The Fault Is Other Stars
1 Capítulo I - Parte I
Notas iniciais
Eu estava sentando confortavelmente na minha cadeira olhando as pessoas entrarem e se servirem de biscoito e limonada em copos descartáveis.
Por que diabo Isaac me pediu para eu vir nesse grupo de apoio? E por que Deus eu fui aceitar? Ah sim, agora entendi o porquê, o porquê estava descendo as escadas bem rápido, arrastando consigo um carrinho de aço com fios ligados em uma cânula ligado ao nariz dela. Ela devia ter problemas no pulmão ou com a respiração. Ela andou ate a mesa onde estavam os biscoitos e a limonada e pegou apenas um biscoito e um copo de limonada. Como uma pessoa come apenas um biscoito?
Então ela se virou de frente e percebeu que eu estava olhando para ela.
Sim querida, eu dou valor as coisas mais simples da vida, e estou olhando para você.
Fui vendo a aparência dela, na boa ela é maior gata, não muito alta e nem muito baixa, o cabelo bem curto (como o cabelo do pequeno príncipe) e escuro, estava vestida em uma calça surrada. Mas vamos ao caso, calças surradas nem todo mundo usar. Por dois motivos.
Você pode parecer descolado usando uma calça surrada.
Ou então você pode parecer um tolo querendo ser descolado usando calças surradas.
Aquela garota estava quente usando aquelas calça e uma camisa amarela de uma banda que eu tinha o CD em algum lugar no meu quarto. Só que ela também estava olhando para mim, olhando como eu estava sentando, certo não era lá o melhor jeito de se sentar, mas eu estava confortável e gostava de me sentar daquele jeito. Só que ela não estava me olhando nos olhos, ela desviou o olhar rapidamente. Andou até a roda e se sentou ao lado de Isaac – Isaac sortudo, estava com a maior gata ao lado dele – duas cadeiras de distancia de mim. Eu não deixei os olhos um segundo dela, ela me olhou de novo e desviou de novo. Por que ela não me olhava? Ela não era essas garotas tímidas, abobalhadas? Era? Essa garota me parece ser bem diferente. Ela tirou o celular do bolso e apertou um botão, seria o namorado dela?
O cara lá, Patrick – Isaac tinha nos apresentado antes da reunião começar – deu inicio a reunião “Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença entre elas.”. Eu não tirei os olhos da garota, ela não iria me olhar de novo? Cadê a confiança? Seu rosto começou a ficar vermelho, ela estava com vergonha. Ela fica linda corada.
Então ela virou o rosto e me encarou. Nos. Olhos.
Aquela garota com certeza é totalmente diferente. Monopolizando-me com esse olhar. Eu estava gostando daquele jogo. Eu não fazia a mínima ideia do que o Patrick estava dizendo, mas era algo sobre a ausência das bolas dele “oh cara, sinto muito, deve ter sido horrível perder suas bolas” pensei.
A garota e eu ainda estávamos nos encarando, era mais como uma batalha sendo travada pela encaração, ela é ousada. Dei um sorriso e desviei os olhos. Cara ela é boa. Olhei de novo para ela e ela arqueou as sobrancelhas como que dizendo: “ganhei”.
Dei de ombros. O Patrick começou as apresentações.
— Isaac, talvez você queira ser o primeiro hoje. Sei que está enfrentando um grande desafio no momento.
— É — o Isaac disse. — Meu nome é Isaac. Tenho dezessete anos. Parece que vou precisar ser operado em duas semanas, depois vou ficar cego. Não estou reclamando nem nada porque sei que poderia ser pior, como no caso de alguns aqui, mas, quer dizer, ficar cego é, tipo, uma droga. Ter uma namorada me ajuda. Além de amigos como o Augustus. — Ele balançou a cabeça na minha direção. — Pois… — continuou. Ele estava olhando para as mãos, os dedos cruzados. — Não há nada que se possa fazer para mudar isso.
— Estamos do seu lado, Isaac — o Patrick falou. — Vamos lá, pessoal, digam para o Isaac ouvir.
