The Game

20 Parte 1 - Capítulo 19 - Separação


Um longo silêncio se prolongou após aquelas palavras. Ambos os lados apenas se observaram por alguns momentos. Finalmente, foi Duo quem quebrou o silêncio.

–Você... – Abaixando a cabeça, resignado – Não poderia mesmo colaborar, não é? – A voz já não continha qualquer traço de irritação ou raiva, apenas uma completa melancolia – Hey, Hélcias, me responda uma coisa. Você... Tem algum desejo?

–Ãh? N-não, eu não tenho – Respondeu Hélcias, obviamente confuso.

–Mesmo? Você está num jogo cujo vencedor pode obter um milagre e ainda assim não deseja nada? Não existe mesmo nada em sua vida que você gostaria de mudar? – Conforme falava, Duo olhava para Hélcias com uma expressão melancólica. Hélcias, por sua vez, apenas manteve o silêncio – Entendo... Então, por favor, me diga: Por que está mantendo essas pedras com você?

–Por... que? – A mão de Hélcias imediatamente tocou em seu pulso, acariciando ali as 5 pedras que formavam o adereço que levava consigo – Por que se eu perder elas eu caio em coma, oras. É razão suficiente?

–Não, não é – Replicou Duo, quase de imediato – Se este é o sue objetivo, então uma só pedra já seria o bastante. Mesmo que quisesse se manter o mais seguro possível, quatro já faria o serviço. Então me diga, para que conseguir mais?!

–E por que não? – Hélcias retrucou, sem entender onde Duo poderia querer chegar – Quanto mais eu tiver, mais seguro eu fico, não? E depois, não é como se eu estivesse vagando por ai tentando juntar mais pedras. E, bom, nunca se sabe... Talvez... Até eu conseguir todas as pedras, eu realmente acabe encontrando um desejo a fazer...

–Talvez...? – Duo cerrou os punhos, cansado daquela conversa – Tsc... Você... Faz se quer ideia do que tem em mãos? – A pergunta saiu quase como um grito – Deixa eu repetir, pra ver se entra na sua cabeça: você pode conseguir um milagre! Absolutamente qualquer coisa imaginável! E, ainda assim, você me diz que não existe nada, mas nem mesmo uma só coisa, que você poderia querer?!

–E o que tem de mais nisso? – Respondeu Hélcias, em igual tom.

–Você não luta por nada! – Gritou Duo, apontando em acusação – Você poderia ter tudo. Poderia modificar o presente. Caralho, poderia até consertar os erros do passado! – Pegou, mais uma vez, a conhecida noticia de jogar impressa, empurrando-a na direção de Hélcias – Você poderia até devolver a vida que você tirou! – Gritou, enfatizando o “você” – E, ainda assim, você não passa de um garoto mimado que está contente e confortável com a vida como ela está – Acrescentou, abaixando o braço, deixando um momento de silêncio se instaurar – Como eu pude perder pra você?

Hélcias abaixou a cabeça. Por mais que não quisesse admitir, não podia responder àquelas acusações. De fato, até aqui sua única preocupação fora a de se manter vivo. Obter todas as treze pedras nem havia se passado por sua cabeça, quanto mais qual desejo poderia fazer. Era verdade, ele não lutada por nada, a não se por si próprio. “Mas... O que há de errado com isso?” Pensava, sentindo os olhos se encherem de lágrimas. “O que há de errado em querer viver? Não é o instinto natural? Cuidar de si próprio em primeiro lugar? Então... Qual o problema disso?!” Cerrou aos punhos, deixando a mente vagar naquele mar de incertezas que eram seus pensamentos.

