Notas iniciais
Espero que gostem :)

- Vá embora – Jim falou bufando – Já disse que não quero comer

- Mas você precisa – Sebastian rebateu cansado

- Eu só quero ficar sozinho, será que posso Sebastian?

- Você está trancado nesse quarto há dias... – Jim o ignorou e continuou a olhar a janela – É por causa daquela legista sem sal? Sabe James, você costumava ser mais durão, o que aconteceu com toda aquela pose?

- Me deixe sozinho antes que eu te faça afogar com essa maldita sopa. Agora!

Sebastian obedeceu ao patrão e fechou a porta atrás de si, bufou em desaprovação. Sebastian Moran trabalhava para James Moriarty há dez anos, tinha começado como um simples cliente que o tinha procurado pra arquitetar uma vingança, mas seu espírito frio e calculista garantiu uma vaga como um dos soldados de Moriarty e futuramente se tornou seu mais importante sargento. Além de ser o que mais tinha poder depois de seu chefe, Moran era o homem em que Jim mais confiava e ele sempre sabia quando algo afligia seu patrão. Não o via daquele jeito desde a morte de sua mãe há poucos anos, a única prova de que Jim não era diferente dos outros, apenas sabia disfarçar muito bem. Agora ele estava afundado em uma terrível e profunda tristeza e seu motivo tinha nome e sobrenome: Molly Hooper.

Dentro do quarto, Jim soltou a respiração de forma pesada, era inadmissível que seus empregados o afrontassem, mesmo Sebastian. Em outros tempos teria matado o sargento sem nenhuma sombra de arrependimento naquele exato momento, mas ele não estava com ânimo para tal. Levantou-se da poltrona que estava e se dirigiu até o minibar, pegou a primeira garrafa de whisky que viu e não hesitou em abrir e beber o conteúdo com avidez, sentiu o líquido queimar sua garganta por conta da quantidade, mas não se importou e deixou seu corpo cair na poltrona novamente. Talvez Sebastian estivesse certo, talvez estivesse realmente perdendo a pose, mas quem ligava para pose naquele momento?

Por anos ele foi conhecido como o demônio, o pesadelo da Scotland Yard e até ganhou um apelido do detetive consultor sensação em Londres, “O Napoleão do Crime” era como o chamavam e precisava dizer, adorava aquilo. Quando foi que tudo deixou de ter graça? Quando foi que se tornou alguém tão sentido? Ele tinha as respostas, mas não gostava de admitir que fora vencido e não fora por Sherlock.

Irene Adler venceu Sherlock Holmes e Molly Hooper venceu James Moriarty. Talvez todos tivessem “A Mulher” em suas vidas.

Se perguntasse á ele há meses antes que um dia ele sofreria por uma mulher, a resposta seria, provavelmente, uma risada sarcástica e uma surra. O único envolvimento de Jim com outras mulheres era quando ele precisava “suprir suas necessidades”, sempre alguém diferente e nunca passava mais tempo que o preciso para fazer o que tinha de fazer. Mas com Molly tinha sido diferente, ele realmente viveu com ela e nem percebeu quando aconteceu. Molly Hooper roubou algo que ele nem sabia que existia, ela roubou seu coração e ele não viu problema algum naquilo, pois não existia nenhum até o incontrolável ciúme o tomar.

Molly tinha sido ideia sua, queria desestabilizar Sherlock, mas precisava de conhecimento para isso, precisava se aproximar e extrair tudo o que pudesse sem ser notado e ninguém melhor para dar isso do quê a ingênua e rejeitada legista. Ele sabia que ela tinha uma queda pelo detetive e obviamente devia saber bastante. As primeiras semanas foram terríveis, nunca pensou que alguém pudesse ser tão irritante, odiava o fato de a morena ser tão carente, odiava seu amor por doces, odiava seu gato e seu gosto para séries era questionável, mas isso mudou com a convivência. Jim poderia até mesmo dizer o exato momento em que aconteceu. Eles estavam assistindo um episódio repetido de Doctor Who, série que a fascinava, e ela começara a chorar balbuciando algo sobre nunca encontrar alguém que amasse como o Doutor amava sua companion Rose. Qualquer um poderia dizer que era uma futilidade, mas Jim viu sinceridade e dor naquelas palavras, ela realmente acreditava que ninguém poderia ama-la e isso o motivou a fazê-la feliz pelo tempo em que ficaram juntos, não para reforçar o seu disfarce, mas porque ver um sorriso desenhado nos lábios finos da patologista lhe dava um prazer imensurável.