E então todos nós dissemos juntos:
— Estamos do seu lado, Isaac.
O outro foi um garoto de 12 anos, Michael, tinha leucemia, disse que estava bem. Pela aparência dele ele com certeza não estava bem. Depois foi a vez de uma garota, o nome dela era Lida. Ela é bonita, mas sabe aquela boniteza que toda garota que é bonita tem, aquela que parece ser a mesma, pois é, ela é assim. A outra garota monopolizadora de olhares encaradores era uma boniteza diferente, única. A Lida disse que tinha um câncer no apêndice e que se sentia bem indo nas reuniões, serio mesmo que ela disse isso?
Tenho que me lembrar de perguntar pro Isaac porque ele vem aqui mesmo.
Mais cinco pessoas falaram, então foi minha vez:
– Meu nome é Augustus Waters, Tenho dezessete anos. Tive uma pitada de osteossarcoma um ano e meio atrás, mas só estou aqui hoje porque o Isaac pediu. – só mesmo para esclarecer.
— E como está se sentindo? — o Patrick perguntou.
— Ah, maravilha. — Sorri, com certeza não era bem assim. — Estou numa montanha-russa que só vai para cima, amigão.
Depois foi a vez da garota, ela falou bem rápido e em uma voz rouquinha:
— Meu nome é Hazel. Tenho dezesseis anos. Tireoide com metástase nos pulmões. Estou bem.
O nome dela era Hazel, combina com ela, mas falto algo, quero perguntar o nome completo dela, mas vou deixar para final. As horas foram passando, historias foram contadas, de batalhas perdidas, batalhas vencidas, lagrimas foram compartilhadas, nem eu e nem a Hazel falamos uma palavra.
Então o Patrick soltou uma para mim:
— Augustus, talvez você queira falar de seus medos para o grupo.
WOW, CALMA AE CARA
– Meus medos? – perguntei.
— É.
— Eu tenho medo de ser esquecido — falei de pronto, medo bobo eu sei, mas era meu medo. — Tenho medo disso como um cego tem medo de escuro.
— Calma aí… — começou Isaac abrindo um sorriso, ele adorava quando eu ironizava com a cegueira dele.
— Estou sendo insensível? Eu posso ser bem cego quando o assunto são os sentimentos das outras pessoas.
O Isaac estava rindo, mas o Patrick levantou um dedo repreendendo-o.
— Por favor, Augustus. Voltemos a você e às suas questões. Disse que tem medo de ser esquecido?
— È.
O Patrick estava confuso. Será que ele não entende? Eu já sofri, eu já fiz pessoas sofrerem, eu já perdi alguém para o sofrimento.
— Alguém, ahn, alguém gostaria de fazer algum comentário?
Eu fui pego de surpresa, quando a Hazel levantou a mão lentamente.
— Hazel! – Exclamou Patrick. Do jeito que ele disse ela não era muito de dar opiniões.
Então ela se virou para mim, olhou bem nos meus olhos e disse:
— Vai chegar um dia em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — ela fez um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para á. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz.
Droga, cada palavra que saiu da boca dela me atingiu como um choque, ela é muito inteligente e soube escolher tão bem as palavras dela.
A Hazel me fascina.
Abri o maior sorriso que pude para ela.
— Caramba! — falei bem baixinho. — Não é que você é mesmo demais?
Nem eu e nem a Hazel falamos mais nada ate o fim da reunião. Nos levantamos e damos a mãos, e o Patrick começou com as preces.
— Senhor Jesus Cristo, estamos aqui reunidos em Seu coração, literalmente em Seu coração, como sobreviventes o câncer. O Senhor e somente o Senhor nos conhece como conhecemos a nós mesmos. Nos guie pela vida e para a Luz em nossos períodos de provação. Oremos pelos olhos do Isaac, pelo sangue do Michael e do Jamie, pelos ossos do Augustus, pelos pulmões da Hazel, pela garganta do James. Oremos para que o Senhor consiga nos curar e para que possamos sentir Seu amor e Sua paz, que excedem todo o entendimento. E nos lembremos em nossos corações daqueles que um dia conhecemos, amamos e que foram para a sua casa: Maria, Kade, Joseph, Haley, Abigail, Angelina, Taylor, Gabriel…
Ele tirou o papel do bolso e começou a falar o resto dos nomes, era tanta gente que ele não conseguia nem decorar. A Hazel estava de olhos fechados, concentrada. Eu precisava falar com ela.
