The Forest City

69 Capítulo 69 - Cansada


Notas iniciais
Peço desculpas pela ausência! Eu posso explicar. Tinha desistido 100% das fics, sério. Mas vocês continuaram mandando comentários pedindo por mais e eu me senti tão feliz... Não que eu seja do tipo "sem comentários, sem capítulos novos", mas eu tenho um blog, voltei com meu namorado, vou começar o TCC na faculdade... Tudo isso pra focar e ainda assim eu sentia tanta saudade daqui... Não prometo que vai ser regular como antes, mas eu voltarei! Espero que gostem desse capítulo. Estou enferrujada hein! Love youuuuuu *mesmo texto pras mesmas histórias porque eu realmente amo todos vocês*

Enganada estava Selene, achando que chegaria em casa e poderia dormir.

Iria e Yukina estavam na sala, zapeando pelos canais de TV enquanto esperavam por algo.

Ou por alguém.

Ou por mim.

Revirei os olhos e bufei.

— Selene! — Yukina chamou quando fiz menção de subir as escadas e ignorá-las.

Me virei e arqueei a sobrancelha.

Ela jogou o controle no sofá e levantou as mãos ao alto, em gesto de desistência.

— O que aconteceu?! — ela perguntou, com a voz fina.

— Estou cansada — suspiro — preciso ficar um tempo sozinha.

— Sabe do que Yukina está falando — Iria revirou os olhos — não banque a desentendida.

— E desde quando você se interessa pela minha vida particular? — zombei.

— Desde quando te devo MINHA vida — ela rebateu, rosnando — infelizmente.

Relaxei os ombros e suspirei.

— Não vou mais correr atrás dele — confessei — cansa, e é humilhante.

Deixei de lado a parte em que eu, todos os dias, abria a janela para ver se Selene-deusa entrava no meu quarto.

“Esperança é a ultima que morre”, pensava eu.

Mas tudo o que eu via era a luz prateada da lua banhando o cômodo.

E eu me sentia solitária.

Vazia.

Ao menos quando eu era “humana”, nunca tinha me sentido vazia ou sozinha.

Já tinha pensado sobre Daniel e eu.

Foi egoísmo forçá-lo a ficar na forma humana só pra eu poder estar por perto.

E seria um egoísmo maior ralar tanto para que ele voltasse para mim.

— Eu sou uma droga de uma egoísta — fechei os olhos, com desgosto — deixe que ele tenha vida própria.

Iria revirou os olhos e disparou a falar sobre honra: desistentes não a possuem.

Ignorei a lobisomem e sorri de forma triste para Yukina, que me encarava com pesar e compreensão no olhar.

— Por que não pousam aqui? — perguntei, interrompendo a súbita inspiração de Iria para sermões.

— Pensei que não fosse convidar logo — ela bufou.

As duas sorriram e se levantaram do sofá, correndo atrás de mim rumo ao quarto.

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“Tem certeza disso?”, ouvi a voz de Yukina perguntar na minha mente.

Ela sabia que eu não estava conseguindo dormir, tanto quanto eu sabia que ela sofria de insônia.

Seus olhos verdes e gatunos brilhavam na escuridão do quarto.

“Tenho”, respondi, mentalmente também.

“Mas você está sofrendo”, ela insistiu.

Revirei os olhos.

“Pare de ler minha aura, já sabe como ela é toda fodida”.

“Eu quero que seja feliz”, Yukina ignorou meu comentário anterior.

Suspirei e encarei a japonesa baixinha.

“Eu quero que ele seja feliz, comigo de preferência, mas se for pra forçar tanto […]”, respirei fundo.

“[...] então prefiro que ele saia da minha vida, ou o contrário”.

Os olhos de Yukina piscaram, surpresos.

— O que está sugerindo com isso? — ela disse, em voz alta.

Yukina se sentou, indignada.

— Eu vou passar um tempo com a minha mãe — respondi de olhos fechados e com a voz baixa.

A expressão de incredulidade e mágoa de Yukina me pegou desprevenida.

