The Flames

13 Em frente


Foram longos nove meses. Dolorosos meses, pra cada um lidar com a própria dor da forma conseguisse amenizar, de alguma forma. Natalie havia perdido as contas de quantas vezes teve que lidar com as encrencas que Scott proporcionou nos últimos meses, isso quando o garoto se dava ao trabalho de ir à aula. E mais estranho do que receber bronca de um professor, era receber de sua ex-sogra. A relação dos dois era boa. A Martin gostada dele e ele também, mesmo que não tivesse lidado muito bem com seus sentimentos desde à partida de Lydia. Ainda doía. Era quase sufocante. Nunca se sabe quando se encontra o amor da sua vida, mas Scott sabia que a relação curta que tiveram não acabaria daquela forma, nunca. Ainda não era o momento, preferia pensar. Era reconfortante encarar a vida dessa forma, sem compromisso ou preocupações, uma hora tudo voltaria ao normal. Melhor do que isso, ele tinha companhia, sempre. A verdade é que todos mudaram, isso inclusive ele que sempre preferia ficar sozinho. Agora, estava sempre rodeado por pessoas, mesmo que não fossem amizades sinceras, qualquer coisa era melhor do que ficar sozinho e lembrar dela. Todas as noites ele saia com amigos, para festas, bares ou restaurantes, pra qualquer lugar. Só não conseguia ficar em casa, no quarto, onde foi o cenário de vários momentos com ela.

Ele segurou o braço da cadeira com força, apertando-o entre as mãos. Natalie retirou o óculos do rosto para tentar transformar aquela conversa em menos informal possível.

— Como está? – ela perguntou.

A dó era explicita em sua voz.

— Bem – deu de ombros.

A mais velha suspirou.

— Conversei com a sua mãe – disse – Ela está preocupada com a sua reação.

— Já faz nove meses – ele indagou – Esse sou eu agora.

— Scott, eu sei que você sente a falta dela. Mas...

— Natalie, foi mal – a cortou – Não vim aqui pra falar sobre ela.

Jogou as mãos pro ar em sinal de rendição.

— Tudo bem – sorriu compreensiva – Conversei com o diretor mais uma vez.

— Não precisa de tanto.

— Suas faltas aumentam cada vez mais, Scott. Se quiser entrar em uma faculdade ainda dá tempo de correr atrás do prejuízo! Não pode deixar que seus sonhos morram tão de repente. Você mudou. Não anda mais com Stiles ou Liam, mal fala com eles. Eram os seus melhores amigos, lembra? O Lacrosse não parece significar mais nada pra você, e tudo bem, gostos mudam, mas esse aí não é você. Agora tem até uma tatuagem, coisa que sua mãe nunca aceitou. Não que eu ache que só tenha que fazer o que ela deseja, o quê eu quero dizer é que você tem que ser apenas você. O Scott Mccall de sempre. Está saindo com uma menina, não é? Kira me parece realmente legal e gostar de você. Temos que aceitar, Scott. Sabe bem do que estou falando. Perdi as esperanças de que Lydia volte. É hora de seguir em frente.

— Não tem porquê se preocupar – disse simplesmente – Se não se importa...

— Tudo bem, vá – o liberou. Já cansando de tentar ajuda-lo.

Ele se levantou aliviado da cadeira, e começou a andar na direção da porta, até que suas mãos tocaram a maçaneta. Não se virou para olha-la, mas mesmo assim suspirou cansado, e perguntou:

— Tem noticias?

Natalie respondeu com outro suspiro. Ele sabia o quê aquilo significava.

— Não – disse – Quer dizer, conversamos um pouco. Mas já fazem alguns dias.

— Quando ela volta? – perguntou, quase sufocado.

— Ela não diz – disse – Sinto muito.

— Eu também.

Scott tocou a maçaneta mais uma vez, dessa abrindo-a com força, encontrando Kira o esperando do lado de fora. Já faziam algumas semanas que ela estava em Beacon Hills e realmente era uma garota legal, mas não tinha os cabelos ruivos, um guarda-roupa maior do que o seu quarto, e não fazia o coração dele acelerar só de vê-la do outro lado do corredor e, também não sentia as faíscas queimarem o seu corpo quando eles se tocavam. Ela não era a Lydia.

— Tudo bem? – perguntou.

— Tudo – sorriu – Vem, vamos comer.

Estar de volta a Beacon Hills trouxe uma sensação de liberdade à Lydia. Era como estar em casa. Mesmo com todas as feridas que aquele lugar lhe conseguia lhe trazer. Foram longos nove meses desde a morte da avó da ruiva e, da sua partida. Quebrou totalmente o contato com todos os amigos que havia construído na cidade e mal falaca com a mãe. As feridas tinham que cicatrizar. Quando sentiu que estava pronta para retomar a sua vida novamente, agendou a viagem para a semana seguinte, e se certificou de que o pai cuidaria de todo o processo de transferência para a escola, mais uma vez, pedindo que cuidasse para não se tornar uma fofoca, queria surpresa, nem mesmo sua mãe poderia saber. Foi uma longa temporada com o pai e a namorada modelo dele. Mesmo que odiasse a companhia, estava sozinha, e aquilo era bom. O salto alto se colidindo com o chão dos corredores da escola lhe pareciam familiar, assim como os olhares e cochichos quando ela passava. Aquilo era tão normal quanto o sol se pôr as seis horas, e por incrível que pareça, Lydia estava amando a normalidade. Suas mãos tocaram a maçaneta da sala de Natalie, abrindo-a em seguida. Sua mãe estava sentada, presa em alguns papeis.

— Não custa bater na porta – a mulher repreendeu levantando o olhar – Ai meu Deus! Filha, é você?

Lydia riu enquanto ela tateava os óculos sobre a mesa para que pudesse ter certeza.

— Oi, mãe.

Elas se abraçaram por um longo tempo.

— Eu senti sua falta – a ruiva admitiu.

— Eu também, meu amor. Como você está?

— Cicatrizada – sorriu mostrando os dentes.

— Isso me deixa tão feliz – passou as mãos pelos cabelos dela – Querida, eu estou tão feliz!

— Onde está todo mundo?

— No almoço – o sorriso de Natalie diminuiu ao ver a empolgação da filha – Lydia, ei, calma.

— O quê?

— Filha, você ficou fora por nove meses, não espere muito – falou com cautela.

— É sobre o Scott?

— Cada um lida com a dor da forma que pode.

— Tudo bem, mãe – disse – Mesmo.

Ela caminhou a passos largos até o pátio fechado, chovia lá fora, então não havia ninguém nos pequenos quiosques do jardim. Sentiu seu ombro bater com o de alguém, parando de andar. Stiles arregalou os olhos, com Liam ao seu lado. Eles não acreditavam no que estavam vendo.

— Meu Deus! – Stiles a puxou para um abraço – Você voltou.

Ela assentiu.

— Como você está? – Liam perguntou, depois de abraçar ela.

— Tudo bem.

— Graças a Deus você voltou, já estávamos perdendo as esperanças.

Ela franziu o cenho.

Stiles apontou com a cabeça na direção oposta, Scott os olhava dedicando total atenção ao grupo. Kira o encarava estranhando a reação do garoto.

— Tá tudo bem – Lydia repetiu – Fiquei fora por muito tempo, não é?

— Isso virou um caos – Stiles disse.

— Não há nada que eu possa fazer, Sti – ela colocou a mão sob o ombro do amigo – É hora de seguir em frente. Scott já fez isso.