Notas iniciais
Primeiro Capítulo aí pra vocês. Espero que gostem, não esqueçam de comentar!

Pensamentos turbulentos invadiram minha mente enquanto eu levantava. Cheguei a me sentir meio tonta. Esqueci por um momento de onde estava, e segui para o banheiro, precisava tomar banho, se não iria me atrasar para a aula.

Tomei um banho rápido, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo baixo, e nada de maquiagem. Passei reto em frente a cozinha, nada de café da manhã, como sempre. Peguei minha mochila, e disparei escada a baixo, atrasada. Alice com certeza iria me matar, se ainda estivesse esperando no portão.

Ah, Alice. A melhor pessoa que eu já conheci em toda a minha vida. Não só por ser minha melhor amiga, mas por ser tão sincera e boa. As vezes chegava a ser boba, por ajudar tanto as pessoas assim. Gentil, carinhosa. Faz de tudo para arrancar um sorriso seu. Engraçada. Com certeza a amiga que todos queriam ter, e eu tinha.

Sua cara não era tão boa assim quando me viu abrindo o portão. Estava bufando. Odiava chegar atrasada na escola, e eu sempre era o motivo dos poucos atrasos. Faltavam 10 minutos para tocar o sinal, e ainda tínhamos que andar até lá. Sim, ela estava brava comigo.

— Me responde uma coisa? O que faz pra se atrasar tanto assim, Luíza? – perguntou ela, ironicamente.

Comecei a rir, nem eu sabia a resposta.

— Bom dia pra você também, Alice.

Começamos a andar, rapidamente, mas não deixei de perguntar como havia sido seu fim de semana, já que ela tinha ido viajar para a casa da avó, no sul. Ela contava animadamente sobre suas caminhadas com um tal de Roberto. Sorria toda vez que falava dele.

Assim que chegamos à porta do colégio, nos faltando ar por causa da caminhada rápida, o sinal bate. Pelo menos nada de atraso.

Senti alguns olhares dirigidos a mim, e não me senti desconfortável. Aliás, eu já havia me acostumado. Desliguei mais esse pensamento, e segui para a escada, ao lado de Alice, que falava alguma coisa sobre algum trabalho.

A aula foi entediante, como sempre. Gabriela sentava a minha frente, e Alice ao meu lado, sem tirar os olhos do livro de matemática. Aquilo me cansava, a matéria eu já sabia de cor, e com bônus: sem precisar estudar.

O primeiro intervalo passou-se rapidamente, talvez porque eu não tivesse feito nada. Os outros dois tempos foram chatos, história e geometria, eram matérias insuportáveis para mim. Alice parecia gostar daquilo tudo, e eu a admirava por isso.

Logo o sinal da saída tocou, e eu suspirei em alívio. Ir pra casa, dormir, seria ótimo. Aliás, estava frio demais pra ficar perambulando por ai sem fazer nada. Dormir seria um ótimo esporte pra hoje a tarde.

— Hey – Alice me puxou pelo braço enquanto descíamos as escadas. – Hoje temos o trabalho de história pra fazer.

Isso sim acabaria com a minha programação calorosa pra mais tarde.

— Argh, depois eu faço. Tá muito frio pra exercitar minhas mãos no caderno – reclamei.

Ela me olhou meio de lado, e sorriu.

— Vale ponto – e só precisava dessas duas palavras para eu esquecer o que tinha dito anteriormente.

Segui direto para casa de Alice. Sua mãe me cumprimentou, e subimos para o quarto. Eu me joguei na cama, peguei um pacote de biscoitos, eu comecei a comer enquanto assistia TV. Ela ficou me encarando.

— Que foi? – perguntei, inocentemente, enquanto comia.

Alice arrancou o saco de biscoitos da minha mão, jogou em cima da mesa, e me fez levantar, e começar a escrever sobre Inconfidência Mineira, quando na verdade eu só queria saber o que levou meus pais a se apaixonarem. Na verdade, era a única coisa que eu iria gostar de saber do passado, porque o resto não me interessava.

Copiei todo aquele texto enorme que ela insistiu. Depois ficamos conversando sobre assuntos sem nexo, e rindo a toa sobre coisas bobas. Já era tarde, quando fui pra casa.

Meu pai ainda não havia chegado. Ótimo. Guardei minhas coisas que estavam jogadas pela a casa, tomei um banho, e fiquei um pouquinho na internet. As horas passavam rápido. Quando olhei na janela do quarto, o céu já estava atingindo um tom de azul escuro, o sol já havia desaparecido. Ainda estava frio, eu conseguia tremer sem estar enrolada no meu edredom.

Quando estava voltando pra cama, ouvi meu pai bater na porta. Abri-a com um sorriso enorme, e ele me deu um beijo na testa.

— Demorou pai.

— Desculpa filha, no centro da cidade está chovendo muito, estava tudo engarrafado.

Sério, meu pai devia procurar outro emprego. Advogado estava cansando-o muito. Não gostava daquilo. Ele devia ter mais tempo para si mesmo.

— O que quer jantar hoje? – perguntou a mim, enquanto ia para cozinha.

— Ah, sei lá pai. Macarrão?

Essa resposta já era esperada. Não se podia perguntar a mim o que eu queria comer, sempre seria macarrão. E meu pai era um bom cozinheiro.

— Tudo bem.

