The Game of Death
7 S1EP07 - In The Killer's Sight
Notas iniciais
O efeito do clorofôrmio demorou para passar. Sam abria e fechava constantemente os olhos, falhando em tentar ficar totalmente desperto por causa das pálpebras pesadas. Não sabia ao certo onde estava porém não deixou de reparar nas grandes latas espalhadas pelo lugar úmido juntamente de ferramentas enferrujadas nas paredes do local aparentemente abandonado. Havia uma fita grossa ao redor da boca, o que o impedia de gritar. Os pés e mãos amarrados com cordas de fortes nós que prendiam seu sangue e adormeciam seus músculos.
A porta rangeu ao ser aberta, chamando a atenção do garoto direto a figura sombria que acabara de adentrar. O leão branco segurava na mão direita um grande facão utilizado na limpeza de peixes, enquanto se aproximava do loiro em passos firmes porém lentos. Sam tentou falar algo mas a fita o impedia, transformando tudo em barulhos abafados. Os olhos denunciavam o medo que sentia.
— O que foi Sam ? Você não era o mais forte ? O mais rápido ? O sabe-tudo do seu grupo ? — Disse o leão — Agora eu só vejo um garotinho assustado. Vai fazer xixi nas calças também ? — O assassino gargalhou e agachou-se a frente do garoto — Não seja rude, diga olá para minha amiga — A ponta do facão foi encostado na bochecha do loiro. Tão afiada que mesmo sem qualquer pressão fez um pequeno corte no local, escorrendo e pingando sangue na camiseta encharcada do próprio suor — Me perdoe, como pôde perceber ela não é nada tímida. Ei, vamos tirar algumas fotos ? — O leão branco voltou a ficar em pé e puxou um celular não tão atual do bolso da longa capa, apontando para Sam e disparando vários flashs — Seus amigos vão adorar isso. Isso vai ser incrível — O encapuzado virou-se e saiu do lugar, deixando o garoto sozinho novamente.
***
Tyler caminhava pelo corredor com a mochila nas costas enquanto os cabelos molhados pingavam levemente na jaqueta do time, havia tomado um banho gelado após passar a manhã matando aula e treinando no campo de futebol. Seu celular vibrou violentamente no bolso da calça jeans, esperava uma mensagem de Riley porém desta vez era o ID desconhecido. Aquela era a primeira vez que ele recebia uma mensagem do suposto assassino.
O que você acha que devo fazer com ele ?
Além da frase, a mensagem também trazia uma foto anexada de Sam amarrado e sangrando.
— Droga! — Tyler murmurou e guardou novamente o celular, começando a correr pelo corredor cheio logo em seguida. Alex e Lauren conversavam animadamente quando o garoto aproximou-se ofegante — Pegaram ele. Pegaram o Sam — O celular foi tirado mais uma vez do bolso e a mensagem mostrada aos amigos.
— Meu deus, o que a gente faz agora ? — Lauren mordeu o canto do lábio enquanto encarava o chão, pensativa e ao mesmo tempo preocupada.
— Precisamos avisar a polícia — Alex puxou o celular do bolso de trás da calça e discou o número da emergência.
— Não podemos — Os meninos encararam Lauren com estranhamento — Ele me disse. Disse que se envolvermos ainda mais a polícia nisso, mata sem pestanejar!
— Lauren, o Sam está correndo perigo. Não é hora de termos medo desse cara — Tyler assentiu determinado.
— Alô ?! Preciso de ajuda, seqüestraram um amigo...não, isso não é uma brincadeira...sim eu sei — Alex revirou os olhos enquanto falava ao telefone — Recebemos uma mensagem e uma foto, estão com ele e qualquer momento podem matá-lo.
— Eu preciso avisar Diana e Vicky — Lauren também puxou seu celular e procurou o número da amiga entre os contatos.
Riley acabava de entrar no mesmo corredor, pensou por um tempo ao ver os amigos e mesmo sabendo que Lauren a odiasse se aproximou do grupo.
— Ei, aconteceu alguma coisa ? A tensão paira por aqui — Riley colocou as mãos nos bolsos e sorriu fraco enquanto encarava Lauren — Podemos conversar ?
— Não é o momento Riley. Sam foi pego então estamos todos preocupados, ao contrário de você que só pensa em... — Lauren parou no meio do sermão ao perceber que Diana havia atendido o telefone — Diana, eu peço que você se mantenha calma. Seu irmão foi pego, recebemos uma mensagem junto de uma foto.
— O que ?! — Diana começou a ficar ofegante — O que vão fazer com ele ? O que vamos fazer agora ?! — A loira havia entrado em total desespero.
