Notas iniciais
Songfic baseada na música "The Funeral" da banda Band Of Horses

I'm coming up only to hold you under

I'm coming up only to show you wrong

-Eu te amo, América.

Lembro-me de ter dito essas palavras muito depressa. Estava nervoso e olhava para o lado. Minhas mãos tremiam e suavam com o nervosismo. Elas seguraram um pequeno arranjo de flores. Eram rosas vermelhas que eu havia cultivado do meu quintal. Meu rosto estava levemente rubro e meu coração palpitava desesperadamente.

Depois de um tempo sem resposta, eu me atrevi a olhar em seus olhos e me arrependi no mesmo instante.

And to know you is hard and we wonder

To know you all wrong, we were

-Eu sinto muito, Inglaterra.

Meus olhos arregalaram-se ao ouvir aquelas palavras. Minha boca abriu e nenhum som foi produzido. Eu não sabia o que dizer, apenas encarava as orbes azuis.

-Eu fico agradecido por saber que você gosta de mim, mas eu não sinto a mesma coisa por você.

Apertei com força o arranjo e olhei para baixo. Por que ele estava me dizendo isso? Eu achava que gostasse de mim. Éramos bem próximos e em cada gesto seu, em cada palavra sua, eu imaginava que ele gostasse de mim, como eu gostava dele. Queria dizer todas essas coisas, mas tinha medo de ouvir que estava errado no final das contas.

Really too late to call, so we wait for

Morning to wake you; it's all we got

Levantei a cabeça e fechei os olhos lutando contra as lágrimas que teimavam em aparecer. Depois de um tempo, os abri e finalmente consegui dizer algo.

-Sinto muito por ter te ligado e ter feito você vir até aqui. Sei que está muito ocupado. Não vou mais tomar seu tempo.

Minha voz soou um pouco fraca, mas fui firme até o final da sentença e virei-me. Não queria mais encará-lo. Era doloroso demais.

Estava caminhando de volta para minha casa. Engraçado isso, porque quem deveria estar voltando deveria ser ele. No final das contas foi bom ter nos encontrado no parque. Eu acho que teria jogado qualquer objeto que me pertencia nele, se estivéssemos nela.

Quando dei alguns passos fui impedido por uma mão que segurava fortemente meu braço.

To know me as hardly golden

Is to know me all wrong, they were

-Espere, Inglaterra.

Meu coração disparou novamente. Será possível? Não, eu não posso me enganar dessa maneira. Provavelmente ele está com pena de mim e irá dizer qualquer coisa cliché só para me fazer sentir melhor. Sem me virar, disse:

-Poupe suas palavras, América. Eu não preciso da sua pena.

A mão que estava em meu braço afrouxou o aperto, porém não soltou. Tsc, que perda de tempo.

-Eu sabia que você era bastante orgulhoso, mas não imaginava que fosse tanto. Vamos. Eu não quero conversar com a suas costas.

Hesitei por um momento e então virei-me. Naquele momento, eu já não podia mais conter as lágrimas.

-Do que tudo isso adianta? O que suas palavras podem fazer? Eu fui rejeitado e isso eu consigo lidar. Agora ser tratado com piedade, é demais para mim.


At every occasion I'll be ready for a funeral

At every occasion once more is called a funeral

Every occasion I'm ready for the funeral

At every occasion one brilliant day funeral

Ele ficou calado por um momento e soltou um longo suspiro.

-Eu gosto de você Inglaterra.

Bufei, irritado. Ele percebeu a minha raiva e disse:

-É sério. Eu realmente gosto de você. Só que, infelizmente, não é da mesma maneira. Eu tenho um grande carinho e afeição, desde que era sua colônia. Você foi meu pai, meu irmão, meu companheiro. Até hoje somos próximos, tanto quando países, quantos humanos...

-Não somos seres humanos, América.

-Eu sei, mas você me entendeu. O que quero dizer é que mesmo não podendo corresponder aos seus sentimentos eu não quero me afastar. Você é um precioso amigo para mim.

O que eram todas aquelas palavras? Amigos? Sim, sempre fomos próximos. Então por quê? O que deu errado durante esse tempo?