Vendo aquele silêncio, Duo lhe deu as costas. Exausto daquela discussão, ele simplesmente se pôs a caminhar embora. Hélcias, por sua vez, se manteve preso em seus pensamentos. Valia a pena arriscar sua vida para, talvez, conseguir juntar as treze pedras necessárias? Talvez. Ele estava disposto a tanto? Definitivamente não. Se isso o tornava egoísta, acomodado ou o que fosse, então que assim seja. Antes acomodado do que em coma. Mas, ainda assim, Duo não deixava de ter um ponto. Se fosse só por este propósito, para que Hélcias se preocuparia em juntar estas pedras? Claro, havia o fato de segurança, mas enquanto jogasse apenas na Fighters e evitasse jogos fora da loja, ele deveria ficar bem... Mesmo para um momento de emergência, quatro pedras lhe era mais do que os suficiente, então por que manter mais?

Ele ergueu os olhos, vendo a figura de Duo se distanciar. Certamente detestava aquele garoto. Não por sua personalidade sarcástica ou manipuladora, mas sim pelas suas ações. Duo era o tipo de pessoa que Hélcias mais detestava: alguém disposto a fazer tudo o que fosse necessário para atingir seus objetivos, sem se importar em fazer da vida de outros um completo inferno. O tipo de pessoa que Hélcias sempre lutara para não se tornar. E, ainda assim, ele não podia deixar de sentir um resquício de pena de Duo. Não duvidava que o jovem estivesse sob muita dor. Nunca conhecendo os pais direito, tendo os únicos que amava lhe sendo tomados uns após os outros, até se ver sozinho no mundo. Solidão Era o tipo de dor que Hélcias conhecia, ainda que sob um outro aspecto. E o tipo de dor que ele sabia ser capaz de levar a atitudes extremas.

–Tsc... Mas que droga... – Cerrando os punhos, Hélcias correu – Duo! – Gritou, chamando a atenção daquele que já estava bem há frente – Duo, olha pra cá, desgraça!

“Eu não posso fazer isso...” Hélcias pensava. “Luta dessa forma... Me arriscar assim... Eu definitivamente não posso fazer isso!” Cortando a distância, ele pode ver que Duo havia parado, olhando para trás com um misto de incerteza e aborrecimento. “Mas... Tem uma coisa que eu posso fazer... Então, eu...”.

–O que você quer agora? – Duo perguntou, o tom neutro.

–Eu vou te ajudar – Hélcias disse, logo que se aproximou. Os olhos de Duo se arregalando de imediato – Mas preste atenção – Acrescentou, o olhar sério – Eu só vou te dar três pedras. Quando você conseguir dez, me procure e eu te ajudarei a completar as treze.

–E eu suponho que, em troca, eu devo ficar calado sobre o que sei a seu respeito, certo? – Duo colocou, rapidamente se recompondo da surpresa.

–Eu já disse, não me importo com o que você decida fazer com essa informação – Hélcias replicou, sem perder a expressão séria – O que eu vou exigir, porém, é uma coisa só: você não pode zerar ninguém. Se eu descobrir que você tomou todas as pedras de algum jogador... Se eu descobrir que você deixou alguém em coma, então esqueça a proposta.

–Hum... Interessante, mas como vai saber se eu fiz isso ou não? – Duo perguntou, em tom calmo – Pessoas caem em coma todos os dias, como vai saber se fui eu ou não o responsável?

–Você já devia saber, Duo... – Hélcias respondeu, deixando um sorriso forçado lhe surgir no rosto – Notícias voam, afinal... Mas em fim, essa é a minha proposta. Se quiser a minha ajuda, vai ter que aceitar – Sério, Hélcias estendeu a mão a Duo – O que me diz?

Um breve momento de silêncio preencheu o local, com ambos apenas olhando um para o outro, ambos aparentemente se perguntando o que se passava na mente um do outro.

–Por que... Está fazendo isso? – Perguntou Duo, sem conseguir esconder a curiosidade.

–Muito simples, Duo – Hélcias respondeu, deixando um sorriso fraco lhe surgir no rosto – Por que eu quero.

–Você... – Duo não pode conter o fraco sorriso que se formou em seus lábios. Estendendo a mão, o som da sua batendo contra a de Hélcias ecoou pela rua deserta – Eu vou cobrar essa promessa, Hélcias. Você pode ter certeza disso.