— A polícia já está sendo avisada. Vai ficar tudo bem — Disse Lauren tentando conforta-lá enquanto encarava Alex ainda a falar com a emergência. Tyler e Riley também se entreolhavam, tomados pela preocupação.
— Pronto. Disseram que estarão fazendo o máximo que puderem. Ah, pode anexar a foto para este número ? — Alex digitou rapidamente um número em seu próprio celular e mostrou para Tyler — É o telefone pessoal do xerife Carter, acham que pode ser útil nas buscas.
— Precisamos ir para o hospital, parados aqui não vai nos ajudar em nada — Lauren também desligou seu telefone e foi a primeira a correr pelo corredor em direção ao estacionamento.
Riley engoliu em seco e ficou para trás, ela mesma sabia que não pertencia mais ao grupo. Como poderia depois de tudo o que havia acontecido ? A negra respirou fundo e virou-se, caminhando em direção a sua sala de aula.
***
Vicky estava sentada na poltrona retrátil do quarto, aos prantos enquanto Brian tentava conforta-lá com palavras. Diana ligava repetidas vezes para o celular do irmão, a fim de tentar contato pelo menos com o leão branco porém não obtinha sucesso e sempre acabava caindo em caixa postal.
O trio entrou no quarto sem ao menos se apresentarem na recepção. Lauren correu direto para abraçar calorosamente a loira, enquanto os garotos pararam ao pé do leito.
— Cade a Riley ? — Foi a primeira coisa que Diana perguntou, deixando Lauren claramente desconcertada.
— Ela estava conosco no colégio, talvez tenha ficado — Lauren tentou demonstrar que se importava porém havia soado totalmente forçado.
— Tem algo rolando ? Eu sei quando tem. O que aconteceu ? — Diana insistiu no assunto.
— Ei, não é nada. Podemos por favor nos concentrar no rapto do seu irmão ? — Lauren estava impaciente — Eu pensei em algo no caminho. Poderíamos rastrear o celular dele, certo ? É um iPhone.
— Espera, a Lauren tem toda a razão. Por que não pensamos nisso antes ? — Alex pegou seu celular e discou o número do xerife — Tudo bem senhor. Estou a caminho. O xerife disse que precisa de ajuda no rastreamento, algo sobre não ser muito ligado em tecnologia — O garoto coçou a nuca.
— Tome muito cuidado — Lauren sorriu fraco, preocupada. Querendo ou não, a garota começava a sentir uma atração diferente pelo amigo. Assim Alex deixou a sala, correndo até seu carro no estacionamento.
— Eu falei com o seu pai — Vicky se pôs de pé com ajuda do genro e caminhou até Diana — Me disse que vai fazer o possível e o impossível para encontrá-lo. Meu deus, por que isso está acontecendo com a gente ?
— Por que isso está acontecendo com a gente ? — Diana repetiu a frase da mãe — É isso, temos que pensar. Por que estariam fazendo isso conosco ? Pensem! Talvez possamos descobrir algo.
— Vingança ? — Indagou Brian — Geralmente em filmes desse gênero é o por causa de vingança que o assassino ataca. Vocês já tiveram algum inimigo ?
— Não que eu me lembre — Diana semicerrou os olhos, pensativa sobre o assunto — Um inimigo ? Alguém de vocês tem um ? Ou até mesmo seus pais ? — Tyler desviou o olhar — Tyler...?
— O que ?! Eu ? Não, definitivamente não — Tyler coçou a nuca, totalmente nervoso — E se for simplesmente um psicopata ? O psicopata que escolheu o grupo mais popular da escola, tínhamos uma vida aparentemente perfeita. Não é motivo o suficiente ?
— O que Tyler disse até que faz um pouco de sentido — Brian comentou após um momento de silêncio.
— Não sei, tenho um pressentimento ruim. Com certeza tem algo bem pior por trás disso — Lauren balançou a cabeça.
Todos olharam diretamente para as mãos de Diana, já que seu celular começara a tocar de repente. O toque da garota era "Timber" a popular música do rapper Pitbull em parceria com Kesha, Diana adorava aquela batida.
— É o leão branco — Comentou antes de deslizar o polegar pela tela e levar o celular até a orelha — Onde está o meu irmão ?! — Gritou a garota.
— Uau, mantenha a calma querida Diana. Você meio que acabou de voltar do mundo dos mortos, precisa descansar um pouco mais não acha ? — Debochou o leão — Se eu fosse vocês pensaria duas vezes antes de tentarem dar uma de espertinhos para cima de mim, ouviu bem ? Espero que gostem do presentinho que eu enviei — O assassino gargalhou, causando um chiado ensurdecedor — Diga adeus ao Sam — O celular foi aproximado do garoto, no qual dava gritos abafados pela fita na boca. O mesmo fora desligado após isso.
