Um dia

Um dia eu acordei diferente, depois de um longo sonho...

Escovei os dentes, tomei banho e segui rumo.

Esperando o mesmo de todos os dias,

No intuito de fazer girar o mundo.

Um dia eu andava na calçada e vi de lá uma flor brotar...

Esqueci o que acontecia à minha volta,

E ajudei à flor que nascia torta,

A endireitar-se de maneira nova em sua tentativa de trajetória.

Um dia eu decidi dizer tudo o que eu pensava pras pessoas...

Umas ficaram tristes, outras caladas.

E uma culpa que me batia e pesava,

Jazia calada pelas lembranças que guardar causava.

Um dia eu decidi mudar e entender melhor quem era...

Achei que as amizades sairiam do pincel.

Que brotariam molhadas como tinta na folha de um papel,

Quando na verdade eu devia primeiro ter pintado o céu.

Um dia eu percebi que o frio era bom...

E noites em claro passei coberto pelo edredom.

Só me recordo de dizer como era bom,

Sentir com o tato as maravilhas do gelado tom.

Um dia eu quis tê-la sempre aos meus braços protegida...

E criei celas para que sempre fosse minha amiga.

Mas os batuques de madrugada que ela fazia,

Não pareciam condizer com o que minha alma pedia.

Um dia eu quis esquecê-la depois de partir...

Mas as pessoas me diziam que eu não deveria,

Afinal ela veio para ensinar-me mais que eu sabia.

Contudo eu não entendi o texto escrito nas entrelinhas.

Um dia eu resolvi tentar recomeçar a vida do zero...

E me vi barbudo, perdido e meio incerto.

Com dezoito, dormindo sob as estrelas, sem-teto.

Esperando que o destino me desse tudo aquilo que julgava certo.

~Gabriel.