os olhos dela me fascinavam e como eu não podia desviar o olhar deles. E de repente, comecei a chorar. Chorei como nunca havia chorado na vida, arrependida por ter parado de falar com ela.
Então foi ali. Exatamente naquele momento que eu percebi e todas as minhas dúvidas foram embora. Eu descobri que o que eu sentia por Terry realmente era mais que amizade. E pela primeira vez, não me senti enojada ao pensar nessa realidade.
Me abaixei e disse: “Eu te amo.” na esperança tola de que onde quer que ela estivesse, ela pudesse ouvir e saber, então dei a ultima olhada naquele rosto que ficaria na minha memória pra sempre, antes de fecharem o caixão.
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