The Game of Death
5 S1EP05 - Goodbye Sweet Diana
Notas iniciais
Riley tentou ignorar os comentários e cochichos dos outros alunos em relação a Sophie e o ocorrido na festa de Faye e curvou-se sob o bebedouro de água, segurando seus cabelos para que não se molhassem. Alex se aproximou com cautela e deu um chute fraco no bebedor de alumínio, a assustando de imediato.
— Alex ?! Você quase me matou! — Riley ficou ereta e o encarou, meio nervosa.
— Desculpa, não foi minha intenção! — O garoto deu de ombros. Na realidade ele tinha sim a intenção de assusta-lá — Eu sei sobre vocês — Ele murmurou.
— O que ? — Riley encarou o chão, aquela frase a fazia se lembrar do telefonema de semanas atrás, o que a deixou novamente aflita.
— Você e Tyler! Que coisa feia, você fica por ai se gabando por fazer parte do grupo popular e ter as melhores amigas do mundo porém teve a coragem de mentir esse tempo todo pra Sophie e agora continua mentindo pra Diana e Lauren! — Alex deu um passo a frente, colocando a garota contra os armários ao lado do bebedouro — Mas chega, você tem apenas duas opções! Ou você mesma conta ou eu conto...
— Não, eu conto! Juro que vou contar porém...como você soube disso ? — A garota pensou um pouco — Foi você! Você me ligou naquele dia e me ameaçou!
— Do que você está falando ? — A expressão de Alex mudou para confusa — Eu não fiz isso! Essa é a única, e espero que a ultima, vez que eu te ameaço! — O garoto balançou a cabeça — Olha, que seja...espero que você conte! — Alex piscou um olho e saiu caminhando tranqüilamente pelo corredor.
Lauren fechou seu armário e voltou a andar pelo corredor cheio e barulhento. No meio de tanta bagunça avistou Riley encostada nos armários enquanto carregava uma expressão apreensiva no rosto.
— Hey Ri, aconteceu alguma coisa ? — Riley havia saído do transe e tentou esbouçar um sorriso para a amiga — Você viu a Faye ou a Diana ? Estou preocupada.
— Oi Lau, como assim ? Eu estou bem, na verdade apenas pensativa sobre ontem! — A garota balançou a cabeça — Tentou mandar mensagens para elas ?
— Ainda não. Mas de qualquer jeito eu não tenho o número da Faye — Riley balançou a cabeça negativamente, também não tinha o número — Vamos passar na casa dela depois da escola, Ok ? — Lauren comentou enquanto digitava uma mensagem para Diana.
***
Diana acabava de despertar. Manteve-se deitada sobre o peitoral malhado de Brian enquanto o mesmo ainda estava adormecido. Sentou-se na cama pouco tempo depois tentando fazer o mínimo de barulho o possível e se espreguiçou, seguido de um bocejo. Havia sido uma noite muito especial e definitivamente o sexo de reconciliação era o melhor sexo que uma pessoa poderia ter.
Seu celular começou a tocar e a garota se apressou a atende-lo pois não queria acordar o namorado. Era o ID desconhecido.
— Olá doce Diana, como você está ? Dormiu bem ? Tenho certeza que sim! Até esqueceu que ontem assistiu um video onde sua própria amiga era assassinada — Disse a voz alterada por um modificador.
— O que você quer ? Por que não nos deixa em paz ? — A coração da garota disparou.
— Estou com a Faye! Bem, eu sei que vocês não são tão amigas assim porém você seria capaz de deixá-la morrer ?
— Não, por favor não faça nada com ela! O que você quer ? É dinheiro ? Pois eu te dou dinheiro! Posso te fazer uma pessoa muito rica! — Diana mordeu o lábio, segurando a enorme vontade de chorar.
— Eu não quero o seu dinheiro. Venha salvar sua nova amiguinha — Respondeu a voz junto de uma gargalhada — Porém sem o seu namoradinho ou a policia, entendidos ? Venha para o cemitério central antes que Faye seja enterrada viva...por engano é claro — O telefone foi desligado.
