Sertão

Trouxe-me trouxas de roupa,

Suficientes para eu estender no varal.

E entender, através de cada gotejar, que vidas secam,

Como folhas próximas de cair quando chega o outono.

Entende a profundidade de pensamentos autônomos tomando conta

De pessoas sonâmbulas?

Eis a resposta breve que diverte como neve...

Não! A prerrogativa negativa mais fascinante que ousarei escrever,

E descrever nesses versos vazios em que se lê,

Verdades ocultas sob o manto do viés,

De partituras e escrituras antigas e sem qualquer

Base para se sustentar em seus gastos pés.

Vendem-se solas gastas por preços mais em conta,

Enquanto encontram-se sombras em árvores frutíferas...

Que alimentam os senhores e moradores da vila,

Com seus medos do sol vermelho que os queimaria

Caso a água benta não tivesse se derramado sobre suas cabeças.

Só persiga a chuva se puder carregar um balde,

E conseguir leva-lo consigo nas tempestades.

Gaste cada gota com seriedade,

Porque o suor quando cai, o faz por vontade.

Então, não se esqueça do seco que vem da garganta,

Otimize o tempo que a água que se diz santa

Abençoa sua cabeça quadrada.

Vamos orar por mais belezas,

Enquanto fechamos nossos olhos para as sutilezas

De árvores e praias que se desenham em nossas encostas no litoral.

Afinal, nada disso realmente importa...

Ou será que sim?

Erga a cabeça, jovem grilo...

Faça ser alecrim, alecrim...

Grile cada canto escondido sob o manto verde,

Estonteante e derradeiro como o chá que colhes,

E do rio onde tira em tiras o peixe.

Aqueça-se no inverno, guarde as lágrimas no verão...

Tente esquecer todos os problemas que constituem seu amargo sertão.

Faça da aridez uma competência,

Tire da areia dura a árdua sobrevivência,

Sem nunca pedir clemência...

Aos que em vocês pedem votos

Atendidos pela população em demência.

~Gabriel.