Notas iniciais
Hello, guys!

Confesso que estava incerta em postar esta história, já que nunca escrevi nada sem ser texto acadêmico.

A ideia surgiu após ler algumas fics com cenário parecido, mas geralmente não identificava as personalidades dos personagens corretamente. Então, escrevi essa One da forma que acho que os personagens iriam, minimamente, agir.

Enfim, foi feita com muito amor, espero que gostem! ♥♥

Caminho apressadamente até a sala de poções, rogando à Merlin para que ninguém note meu leve atraso. Ser a única do “trio de ouro” que retornou a Hogwarts para concluir os estudos não ajuda muito, as pessoas parecem não saber como me tratar, embora eu já tenha deixado bem claro que sou somente uma aluna comum. Rony e Harry receberam ótimas propostas do setor de aurores e embora meu relacionamento com o ruivo não tenha vingado — felizmente percebemos rapidamente que o que sentíamos não era nada além de amor fraternal — continuamos grandes amigos.

Ao chegar à sala, percebo que a aula já começou e bato timidamente a porta. Amelia Thompson, a nova professora americana de poções, apenas dá passagem para entrar e pede para que procure alguém para fazer dupla. Quando entro, analiso as duplas dispostas e procuro por alguém para me juntar e, infelizmente, só vejo uma cabeleira loira no fundo da sala. Não que eu odeie o Malfoy ou algo assim, mas não posso negar que há desconforto e constrangimento em todas as nossas poucas interações desde o retorno das aulas. Percebendo meu impasse e completamente alheia a tensão na sala, a professora Thompson vem até mim.

— Srta. Granger, já está bastante atrasada. Junte-se ao sr. Malfoy, por favor! – Noto sinais de impaciência em sua voz e resolvo obedecer rapidamente, evitando uma cena. Sento ao lado do sonserino e a professora Thompson retorna a ministrar a aula.

— Muito bem, já que vimos a parte teórica na aula anterior, abram o livro na página 389 e realizem a poção. – Cada dupla se volta para sua tarefa e, não posso negar, o Malfoy é um ótimo pocionista.

Em silêncio, vejo que terminamos e nossos olhos se encontram. Nunca estivesse tão próxima do loiro e, levemente embaraçada, me viro para a professora erguendo minha mão para chamar sua atenção. Já ao nosso lado, a srta. Thompson se aproxima do caldeirão e analisa rapidamente nosso trabalho.

— Muito bem, parece correto! Agora separem em três fracos, um eu vou querer ao final da aula e, para fechar a nota, precisam experimentar a poção e redigir um relatório com mais de 60 cm sobre a experiência. Não esqueçam de pingar uma gota de sangue no frasco do companheiro. – termina com um sorriso gentil, mesmo que o que tenha falado deixa meu coração acelerado e extremamente irritada. Ao meu lado, Malfoy parecia dividido entre constrangimento e confusão.

— Mas... por que isso, professora? – Finalmente consigo expressar minha confusão e descontentamento.

— Srta. Granger, não gosto que questionem minha autoridade em sala! Não vejo problemas em experimentar uma poção tão simples, apenas irá ter um vislumbre de como seria seu futuro entrelaçado com o colega. A senhorita foi bem categórica ao pedir para ser tratada com uma aluna comum, portanto, há duas opções: realizar a prática e redigir o relatório ou ficar somente com a nota pelo preparo. Então, como irão seguir?

Muitíssimo constrangida, respondo timidamente que iremos terminar a prática e me volto para o Malfoy, que parecia mais desconfortável que tudo, só não sei se é por minha evidente negativa ou por seus preconceitos infundados. Pensar na segunda opção me deixa possessa de raiva e me viro raivosa para pegar a pequena adaga e terminar logo essa tarefa.

— Acordarão após meia hora, mas não sabemos quanto tempo irão ficar na linha temporal criada, portanto não interfiram, não falem nada que possa prejudicar e guardem suas impressões pessoais para si até retornarem. – Fala a professora Thompson enquanto nos acomodamos e bebemos a poção com a gota de sangue um do outro.

Inicialmente, não sinto nada e começo a repassar todo o processo para averiguar se fizemos algo errado, mas nada me vinha a mente. Estranhamente, me sinto dormente e logo a necessidade de me aconchegar e descansar me aplaca. Parcialmente deitada na bancada, consigo ver o sonserino fazendo o mesmo antes de cair na inconsciência.