Diana pensou um pouco. Elas poderiam ter todas as indiferenças possíveis porém ela nunca mais seria capaz de dormir tranqüilamente caso soubesse que poderia ter salvado uma pessoa porém não o fez por causa de brigas e competições bobas.
A garota vestiu-se e beijou a testa do namorado. Foi até a cozinha e pegou uma faca simples de cortar pão, a colocando no bolso de trás da calça jeans. Pegou as chaves da caminhonete e saiu.
***
O treino de futebol havia terminado por hoje. Os titãs de Houston High School não eram nem de longe o melhor time da liga de futebol porém conseguiam se manter em uma posição distante da eliminação.
Tyler carregava o capacete ao lado da cintura enquanto caminhava em direção aos bancos até sua garrafa de água, no intuito de tentar se refrescar. O que seria difícil já que a mesma havia ficado todo aquele tempo sob o sol escaldante do Texas.
— Eu poderia quebrar a sua cara em mil pedaços! — Sam estava sentado na primeira fileira da arquibancada. Observava Tyler com a expressão séria. O garoto havia deixado o futebol a algum tempo e tentava agora uma carreira no basquete.
— Sério ? Qual seria o motivo dessa vez ? — Tyler pegou sua garrafa e a apertou acima da cabeça, fazendo o líquido quente vir com pressão para sua boca.
— Você ainda pergunta ? — Sam arqueou as sobrancelhas, incrédulo com a atitude do amigo — Estou falando sobre o lance de me assustar na festa com aquela sua máscara idiota de leão branco e ainda confessar que estava observando a Diana enquanto ela dormia!
— O que ? — Tyler havia se engasgado com a própria água — Cara, do que você está falando ? Fumou muita erva ? — O garoto recolheu suas coisas e saiu caminhando pela lateral do campo em direção aos vestiários.
— Agora você vai se fazer de desentendido, então é isso ? — Sam se levantou e caminhou lado a lado com o garoto, apenas uma grade os separavam — Se você voltar a fazer aquele tipo de brincadeira eu juro por deus que eu te mando pro hospital!
— Cara, eu não fiz nada! Minha máscara continua guardada na minha gaveta — O garoto balançou a cabeça — E por que diabos eu observaria a Diana enquanto ela dorme ? Desculpe te decepcionar porém eu não sou tão tarado assim! — Tyler piscou um olho, parando a frente da entrada dos vestiários — Se quiser, pode passar lá em casa depois e confirmar que minha máscara continua intacta! — O garoto sorriu de lado e balançou os ombros de leve, entrando de vez no vestiário.
— Sim, eu realmente vou passar lá depois! — Sam murmurou enquanto o amigo se retirava — Idiota! — O garoto respirou fundo e continuou caminhando em direção a saída do campo.
***
Lauren tocava freneticamente a campainha da mansão Hills, enquanto Riley tentava ver algo pela janela.
— Nada. Parece que realmente não tem ninguém! — Riley murmurou e voltou para perto da amiga.
— Não pode ser, talvez ela não esteja escutando. Talvez esteja no quarto ou nos fundos — Lauren assentiu — Vamos — A garota puxou a negra em direção aos fundos da casa, passando pelas laterais da mesma — A porta está aberta — Comentou ao ver a porta dos fundos escancarada, entrando sem pensar duas vezes.
— Não deveríamos fazer isso, e se os pais delas já voltaram ? — Riley seguiu a amiga mesmo que não fosse de seu agrado.
— Para de ser medrosa! Se algo aconteceu com a Faye nós temos que saber — Lauren caminhou sorrateiramente em direção a sala onde haviam assistido na noite anterior o video da própria amiga sendo assassinada — Olha, a casa ainda tem copos espalhados pelo chão — O celular da garota vibrou, trazendo uma nova mensagem do ID desconhecido — Ele me mandou um vídeo — Riley parou ao lado da amiga.