Quando o Patrick terminou todos falamos em uníssono:
—VIVENDO O MELHOR DA NOSSA VIDA HOJE.
Empurrei meu corpo para fora de cadeira e fui andando na direção da Hazel. Parei bem perto dela, o suficiente para ela me olhar nos olhos, não era ela que gostava de encarar?
— Qual é o seu nome? — perguntei.
— Hazel. – ela respondeu
— Não, o nome completo.
— Ahn, Hazel Grace Lancaster.
O nome dela é lindo, completo, combina mais completo do que só Hazel, tipo o Isaac o nome dele é mais legal chamar só Isaac, mas a Hazel com certeza é mais maneiro o nome completo.
Eu ia dizer isso para ela quando o Isaac se aproximou.
— Só um instante — falei, levantando um dedo para ela, e me virei para o Isaac. — Isso foi pior do que você tinha dito, na verdade.
— Eu disse que era um tédio.
— Por que você se dá o trabalho de vir aqui?
— Sei lá. Meio que ajuda…?
Inclinei o corpo para Isaac para a Hazel Grace não me escutar.
— Ela vem sempre?
— Sim cara, mas não tenho muita intimidade com ela.
— Quer saber? – peguei o Isaac pelos ombros e dei um passo para trás para ele contar o que ele me disse da ida ao medico dele. — Conte à Hazel da ida ao médico.
Isaac apoiou as mãos na mesa de biscoito e virou o enorme olho para Hazel.
— Tá, é que eu fui ao médico hoje de manhã e estava falando para o meu cirurgião que preferiria ser surdo a ser cego. E ele disse: ‚Não é assim que as coisas funcionam.‛ Aí eu falei, tipo: ‚É, eu sei que não é assim; só estou dizendo que preferiria ser surdo a ser cego se pudesse escolher, mas sei que não posso.‛ E ele: ‚Bem, a boa notícia é que você não vai ficar surdo.‛ Eu disse: ‚Obrigado por esclarecer que meu câncer no olho não vai me deixar surdo. É muita sorte minha ter um gênio como você me operando.‛
— Ele é mesmo um gênio — ela disse— Vou tentar arrumar um câncer qualquer no olho para poder conhecer esse cara.
Esta vendo só? Ela não é aquelas sensíveis quando fazem piada de câncer, ela mesma faz as piadas.
— Boa sorte. Então, tá. Já vou indo. A Monica está me esperando. Preciso olhar bastante para ela enquanto posso.
Eu já estava com diabete com tanto que esse namoro deles é meloso.
— Counterinsurgence amanhã? — perguntei.
— Com certeza. – ele respondeu e subiu as escadas pulando de dois em dois degraus.
Virei-me para ela e disse o que o Patrick falou:
— Literalmente.
— Literalmente? — ela perguntou.
— Estamos literalmente no coração de Jesus… Achei que estivéssemos no porão de uma igreja, mas estamos literalmente no coração de Jesus. – serio, quando Isaac disse que era na igreja não pensei que fosse ‘literalmente’ aqui.
— Alguém deveria contar isso para Jesus. Quer dizer, deve ser perigoso ficar guardando crianças com câncer no coração.
— Eu mesmo poderia contar, mas, para minha infelicidade, estou literalmente enterrado no coração Dele, então Ele não vai conseguir me ouvir.
Ela riu, ela fica linda rindo.
— O que foi? — perguntou.
— Nada.
— Por que você está olhando para mim desse jeito?
Sorri — Porque você é bonita. Eu gosto de olhar para pessoas bonitas, e faz algum tempo que resolvi não me negar os prazeres mais simples da existência humana. – okay disse, não vou esconder.
Um silencio se seguiu.
Continua...
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