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A sensação de dormência aos poucos vai se dissipando e percebo estar deitada em algo muito confortável. Não está frio, sinto um calorzinho agradável e colchas extremamente confortáveis. Preguiçosamente, me obrigo a levantar e explorar antes que o efeito da poção passe. Ao abrir os olhos, constato que estou em um quarto, deitada em uma cama e aconchegada em um corpo. Mais especificamente, um corpo masculino de pele branca com várias cicatrizes disformes. Tento engolir a sensação de pânico crescente e procuro fazer o mínimo de barulho para não acordar meu acompanhante. Mesmo com todo o esforço, ele acorda e assisto, totalmente desacreditada, Draco Malfoy piscar seus olhos cinzas lentamente e se virar para mim sorrindo. Quando percebo suas intenções já é tarde demais e me vejo presa abaixo do seu corpo – moderadamente musculoso, diga-se de passagem – e com seus lábios tocando os meus. Esforço-me em manter naturalidade e procuro uma passagem para fora do seu abraço, percebendo tardiamente nossa falta de vestimentas ao tentar sair da cama.

— Baby, tudo bem? – questiona-me surpreso e tento disfarçar dando um sorriso, que espero que tenha sido gentil e que ele não perceba toda a confusão e vergonha que sinto.

— Sim, sim! Tudo maravilhoso, mas preciso...ir ao banheiro! – Me enrolo no lençol e corro até o banheiro sob o seu olhar confuso.

Na segurança do banheiro, permito-me um momento de pânico. Não sei qual o meu relacionamento com o Malfoy nessa linha temporal, nossa idade ou onde estamos. Me forço a me acalmar e reunir todas as informações que já sei: não estamos em Hogwarts; provavelmente moramos juntos ou passamos muito tempo juntos nesse lugar, visto que o banheiro está equipado para um casal; o Malfoy foi, até o momento, carinhoso; e, não menos importante, somos casados!. “Tudo bem, tudo bem, não surta Hermione!”. Penso encarando a linda aliança em meu anelar esquerdo e sinto novamente o pânico crescer dentro de mim. Eu não podia ter casado com Draco Malfoy, o que eu estava pensando? Ele sempre me odiou, sempre fez questão de evidenciar o seu desprezo pela minha origem trouxa e virou um Comensal da morte. E, embora eu estivesse em seu julgamento e presenciado destrincharem suas memórias e saiba o quanto ele tentou sabotar alguns planos de Voldemort, não apaga tudo que fez em nome do seu lorde. Não apaga tudo que fez e falou durante anos. Não apaga a memória do seu olhar enquanto eu era torturada por sua tia. Em sua casa.

Será que estamos na mansão Malfoy? Por Merlin, espero que não. Sinto calafrios só de imaginar. Sei que estou demorando muito e procuro fazer uma rápida higiene matinal. Encontro um roupão felpudo com as iniciais “HM” lindamente bordadas e, engolindo a ânsia, visto e saio rapidamente do banheiro. Encontro-o sentado em uma bela poltrona creme próxima a cama, já devidamente vestido e encarando o chão. Parecia pensativo e fiquei incerta se me aproximaria. Enquanto debatia comigo mesma qual ação tomar, escuto sua voz, me sobressaltando.

— Querida, está tudo mesmo bem? Sei que não temos muito tempo agora, mas quer conversar sobre algo? Você parecia bem até pouco tempo. – por sua voz, consigo notar o quão está preocupado comigo e me sinto péssima por não estar sabendo lidar com isso como deveria. Relaxo minhas feições e tento transmitir calma ao me sentar na poltrona ao lado.

— Não se preocupe. É apenas uma dor de cabeça chata, logo passa. – ele parece não acreditar, mas nossa conversa é interrompida por um barulho de choro. Malfoy rapidamente pega um aparelho, que para minha surpresa é trouxa, e olha a tela para logo em seguida me dar um sorriso divertido.

— Parece que alguém já acordou! Se arrume tranquila, irei acalmá-lo. – Sem que eu tenha chance de reagir, ele vem até mim e me dá um rápido beijo e sai porta afora.