Fiquei vendo mais um pouco de televisão, enquanto o ótimo cheiro do macarrão invadia a sala, e ia me deixando com mais fome. Acabei comendo logo, de tanta fome. Depois, fiquei com muito sono, e não resisti: acabei dormindo cedo demais. Na verdade, nem me lembro como dormi, só acordei e me vi na cama. Estranho, pois não havia escutado o despertador tocar. Olhei no relógio, ainda faltava meia hora para ele tocar. Nunca havia acordado tão cedo, e não iria desperdiçar meia hora de sono assim. Virei pro lado e tentei dormir novamente. Nada. Meus olhos não se fechavam por nada.

Os mesmos pensamentos de ontem, vieram a tona, e meio sem querer.

Eu estava meio que cansada daquela rotina. Não havia nada de diferente em nenhum dia. Era a mesma coisa de sempre, a mesma vida de sempre. Nada de surpreendente, ou encantador. Nenhum amor impossível, nenhum acontecimento perturbador. Nem dor. Apenas vazio. Eu me sentia sem sentimentos, e era estranho. Era um vazio, era como se eu sentia um vento passando dentro de mim, mostrando que não havia nada ali dentro. Nem lágrimas havia. Isso me tirava o sono. Todos choravam, e eu não. Não que não tivesse motivos… quer dizer, eu não tinha. Minha vida era boa: pais separados, mas amigos, e principalmente, ótimos pais. A melhor amiga que alguém podia ter, uma condição boa. Nada faltava.. bom, aos olhos de outros. Aqui dentro, faltava algo. E eu gostaria de saber o quê.

Esses pensamentos me ocupavam tanto o tempo, que quando vi, já faltavam quinze minutos. Dessa vez, Alice me mataria.

Saí tropeçando da cama, entrei e saí rapidamente do chuveiro. Fiz um coque qualquer no cabelo, praticamente enfiei o tênis no meu pé, peguei a mochila e saí correndo.

— Desculpa, desculpa, desculpa – já fui dizendo, enquanto saía do portão e a encontrava sentada na calçada.

— Ai menina, que susto – levantou ela, meio cambaleando pra trás.

— Desculpa, eu me atrasei… De novo – disse, enquanto ia ajudando-a levantar.

— Eu estou vendo – ela me encarou, e depois riu. – Vamos, antes de nos atrasarmos. De novo.

Mas dessa vez, foi diferente. Chegamos lá, uns cinco minutos depois de o sinal tocar. Tivemos muita sorte, não havia ninguém na portaria, e subimos rapidamente. O professor de artes já se encontrava na sala, e apenas nos observou entrar e sentar em nossas carteiras.

— Vocês chegando atrasadas? – nos perguntou, sério. Eu meio que gaguejei antes de falar, não seria agora que iríamos levar uma advertência.

— Estávamos resolvendo um problema na secretaria – menti.

— Humpf – apenas disse, antes de começar a aula, e eu suspirei em alívio.

Pelo menos uma notícia boa nesse dia que pareceu que iria ser longe: não haveria segundo tempo de aula. Isso era ótimo, já que o segundo tempo seria de matemática. Estaria livre de números e letras juntos.

Todos começaram a conversar. Eu peguei meu celular, e fiquei escutando música, pensando nas mesmas coisas. Não era possível um pensamento persistir tanto em minha mente. Acho que na verdade, o problema sempre fui eu. Nunca estaria satisfeita com nada, e isso não era nada legal.

De repente, eu senti uma sensação ruim. Realmente ruim. Era como se aquele vazio dentro de mim, fosse corroído por algo. Algo ruim. Como se eu tivesse sofrido um baque por trás, como se tivesse levado um soco por dentro de mim. Foi estranho, demais. Chegou a doer, e faltou uma batida no meu coração. Umas imagens estranhas se passaram na minha cabeça: imagens de pessoas sendo mortas, furacões, armas, sangue, flashes, o céu meio que se acabando, em fogo e em água. Como se fosse o fim do mundo. Senti lágrimas se formarem em meus olhos, mas as segurei. Faltou-me o ar, e Alice do meu lado percebeu.

Depois apenas um pensamento tomou a minha mente: O que tinha sido aquilo? Que porra tinha sido aquela?!

Parei, respirei. Respirar estava sendo difícil, o ar entrava pela garganta e doía, queimava-me por dentro. Sério, nada normal.

— Você está bem, Luíza? – meus olhos se deslocaram, e voltaram a ela. Bom, a sensação havia passado, mas não tinha deixado de ser estranha. Senti arrepios.

— Estou sim, só uma sensação.. estranha. Ruim.

— Eu hein, será que significa alguma coisa? – o medo estava nos olhos dela.

— Creio que não – menti. Claro que significava algo. Aquilo não era normal. O normal já não me parecia agradável.

Tentei me desligar novamente daquelas sensações, daqueles pensamentos, daquelas visões. Havia sido muito estranho, nunca tinha acontecido. Eu nunca escutei nada sobre visões do fim do mundo. Nunca acreditei em profecias, nem em datas. As vezes, nem em Deus. Isso era um vasto assunto, que eu precisava pensar, definir meus conceitos sobre certas coisas. E eu simplesmente não conseguia. Pensar estava me cansando. Nunca encontrava as tais respostas que eu queria. Como agora. De tanto pensar, a dor de cabeça já começava a aparecer.

E em toda a aula, eu não consegui pensar em mais nada, a não ser aquela sensação. Nenhuma aula me pareceu agradável, nem mesmo a de redação, e isso não era bem novidade. Minha cabeça pulsava, as vezes a minha visão ficava turva. Algo estava acontecendo comigo, e ainda conseguia ser mais estranho do que a sensação ruim.

Notas finais
Gostaram?! Comentem! Beijos, até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.