The Feeler
32 Sertão
Sertão
Trouxe-me trouxas de roupa,
Suficientes para eu estender no varal.
E entender, através de cada gotejar, que vidas secam,
Como folhas próximas de cair quando chega o outono.
Entende a profundidade de pensamentos autônomos tomando conta
De pessoas sonâmbulas?
Eis a resposta breve que diverte como neve...
Não! A prerrogativa negativa mais fascinante que ousarei escrever,
E descrever nesses versos vazios em que se lê,
Verdades ocultas sob o manto do viés,
De partituras e escrituras antigas e sem qualquer
Base para se sustentar em seus gastos pés.
Vendem-se solas gastas por preços mais em conta,
Enquanto encontram-se sombras em árvores frutíferas...
Que alimentam os senhores e moradores da vila,
Com seus medos do sol vermelho que os queimaria
Caso a água benta não tivesse se derramado sobre suas cabeças.
Só persiga a chuva se puder carregar um balde,
E conseguir leva-lo consigo nas tempestades.
Gaste cada gota com seriedade,
Porque o suor quando cai, o faz por vontade.
Então, não se esqueça do seco que vem da garganta,
Otimize o tempo que a água que se diz santa
Abençoa sua cabeça quadrada.
Vamos orar por mais belezas,
Enquanto fechamos nossos olhos para as sutilezas
De árvores e praias que se desenham em nossas encostas no litoral.
Afinal, nada disso realmente importa...
Ou será que sim?
Erga a cabeça, jovem grilo...
Faça ser alecrim, alecrim...
Grile cada canto escondido sob o manto verde,
Estonteante e derradeiro como o chá que colhes,
E do rio onde tira em tiras o peixe.
Aqueça-se no inverno, guarde as lágrimas no verão...
Tente esquecer todos os problemas que constituem seu amargo sertão.
Faça da aridez uma competência,
Tire da areia dura a árdua sobrevivência,
Sem nunca pedir clemência...
Aos que em vocês pedem votos
Atendidos pela população em demência.
~Gabriel.
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