Vou até a porta que imagino ser o closet e procuro algo para vestir, a curiosidade me consumindo. Temos filhos? Eu jamais imaginaria que o Malfoy se tornaria um marido tão carinhoso e pai, aparentemente, zeloso. Ao encarar as roupas, é nítido a mudança de estilo que sofri com o tempo. A parte feminina do closet está cheia de roupas elegantes e muitos saltos altos sofisticados. Procuro por algo confortável e mais parecido com a Hermione que ainda está em Hogwarts e componho um look com calça jeans e sapatilha. Termino de me arrumar rapidamente e saio em busca explicações para as intermináveis dúvidas que tenho.

Não precisei ir muito longe, a porta ao lado estava aberta e me vejo perdidamente encantada com a imagem diante de mim. O Malfoy, com seu corpo grande e musculoso, segurava um bebê gordinho e sorridente com carinho e zelo. Se eu contasse sobre essa visão para alguém, provavelmente achariam que estou louca e riram afirmando que tal coisa seria impossível. Mas aqui estou eu, presenciando essa bela cena e só consigo pensar no quanto esse Malfoy é totalmente diferente do Malfoy que conheci e convivi. Não preciso pensar muito para determinar que prefiro esse.

— Olha quem já chegou, Scorp, a mamãe! Dá bom dia para a mamãe, meu amor – é impossível não me derreter assim que seus amáveis olhos cinza se dirigem a mim. O bebê acompanha seu movimento e transborda alegria ao me ver. Seu riso alegre e fofura me deixando emocionada e disfarço chegando próximo e pegando-o no braço.

— Bom dia, meu amor! Como você está? – encho-o de beijos e suas risadas ficam mais altas. Absorta em observar o lindo bebê, não noto que ele procurava por algo, algo dentro da minha blusa. – Está com fome, querido? Quer mamar?

Não sei bem o que estou fazendo, mas olho para o Malfoy e o vejo sorrindo, um sorriso que nunca vi em seu rosto. É lindo. Ele apressadamente se levanta da poltrona que estava sentado e eu me dirijo a ela. Estava usando uma blusa de gola alta, o que dificultava um pouco o que teria que fazer. Tirando toda a falta de experiência que tinha, ainda sentia a presença do Malfoy me desconcertando. Mas o bebê já estava ficando impaciente e tentava chegar até sua fonte de alimento desesperadamente. Para disfarçar o constrangimento que sentia com a figura alta e imponente do loiro, ri do pequeno e o ajudei a levantar a blusa e achar o seio, me concentrando mais na tarefa do que o considerado normal. Não desvio olhar, mas sinto o Malfoy se abaixando próximo e passar a mão pela cabeça do bebê.

— Nunca me canso de ver essa cena, é uma das minhas preferidas. Eu amo vocês e talvez nunca consiga expressar suficientemente. – o olho emocionada acarinhar o bebê em meus braços e não resisto quando ele se aproxima para deixar um singelo beijo, acompanhado de um riso ao ver o bebê bater suas mãozinhas em nós. — Tudo bem, amigão, a mamãe é toda sua, por agora.

Mesmo rindo, sinto meu coração acelerar com sua fala e seu olhar pecaminoso em minha direção. O loiro se afasta e sai do quarto ainda rindo. Volto minha atenção para o bebê “Scorp” e começo a analisá-lo. Sim, é um bebê muito bonito, fofinho, risonho e, aparentemente, saudável. Identifico alguns traços meus, como o formato do sorriso e dos olhos, mas é predominante as características do Malfoy. O pequeno tem alguns tufos loiros, belíssimos olhos cinzas e nariz aristocrata. Quanto mais olho, mais apaixonada fico. Quando parece satisfeito, o ajudo a arrotar e fico um pouco com ele passeando pelo quarto. Aliás, é um quarto enorme para uma criança tão pequena. Todo decorado em tons pastéis, nota-se muita influência trouxa. Ao perceber que está quietinho, o coloco no berço e fico ninando-o. Sinto mãos em minha cintura, mas continuo contemplando o lindo bebê.

— É uma bela mistura, não é mesmo? – não faço nada além de concordar levemente, ainda encarando o pequeno. – Ainda não tive a oportunidade de dizer, mas esse jeans deixa sua bunda deliciosamente gostosa, meu amor!

