The Gângster
27 *Capítulo Bônus*
Notas iniciais
°°°
Tic
Tac
Tic
Tac
...
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Fui acordando aos poucos.Pisquei os olhos.Meu colchonete está tão confortável e quentinho, que estranho.Meremexo.Definitivamente não estou no meu colchonete e muito menos no porão.
Me levanto num pulo.Caralho, se parecia muito com o antigo quarto meu.Olho para cômoda e vejo o horário: meio dia e pouco.Será que aquilo que aconteceu com Cloe...Foi um sonho? Olho fixamente para o quadro que está na cômoda, o pego e passo a mão no mesmo.
—É um sonho, né? — Murmuro.
Era uma foto minha com a Cloe sentada no meu colo, e no colo dela está a Angélica, Sebastian está do meu lado na foto.
Minha filha
A porta do quarto é aberta.Meus olhos se arregalam.Cloe entra sorrindo no quarto e meu coração se enche de felicidade.Por favor, se isso é um sonho, deixe-me em coma para sempre.Me levantei e corri até ela, à abraçando.
Eu sentir tanto a sua falta!
Eu pensei que você estivesse morta!
Eu te amo tanto
Ouvir o som de sua risada e abracei mais forte.
—Sempre quando você acorda, você vai sempre correr para me abraçar é? — Ela disse.
Me afastei dela e sorrir lado.Ela estava uma deusa como sempre, algo que eu não dizia para ela???
—Como é? — Olhei confuso.
—Desde que eu e os caras te salvamos, você acorda pensando que ainda está no colchonete e quando me vê, sempre pensa que eu morri.
Algumas coisas não faziam sentido, mas foda-se, ela está aqui, viva.
—Ah sim. — Concordei, mesmo não lembrando de nada disso.
—Sinto muito não ter ido logo te salvar. — Ela passou a mão em meu rosto. — Agora você acorda sempre desse jeito. — Seu olhar ficou triste.
—Ei ei ei Clô, não me olha assim caraí.A culpa foi minha, não devia ter ido sozinho e sem arma.Mas você está aqui, pelo menos. — Levei as suas até meu rosto e fechei meus olhos, sentindo o seu toque.
Minha vontade era de chorar em seu colo como um bebê de merda chorando para mamar a mãe, porque seu toque era tudo para mim, e eu pensei que eu nunca mais fosse sentir.
—Vamos? Angel quer te mostrar os desenhos que ela fez, ela é uma artista de primeira. — Clô pegou a minha mão e saiu me arrastando.
Saímos do quarto e descemos as escadas.Vi os caras pra lá e para cá.Vi um pivete correndo, quase trombando comigo.
—O Ivan é um diabinho. — Disse Clô.
Ivan...Filho da Karla, ah sim.Será que o Nicolas está aqui também? Entramos na sala de estar e vi Angel desenhando na mesa de centro.Sorrir de lado.Minha filha é tão linda, com seus cabelinhos negros e olhos verdes.Cloe foi até ela e sussurrou algo para Angel.Angel se virou e me olhou.
—Papai! — Me chamou.
Ela veio correndo até mim e eu me agachei um pouco, a pegando no colo e enchi seu rosto de beijos.
—Ian?
—Você vai conseguir superar?
Estranhas vozes entram em minha cabeça.Estou ficando caduco!? Porra mermão.Sebastian aparece do meu lado, ele cresceu bastante.
—E aí velhote. — Disse Sebas.
—Me respeita pivete. — O respondo de volta.
Baguncei seus cabelos.Meu sorriso fui sumindo, quando alguém apareceu atrás de Cloe, pisquei meus olhos, tentando arrumar minha visão.Inclinei minha cabeça um pouco pro lado e vi que tinha realmente alguém atrás dela, e esse alguém apontou a arma para ela...
—Cloe? — A chamei.
Mas ela não tirava os olhos de mim, ela apenas sorrio para mim.Aquela pessoa atrás dela destravou à arma, Cloe sacou a sua, mas antes de vê o que aconteceu, tudo ficou escuro e eu ouvir um disparo.
—E depois desse sonho, eu acordo. — Digo.
Me sentei no sofá do consultório psiquiatra, a Doutora Lana me olhou e assentiu.E novamente estou eu aqui, me tratando.
—E seu amigo Nícolas, ele também estava em seu sonho? — Engoli um seco.
—Não...Nícolas foi o único que não vi. — Comento.
Nicolas cometeu suicídio já faz um ano e meio.Tudo está tão diferente e difícil agora.
Queria nunca ter ido naquela festa de Natal
A doutora me diz mais algumas coisas e eu ouço alto e claro.
Queria ter nunca me aproximado dela
Burro
Idiota
Impulsivo
Pego meu casaco e digo 'tchal' para a Doutora.Abro a porta do consultório e fecho a porta atrás de mim.
Eu nunca devia ter metido ela em nada disso
Eu devia ter ficado longe! Bem longe
Suspirei fundo, segurando a angústia, tristeza e tudo o que mais sentimento fudido que está preso em meu peito.Eu nunca mais comemorarei um natal em minha vida, nunca mais.
∆
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