— Mas isso é um absurdo, não pode fazer isso comigo — ela disse, severa, mas com os lábios tremendo.

— Vai ser só um tempo — disse eu em tom de promessa.

— Se é pra se distanciar disso tudo, eu vou com você — ela tentou — vamos pra Cidade Floresta e eu te mostro tudo!

Fechei os olhos e suspirei.

— Vou pensar — forjei um sorriso para ela.

Yukina fungou e se deitou.

Dessa vez, virada de costas para mim.

E eu sinto que estou só perdendo tudo.

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Acordei e não vi sinal de Yukina ou Iria pela casa.

Meu quarto estava perfeitamente arrumado, o que me causava sensação de melancolia das mais profundas.

Desci as escadas a passos lentos e arrastados.

— Papai — chamei.

Esfreguei os olhos e prendi o cabelo num coque mal-feito.

— Pai — tornei a chamar.

— Estou aqui! — ele grita da cozinha.

— Yukina e Iria… — comecei, mas ele me cortou.

— Se foram logo que amanheceu — disse — a japonesa recebeu uma ligação urgente e saiu às pressas.

Assenti e mordi o lábio inferior.

Ligação urgente era uma ova.

Ela estava com raiva de mim, e realmente tinha motivos para isso.

— Pai — chamei mais uma vez.

— Sim, querida? — ele me olhou por cima da pilha de roupa lavada.

Senti vontade de rir.

Meu pai era um demônio que fazia serviços domésticos?

Oh, sim!

“Patético, Selene, não o subestime”, a voz tornou a zombar.

A ignorei.

— Vou passar um tempo com Solara — anunciei — algumas semanas… Eu não sei.

Ele assentiu, compreensivo.

Não faláramos uma palavra sobre a outra vida que levávamos, mas ambos estávamos cientes de que ela existia.

— Tome cuidado, minha princesa — ele largou as roupas e me deu um beijo na testa.

Sorri e o abracei.

Saí da casa, sem me preocupar em carregar pertences.

Tudo o que eu precisava — teoricamente — estava no meu dedo anelar, como uma aliança com a morte.

Meu olho latejava e piorava com a luz do dia que teimava em exibir o sol escaldante no céu, mas ignorei.

Procurei algum lugar isolado na floresta, tendo o cuidado de não ir longe demais para não me perder.

Sabia muito bem que embora “conhecesse” a mata toda, na verdade o que eu sabia sobre ela era o que a barreira ilusória para humanos permitia que eu soubesse.

Bom, pelo menos fora o que Yukina me dissera certa vez.

Respirei fundo e tentei chamar Solara por telepatia ou seja lá o que desse certo.

Desde que ela aparecesse, já estava tudo bem.

Eu precisava ir para o Reino dos Elfos, mas precisava dela para me levar até lá, uma vez que eu não fazia ideia de qual era o caminho.

Se é que existia tal caminho.

— Suas tentativas são engraçadas — a voz tilintante soou atrás de mim.

Revirei os olhos.

— Mas deram certo — me defendi.

— Eu estava por perto — ela deu de ombros — o que quer?

— Quero ver Adalind — fui direto ao ponto.

Solara franziu o cenho, surpresa.

— Por que quer ver mamãe? — questionou, desconfiada.

— Preciso ficar longe daqui por um tempo, quero saber se ela me deixaria ficar lá — expliquei.

— Não precisa da permissão dela pra ir ao nosso reino, você é a princesa de lá — Solara bufou.

Abri a boca para protestar, mas minha suposta irmã gêmea agarrou minha mão e abriu um sorriso travesso.

— Vem! — riu e uma explosão de tons de amarelo invadiu meus olhos.

Pisquei várias vezes para afastar a sensação de vertigem e minha aversão àquela cor horrorosa.

— Arh! — tateei em busca de Solara — nunca mais faça isso!

— Então aprenda como vir sozinha — ela se desvencilhou de mim — venha, ela já deve saber que está aqui.

Franzi o cenho e a segui.