Engasgo com o aperto que sinto em minhas nádegas e me perco em um baixo gemido ao sentir um beijo em meu ombro. Ainda com a respiração descompassada, sou virada e fico dentro dos seus braços encarando seus lindos olhos tempestade. Seu sorriso malicioso entrega suas intenções e, diferente de antes, não sinto pânico, apenas ânsia. Ânsia por seu beijo. Ânsia por seu toque. Ânsia por seu amor. A profundidade dos meus desejos me assustam um pouco e é inevitável pensar nas probabilidades de tudo isso virar realidade. Sinto sua boca se encontrar com a minha em um beijo delicioso, sensual e carinhoso ao mesmo tempo. Me entrego totalmente, desejando ser sua Hermione e esse ser meu Draco.

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A primeira coisa que sinto ao acordar é uma dorzinha nas costas, acho que apaguei em uma posição pouco confortável. Me levanto e observo o sonserino ao meu lado, ele já estava de pé e vi um vislumbre de preocupação em seus olhos. Percebi tardiamente que era a última a acordar e era alvo de curiosidade dos outros alunos. Constrangida, retornei meu olhar para o loiro e fui presenteada com um tímido sorriso, o qual eu devolvi de bom grado. Desconcertado, Malfoy assistiu eu me levantar, pegar meu material e sair sem olhar para mais ninguém.

Após uma semana, era indiscutível o quanto a atividade da professora Thompson tinha afetado a maioria dos alunos do último ano. Não falei com ninguém sobre meu futuro hipotético, acho que sou um pouco egoísta e possessiva e, só de imaginar alguém tendo acesso a aquela experiência, sinto-me raivosa. Ainda evitando o loiro, fiz o relatório sozinha, apenas com informações trocadas por bilhetes. Ele foi tão evasivo quanto eu em suas palavras e minha curiosidade sobre o que vivenciou fica mais latente, mas me contenho. Já era noite e estava indo para meu dormitório quando sinto mãos agarrarem meu braço e me puxar para uma sala vazia. Assustada, me viro para meu sequestrador com a varinha já em punho.

— Me desculpe, Granger, apenas estava evitando fofocas desnecessárias. – não sei bem como reagir, mas guardo novamente a varinha e o encaro curiosa, esperando explicações. Ele parece incerto e inseguro e isso só me deixa mais ansiosa. Após tomar coragem, o loiro me encara e determinado — Eu não sei pelo o que você passou quando bebeu aquela poção, mas eu sei o que eu vivenciei. Quando acordei naquele futuro hipotético, descobri que juntos tínhamos uma vida aparentemente perfeita. Éramos casados, sabia? Morávamos em uma linda casa com um jardim esplêndido. Você estava grávida e...eu não conseguia parar de pensar no quão fodidamente sortudo eu era por receber seus sorrisos, seu toque gentil e seus beijos carinhosos. Eu não sei as circunstâncias que fizeram aquele Draco e aquela Hermione se apaixonarem e construírem uma linda família. Também não sei o que estou fazendo agora, não tenho expectativas que você acredite em tudo que estou falando e me perdoe em um passe de mágica. Apenas preciso falar. Apenas...apenas preciso tentar. Me desculpe por tudo que fiz e deixei que fizessem com você e com seus amigos. Me desculpe por tudo que falei e deixei que falassem sobre você. Eu não acredito mais naqueles ideais e todo dia tento desconstruir aquilo que um dia fui, porque sei que machuquei inúmeras pessoas. Eu...droga! Devo estar parecendo completamente louco. Diga alguma coisa, por favor.

Estou em choque. Não consigo firmar um pensamento coerente na minha cabeça. Aos poucos saio do meu estado de lerdeza e percebo o quão constrangido e inseguro está o loiro a minha frente. Me aproximo timidamente e dou-lhe um sorriso. Seu alívio é evidente, mas logo se preocupa ao notar as lágrimas em meu rosto, lágrimas que nem mesmo eu tinha notado. Sua fala me deixou emocionada e esperançosa, porque vi um pequeno vislumbre do Draco que ele pode ser. Do Draco que eu vi e me encantei.

— Eu entendo você, também tive uma experiência única. Não posso dizer que perdoou você agora, mas...se aquela Hermione conseguiu, eu não vejo problemas em tentar. Podemos...começar como amigos?

Seu rosto abriu um lindo sorriso, o mesmo que o Draco do futuro me deu, e alí – naquela sala iluminada apenas pela lua – dávamos uma chance de ter um futuro tão lindo quanto o que vimos.

Notas finais
Espero, realmente, que tenham gostado.

Peço desculpas por qualquer erro, principalmente no formato, não sei bem mexer aqui haha

Obrigada por ler! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!