The Game
13 (13) You
Notas iniciais
Percebi que Malfoy havia me deixado ali sozinha, pois o Ronald tinha acabado de acordar e vinha na minha direção, se sentando ao meu lado. Liguei a minha lanterna, que estava na minha bolsa e fingi brincar com ela.
– O que houve com a sua perna? – Ele disse enquanto olhava para ela – E por que tem uma... É a camiseta do Malfoy?
– É bem obvio o que houve com a minha perna. Sim – Disse respondendo da forma mais fria que eu conseguia.
– E por que a camisa dele esta ai? – Ele perguntou irritado.
– Por que, ao contrário de você, ele é um cavalheiro. – Eu disse isso mesmo?
– Malfoy? Cavalheiro? Hermione, ele é o nosso inimigo dês de... Dês de sempre! O que ta acontecendo com você? Você está totalmente diferente comigo. – Ele disse enquanto tentava, de algum jeito, enxergar além de mim.
– Eu que pergunto a você, Ronald. O que está acontecendo com você? – Eu perguntei e ele fingiu não entender. Fui mais direta então. – Tem algo que você quer me falar? – Ele fingiu ainda não entender – Algo que, sei lá, aconteceu hoje? – E então a ficha caiu.
– Sobre o que, exa-exatamente? — Ele disse e sua voz tremeu.
Pensei então, se eu falasse que eu mesma tinha visto ele aos beijos com a Lilá –como foi o que aconteceu- ele iria falar que foi obrigado por causa do jogo, é claro. Mas e se eu falasse que foi o Malfoy que viu e me contou? Será que ele falaria que era mentira do Malfoy? Será que ele teria coragem de colocar a culpa numa pessoa inocente e se safar dessa?
Resolvi mentir. Falar que o Malfoy que viu.
– Eu... Soube – Estava escolhendo as palavras exatas- que nessa manhã, você beijou a Brown.
Ele ficou vermelho, suas orelhas principalmente. Olhou nos meus olhos e eu jurava que ele iria chorar.
– Quem disse isso? – Ele perguntou com a voz fraca.
E agora? Mentia ou não mentia?
– Malfoy – Respondi enquanto o encarava, tentando captar todas as suas emoções.
– Você já parou pra pen-pensar – ele falava em voz baixa enquanto sua voz tremia – que o Malfoy quer destruir o nosso relacionamento? Já pensou ni-nisso?
– Você está dizendo que ele mentiu? – Eu perguntei devagar, enquanto o meu sangue fervia.
– Hermione, eu amo você. É claro que ele mentiu, ele... – Não o deixei terminar a frase.
Em questão de segundos a minha mão agiu por vontade própria, dando um tapa na cara dele tão forte que eu jurava que ficaria roxo. Ele caiu de lado com o impacto, caindo no lago. Ronald começou a se espernear, provavelmente sentindo que iria se afogar. E pela primeira vez na minha vida eu não o ajudaria.
– Granger! – Escutei Malfoy gritando enquanto se aproximava de mim – Adorei isso. – Ele comentava enquanto o Weasley gritava e se afogava.
Por mais que eu quisesse achar aquilo à vingança perfeita eu sabia que não era. Eu sou tonta, idiota e gentil demais. Percebi isso quando me vi ajudando Ronald a sair –mesmo com as pernas daquele jeito eu tentei puxa-lo- e ele voltou à terra firme. Mesmo que inconsciente ele ainda respirava e isso era o bastante. Fui mancando para sair dali o mais rápido possível, queria ficar sozinha, mas, como se não bastasse, sinto uma mão abaixo dos meus joelhos e outras nas minhas costas, novamente.
– Quer sair daqui? – Malfoy disse sussurrando enquanto aproximava o meu corpo do seu. Relembrando o fato de que ele ainda estava sem camisa.
Malfoy pegou a minha lanterna para seguir o caminho. Estava com os olhos fechados, mas isso não durou nem um minuto. O loiro já começou a abrir a matraca.
– Agora você, nos meus braços, uma floresta... Sabe o que parece? Crepúsculo! Só falta eu te colocar nas minhas costas e ai eu começo a escalar uma dessas arvores igual um macaco e depo... – O interrompi.
– Malfoy – Eu disse
– Sim?
– Cala a boca.
– Vai dizer que não gosta de crepúsculo? – Ele perguntou e eu o ignorei.
Pensava no Ronald. Fiquei feliz por ter tido coragem de deixa-lo lá, mas, e quando ele acordasse? Ele não saberia se virar sozinho. E se algo acontecesse?
– Eu quero voltar. – Eu disse olhando por trás de seus ombros o caminho que nós já tínhamos feito.
– Ah, por favor, Granger – Ele disse enquanto parava de andar e me olhava – Ele não faria isso por você. Sabia disso?
– Mas ele a cima de tudo é o meu amigo.
– Um amigo trai o outro desse jeito? – Malfoy perguntou e eu fiquei calada. Ele deve ter entendido isso como um “você tem razão” –mais uma vez- e continuou a andar.
Andamos por pouco mais de quinze minutos. Eu mantinha os olhos fechados e a cabeça inclinada sobre o pescoço do Malfoy. A sensação era boa.
– Granger- Ele disse – Olhe isso.
Abri os olhos. O lugar que eu vi foi, com certeza, um dos mais lindos que eu já vi na vida e eu não tinha noção de como aquilo foi parar na floresta proibida. (*Abram essa foto: http://i284.photobucket.com/albums/ll35/Fez_022/CAMPINA.jpg ps: copiem a url e abram ela em uma nova guia, pois se você apenas clicar -pelo fanfiction-ele não vai reconhecer*)
– Uau – Eu disse enquanto olhava encantada – Como isso... Você sabia que tinha isso aqui?
– Eu não fazia ideia, simplesmente apareceu – Acreditei nele. As coisas estavam mais do que estranhas nos últimos dias. – Isso aqui deve ser mais lindo ainda de dia.
– Sim – Disse enquanto descia de seus braços e andava mancando. Ele se colocou ao meu lado e me segurou pela cintura. – Não precisa disso. – Disse me soltando e andando mais um pouco. E então, tropecei.
Não me pergunte como, mas, quando eu já estava quase caindo no chão ele me segurou e me deitou no chão com cuidado, ficando a cima de mim. A luz da lua permitia que eu visse o seu rosto por completo e admirasse a sua beleza. Sempre o achei lindo, mas por que nunca admitia isso? Por que sempre tivemos que brigar por coisas banais? Por um momento esqueci-me de Ronald. Para ser sincera, esqueci-me de tudo, de todo o mundo. Só existia eu e ele naquele momento, juntos como um só. Malfoy parecia estar pensando a mesma coisa. Ele apoiava uma mão na grama ao meu lado e com a outra tocou a minha bochecha. Fechei os olhos com o seu toque. Sua boca estava a cada segundo mais próxima da minha e, naquele momento, a coisa que eu mais queria era que elas se tocassem.
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