The Feeler
22 A mulher Corvo
A mulher Corvo
Você me usa como uma peça de roupa escura...
Que te faz abrir as asas e sentir-se como um corvo.
Ó Dama negra dos fracos e tolos...
Com expressões ácidas e falsos consolos.
A capa em que te vestes estás suja de vermelho,
As mangas que chegam aos pulsos estão com profundos cortes roxos.
O frio do tempo muda à tua volta,
Enquanto tuas asas batem e levantam uma poeira cinza,
Que marca a sua chegada,
Olhem! É a mulher vestida de corvo!
Com as palavras secas de uma vítima suicida,
Ou talvez cada voz que deste a elas fosse de uma iminente mentira?
Ela me usou como um cachecol negro ao redor de seu lindo pescoço...
Como se eu não a deixasse sufocar.
Manteve-me por perto quando o gelo chegara à garganta,
E as preces tão fáticas não chegaram aos ouvidos da santa.
Eu estive por muito tempo preso sob sua manta...
Iludido por uma crescente desconfiança,
Que me afligia tanto mais que qualquer medo de criança.
Houve momentos em que o que disse era verdade,
Sobre a mulher que ao meu lado caminhava,
E que se trajava tão belamente de negro,
Em um relacionamento incomum...
Onde mesmo em nossos momentos de enamorados,
Nossos lábios sequer trocaram um beijo.
Eis então ela, a mulher Corvo...
Uma rainha entre os vermes,
Que são cegos quanto à falsa modéstia em que a Dama se veste,
Em suas vestes de mulher Corvo.
Entendam que ela não é nada do que parece,
Deixem de ser cegos, meus caros vermes...
A rainha que os controla está no mesmo nível de vocês,
E não acima.
Houve um tempo bom falando sobre o tempo...
Houve um tempo em que essa mulher me fez sentir especial...
Só que as palavras que ela me contava,
Vinham de uma causalidade normal,
Do frio relacionamento de um frio casal,
Que só permanecera junto por um desejo banal.
Essa mulher uma vez ganhou de verdade o meu coração...
E quase cheguei a pensar em compara-la à perfeição...
Só que eu enxerguei então...
Que ela era igual com todos,
E eu não era exceção.
~Gabriel.
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