Hélcias apenas colocou um sorriso no rosto, meneando um sim com a cabeça. Tão logo soltaram as mãos, ambos os jovens foram para direções diferentes. O que nenhum dos dois notou, contudo, foi uma figura humana escondida nas sombras da noite, poucos metros atrás de ambos. Sua vestimenta era um único vestido negro curto. Os cabelos cor de fogo esvoaçavam mesmo com o pouco vento da noite. Conforme viu os dois se separarem, deixando aquela rua apenas para si, Jewel apenas sorriu.

–Você... Está mesmo interessada nesse garoto, não é?

–Eu não vou negar isso, mas... E quanto a você? – As palavras vieram de um beco estreito, alguns metros rua abaixo, próximo da posição onde Hélcias e Duo haviam se separado. Um ponto relativamente seguro, cuja escuridão permitia observar toda a rua – Você veio aqui me seguindo novamente ou... Por outro motivo? – Saindo do beco, a garota ainda pouco destoava da escuridão da noite. O vestido e o cabelo negros a fazia parecer quase uma aparição, com apenas sua pele alva destacada pela fraca luz do luar.

–Ora, pode ser que você está com ciúmes? – Jewel brincou, sem conseguir se segurar. Ainda assim, isso não arrancou qualquer reação daquele rosto gélido – Bom, eu já disse que nossos encontros são puramente acidentais – Disse, por fim, dando de ombros. O tom de obvia mentira – Mas bem... Digamos... Que eu não deixo de ver certo potencial naquele menino. E depois... O fato de ele ter atraído logo a sua atenção foi o bastante para me fazer querer observá-lo mais de perto.

–E chegou a alguma conclusão?

–Ora essa, e desde quando você se importa com o que eu digo? – Brincou, fazendo um leve beiço de birra. Vendo que sua interlocutora em nada se alterava, porém, Jewel decidiu pela seriedade de uma vez – Bom, ele é um bom garoto. Eu não sei nada de coisas como resolução, mas eu posso ver que ele tem uma boa vontade de viver.

–Boa? – Interrompeu a outra menina, franzindo o cenho – Nada de excepcional?

–Excepcional? – A pergunta confundiu Jewel, que ficou alguns segundos pensando no que ouvira – Hum, eu não diria isso. Na verdade, é justamente o contrário. Eu posso ver que esse garoto carrega uma grande dor no coração, e uma que não é fácil de se curar. Na verdade... – A expressão de Jewel ficou levemente melancólica – Eu já vi pessoas se suicidarem por um fardo bem menor do que o desse garoto...

–Entendo... Por isso então apenas boa... Bom, algo mais?

–Hum, acho que não... – Jewel colocou, fingindo pensar por um momento.

–Mais nada? – Mais uma vez, a garota deixou o cenho franzir – Então qual foi o potencial que você diz ter visto naquele garoto? Porque por essa descrição ele me parece justamente o oposto do que esperaríamos de um vencedor.

Jewel sorriu. Ao final, nada passava desapercebido por aquela garota.

–Isso não é exatamente verdade, não é? Quero dizer... Você está aqui, não é? – Pela primeira vez, ambas as sobrancelhas da jovem de cabelos negros se ergueram – Alguém que carrega uma enorme tristeza... Uma dor que não pode ser apagada... Um sofrimento tão profundo que...

–Você vai falar o que viu naquele garoto ou eu posso ir agora?

–Bom, ninguém está te segurando aqui – Sorrindo, Jewel deu as costas à morena, colocando ambas as mãos atrás da cabeça. Afinal aquela garota não era uma fortaleza assim tão impenetrável – Quanto à sua pergunta... Bom, digamos que eu vi nele o que eu precisava ver... Bem, até uma próxima – Ela disse, fazendo um leve aceno com a mão, sem se importar de olhar para trás conforme subia a rua.

