The Ghost Of You

1 It Was Always You


Notas iniciais
Boa Leitura! ;3

Era uma bela noite na capital francesa, fria e repleta de estrelas no céu-apesar de que as luzes tão brilhantes da cidade acabassem ofuscando-as. Um choro forte ecoou pelo hospital, assim como o anuncio da morte da mulher, que não resistira ao parto, deixando pequeno recém nascido órfão. A criança que parecia ter uma garganta deveras resistente para um bebe não parava de chorar em momento algum, deixando a enfermeira que o mantinha nos braços um pouco angustiada.

Em um canto afastado da sala alguém observava atentamente todo o desenrolar da situação. Um belo ser de cabelos loiros claros ondulados e olhos em um leve tom de violeta. Mirou os olhos nos azuis tão inocentes que pertenciam ao pequenino,tocando sua face de forma carinhosa.

–Não precisa chorar, Francis. Estou aqui. –falava em um tom baixo, quase como se fosse um segredo, mesmo sabendo que apenas a criança poderia o ouvir.- Vou cuidar de você. – comentou, desaparecendo em seguida.

Passaram-se dias, meses, anos. Tempo suficiente para que o garoto crescesse e começasse a descobrir o mundo. O órfão, no fim, acabara sendo adotado por uma família de classe alta, que nunca o contou sobre ser adotado por medo de sua reação. Mesmo ele ja tendo suas suspeitas. Enquanto isso, o pequeno francês cresceu, tendo cada passo vigiado por seu anjo, o qual ele não fazia nem idéia da existência. O ser de asas tão brancas como a neve suspirou, ainda espiando o menor pela janela. As horas costumavam passar como segundos para si, e tão rapidamente quanto, Francis cresceu.

Costumava estar sempre presente, observando e zelando por sua criança, vez ou outra aparecendo para a mesma. Mas agora ele estava crescido, era quase um adulto, não precisava mais de si. Manteve-se sentado no beiral da janela, observando enquanto ele se arrumava para o baile. Ele estava lindo, sempre fora, mas agora era ainda mais. Matthew sabia que era errado um anjo se entregar aos prazeres humanos. Era contra as regras de deus um ser divino se envolver com mortais de tal forma mas, depois de todos aqueles anos cuidando e zelando pelo rapaz, era impossível não sentir nada ou não formar algum tipo de laço. Mesmo sabendo que o mesmo nunca seria consumado.

Francis não demorou a se arrumar e sair as pressas para buscar seu par, uma amiga do rapaz. Talvez não tão amiga assim já que a mesma o havia beijado várias vezes. Matt sentia um leve aperto em seu peito ao vê-los se divertindo durante a noite, dançando e bebendo. Estavam tão felizes, chegava até a sentir certa inveja. Fechou os olhos e tentou imaginar-se no lugar da garota, sorrindo por alguns segundos até se dar conta do que estava fazendo.

Não entendia o porque de ter feito tal coisa, assim como sua vontade era continuar em tal ignorância. Afinal, se fosse o que pensava que era, deveria se preparar para o pior. Não para Francis, mas para si próprio.

_________Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ_________

Francis estava desolado, como poderia ela ter morrido? Fora tão repentino, não pudera nem ao menos dizer adeus. Chorava com a cara em seu travesseiro, podendo gritar e liberar toda a dor que sentia. Jeanne era sua melhor amiga, uma das poucas que tinha. E agora havia o deixado. Matthew assistia as reações do garoto, sentindo seu coração partir assim como o do francês. Sabia que era errado se intrometer, mas sentia ser necessário.

Surgiu próximo a cama do adolescente, chamando-o pelo nome e o assustando. Francis deu um pulo de sua cama ao ouvir a voz e a ver o ser em seu cômodo, sentindo-se confuso até reparar nas asas. Um anjo? Era o que parecia. Se afastou alguns passos ainda com lágrimas deixando seus olhos azuis, esses um pouco avermelhados.

–Quem é você?! –Perguntou o garoto, ainda um pouco espantado.

–Eu sou alguém que há muito tempo vem cuidando de você. –comentou calmamente o anjo, usando seu tom baixo habitual. – Peço que me perdoe por aparecer apenas agora, pois apenas agora pareceu necessária minha presença.

Francis não acreditava no que estava acontecendo, talvez estivesse apenas sonhando ou aquele poderia ser um delírio de sua mente cansada e confusa. Não importava, pelo menos não agora. Permitiu-se chegar perto do ser que parecia envolvido por uma forte luz. Talvez fosse aquela a aura de um anjo, era lindo, mais bonito do que tudo que já havia visto. Finalmente foi envolto pelos braços do anjo, sentindo-se acolhido e protegido nos mesmo, permitindo-se chorar enquanto tinha sua cabeça acariciada pela mão de seu protetor, sentindo o cansaço lhe tomar. Antes de adormecer pode perguntar qual era o nome do maior, ouvindo a resposta em um sussurro antes de tudo escurecer.

