The Feeler
35 Subúrbios
Notas iniciais
Subúrbios
Será que tenho algum minuto para dizer algumas palavras?
Ou as frases que saem da minha boca são inúteis e vazias?
Tanto para vocês não quererem escuta-las,
Por uma ótica pessimista de que eu não tenho nada para dizer.
A não ser, talvez, o que de fato vocês tinham de conhecer...
Sobre mim.
Cabe citar em cada linha que as coisas aconteceram,
Exatamente assim.
Dentre fatos e fardos passados adiante,
Sob os ombros de uma amante cega perante a noite lancinante...
Esquálida e fática, de luz breve e despreocupante (*).
Acusar-te-ei pelos pecados cometidos na cama,
Enquanto em coma minha mente repousava,
E pensava em cada palavra...
Se vocês me dessem a graça de agora poder recita-las.
Não há nada que eu possa afirmar com certeza nesse mundo...
Sobre qualquer prerrogativa outrora verdadeira, não posso dizer.
Sim, caro público, se fui como fostes outros em outrora.
Cada gota que caí do olho não necessariamente chora,
Por vontade, por medo ou por felicidade.
Cabe-me agora dizer,
O que é de minha vontade nesse plano,
De algoritmos logísticos num gráfico profano...
Subtraindo cada vestígio de naturalidade.
Escapando, minimamente, de cada anormalidade.
Disfarce enquanto eu digo que sou um monstro,
Ouça-me dizer apenas que busco ser um bom moço.
Afinal, se és parcialmente surdo é porque escolhes ouvir...
Aquilo que de melhor lhe convir.
Outros batizados passaram pela santa mão do padre...
Ignore o fato de sua carnalidade.
Enlouqueça sob o manto de carne podre que comporta,
Tudo aquilo de nojento com o qual concorda.
Lembre-se, o tempo é agora.
Lave os lenços sujos enquanto a chuva ainda chora...
Obrigado por me ouvirem, caro público...
Nesse poema sórdido, impuro, inundo.
Sujo como as calçadas em que vocês andam descalços...
Podem-se colocar em posições de palmas,
E deixarem as mãos produzirem esse famigerado eco.
Que agrada os ouvidos parcialmente surdos,
Desse poeta que enlouqueceu recitando...
Subúrbios.
~Gabriel.
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