Engoli em seco e tomei coragem para perguntar o que estava preso em minha garganta.

I'm coming up only to show you down for

I'm coming up only to show you wrong

-Você… Você gosta de outra pessoa?

Ele surpreendeu-se com a minha pergunta e desviou os olhos. Percebi que suas bochechas estavam avermelhadas. Sem me encarar, disse:

-Sim. Eu estou gostando de outra pessoa e essa pessoa também gosta de mim.

Tive nojo daquelas palavras. Uma raiva fora do comum começou a crescer e eu queria saber quem era aquele ser que havia tomado meu amado América de mim. Aproximei-me e com uma voz mais baixa, disse:

-Quem é essa pessoa?

Dessa vez ele me encarou. Estava sério, mas seus olhos refletiam tristeza.

-Do que adianta saber? Você só irá sofrer com isso.

-Não diga besteiras. É alguém que conheço? É por isso que não quer que eu saiba?

To the outside, the dead leaves, they all blow (alive is very poetic)

For'e (before) they died had trees to hang their hope

-Isso não importa – disse – Não dificulte as coisas, Inglaterra. Não pense que é fácil vê-lo sofrendo. Como disse, eu gosto muito de você e...

Irritante, mentiroso, cale-se. Sorridente, confiante, cale-se. Amigo, irmão, Alfred...

-CALE-SE – verbalizei meus pensamentos e coloquei as mãos no rosto. As lágrimas desciam com uma maior velocidade. No chão jaziam as rosas que eu tinha colhido naquela manhã. Haviam caído da minha mão e agora estavam espalhadas pelo chão, como uma metáfora do meu coração partido.

At every occasion I will be ready for the funeral

At every occasion once more it's called the funeral

Chorei. Chorei pela dor da rejeição, pelas palavras que ouvi, pelo fato de amar alguém e essa pessoa só me ver como um amigo.

Dois braços me abraçaram e eu senti meu rosto contra seu peito. Tive repulsa daquele abraço e lutei contra. Lutei até me cansar, afinal era mais fraco que ele. Rendido, o abracei e continuei a molhar sua blusa com minhas lágrimas. Apertei as mãos contra o tecido e meu corpo começou a tremer. Achei que fosse morrer de tanta tristeza.

América sussurrou palavras para tentar me confortar, entretanto eu não as ouvi. Estava preso em minha própria dor. No fundo eu sabia que não era amado, mas eu preferi a doce ilusão a amarga verdade e agora estava pagando por ser tão idiota.

Separamo-nos e ele limpou as lágrimas que ainda escorriam pela minha bochecha. Ficamos um tempo em silêncio até que reuni forças para dizer:

-Eu... acho melhor ir para casa.

-Tem certeza? Não quer que eu passe a noite com você?

Gostaria de ter ouvido essas palavras em outro contexto.

-Acho melhor não. – sorri timidamente – Não se preocupe. Eu... eu vou ficar bem. Por enquanto prefiro ficar sozinho.

América olhou para mim por um momento e separou-se totalmente.

— Qualquer coisa, não hesite em me chamar, ok?

-Certo.

Observei ele se afastar. Estávamos em uma parte do parque que ficava perto da entrada. Ele lançava olhares para trás a todo o momento, até que passou pelo portão e parou na calçada. Um táxi aproximou-se e ele acenou antes de entrar. Acenei de volta e quando o automóvel afastou-se sentei no banco. Peguei uma das rosas que estavam no chão e observei as outras espalhadas. Uma música tocou de fundo, como um réquiem. Compreendi que estava em um funeral. Um funeral dos meus sentimentos.

At every occasion oh I'm ready for the funeral

At every occasion of one billion day funeral

Notas finais
Oie o/ *desvia das pedras* EU SEI. Foi cruel fazer isso com o Arthur, mas eu tava no clima de escrever algo dramático, a música me inspirou e no final sobrou para ele hehehehe. Para quem tiver curiosidade, essa música é linda. Só colocar no youtoba e ouvir =P Ah, sobre American Psycho, não se preocupem. O capítulo está em processo de criação. Como ele precisa ser mais elaborado, acaba levando mais tempo, mas eu vou postar em breve =D É isso, espero que gostem. Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!