Tentei não dar muita atenção à paisagem maravilhosa que me cercava.

Eu teria tempo para aproveitá-la depois.

Mas era impossível não notar os pilares antigos e as ruínas que aos meus olhos eram perfeitas ao nosso redor.

Passamos por um lago grande. Ele refletia perfeitamente o azul do céu, mas nenhuma criatura viva circundava por lá.

Senti um dejà vu e apertei o passo, ignorando o arrepio na espinha.

— Foi ali que nascemos — Solara explicou, notando meu desconforto.

— Num lago? — tentei soar indignada.

Mas eu sabia que ela falava a verdade.

O lago congelado.

A mulher de cabelos quase brancos sangrando no gelo.

O demônio de olhos vermelhos abrindo sua barriga e tirando de lá duas crianças idênticas.

Ele me escolhendo.

— Selene! — Solara acenou frente ao meu rosto, tentando me tirar das lembranças — chegamos.

Encarei o castelo, não deixando de notar que ficava não muito longe do tal lago.

Já estava escurecendo naquele mundo.

Bufei.

— Não quero que ela pense que estou aqui para irmos às compras, nem nada — resmunguei.

— Eu sei que não — uma voz gélida soou atrás de mim — de qualquer forma, eu recusaria a oferta.

Me virei e abri um sorriso falso para a mulher com heterocromia, a dona da voz.

— Olá, Adalind — cumprimentei.

— Vejo que continua… humana — ela disse, com desdém na ultima palavra.

— Você devia ver as vantagens nisso — pisquei, provocando-a.

Adalind se calou e adentrou os portões do castelo.

Ela estava completamente diferente de quando procurara meu pai.

Resolvi me calar e não dizer nada em relação àquilo.

Do que ela queria me proteger, afinal?

Da sua voz fria e perfuradora?

Revirei os olhos para mim mesma.

“Devia deixar de ser egocentrista”, a voz disse na minha mente.

“Cale a boca”, resmunguei.

— Procure não ir muito longe do castelo, caso queira permanecer viva — Adalind avisou, enquanto subíamos alguns lances de escada.

Pensei em dizer à ela que no mundo dos humanos eles vendiam elevadores.

Mas me contive.

— Algumas rebeliões ainda não se aquietaram, e algumas outras raças vieram causar conflitos aqui — explicou — portanto, não vá muito longe.

— Ok mãezona — abri a porta do quarto.

Era o mesmo que eu havia ficado na vez anterior.

Os mesmos móveis estavam ali, inclusive as mesmas empregadas.

Sorri para ambas, e elas retribuíram de forma tímida.

— Saiam — Adalind ordenou.

Obviamente, elas obedeceram.

Adalind esperou alguns minutos para trancar a porta do quarto. Cruzou os braços sobre o peito e me encarou.

— O que está fazendo aqui? — perguntou.

— Pensei que eu seria bem-vinda — respondi ironicamente.

— O que está fazendo aqui, Selene? — ela repetiu a pergunta, agora um pouco nervosa.

Suspiro e me jogo sentada na cama fofa e convidativa.

— Quero dar um tempo do mundo dos humanos — respondi.

— Você está fugindo — ela concluiu, com um sorriso zombeteiro — Selene Reed está fugindo.

Revirei os olhos.

— Não se chama “fugir” — retruquei — e sim “esfriar a cabeça”.

— O seu pai te deu uma vida — ela adota uma expressão séria — não a desperdice.

— Nada está sendo desperdiçado, estou curtindo a faculdade, sabe como é, as farras, baladas e bebedeiras… — menti.

— Eu me refiro ao seu namoro destinado ao fracasso — ela me cortou.

A encarei inexpressiva.

— Não há mais tempo a perder com isso — finalizei.

Ela soltou o ar que nenhuma de nós notou que segurava e assentiu.

— Não se preocupe, voltarei amanhã — disse eu.

Tirei meus sapatos e me deitei na cama.

Adormeci fácil, apesar do "fuso horário". Eu estava mais do que cansada.