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No dia seguinte, Hélcias novamente passava pelas portas de vidro que demarcavam a entrada da conhecida loja. Ao fazer isso, não pode deixar de sentir o coração acelerar de leve. Certamente, parte do motivo vinha da presença de outros jogadores por perto, um sentimento com o qual Hélcias ia se acostumando aos poucos. Mas havia mais nisso. Embora não quisesse admitir para si mesmo, parte de si estava assustada. Teria Duo espalhado a informação que encontrara? Obviamente, as chances disso eram bem baixas, já que depois da noite anterior Duo certamente não estava em uma posição em que chatear a Hélcias lhe fosse vantajoso. Ainda assim, Hélcias não podia deixar de sentir uma pontada de insegurança.

Hélcias olhou em volta. O motivo de ter voltado tão cedo para a loja, a despeito de todos os eventos da noite anterior, foi um convite de Héber. Antes de deixarem a loja, Héber o havia convidado a voltarem no dia seguinte, a fim de aproveitarem o tempo livre de que ainda dispunham, antes de voltarem às aulas. Entretanto, Hélcias havia chegado levemente mais cedo do que imaginava. Havia marcado com o amigo às duas da tarde, mas ainda mal passava da uma, o que lhe dava algum tempo sem muito o que fazer. Decidiu, assim, que olharia um pouco os mostruários, antes de subir e talvez trocar algumas cartas com quem quer que estivesse no andar de cima.

Tendo o balcão de vidro o formato de um U invertido, com uma estreita passagem no fundo da loja, Hélcias começou pela ponta da esquerda e foi subindo, olhando os mais diversos tipos de booster box, playmatchs, deck box, além de uma ou outra ocasional pasta de cartas. Enquanto fazia isso, pensou em Esídio. O balcão estava vazio, o que indicava que ele provavelmente estava no estoque naquele momento. Pelo que Hélcias havia aprendido, a loja em si pertencia ao Esídio, que para ajuda-lo empregava mais um ajudante, de forma que um dos dois sempre ficasse no balcão. Contudo, domingo era o dia de folga do contratado, o que deixava Esídio sozinho para lidar com os possíveis clientes. “Ele realmente deveria contratar mais gente...” Hélcias pensou para si, já chegando ao ponto mais ao fundo da loja. E então...

–Eu já disse que não notei nada, cacete!

O grito abafado assustou Hélcias, cujos olhos se arregalaram e olharam na direção do som. Ao que parecia, o xingamento viera do outro lado da porta de madeira que ficava do outro lado do balcão, a divisa entre a loja e seu estoque. Entreaberta, com apenas uma leve fresta visível, parece que alguma discussão intensa acontecia do outro lado. Isto por si só era incomum: Esídio deveria ser o único na loja que teria motivos para ir ao estoque. Mais estranho, porém, era o fato daquele grito claramente não se de Esídio. Não estivesse Hélcias enganado, a voz parecia ser de Héber.

“Eu não notei?” Hélcias pensou, repetindo mentalmente as palavras. “O que Héber não teria notado?” E foi então que um pensamento lhe cruzou a mente “Pode ser... Um roubo? Será que a loja foi assaltada ontem?!” Com o completo silêncio que era o andar de baixo, era possível ouvir que a discussão continuava, mas ainda assim o som estava baixo demais para se distinguir qualquer frase coesa. Engolindo em seco e levado pela curiosidade, Hélcias cruzou a estreita passagem que separava as partes interna e externa do balcão, aproximando-se, com cuidado, da porta. E, então, ele parou.

“O que eu estou fazendo?” Ele perguntou a si mesmo. “Isso não tem nada a ver comigo... Além disso, isso é uma conversa privada em uma área restrita da loja. Eu não posso simplesmente entrar aqui, nem posso ficar atrás do balcão, onde qualquer um que me visse perguntaria o que eu estou fazendo” Ele cerrou os dentes. Estava curioso, mas precisava ter também um pouco de bom senso. “É melhor eu subir... Se o Héber já está aqui, ele deve subir logo também, dai eu pergunto pra ele o que houve. É, essa é a melhor ideia” Ele pensou, dando um meio passo para trás. E foi ai que ouviu outro trecho da conversa.