No video Faye estava desacordada em seu próprio quarto enquanto alguém a gravava de longe, mais ou menos parado a porta.
— Droga! Faye! — Lauren gritou e correu em disparada pela escada em direção ao quarto da ruiva. Adentrou o mesmo e encontrou Faye no mesmo lugar que estava no vídeo.
— Ela está morta ? Confere o pulso dela, confere! — Riley parou a porta, estava realmente muito assustada — E se ele ainda estiver aqui ?! — A negra olhou para os lados, desesperada.
— Não, apenas desacordada mesmo. Talvez dopada — Lauren deu alguns tapas leves no rosto da ruiva, tentando desperta-lá.
Riley olhou ao redor no quarto e estranhou o fato do Notebook de Faye estar aberto e ligado. Caminhou até ele e viu que algumas páginas estavam abertas em artigos sobre tafofobia.
— Tafofobia é uma neurose que se caracteriza pelo medo de ser enterrado vivo — Riley leu em voz alta — Lauren, venha dar uma olhada nisso! — A garota deixou a ruiva na cama e caminhou até a amiga, parando ao seu lado e encarando a tela do Notebook — O computador estava aberto nesses artigos, que bizarro.
— Acho que foi ele, talvez esteja tentando nos dizer alguma coisa — O celular de Lauren tocou e no mesmo instante ela o atendeu — Tafofobia ? O que você quer dizer com isso ?
— Olá Lauren, vejo que já encontraram a bela adormecida Hills. Eu estava apenas fazendo algumas pesquisas e pensei: qual das amigas de Lauren tem Tafofobia ? Claro que não sou nenhum vidente então decidi começar com a Diana. Não se preocupe, farei em um lugar apropriado e sua amiga terá vários outros amigos — O telefone foi desligado.
— Droga! Ele vai enterrar a Diana viva — Lauren discou o número da loira e esperou que ela o atendesse, não obtendo sucesso — Diana por favor me liga, ele está atrás de você — A garota deixou uma mensagem de voz — Eu preciso ir atrás dela.
— Mas como ? Ele pelo menos disse onde a enterraria ? — Riley fechou o Notebook e encarou a garota.
— Disse apenas que seria em um lugar apropriado e que Diana teria vários outros amigos — Lauren colocou a mão na testa e andou aflita de um lado para o outro — Claro, o cemitério. Fique aqui com a Faye até que ela acorde, Ok ? — Riley balançou a cabeça e antes que tivesse chance de dizer algo, Lauren já havia saído correndo em direção ao seu carro estacionado a frente da mansão.
***
Diana parou a caminhonete de Brian a frente dos velhos e enferrujados portões do cemitério e desceu. Passou as mãos trêmulas, por conta do medo que sentia, nos cabelos e atravessou por debaixo do grande arco na entrada do lugar.
Mesmo que fosse a luz do dia o cemitério não era um local nada agradável. O vazio e o silêncio eram extremamente macabros.
— Tudo bem, apenas se mantenha calma e salve a Faye — Diana fala sozinha enquanto atravessava por entre os jazigos. Havia altos e baixos, largos e outros mais estreitos. Alguns um tanto quanto luxuosos e que em outra situação Diana com certeza atentaria a cada detalhe.
— Corvos ? Ok, isso não é um bom sinal — Dois corvos haviam acabado de parar aos braços da cruz de um dos túmulos, um de cada lado. Não eram um bom sinal já que na simbologia, são aves que trazem diferentes significados ruins.
Quase no final dos jazigos e prestes a iniciar espaços preparados para receberem mais corpos recentes, havia no caminho um caixão aberto e mal acabado de tábuas. Em seu topo uma cova aberta e pronta para uso.
— Faye! — Diana correu até o caixão porém o mesmo estava vazio. Pegou o celular no bolso e pensou em ligar para Faye porém viu que havia recebido uma nova mensagem de voz de Lauren. A abriu e escutou atentamente, se desesperando ao final da mesma.
