The Ghost Of Her
3 .3.
Kate seguia para seu consultório. Não estava animada. A depressão de seus pacientes se misturava com a sua. Sim. Vocês entenderam bem. Kate se tratava de uma Psicóloga depressiva. Existe? Sim, existe...
Adentrou o hospital e encontrou sua secretária, sempre sorridente e atenciosa.
- Dra. Mansur, seu café está quentinho.
- Hum... Está mesmo cheirando! Leve-o para mim no meu consultório?
- Claro. Ah! Sua primeira consulta é com um novo paciente...
- Mesmo?
- Sim...
- Deixe-me adivinhar: depressão?
- Bingo. Balinha de cereja. — jogou uma bala para Kate que a capturou no ar.
- Thanks. — piscou e adentrou seu consultório.
Lá olhou rapidamente seu celular e uma cartinha, indicando uma mensagem de texto não lida, piscava em seu visor.
\"Amor, chego hoje de Paris. Estou com saudades. Que tal um almoço? Beijos e mais beijos.\". Kate suspirou e respondeu: \"Combinado. Saudades imensas. Até mais tarde. Beijos. PS: Mais que os que você me mandou\". Celine, sua secretária, adentrou o consultório com o café.
- Dra. Mansur, seu paciente a aguarda lá fora.
- O novo?
- Sim, senhora.
- Ansioso... Mande-o entrar.
Celine assentiu, saiu por alguns segundos e voltou com o paciente, deixando-a sozinha com o mesmo. O homem, muito alto e magro, estendeu-lhe uma ficha. Kate a pegou, pigarreou e disse:
- Então, senhor Michael Way, em que posso te ajudar?
- Sally, to saindo!
- Bye.
Sally escutou quanto Belle fechou a porta e, enfim, ficou sozinha em casa. Apertou Sam em seus braços e o escutou miar e, em seguida, arranhá-la. Praguejou alto.
- Nem você me ama! Que coisa! Que p***a de vida eu tenho!
Puxou uma das poltronas até a janela e ficou ali olhando para o prédio em frente, totalmente dispersa. Até que se sentiu, também, observada. Levantou o olhar e encarou a janela a sua frente. Um homem moreno, corpudo(não forte, gordo mesmo) e branquelo a encarava. Não conseguia distinguir suas feições. Estava sem seus óculos, para variar. Apertou os olhinhos na tentativa de enxergar pelo menos um pouco de sua feição, mas ele saiu da janela.
- Infeliz!
Levantou-se empurrando a poltrona para trás e foi para o quarto. Jogou-se na cama e, com o controle remoto, ligou o som na maior altura. Cantava, acompanhando o vocalista de uma banda de rock, enquanto lágrimas molhavam o travesseiro.
Belle desceu as escadas correndo e tropeçou no último degrau, quase caindo em cima de uma velha senhora que subia a mesma.
- Desculpe, senhora Manson.
- Olhe por onde anda, Srta. Hepburn.
- Mais uma vez: me desculpe, sra. Manson. Encontro-me atrasada. Depois conversamos. Bye.
Enquanto Belle saía:
- Garotinha mal-educada! — e a Sra. Manson continuava a subir as escadas.
Ao chegar na portaria, Belle olhou dentro da bolsa e viu que havia esquecido seus filmes.
- Dammit! Isso que dá ser teimosa e não usar uma máquina digital!
Subiu novamente as escadas correndo, passando pela Sra. Manson, desculpando-se mais uma vez por quase a jogar escada abaixo. Adentrou o apartamento, aquele som infernal na maior altura.
- Sally hoje tá que tá...
Foi até o quarto, pegou os filmes e desceu as escadas correndo novamente. Ao chegar à rua parou um táxi e abriu a porta, ao mesmo tempo, com um homem.
- Eu vi primeiro!
- Viu nada! Estou aqui há horas!
- Que mentira! Eu já tinha descido, mas tive que subir... Quando eu estava aqui embaixo, o senhor não estava...
- Estava sim.
- Eu sou uma dama, dá licença?
- Que tal se dividirem o táxi? — o motorista interviu.
Ambos se olharam. Ele sorriu para ela e estendeu-lhe a mão:
- Gerard Way.
- Belle Hepburn.
- Então, srta. Hepburn, dividirá o táxi comigo, que não sou nada cavalheiro?
- Vamos logo que eu já estou atrasada! — ele a olhou, surpreso, e ela apenas sorriu. Não era um cavalheiro, mas era muito atraente...
Fale com o autor