— Precisamos fazer algo. Eu não quero ficar aqui parada sabendo que Sam está correndo perigo — Diana jogou o lençol que a cobria ao chão e tentou se levantar, sendo segurada por Brian e a mãe.
— Diana, se acalma. O que ele disse ? — Lauren segurou o rosto da amiga com as duas mãos, forçando a mesma a encara-lá.
— Disse que teremos um presente. Não entendi ao certo porém eu escutei Sam, ele tentou gritar — Diana deu um forte abraço na mãe, tentando buscar conforto.
Uma das enfermeiras deu algumas batidas fracas na porta e entrou no quarto logo em seguida. Segurava uma pequena caixa amarrada com fita vermelha e um cartão no topo nas mãos.
— Com licença, sabem que não poderia ficar tantas pessoas assim em um quarto, certo ? — Disse a enfermeira com cara de poucos amigos — Ah, isso aqui foi deixado na porta do hospital com um cartão para Diana e Vicky Gattuso — Tyler tomou a pequena caixa de suas mãos, a mulher revirou os olhos e saiu.
— Deixe-me ver — Vicky entregou a filha para os braços de Brian e caminhou até a caixa, a pegou nas mãos e desfez o laço. Respirou profundamente e a abriu, que para sua surpresa e também infelicidade estava recheada de gelo e por entre o gelo havia um dedo anelar decepado. A mulher gritou desesperadamente, largando o presente indesejável ao chão e sendo aparada por Lauren.
***
Riley não prestou atenção em nenhum das aulas do dia, foi impossível parar de pensar em Sam por um minuto sequer e desejando que o garoto estivesse bem. Os fantasmas de um passado não tão distante também a assombraram ao longo do dia, não conseguia tirar da cabeça o tapa e a cena de Lauren dizendo que a odiava.
No caminho para a casa, parou na soverteria em que sempre tomava sorvete junto de suas amigas após a escola e comprou uma casquinha de chocolate com pistache, que por coincidência também era o sabor preferido de Sophie. Enquanto pagava o sorvete seu celular vibrou, avisando que uma mensagem acabava de chegar. O receio de que fosse o leão branco fez seu coração disparar porém para sua sorte, ou não, era Lauren.
Encontre-me a frente do lago Victoria hoje as 20:30! Você disse que queria conversar, certo ?
Riley não conteve o sorriso largo ao ler a mensagem, talvez Lauren estivesse pronta para ouvi-la e consequentemente perdoa-lá. Terminou de pagar o sorvete e saiu saltitante enquanto dava lambidas fartas no mesmo.
***
Alex parou a Land Rover a frente da delegacia e desceu rapidamente, entrando na sala do xerife sem ao menos ser apresentado por qualquer outro policial. Carter trabalhava com alguns papéis quando se assustou com a entrada brusca do garoto.
— Isso aqui é uma delegacia mocinho e não a sua casa — Carter se arrumou na cadeira giratória e jogou a caneta sob os papéis, encarando o garoto.
— Desculpa xerife, estamos todos muito preocupados — Alex coçou a nuca meio envergonhado pelo o que acabara de fazer.
— Tudo bem, sente-se — Carter ofereceu a cadeira a sua frente para o garoto — Diga-me filho, como acha mesmo que pode nos ajudar ?
— Vamos lá. Preste atenção, os celulares mais atuais são integrados com rastreadores. Que são mais usados em caso de roubo, porém quem disse que não podemos usar nesse caso também ? Talvez até encontrarmos o carro de Sam, caso o celular esteja lá — Alex balançou a cabeça.
— Acho que entendi, consegue rastrear-lo agora ? — Carter se debruçou de leve sobre a mesa enquanto Alex digitava rapidamente no próprio celular — Bem, precisa entender que os caipiras como eu não são tão ligados nisso — O oficial riu.
— Está tudo bem, eu juro que entendo. Meus pais também são assim — Alex sorriu de lado sem tirar os olhos do celular — Pronto! Temos um endereço — O garoto mostrou o celular para o xerife.
— Incrível! Preparem as viaturas — Disse Carter ao rádio em seu peitoral, se levantando logo em seguida.
— Xerife, temos uma nova localização — Uma policial negra de meia idade parou a porta da sala de Carter — Conseguimos traçar uma linha de câmeras de segurança desde o hospital até parar em uma avícola, porém o carro continuou o que tudo indica que podem estar nos galpões abandonados no limite da cidade — Carter e Alex se entreolharam e foram juntos até a parte de fora, onde uma equipe reassistia as fitas das câmeras.