–Droga, isso é no mínimo desconfortável... – Desta vez a voz era obviamente de Esídio. Ele falava com bastante frustração, o que parecia fazer sua voz se elevar levemente – E não é como se pudéssemos simplesmente confrontar o Hélcias sobre isso...

Neste momento, ambos os olhos de Hélcias se arregalaram. “Me... confrontar?” Ignorando sua posição, ele se aproximou novamente da porta. Colocou o ouvido o mais perto desta que pode, mas sem encostar nela, não querendo correr o risco de fazê-la se abrir. Agora era diferente. Uma coisa era uma conversa que em nada lhe dizia respeito, mas se ele era o assunto central ele precisava saber o que estavam dizendo.

–Esídio, não acha que está exagerando um pouco? – A voz de Héber indicava que ele estava tão frustrado quanto Esídio – Quer dizer, pela notícia isso já faz anos. Mesmo que tenha sido bem sério, não é como se fosse voltar a acontecer... Digo, matar uma pessoa... Não parece algo que ele faria...

A partir deste ponto, Hélcias deixou de ouvir a conversa. Não havia mais o que pensar. Eles sabiam. Teria Duo contado? Mas por que ele faria isso? Talvez fosse apenas coincidência. O próprio Hélcias havia dito na noite anterior: bastava jogar-lhe o nome no Google e a noticia viria. Não que isto importasse agora, claro. Eles sabiam, e obviamente não estavam contentes com o que sabiam.

Por um momento, Hélcias sentiu um aperto no coração. Trincou os dentes, frustrado. Por um momento, seus olhos lacrimejaram de leve, mas ele rapidamente limpou-os com as costas da mão. Não havia sentido em se lamentar: ele já deveria saber que isto poderia acontecer. Hélcias, assim, deu as costas para a porta. Atravessou novamente a abertura no balcão e começou a caminhar em direção à porta. E, então, a meio caminho, a porta atrás de si abriu.

–Hél... cias? – A voz, hesitante, que lhe chegava por trás era a de Héber.

–Héber... – Por um momento, Hélcias manteve uma expressão de surpresa, nunca imaginando que ambos deixariam o estoque da loja justo naquele momento.

–Hey... – Havia um claro desconforto na voz de Héber – Você chegou cedo – Ele acrescentou, forçando um meio sorriso – Ah, bem, já que está aqui, vamos subir, então?

Conforme falavam, Esídio também saiu do estoque, arregalando os olhos ao ver Hélcias. Por um momento, Hélcias cerrou seu punho com força. Podia ver no rosto de ambos. Angustia. Insegurança. Medo. Medo dele. Medo do que ele poderia fazer. Ele odiava isso. Esse olhar que recebia agora. Esse sentimento de ser tratado como um espécime perigoso, de quem ninguém deve se aproximar. Não aguentou. Virou-se, encarando o exterior da loja.

–Desculpa, Héber, mas... Eu já vou indo pra casa – Ele disse, sem conseguir esconder a angustia que sentia na voz.

–M-mas já? Quer dizer, você acabou de chegar... – “Não é?” Secretamente, estas foram as palavras não ditas. E Hélcias sabia muito bem disso.

–Hélcias – Chamou Esídio, que ficara calado até então – Por acaso, você...

–Se eu ouvi a conversa de vocês? – Hélcias completou, dizendo o que Esídio não conseguia. Ele não podia ver, mas tanto Héber como Esídio agora apresentavam uma expressão de surpresa ainda maior. Obviamente, aquela pergunta já era a própria resposta – Não precisam se preocupar – Hélcias disse, após alguns segundos de um silêncio desconfortável – Eu não vou mais voltar aqui – E, encerrando assim a conversa, ele deixou a loja.