No dia seguinte acordou confuso, procurando algum vestígio de que o que acontecera não fora um sonho, acabando por achar duas penas brancas em seu carpete, sorrindo enquanto as tomava em mãos. Sabia, tinha certeza que havia sido real demais para ser apenas um sonho. Ainda sentia-se triste pela morte de Jeanne, uma das poucas amigas que lhe haviam sobrado. Pelo menos agora sabia que não estava mais só, havia alguém olhando por si.

–Obrigada, Matthew. –sussurrou enquanto olhava para a janela, como se soubesse que o outro estava ali. E estava.

O anjo deu um sorriso singelo com a fala do garoto, seguindo-o em seu trajeto como costumava fazer todos os dias, dias esses que agora passavam de forma lenta enquanto o anjo esperava ser chamado. Enquanto isso Francis apenas olhava fotos antigas de sua amiga e vez ou outra acariciava as penas de suas asas. Mas ele parecia só, e realmente estava. Fazia quase um mês desde que a garota morrera e que aparecera para o rapaz e o mesmo não saia do quarto. Estava preocupado.

–Francis? –chamou o anjo enquanto sentava na beira da cama alheia.

O francês levara outro susto, pulando do lugar aonde estava. Ele deveria aprender a dar um sinal antes de simplesmente surgir do nada. Pensou o garoto, se recompondo e sentando ao lado do maior.

–Está tudo bem com você? Faz dias que está trancado em seu quarto. –Questionou Matthew, preocupado. Doía-lhe o coração ao ver o outro loiro tão desanimado.- Não gostaria de sair com amigos, talvez se divertir? – Perguntou timidamente o anjo, encolhendo discretamente as asas.

–E por que eu faria isso? Não tenho mais motivos para fazer isso, nada parece o mesmo sem ela por aqui. –Respondeu em um tom triste e pensativo, mantendo a cabeça baixa.

–Você a amava? –perguntou o anjo, sentindo certo receio da resposta.

–Creio que sim,mas nunca pude dizer como me sentia. Ela partiu antes que eu pudesse ter coragem de lhe contar. –Comentava de um modo melancólico enquanto as lembranças dos momentos com ela tornavam a surgir, o fazendo querer chorar.

O anjo ficou em silêncio por breves minutos, procurando palavras para consolar o rapaz. Girou um pouco se corpo, podendo o fitar enquanto acariciava os longos fios loiros, sorrindo de maneira acolhedora.

–Ah, Francis. A vida é cruel assim como os destinos de algumas pessoas. E os humanos acabam sentindo-se impotentes por não terem como contornar esse tipo de situações. Mas não se sinta assim. Não digo que não deva se sentir triste, a sua tristeza agora só prova que você realmente a amava, e é esse amor que deve guardar para si. Mas Francis, eu peço que não pare de viver pela morte de alguém. A vida humana é uma dádiva, não a desperdice apenas com lágrimas. Você é jovem, vai amar novamente. E acredite, será mais forte a cada vez. –Terminou a frase em um murmúrio quase inaudível, mantendo os olhos na face chorosa que agora o fitava de maneira curiosa.

O francês simplesmente não tinha o que dizer. O anjo estava certo, afinal. O luto faz parte, sentiria falta de sua amiga, mas não poderia deixar de viver sua vida por isso. Quando deu por si estava novamente naqueles braços acolhedores que o traziam tanta segurança e paz. Será que seria realmente capaz de se apaixonar novamente? Se questionava se poderia perguntar ao anjo sobre, mas optou por manter-se em silêncio, deixando as gotas gélidas escorrerem por sua face. Após algum tempo se afastou, podendo fitar a expressão tranquila da face alheia.

–Você vai ficar comigo para sempre, não é, Matthew? –perguntou em meio as lagrimas com um sorriso sincero delineado nos lábios.

–Sim, Francis. Para sempre. –Afirmou, sabendo que era impossível.

Por mais que tentasse, apenas corações puros poderiam vê-lo. E assim concluía que algum dia desapareceria da vida do francês, assim como de sua lembranças. Era apenas questão de tempo para que se tornasse um sonho de criança, algo escondido no fundo de sua memória. E essas certezas machucavam seu coração, já que –mesmo que não quisesse admitir- havia se apaixonado perdidamente pelo garoto

Mas o anjo sabia que deveria aceitar a impossibilidade de seu romance imaginário nunca se realizar. Até porque não importava o que fizesse, nunca o teria para si, nem mesmo em seus sonhos. Francis era humano afinal, um dia partiria e levaria seu coração consigo. E Matthew sabia que não havia castigo pior, do que o vazio na alma de um anjo. Por isso o amor entre seres divinos e mortais fora proibido, já que tal sentimento levara muitos de seus companheiros a cair.

Estava fadado a uma existência sem amor.

_________Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ_________

Notas finais
Espero que tenham gostado~ ;w;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.