The Game
1 Prólogo
De um lugar e tempo incertos, Ela observa. Está na hora de começarem os jogos.
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Do começo ao fim, toda alma é movida por um desejo...
–F-fique longe... s-saia daqui! — Correndo por entre os estreitos becos da região mais pobre da cidade, àquela hora iluminada apenas pela luz da lua, o jovem sentia o coração acelerado. Desespero. O tropeçar selando o seu destino, lançando seu corpo ao asfalto frio da rua — N-não... Fique longe! — Gritava, os olhos fechados em pavor, buscando refúgio na escuridão da própria consciência — Por favor... n-não...
Seguir em frente, esta é a natureza humana. E, por este propósito, eles se agarram mesmo às mais vãs esperanças.
O chão tremeu. Uma fenda se abriu. Atravessando a rua, atingindo mesmo alguns prédios próximos, a falha foi se expandindo. Antes mesmo que um novo grito de clemência pudesse deixar a boca do jovem, ele sentiu seu corpo caindo no vazio. Logo, não sentiria mais nada.
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Quantos não pereceram buscando a seus desejos? E quantos outros não pereceram para que alguém realizasse aos seus?
Naquela noite, ela estava no topo do prédio de apartamentos em que vivia. Observava a cidade, aquela malha de concreto que se estendia até onde os olhos poderiam ver. Mesmo na escuridão da noite, a cidade era clara. Prédios dos mais variados, de apartamentos ou de escritórios, administrativos ou de lazer, exibiam àquela hora da noite um conjunto de luzes que ofuscavam às estrelas. Assim são as construções humanas, ela refletia. Dotadas de uma beleza própria, mas que terminam por apagar à outras maravilhas. Excelente reflexo do próprio gênero humano, eis uma boa definição para estes amontoados urbanos que chamamos de "cidades"
Dor e sofrimento. Angustias e pesares. Mas também alegrias e jubileus. No caminhar de suas vidas, a alma humana é capaz de vagar entre os extremos da alegria e do desespero.
Seus longos cabelos negros esvoaçavam com o vento. Usava um longo vestido negro, que contrastava com sua pele alva. Fechando os olhos para as luzes da cidade, a garota deixou a mente vagar por entre os sons mais variados. Buzinas. Discussões. E por fim o passar de algum avião, que mesmo a tamanha distância ainda era capaz de silenciar ao próprio vento que soprava naquela noite. Abriu os olhos, cansada daquele barulho.
É incrível que tamanha espécie tenha chegado tão longe. Inconsistentes. Inconsequentes. Egocêntricos. Egoístas. Capazes de construir o mais belo castelo sobre os escombros das vidas de outrem.
–Só mais um pouco... — Entre os barulhos da noite, ela se pegou murmurando estas palavras. A expressão gélida encarando a selva de pedras que se estendia em todas as direções — Só mais um pouco... — Repetiu, agora em bom som. E, dando as costas para aquela vista, ela caminhou pelo terraço, em direção às escadas
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E, ainda assim, não são desprovidos de dualidade. Para cada tirano existem aqueles que buscam a liberdade. Para cada assassino existem os que se sacrificam pelos outros. Para cada um que proclama a guerra, outros tantos celebram a paz. E para cada grito de desespero existe alguém para ouvi-lo.
A garota de cabelos cor de fogo descia do ônibus. Como lhe era de costume, tinha um sorriso alegre no rosto. Naquele dia quente, usava uma blusinha sem mangas, de cor rosada, em conjunto a uma saia leve e sandálias, caminhando de forma despreocupada por entre as ruas da cidade.
De fato, eis ai uma espécie curiosa. Regida por leis tão claras, mas ainda suscetível a tamanhas nuances. Previsível e incompreensível ao mesmo tempo, em constante pendular na balança da ordem e do caos.
Não se poderia dizer que caminhava seguindo a um rumo específico, mas parou ao chegar nas proximidades de um prédio, deixando-se olhar para o topo do edifício. Mesmo na escuridão da noite, foi capaz de ver um vulto deixando o terraço. Longos cabelos negros esvoaçando ao vento, ou assim a luz da lua fazia parecer. Sorriu.
É, de fato, uma espécie de antíteses.
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