Mas ele precisou deixa-la e aquilo o matava todos os dias. Ver o pesar em seus olhos quando eles terminaram foi mais do quê ele poderia aguentar e então ele se afastou, vestiu sua máscara e agiu como se ela fosse apenas mais uma, assisti-la transformando todo o afeto e intimidade que tiveram em ódio o destruiu de uma maneira que ele nunca nem imaginou, mas não tanto quanto naquele dia...

Ponderara se realmente deveria fazer aquilo por meses, parecia ser a decisão correta, mas se era certo então por que incomodava tanto? Molly não tinha culpa da rixa entre Holmes e Moriarty, mas seu envolvimento com Jim e a declaração de Sherlock a colocaram em uma posição bem complicada. O dia chegara e junto dele uma sensação estranha no peito do psicopata, mais uma vez decidira ir pessoalmente ao encontro da legista, assim como da primeira vez; poderia ter mandado qualquer um para conseguir as informações, mas foi pessoalmente por que quis. Talvez se tivesse mandado outro em seu lugar não estivesse em uma situação tão desconfortável.

Ainda conseguia ouvir a voz de Molly ecoar em sua cabeça, as perguntas, as lágrimas e sua resposta á sua pergunta.

*Flashback On*

— Would you be my queen? – Ele perguntou esperançoso

- Well, If you always were the sweet guy that I met in the cafeteria, I would love. But you're not this guy and we know it... – Ela respondeu e antes que pudesse perceber o corpo da morena caíra em seus braços. Ele a segurou firmemente e aos poucos foi caindo junto com seu corpo, observou sua falha tentativa de falar algo,mas o sangue a engasgava e a impedia de falar algo conexo

Jim olhou para o homem alto com a navalha em mãos com todo o ódio que poderia demonstrar no momento

- O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou ainda olhando de forma ameaçadora para seu sargento

- Fazendo o que você não teria coragem e acabando com seu conflito interno – Sebastian respondeu passando as mãos na garganta da legista

- Não toque nela, pelo menos a deixe morrer em paz.

- E desde quando você se importa com a paz de suas vítimas, James?

- Não é da sua conta – Moriarty respondeu vendo Molly dar seu último suspiro, não pôde evitar que algumas lágrimas enchessem seus olhos, toda a culpa do mundo pesava em seus ombros.

- Levante-se daí e deixe que eu faço o resto, pelo visto essa mulher conseguiu mesmo te pegar – Jim se levantou e viu o celular de Molly vibrar em cima do balcão,bufou ao ver quem era

- Graças a Deus, Molly quanto tempo você precisa para fazer algo tão simples como imprimir resultados? Você faz isso todos os dias! – A voz de Sherlock soou áspera pelo viva voz fazendo o moreno rolar os olhos, quem ele pensava que era para falar daquele jeito com SUA Molly?

- Oops, acho que ela não pode atender, bye. – Ele falou desligando o telefone em seguida, sabia que Sherlock viria,sabia que em poucos minutos apareceria por aquelas portas e provavelmente tomaria a morena em seus braços – Ande logo com isso, Sebastian!

- Estou quase acabando – O mais alto respondeu pintando um grande símbolo na parede com o sangue de Molly – Pronto podemos ir

Moriarty olhou uma última vez para o rosto sereno da legista e sibilou um “adeus”

*Flashback Off*

Jim nunca tinha experimentado desses sentimentos antes e secretamente desejava nunca ter de senti-los novamente, mas lá estava, miseravelmente jogado em sua poltrona com a garrafa de whisky nas mãos. Por mais que não quisesse fazer mais nada, precisava continuar seu estúpido jogo com Sherlock. Finalmente conseguira desestabilizar o detetive consultor, mas esse tinha sido seu preço, um preço alto demais para que pudesse pagar.

Tinha perdido sua rainha.

Notas finais
Devo ser meio bipolar por shippar Sherlolly e Molliarty
Misericórdia
Aceitos opiniões,críticas,sugestões e etc...
Espero que tenham gostado
Beijinhos de luz >.<Vitória Weasley
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!