Antes que pudesse correr a garota fora fortemente golpeada na nuca com um dos tijolos da construção abandonada de um túmulo pela metade bem ao lado. O corpo pendeu para trás enquanto perdia o sentidos, sendo amparada pelo leão branco.
Diana, ainda desacordada, foi deitada no caixão e o mesmo tampado, pregos foram batidos nas pontas com um martelo e o caixão empurrado para dentro da cova, batendo violentamente contra chão.
— Eu faço muita questão que você acorde antes que eu comece a jogar a terra — O leão branco sentou-se no túmulo ao lado enquanto esperava a garota acordar.
Não demorou muito até que a loira retomasse os sentidos, porém nada mais poderia ser feito além de se rebater no caixão apertado enquanto o leão branco lhe jogava terra por cima.
— Não! Por favor, alguém me tira daqui! — Diana chorava enquanto dava socos e chutes contra a madeira, o que fazia a terra cair em seu rosto por entre os espaços que haviam nas tábuas.
— Se eu fosse você, tentaria me manter em silêncio e sem fazer movimento algum. Quanto mais fôlego você gasta, mais fôlego você perde — O leão branco se agachou ao lado da cova e encarou Diana pelo espaço entre as tábuas — E fôlego é o que você mais vai precisar agora. Adeus doce Diana.
Diana acatou o que ele havia dito pois de certa forma era mesmo verdade. Quanto menos se rebater e manter a respiração controlada mais tempo de vida você tem. O desespero só aumenta o seu gasto de oxigênio, que naquelas condições é extremamente essencial.
— Que cadela mais obediente — Debochou o leão branco ao perceber a garota em silêncio.
Assim a ultima pá de terra foi jogada, a cova não havia sido totalmente preenchida porém já não era mais possível ver o caixão.
O lugar apertado a deixava ainda mais desesperada, Diana definitivamente não era claustrofobica porém aquela situação poderia transformar qualquer um. Era um caixão baixo coberto de terra, não havia como sair e o ar faltaria em pouco tempo. A morte havia chegado mais cedo para a loira.
***
Lauren parou o carro ao lado da caminhonete de Brian e saiu correndo sem se importar com o modo em que havia estacionado ou até mesmo se estivesse totalmente irregular na via.
— Diana! — Berrava a garota por entre os mesmo jazigos que a loira havia passado momentos antes — Onde você está ?! Por favor — Lauren estava mergulhada em total desespero enquanto olhava freneticamente para os lados.
Diana estava encharcada pelo próprio suor enquanto mantinha os olhos semi-abertos juntamente da boca que tentava puxar o restante de ar do local. A garota pôde ouvir a voz longínqua lhe chamar e então com suas últimas forças voltou a bater na madeira, batidas baixas porém consecutivas.
Lauren correu em direção ao fim dos túmulos e conseguiu ouvir as batidas fracas vindas da cova não totalmente preenchida. Pegou a pá que estava ao lado e começou a cavar com rapidez.
— Estou chegando! Eu vou te ajudar! Apenas continue respirando — Lauren gritava enquanto trabalhava com afinco para desenterrar a amiga.
Finalmente era possível enxergar a madeira, então a ponta da pá foi usava como pé de cabra para abrir a tampa. Lauren não era tão forte, aquilo claramente teria sido mais fácil caso fosse homem, porém ela tinha garra. Impulsou o corpo mais de três vezes contra a ferramenta até que finalmente o caixão fosse aberto. Diana foi puxada pelo braços e repousada ao lado da cova.
— Fique comigo. Vamos lá, respire Diana, respire — Lauren apoiou as palmas da mão no tórax da garota e pressionou varias vezes, fazendo uma massagem cardíaca.
— Lauren...eu — Diana falou entre as tossidas, no qual traziam terra já que havia engolido durante o processo. Respirava com muita dificuldade, enquanto segurava uma das mãos trêmulas da amiga — Obrigada...
— Não diga nada, apenas descanse — Lauren abaixou a cabeça e deixou as lágrimas caírem sobre a loira — Eu te amo tanto...nunca mais vou sair do seu lado...
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