— Ótimo, temos dois endereços — Carter soou irônico e coçou a nuca — Vamos nos dividir. Oficial Henry você vai até os galpões com essa equipe. O resto de vocês me sigam até o endereço do rapaz aqui — Todos assentiram com a cabeça e começaram a se preparar para sair.
— Vocês são uns incompetentes! — Matthew Gattuso, pai de Diana e Sam, acabava de adentrar a delegacia totalmente transtornado — Estava com minha filha ao telefone dizendo que minha esposa acabou de entrar em completo estado de choque porque recebeu o dedo do meu filho em uma caixa de presente — Gritava o loiro alto e vestido em trajes sociais — Isso é inadmissível, aquele cara pode matar o meu filho a qualquer momento! O meu filho e não o de vocês! — Matt apontou para o xerife e deslizou o dedo no ar em direção aos outros policiais.
— Sr. Gattuso peço sua compreensão e também que se comporte, isto é uma delegacia — Carter tentava acalma-lo enquanto algumas pessoas os encaravam, assustadas — Faremos o possível. Vamos sair agora, tragam o garoto de volta a família — Gritou o xerife, enquanto os policiais corriam em direção a suas viaturas — Vamos trazê-lo de volta! — Carter assentiu e também saiu correndo, com Alex em sua cola.
***
Minutos após receber o presente, Vicky teve de ser sedada devido ao ataque de pânico e o estado de choque. Diana ainda chorava agarrada aos braços de Brian enquanto a pensativa Lauren se mantinha sentada na poltrona e Tyler tentava contato com o amigo Alex. O relógio já marcava 23:36 da noite.
— E se ele não se salvar ? O que vai ser de mim ? Sam além de meu irmão, é o meu melhor amigo — Diana dizia entre os soluços enquanto Brian acariciava seu rosto com o polegar.
— Recebi uma mensagem — Lauren levantou-se de imediato e pegou o celular, se decepcionando ao ver que era Riley — Não, é apenas a Riley.
— O que ela disse ? Ela está bem ? — Tyler desligou seu celular e caminhou até a garota.
— Ela disse "Lauren, por que me fez esperar por todo esse tempo no Victoria ? Essa brincadeira não foi nada engraçada" — Lauren encarou todos com estranhamento, que retribuíam o olhar — Do que ela está falando ?
— Espera e se o leão branco mentiu pra ela ? E se ele se passou por você ? — Tyler encarou a garota — Preciso ir até lá.
— Não, eu vou. Deixe isso comigo — Lauren assentiu e pegou sua bolsa, correndo até o estacionamento do hospital e entrando em seu carro.
***
A viatura do xerife parou a frente do Houston High School juntamente de mais outras duas viaturas. Carter estranhou o fato de estarem no local e encarou Alex, que levava a mesma expressão no rosto.
— Tem certeza disso ? O endereço nos trouxe mesmo até o colégio ? — Alex balançou a cabeça positivamente e desceu da viatura logo atrás de Carter — Tudo bem pessoal, vamos entrar. Não atirem sem antes fizermos o reconhecimento — O xerife balançou a cabeça. Ordenou que um grupo entrasse por trás e o resto entrasse pela frente, Alex agachou-se de leve e caminhou logo atrás da equipe de Carter.
As portas da frente da escola foram arrombadas, dando livre acesso aos corredores para que assim as equipes adentrassem com armas em punho e prontos para qualquer coisa.
— De acordo com o rastreador o celular e talvez o Sam estejam na sala do diretor, fica virando a direita na terceira porta — Alex murmurou, fazendo os policiais mudarem de caminho.
A terceira porta do corredor indicada por Alex estava entreaberta. Carter parou ao lado da mesma e encostou a arma no peito, assim que entrassem estaria pronto para render seja quem estivesse ali.
— 1...2...3 — Carter bateu o pé contra a porta e adentrou com a arma apontada, juntamente de outros três oficiais — Polícia de Houston, parado! — Gritou o xerife porém para seu desgosto não havia ninguém — Droga! Fomos enganados! — Carter chutou o pé da mesa do diretor, fazendo o celular de Sam cair ao chão — Bem, pelo menos achamos o celular. Ainda temos o outro endereço, isso aqui foi apenas uma distração.
— Distração ? Distração para o que ? — Alex ficou em silêncio, pensativo durante um tempo — Meus amigos podem estar correndo perigo além de Sam! — O garoto deixou os policiais, correndo pelo corredor vazio e escuro em direção a saída enquanto procurava o número de Lauren em seus contatos.
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